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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

30
Nov15

Advento 2015


Olívia

Tal como tinha planeado conseguimos viver estes primeiros momentos de advento com muita alegria e muito trabalho... pois era preciso montar a árvore, retirar todos os enfeites das caixas, ir buscar o musgo (tarefa do pai, com ajuda das filhas mais velhas)...

 

Todas estas tarefas foram feitas "às prestações" pois com um bebé em casa é difícil ter muito tempo seguido para fazer seja o que for. Assim comecei bem cedo a preparar as coisas e terminámos já a tarde se transformava em noite! Pelo meio muitas coisas fomos fazendo... encontrámos ainda tempo para irmos em família à celebração da missa do 1º domingo do Advento, e que bom que é sairmos todos em família, agora em versão alargada!

 

Retomar estas actividades fez-me sentir muito bem, é bom estar de volta à vida em família!

 

O dia terminou com a 1ª história da bíblia, alusiva à "Árvore de Jessé"

 

Aqui ficam algumas imagens do nosso domingo!

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27
Nov15

Como o tempo passa...


Olívia

Uma das coisas mais curiosas de ter estado fora da minha aldeia foi o que vi quando vim dormir a casa no domingo dia 8... num jardim central estava já uma árvore de Natal feita com fitas de luz em forma triangular... ao ver aquilo exclamei "querem ver que me fui embora no dia 4 de novembro e regressei no dia 8 de dezembro??"

 

Mas não. Ainda estávamos em novembro! 

 

Um pouco por todo o lado já começam a aparecer as cores de Natal, um pouco por todo o lado já se enfeitam as montras, as portas das casas, nas caixas do correio já se acumulam ao molhe os catálogos de brinquedos e a chamada para aproveitar as promoções já se faz ouvir bem alto!

 

Já começam as distrações, não vão as pessoas acharem que no Natal se comemora o nascimento de Jesus... não... o importante é resumir o Natal aos doces, aos presentes, às luzes... o mesmo, portanto, dos anos anteriores...

 

Cá em casa ainda não se respira o espírito de Natal, na verdade tenho andado tão compenetrada nesta tarefa de mãe de 3, dona de casa e esposa que ainda não consegui dedicar-me ao Natal. E ainda bem.

 

Cada coisa a seu tempo. O Natal só começa a 25 de dezembro! Agora o Advento está mesmo aí, quase, quase a chegar! Esta semana aprecebi-me que é já no próximo domingo que começamos então a preparação para a grande festa!

 

Pela primeira vez desde que comecei a namorar, e já lá vão 18 Natais, a árvore de Natal e o presépio não serão feitos no dia 8 de dezembro, e porquê? Porque nesse dia será o batismo da Lúcia!

 

Por isso, este ano começamos uma nova tradição. A árvore e o presépio serão feitos no primeiro dia de Advento! Não sei se já há musgo debaixo das grandes pinheiras e sobreiros ali junto à escola primária, mas o pai há-de lá ir ver, há-de trazer um bocadinho para o nosso presépio... e aí sim, ao som de cânticos alegres de Natal, pouco a pouco começará a nossa caminhada.

 

A nossa árvore, à semelhança da do ano passado, contará com uma história da bíblia e uma imagem por cada dia, será assim chamada "Árvore de Jessé"!

 

Nestas quatro semanas temos muito para melhorar, para fazer...  para isso: Coração aberto à vida e ao encanto que nos traz esta época e mãos à obra!

 

 

26
Nov15

A Lúcia


Olívia

Eu sei, o tema está a ser muito repetitivo, mas há que recuperar o tempo em que não vim aqui diariamente contar as novidades... ontem ao olhar para o calendário ali na barra lateral até fiquei de boca aberta... num mês escrevi meia dúzia de dias!

 

Agora que a rotina se volta a instalar cá em casa, sinto que devo esforçar-me mais por escrever nem que sejam apenas umas linhas!

 

A Lúcia está a crescer a olhos vistos! É um doce, não chora a não ser que esteja com muita fome, ou com dores de barriga... ah e no banho, claro!

 

Ora então aqui ficam os "valores métricos" da nossa pequenina:

 

Nasceu no dia 5 de novembro pelas 17h57m com 3,075 kg de peso e 48,5 cm de comprimento, agora que está em casa está muito mais tranquila, come, tem momentos em que está acordada a observar tudo e dorme como se espera de qualquer bebé recém-nascido!

 

Enquanto ela dorme os seus pequenos sonos da manhã aqui a mãe consegue algum tempo para organizar a casa, para vir aqui escrever e adiantar o almoço e o jantar!

 

De tarde bem que gostaria de dormir uma sesta, mas como tenho sempre muito que fazer (trazer lenha para casa, apanhar a roupa do estendal, varrer a cozinha...) só consigo passar pelas brasas uns dez minutos!  

 

À tardinha vamos à cidade buscar as manas à escola, e regressamos antes que o sol se esconda por completo, acendemos o lume e depois dos trabalhos de casa feitos e de alguma brincadeira lá jantamos!

 

Ainda não temos a rotina do banho bem definida... e a oração da noite já foi feita no hall de entrada... aos poucos vamos adaptando o nosso dia-a-dia às novas exigências da família, afinal de contas dia 1 a mãe irá regressar ao trabalho, com um horário reduzido, claro que a vida é mesmo assim!

 

 

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25
Nov15

O que não nos mata... fortalece-nos!


Olívia

Durante dias recordei esta frase dita por alguém que agora não me lembro quem foi, e é justamente assim que me tenho sentido.

 

Dos vinte dias de vida da Lúcia, o início foi realmente complicado, muito atribulado e acima de tudo cheio de grandes dúvidas.

 

Depois de regressarmos a casa, as coisas começaram aos poucos a acalmar. Havia toda uma dinâmica familiar que foi interrompida - já sabíamos que o iria ser, nunca nos passou pela cabeça que fosse desta forma!

 

Durante os sete dias em que me "afastei" de casa, as nossas filhas ficaram entregues à minha mãe e à minha irmã. Foi lá que dormiram, comeram, tomaram o seu banho... foram elas que as levaram à escola e que as foram buscar, foram elas que as auxiliaram nas questões da escola, que lhes prepararam as roupas... ter de "entregar" a gestão da vida familiar não é fácil. Metade da família num local, outra metade longe... deixava-me bastante triste...

 

Apesar de tudo, em cada manhã eu sentia-me uma pessoa abençoada, grata e cheia de esperança! Em cada manhã pelas 8 horas o meu marido deixava-me à porta do hospital para mais um dia.

 

Enquanto ele ia trabalhar, eu entrava e pedia a identificação para poder circular nos corredores e portas onde está escrito "acesso reservado" e a senha do pequeno almoço - no hospital Beatriz Ângelo as mães que estão a amamentar e que têm bebés internados têm direito ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar - depois de comer dirigia-me à capela e ali ficava por meia hora em oração e...em grandes acessos de choro, confesso.

 

Ali era o único local onde eu conseguia "extravasar" tudo o que sentia, ali podia chorar sem que ninguém me julgasse, ali conseguia desarmar-me de todas as "fortalezas" exteriores... ali podia ser eu, no melhor ou no pior, ali podia ser simplesmente uma mãe de coração partido!

 

Às nove horas já estava a entrar na unidade de cuidados neo-natais para ir dar o banho e o pequeno almoço à minha filha mais pequena! Seguiam-se umas fotos com o telemóvel para mostrar ao pai e às manas, e para enviar aos amigos mais chegados. Depois repetiam-se as refeições até à hora de ir embora, apenas saía na hora do almoço por meia hora. Durante a noite podia ir telefonando para saber como estava a nossa pequenina.

 

Depois da ressonância feita no dia 10 e visto que havia realmente sinais de que o pior já tinha passado combinei com o meu marido levarmos o "ovo" de transporte na quarta feira, assim caso a Lúcia tivesse alta podíamos trazê-la logo para casa.

 

Na quarta feira de madrugada apanhei o único botão de rosa do nosso jardim para levar para a capela do hospital, um gesto simples, demasiado simples para tamanha gratidão que sentia no coração (era a esperança de em breve estarmos em casa todos juntos que me fazia sentir assim), voltei a repetir a rotina de cada manhã, desta vez com mais alegria, o botão de rosa deixei discretamente na capela...

 

Perto do meio dia saí para almoçar e resolvi passar de novo na capela, estava tudo preparado para a celebração da missa, em vez de ir almoçar fiquei. Já não ia à missa há tanto tempo... o botão de rosa que havia deixado de manhã cedo estava agora aos pés de Maria, junto ao sacrário, alguém o colocou lá.

 

Nessa mesma tarde a Lúcia teve alta, que alegria! Com calma guardei todas as papeladas, escutei com atenção todas as recomendações da pediatra e das enfermeiras e aguardei que o pai chegasse com o "ovo" para regressarmos finalmente a casa!

 

24
Nov15

Os momentos seguintes #2


Olívia

No sábado, quando cheguei ao pé da incubadora da Lúcia tive uma grande surpresa, a enfermeira colocou-ma nos braços, e assim pela primeira vez pude sentir a minha bebé junto a mim. Tão frágil, tão bonita!

 

Ah, como foi bom poder olhar para ela, sem pressa, poder ficar ali a ver a forma da cara, o tamanho dos dedinhos, sentir como era leve e como tinha a pele macia... estive tanto tempo à espera por este momento e finalmente tinha chegado a hora. Mas a surpresa não ficou por ali, a enfermeira perguntou-me se lhe queria dar banho! Então não queria? Claro que sim!

 

Com cuidado ela retirou todos os fios, tubos e coisas que a prendiam à incubadora, levou-a para a "bancada" junto à banheira e perguntou-se se sabia como fazer, assim que respondi que sim, deixou-me sozinha, cheia de alegria e cheia de medo!

 

Com cuidado dei-lhe banho e na hora de vestir tive de regressar ao quarto, as enfermeiras tinham de me observar, mas não sem antes ir buscar uma das roupas que tinha preparado com tanto carinho e que estavam guardadas no armário juntamente com todo o enxoval... oh que pena senti... ficou a promessa de repetir no dia seguinte e o convite para voltar dali a pouco para tentar dar-lhe de mamar... parecia um sonho!

 

Aos poucos comecei a estar mais presente, na hora das refeições, na hora do banho... era reconfortante estar ali, sentir-me útil, a cada hora de convivência com a minha filha pequenina ficava mais tranquila, sentia o coração ficar mais sossegado.

 

No domingo tive alta, o que significava: ou ter de ficar as 24 horas numa cadeira nos cuidados neo-natais ou ficar lá durante o dia e ir dormir a casa. Optámos por vir a casa, era muito complicado ficar ali as 24 horas sem poder "tratar de mim", que confesso ainda estava bastante "em baixo", então até ao dia 11, os meus dias eram assim preenchidos.

 

Depois da ecografia à cabeça, do electro-encefalograma era ainda preciso fazer uma ressonância magnética... para isso foi necessário suspender a medicação para as convulsões e aguardar. As alterações notaram-se logo, a Lúcia deixou de estar tão sonolenta, passou a ficar mais alerta para o mundo que a rodeava, passou a estar acordada alguns bocados do dia, coisa que não acontecia nos dias anteriores.

 

O dia da ressonância foi complicado... era preciso que estivesse algumas horas de jejum e tal como eu suspeitava era preciso que ela estivesse imóvel para que o exame fosse feito com sucesso. E como se mantém um recém-nascido com 5 dias imóvel? Pois com anestesia geral.

 

Pediram-me que assinasse os termos de responsabilidade, um para o exame e outro para autorizar a anestesia, e eu assinei, que mais podia fazer? Aguentei-me o mais que pude até ela estar a "dormir" e depois afastei-me das pessoas e chorei de medo. Medo do que uma anestesia pudesse fazer a um bebé... medo de ela não acordar... medo do resultado...

 

Enquanto me afastava olhei por uma janela e vi uma coisa fascinante, no meio de um jardim estava uma árvore belíssima, nela cada folha tinha um tom diferente, desde o verde ao castanho... fiquei ali por momentos a admirar aquele sinal de que no meio de tanta dor, no meio de tanto sofrimento há sempre um momento em que a esperança prevalece, em que nos deixamos encantar pela vida e era esse momento que eu tinha de "segurar"!

 

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Minutos mais tarde, o exame terminou, a Lúcia começava a despertar cheia de fome, os médicos estavam felizes pois o exame não mostrava nenhuma anomalia, era preciso que fosse analisado juntamente com os outros pela neuro-pediatra, mas numa primeira análise era altura para respirar de alívio!

 

 

23
Nov15

Os momentos seguintes


Olívia

Depois de tudo, continuei sozinha à espera.

 

Em silêncio recordava a letra do cântico que a Teresa fez e que fazia mexer a pequena Lúcia na minha barriga sempre que o cantava:

 

Há ondas fortes em alto mar
Meu barco querem engolir.
Tu prometeste comigo estar
Mas não Te sinto... vais a dormir!
Ensina-me a confiar
E a tempestade vem acalmar!"

 

Pelas onze da noite disseram-me que me iam transferir para um quarto. Para um quarto, pensei, certamente com uma mãe e um bebé em plena alegria, meu Deus, como iria eu aguentar?

 

À chegada ao quarto reinava o silêncio. A outra mãe estava deitada sozinha. Não tinha bebé. Estava no mesmo local onde estava a Lúcia.

 

A enfermeira que me veio "dar as boas vindas" disse-me para ter calma. Tudo se iria recompor. Mas eu queria ver a minha filha, o meu marido... tanto insisti que ela concordou em levar-me na cadeira de rodas se me conseguisse levantar. Claro que me levantava, nem que fosse de rastos eu ia...

 

Quando entrei naquela sala e vi tantos bebés nem queria acreditar... levaram-me junto da minha menina, que tranquilamente dormia na incubadora apenas com uma fraldinha. Não pude tocar. Só olhar e chorar de gratidão porque ela estava ali, viva, perto de mim!

 

Tinha de ir embora, descansar diziam elas... eu precisava de descansar... não, o que eu precisava era de ter a minha filha nos braços junto a mim... mas não podia ser. Não ainda.

 

No quarto fiquei a saber da história do outro bebé, hei-de contá-la aqui um dia porque é uma história maravilhosa, hoje ainda lá está o bebé, a recuperar... a mãe vai-me dando notícias, assim que tudo se resolva contarei aqui.

 

No silêncio da noite ambas chorávamos pelos nossos filhos, e assim adormecemos...

 

Na sexta feira voltei a ver a minha bebé, o pediatra pediu para falar comigo e com o meu marido ao mesmo tempo. As notícias não eram as melhores. Com calma explicou-nos que a Lúcia tinha tido uma convulsão durante as primeiras oito horas de vida, pelo que estaria a ser medicada a fim de evitar que isso acontecesse novamente. Teria de ser feita uma avaliação neurológica para saber se teria ficado com danos cerebrais ou não.

 

Mais uma "bomba", que coração aguenta tanto? Só mesmo o coração dos pais. Fizemos mais umas perguntas e cautelosamente o médico disse que ela estava a evoluir favoravelmente. Era preciso tempo.

 

Sim, tempo.

 

E nós tinhamos tempo. Esperaríamos. Confiaríamos.

 

Nesta altura as pessoas começavam a querer saber mais sobre a nossa bebé, mandavam mensagens, mas o que podia eu dizer? Se nem eu sabia?

 

Pedimos apenas aos amigos mais próximos e à família que se unisse a nós em oração. E realmente Deus nunca se deixa vencer em generosidade, um pouco por todo o país, algures do outro lado do oceano, pessoas que eu nem conheço tiraram um pouco de tempo para rezar por nós.

 

Para quem não é crente em Deus não há como explicar o consolo que é sentir que algures alguém está a pensar e a pedir por nós junto de Deus. Se eu não fosse crente certamente teria gritado, perdido a calma, estaria revoltada culpando tudo e todos pelo meu "azar", diria mil e um disparates, ameaçaria todo o hospital, entraria em guerra com todos quantos se abeirassem de mim... teria sido desgastante...

 

Nestas coisas, só mesmo a fé podia fazer com que, em cada manhã ao abrir os meus olhos e perceber onde estava, o meu primeiro pensamento fosse dar graças a Deus porque a minha filha estava viva.

 

Independentemente de ficar ou não com danos cerebrais, ela estava viva!

 

 E assim, hora a hora, dia a dia, caminhávamos com esperança de que tudo passaria em breve!

 

 

19
Nov15

O dia "D"


Olívia

O dia "D" veio de surpresa... afinal estávamos a contar com pelo menos mais uma semana e meia de gravidez, tal era o atraso.

 

No dia 4 quando acordei estava bastante estranha, sentia-me doente e cansada... mas como sempre fui levar as minhas filhas à escola e fui trabalhar. Passei o dia com umas dores estranhas, e com um certo mal estar. À tardinha ainda consegui ir ao lar visitar a tia Adelaide, disse-lhe que estava aflita e que podia não ir lá tão cedo!

 

Regressei a casa e preparei tudo para no dia seguinte ir à consulta ao hospital, as meninas iam dormir a casa da minha mãe para não terem de se levantar às seis da manhã. O pai, que vinha a casa para me poder levar no dia seguinte à consulta foi levá-las pois eu já não consegui ir, não sabiam elas que eu já estava com contrações de 5 em 5 minutos. Eram 20h30m.

 

 Ainda aguentei mais um pouco, mas desisti, talvez fosse melhor ir para o hospital e depois logo se via. Colocámos as "malas" no carro e lá fomos nós.

 

À chegada ao hospital Beatriz Ângelo fui vista por uma enfermeira e por um médico, e confirmei aquilo que mais temia, tinha dores, sim, mas nada de dilatação. Tive de voltar a casa, a casa dos meus sogros, pois estava a 1 hora da nossa casa e o médico não aconselhou a afastar-me assim tanto. 

 

Pelas 5 da manhã regressei ao hospital e fiquei. Fui para um quarto, com o meu marido onde esperámos, tranquilamente pela hora certa. Havia música ambiente e luzes de cores claras a refletir nas paredes. As dores eram cada vez mais e pedi a epidural, foi uma maravilha!

 

O dia ia passando, íamos conversando, dormitando um pouco, conversando e esperando. Foi numa dessas conversas que resolvemos ver na internet o "Santo do dia", e qual não foi o nosso espanto eram os pais de João Batista, que alegria sentimos, não íamos ter um João, mas a Lúcia ia nascer no dia dos seus pais!

 

Pelas 17 horas aceleraram o "soro" para avançar com o parto, afinal estava ali já há 12 horas à espera, estava quase e por incrível que pareça não entrei em pânico. Pedi aos enfermeiros que me dissessem como havia de fazer, pois queria ajudar. Fizemos um teste, e parece que ia ser fácil, não fosse a Lúcia estar demasiado em "cima" e não haver meio de descer.

 

Os momentos que se seguiram foram tudo menos uma beleza, o parto é uma experiência muito dolorosa, suja e confusa... tentámos e tentámos e as forças começavam a faltar... havia que recorrer à "ventosa", que não funcionou... restavam os "forceps", para isso era preciso assistência de uma outra médica, que foi chamada de emergência  e interrompeu uma cesariana para nos vir acudir.

 

Mais um pouco, e a Lúcia nasceu. Foi colocada em cima de mim e de lá retirada em menos de dois segundos... o que vi foi um bebé imóvel demasiado branco...

 

Silêncio.

 

Nem um som.

 

"Porque é que a minha filha não chora?"

 

Eu sabia o porquê, mas insisti. Foi-me explicado que ela estava a ser tratada, já ia ficar bem.

 

Chamam o meu marido à pressa e levam a menina embora, pedi para a ver, passaram com ela junto a mim, só tive tempo de lhe fazer o sinal da cruz na testa e pedir a Deus que ela vivesse...

 

Foi levada. Eu fiquei para aquelas coisas que são preciso fazer. Fui para o recobro e a cada vez que pedia para me darem notícias da minha filha a resposta foi a mesma: "Não sabemos ainda". As enfermeiras tentavam passar longe para que não as chamasse, percebi que ninguém viria falar comigo.

 

E chorei. Chorei. Chorei.

 

Pedi a Deus que a Lúcia vivesse e chorei, até adormecer.

 

Acordei novamente para a minha realidade, uma enfermeira de lágrimas nos olhos tentava consolar-me e dizer-me que já alguém ia trazer notícias...

 

Passaram cerca de 3 horas e veio a pediatra. Disse-me para ter esperança.

A Lúcia estava fraquinha, mas viva.

Estava a estabilizar.

O Pai estava com ela. 

 

Havia esperança. Sim, havia. Mas também havia muita dor, muita solidão.

 

Nada mais podia fazer, por isso rezei...

 

 

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