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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Sem filtro

Uma das tags que mais vejo neste verão no Instagram é #semfiltro ou muito mais chique #nofilter, quer isto dizer que a fotografia que vemos não levou com uns retoque de cor e que a imagem é assim "pura". Eu sei isto, mas quando vejo a tag, o que me vem à memória é outra coisa muito diferente. 

 

Quem já me conhece sabe que eu às vezes tenho "a minha pancada", assim como que diz, sou uma pessoa estranha... portanto, o que me vem à memória são fragmentos dos meus dias de verão, em que ia fazer recados à minha mãe. Mas não são todos os recados, é um em particular que me vem à cabeça, e esse recado era ir à taberna da aldeia comprar cigarros sem filtro para o meu avô - sem filtro - perceberam?

 

O meu avô materno era uma pessoa muito diferente da maioria das pessoas, vivia num mundo só dele. Quando era jovem foi-lhe diagnosticada uma doença mental terrível, esteve internado para se tratar, mas saiu a meio pelo que se isolou e nunca viveu com a minha avó e com as filhas (a minha mãe e a minha tia que são gémeas).

 

O meu avô chamava-se Fernando. E em alguma altura da vida parou no tempo. Para ele, na altura 50 escudos (0,25€) davam para comprar imensas coisas e ainda deveria receber troco, mas esse dinheiro só dava por exemplo para um pão. Assim, as pessoas já sabiam, vendiam-lhe as coisas, ele pagava, recebia troco e a minha mãe depois passava e pagava o restante, Às vezes acho que as pessoas lhe davam coisas.

 

Ele vivia numa pequena casa da paróquia e de lá não queria sair, vinha comer a casa da minha mãe ou da minha tia, entrava, nós aquecíamos a comida, ele sentava-se e comia, depois saía. Assim, sem uma palavra. Um dia, porque o telhado da casa ameaçava ruir, esperámos que ele saísse de manhã para ir à horta na sua bicicleta como todos os dia fazia, tirámos tudo da casa e uma máquina veio mandar tudo ao chão... ele ficou tão triste, de todas as formas já tinha uma casinha independente no quintal da minha mãe à espera... e lá teve de aceitar a mudança...

 

É estranho ter tido um avô que apenas me dirigiu meia dúzia de frases enquanto viveu e ele viveu até ao ano 2002, morreu com setenta e poucos anos depois de ter piorado muito da doença e ter ficado acamado. Ainda acamado, tinha sempre o seu cigarro no bolso do pijama... para o final já eram cigarros com filtro, mas durante muitos anos ele fumou uns cigarros pequeninos "sem filtro" chamados "kentuky", a embalagem era branca e vermelha e quando os ia comprar trazia sempre um chocolate redondo com cerca de sete centímetros de diâmetro achatado embrulhado numa prata colorida...

 

Sim, eu comecei a ir aos recados com cerca de sete anos, e sim, o senhor António André vendia-me o tabaco para o avô... outros tempos... outras memórias... às vezes dá-me para isto... recordar para não deixar que o tempo e a vida agitada levem para sempre as lembranças dos que viveram comigo!

 

 

 

Convite

No dia 27 recebemos por email uma notícia maravilhosa, tal como há muito ansiávamos, o Movimento Famílias de Caná teve reconhecimento diocesano (Aveiro).

 

Para celebrar este marco importante irá haver no próximo domingo dia 3 de julho pelas 15.30h uma celebração presidida pelo senhor bispo de Aveiro, D. António Moiteiro no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora

 

Para esta celebração todos estamos convidados, famílias de Caná e amigos, leitores dos blogues católicos e todos quantos partilham desta alegria. 

 

Mais sobre esta notícia Aqui:

 

 

ecclesia 28.06.16 famílias de Caná.png

 

 

 

Estou de férias!

Mentira.

 

Continuo a trabalhar.

 

Portanto não tenho hotéis para sugerir...

 

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Nem praias...

chapeu de sol e chinelos colorir praia havaianas.gif

 

 

nem restaurantes...

 

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Para quem está a trabalhar, como eu, um abraço solidário!

 

Para quem já descansa, divirtam-se muito!

 

 

 

Para mim, ou "para o outro"?

Como é que uma pessoa faz a coisa certa, e o sentimento com que fica é de tristeza em vez de satisfação?

 

A resposta encontrei-a à bem pouco tempo. De facto há uns anos, eu pensava que devia fazer bem aos outros, para ser boa pessoa, para ser boa amiga. Assim, sempre que fazia alguma boa obra orgulhava-me de o ter feito e sentia uma enorme satisfação.

 

Por outro lado, nas coisas mais significativas  que fiz nunca em momento algum me senti " a maior". Ora a contradição de tudo isto fez com que aos poucos conseguisse ver a tal linha que separa a caridade da caridadezinha. Quantas vez eu fiz a segunda em vez da primeira? Muitas, infelizmente.

 

Cada vez que dei uma roupa que já não me servia a alguém, cada vez que dei o que me sobrava, cada vez que me senti orgulhosa de contribuir para alguma "causa". Uma série de vezes, portanto.

 

Poucas foram as vezes em que, desprendida de orgulhos e munida de humildade ofereci aquilo que me fazia falta, ou fui ao encontro de alguém quando pecisava desse tempo para outras coisas, quando foi então que fiz alguma coisa e senti, no final, uma dor tão forte no coração em vez de uma alegria imensa?

 

É um bom exercício que tenho feito: considerar zero tudo o que faço só para me sentir bem, afinal não o estou a fazer pelo "outro", mas para mim mesma! Não estou a fazer o bem, apenas a alimentar o meu ego...

 

Se imaginar duas caixas vazias - uma para a verdadeira caridade outra para a caridadezinha e, por cada "boa obra" que já fiz, me questionar se o fiz por mim ou pelo outro, qual a caixa que enche primeiro? Pois é, a verdade custa sempre muito a admitir... certamente que poucas foram as vezes em que aquilo que fiz foi totalmente desprovido daquela sensação de superioridade perante os outros e foi feito com dor e humildade...

 

Acho que já vai sendo altura de deixar de falsos moralismos e falsas obras de caridade... preciso de encher a minha caixa da caridade com verdadeiras obras em favor dos outros!

 

 

 

DSCF6073.JPG

 

 

Noutra ocasião estava Jesus sentado no templo, em frente da caixa das ofertas, e observava como o povo lá deitava dinheiro. Muitas pessoas ricas deixavam grandes esmolas. Nisto, chega uma viúva pobre e põe na caixa duas moedas de cobre com pouco valor. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Fiquem sabendo que esta viúva pobre deitou mais na caixa do que todos os outros. Eles deram do que lhes sobejava; ela, porém, na sua pobreza, deu tudo o que tinha para viver."    Mc 12 41:44

 

 

Boa semana!

 

 

 

Quando os filhos (pensam que) mandam

Eu já não tinha noção de que os nossos filhos começam cedo nesta coisa do "eu quero, posso e mando"! Mas a realidade do meu dia a dia faz questão de me mostrar isto a cada quarto de hora!

 

A Lúcia cresceu, já tem sete meses, quase oito e acha que é o deus Sol, quando percebe que na verdade é apenas uma de três filhas, que precisa de dividir atenções com o restantes membros da família é capaz de soltar um berreiro daqueles que se ouvem a léguas...

 

A experiência do parque, por exemplo, foi uma daquelas capazes de me levar à loucura... quando percebeu que era suposto ficar lá sentada mais do que dois minutos e meio esteve a chorar e a chorar sem parar... claro que eu não a ia tirar logo, ou estava justamente a ensiná-la que para sair de lá bastava chorar! E assim, aos poucos a Lúcia foi aprendendo que o parque é para ficar lá pelo menos vinte minutos a desarrumar os brinquedos todos!

 

A sesta foi outra batalha, desde sempre que a Lúcia dorme bem e dorme bastante. Se no início foi preciso deixá-la chorar na cama para perceber que não se adormece ao colo, passado pouco tempo bastava dar-lhe uns miminhos, dar-lhe  a chucha e deitá-la, ela adormecia numa questão de minutos! Ora a menina Lúcia com o tempo foi experimentando a ver se eu cedia, estava tempos e tempos acordada a choramingar na cama... depois passou a estar mais sossegada, mas sem dormir... eu contínuo sem ceder, na hora de dormir é para estar na cama.

 

Portanto, esta tarefa de ficar com a Lúcia durante o dia está a revelar-se uma luta constante, mas por cada quinze minutos de birra tenho direito a um enorme sorriso!

 

 

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