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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Ter um blogue

É ter direito a deixar registada a nossa visão do mundo, a nossa opinião sobre qualquer assunto mais ou menos importante, é ter um espaço inteiramente à nossa disposição, a qualquer hora do dia, é poder escrever o que nos vai na alma, escrever para não esquecer. 

 

É poder ocupar uma casa só nossa, das cores que nós quisermos. É abrir as portas e escancarar as janelas mesmo quando só precisamos de cortinas corridas. 

 

Ter um blogue não é nada de mais e no fundo é ter tanta coisa. É poder escrever um texto por ano ou vinte textos por dia. É poder mandar para o lixo aquilo que não queremos que se veja, é guardar nos rascunhos mil ideias à espera do clique final.

 

É ter amigos lá longe e no entanto senti-los aqui ao pé. É escrever para mandar recados ao mundo ou só àquela pessoa que nos pica onde mais nos dói.

 

É poder gritar sem ferir os ouvidos dos vizinhos, mesmo que o grito lhes perturbe a alma. É espelhar num ecran retratos baços e ideias desconexas.

 

É estar a escrever em vez de fazer outra coisa qualquer, é manter um espaço por teimosia quando só temos vontade de ter escrito um adeus definitivo...

 

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Missão Simplex #1

Este ano não passarei mais do que o tempo necessário nos preparativos da consoada. Nada de andar o dia inteiro de sábado a cozinhar mil e uma coisas para depois ter de andar a semana toda a comer os restos.

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(Focar apenas n'O mais importante)

 

 

Este meu problema

que se chama querer-fazer-tudo-e-não-fazer-nada dá-me cabo dos nervos. 

 

Eu sei desde há muito tempo que tenho uma incapacidade para a concretização das coisas em geral, das coisas de casa em particular. Há anos que sonho fazer isto e aquilo e nada, não faço nada. Faz lembrar as célebres resoluções de ano novo que em setembro ainda estão como estavam no dia um de janeiro pela madrugada...

 

Posto isto eu queria ser diferente, viver uma vida diferente, sentir as coisas de outra forma, mas não consigo. Adio coisas que não devia, lamento-me porque o faço. Ando numa roda viva de emoções e isso torna-me numa pessoa chata. Chata e insatisfeita. Sempre a querer aquilo que não posso ter, no momento em que mais me der jeito, da melhor forma para mim...

 

Chegou o Advento. No dia 27 de novembro a igreja iniciou a preparação para o Natal.

 

Pela primeira vez em anos não teremos uma "caminhada de Advento" cheia de tópicos e de obrigações. Pela primeira vez cedi à ânsia de ter mil e uma coisas preparadas, árvore e presépio feitos a rigor. Decidi não apressar as coisas, decidi investir mais nas pessoas, se o advento não servir para irmos, aos poucos, preparando o nosso coração para o Natal para que servirá então?

 

Para não falhar muito resolvi ir fazendo as coisas aos poucos. Em primeiro lugar quero sentir-me bem na minha casa, não quero ver luzinhas a brilhar quando existe um caos em volta... neste primeiro domingo do Advento limpei, arrumei, enchi sacos de lixo, encontrei um poster com um presépio que tinha guardado para um dia fazermos em família e parece que é este ano! Também conseguimos juntar quatro velas num bonito pratinho - uma para cada semana de caminhada.

 

Acendemos a primeira ao jantar. Pensei que chegava, mas não chega. Acenderemos a vela todos os dias ao jantar, sempre que a família se reúne haverá uma luz diferente a recordar-nos o verdadeiro sentido desta quadra.

 

Este ano não haverão exigências familiares, haverão conversas, partilhas de forma a que todos possam fazer a sua caminhada. Eu quero sentir aquela sensação que só sentem as crianças. O entusiasmo, a alegria, a surpresa do Natal... para isso é preciso regressar à infância, é preciso deixar as etiquetas e as modas, é preciso quebrar a casca que me envolve o coração e não me deixa sentir o amor desta quadra... é preciso regressar aos tempos em que a árvore era um amontoado de fitas pirosas sem nexo, quando o presépio era feito com lenha da lareira, quando as refeições eram simples e festivas, quando o calor da lareira aquecia as mãos geladas... quando espalhava enfeites de Natal por toda a casa, quando ouvia músicas de Natal e sorria até à alma...

 

Dois dias neste Advento e já vi que há tanto que é preciso de mudar em mim...

 

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Quem disse que não era preciso preparar o Natal a sério nunca saberá o que ele verdadeiramente significa... por isso: mãos e coração à obra!

 

 

 

 

Amizades improváveis

Existem pessoas por quem sinto uma afinidade muito grande. Algumas são amigas de longa data, cuja amizade o tempo foi alimentando com histórias e conversas, outras travaram comigo longas batalhas nos tempos de estudante, outras conheço há tão pouco tempo - ninguém diria - mas são presença constante na minha vida nos últimos tempos.

 

Existe ainda uma pessoa cuja amizade aconteceu numa das épocas mais difíceis das nossas vidas. Talvez tenha sido por isso que nos sentimos tão próximas, talvez tenha sido isso que fez com que uma amizade tão improvável tenha nascido e crescido em apenas dois dias e algumas horas. Desde então vamos trocando mensagens, vamos conversando, tudo à distância. Uma aqui e outra na zona de Lisboa. Durante este ano encontrámo-nos duas vezes, numa delas aqui outra lá.

 

E então, como é que duas pessoas que moram a oitenta quilómetros uma da outra se tornam amigas em 50 horas? Pois bem, ambas estavam grávidas e ambas decidem ter os seus bebés no mesmo hospital. Enquanto que eu apareci no hospital sem aviso prévio, apenas porque estava na hora, a Susana foi com data marcada, para que o seu bebé nascesse em segurança através de uma cesariana. E este bebé é um menino muito especial, um verdadeiro lutador, falei dele algures por aqui, e sei que a mãe gostava de poder um dia contar com todos os detalhes a sua grande luta.

 

E foi assim, que na noite do dia cinco de novembro do ano passado cheguei ao quarto da maternidade e conheci a Susana, também ela internada sem o seu pequeno bebé. Aos poucos fomos trocando algumas palavras carregadas de dor e de angústia, aos poucos fiquei a saber que, quando fez a sua primeira ecografia os médicos lhe disseram que o bebé tinha uma malformação grave que se chama onfalocelo, ou seja os órgãos estavam fora da cavidade abdominal, foi preciso realizar vários exames para despiste de outras doenças, foi-lhe dito que nestes casos é preferível optar pela interrupção da gravidez. Parece-me que no fundo ela não queria mesmo aceitar o fim, queria ter o seu menino... e lutou, informou-se, fez tudo o que pôde, seguiu com a gravidez, com o apoio de médicos especializados. E a cesariana aconteceu no dia quatro de novembro.

 

Naqueles dias ambas estávamos uma lástima, hoje sorrimos só de nos lembrarmos dos ais, das dores, das barrigas enormes, da primeira vez que viemos ao saco do enxoval buscar a chucha ou um gorro... dos lençóis amarelos às riscas das fotos "olha os teus lençóis eram iguais aos meus!!!"

 

No dia onze eu fui para casa com a Lúcia, mas o bebé V. ficou, acabara de fazer a primeira cirurgia e ainda tinha muito para recuperar... alguns dias mais tarde já tomava banho e podia estar ao colo dos pais... mais dias se passaram e teve alta. 

 

Hoje é um menino normalíssimo, traquina e maroto como convém ser aos doze meses!

 

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Se um milagre é bom, dois milagres juntos é o céu! De uma luta tão grande, de lágrimas e dúvidas, de momentos angustiantes nasceu uma amizade improvável entre duas mães, estes encontros são a prova viva de que a vida é muito mais do que uma lista ou uma tabela!!!!

 

*

 

Um agradecimento especial a todos os médicos e profissionais de saúde que dedicam a sua vida aos outros e sem os quais estes milagres não seriam possíveis!

 

 

 

 

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