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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

"O enxoval

que não vai com a noiva, tarde ou nunca lá chega!"

 

Talvez a realidade hoje em dia seja outra... as pessoas estão mais modernas, não se pensa tanto no casamento o que faz com que arranjar um enxoval de jeito seja a última das prioridades. 

 

Há cem anos, as meninas passavam os seus tempos livres a bordar, costurar, fazer rendas e aos poucos iam enchendo uma arca de madeira com os seus pequenos tesouros, que levariam para a sua casa nova antes de casarem. Os tempos vão mudando mentalidades, modernizaram-se as confeções e os têxteis para o lar passaram a ser acessíveis a praticamente todas as classes sociais.

 

Quem não podia comprar os lençóis de linho comprava de algodão e quem não podia comprar atoalhados da San Pedro comprava uns mais em conta, bonitos na mesma, o importante era que a filha ou neta não passasse vergonha quando recheassem a casa nova!

 

Neste momento, posso dizer que se contam pelos dedos da mão as raparigas que têm enxoval, bem como as que querem aprender as artes dos bordados e da costura, é certo que a costura criativa aliada ao desemprego fez com que muitas mulheres fossem procurar as máquinas Oliva e Singer antigas e estejam a aprender o básico, mas não é para fazer enxoval que isso já não se usa.

 

Pois eu digo que se não fosse o enxoval que a minha mãe e as minhas avós e tias me davam nos Natais e aniversários (e que eu detestava) a minha vida teria sido muito mais complicada quando casei e ainda estava a estudar... foi só nessa altura que eu dei valor ao esforço e sacrifício que essas pessoas fizeram para que eu pudesse ter o mínimo indispensável para o dia a dia.

 

Na verdade, tinha coisas de sobra que rapidamente foram resgatadas do fundo da arca quando a família aumentou, não houve toalha de banho e de mesa que escapasse! Até os lençóis de camas "de corpo e meio" estão a uso nas camas das minhas filhas!

 

... sim eu tenho uma arca dessas de madeira, que foi a avó Sofia que me deu.

 

E agora deixo-vos um desafio:

 

Quem acertar no conteúdo desta arca ganha um prémio! Uma coisita para o enxoval da casa... não se acanhem e comentem:

 

O que está neste momento dentro da minha arca de madeira?

 

 

 

 

 

A Ana Lúcia

Nos anos 80, lá na aldeia apenas havia uma escola primária, não havia jardim escola ou creche. A vida era outra e os pais e os avós conseguiam ficar connosco até aos seis anos. 

 

Não sei muito bem de quem foi a ideia, mas emprestaram uma casa antiga e a junta de freguesia instalou lá aquilo que hoje a ASAE fecharia num minuto de visita, uma pré escola sem grandes condições, mas que foi o delírio de pais e crianças na altura. 

 

Utilizávamos uma sala na entrada para fazer os "trabalhos" que tinha mesas e cadeiras pequeninas, as professoras pintaram nas paredes figuras dos contos de fadas e havia também uns quadros para afixar as obras de arte. Nem sei se havia uma casa de banho para meninos e meninas ou se era a mesma. Algumas portas permaneciam fechadas, eram quartos que poderiam ser mil e uma coisas dependendo da imaginação de cada um... havia também um quintal onde podíamos brincar tempos sem fim, com areia e água e alguns brinquedos.

 

Não havia cantina! As nossas mães/avós/vizinhas levavam as comidas já quentes na hora do almoço e comíamos nas mesmas mesas de "trabalho". Os meninos da minha idade foram os primeiros a estrear esta bela pré escola, mas como naquele tempo as coisas eram bem mais simples, também andavam lá meninos mais novos. 

 

A Ana Lúcia era uma destas meninas, dois anos mais nova do que eu e muito engraçada... era bastante teimosa, tenho pena de não guardar mais recordações dessa idade, mas era demasiado criança... um dia, a bela da rapariga embirrou que só comia a canja se a professora lhe despejasse os morangos lá dentro. Bem dito, bem feito!!! Foi uma galhofa total!!!

 

Mas, numa tarde de inverno, ao sair do autocarro na paragem com a mãe, a Ana Lúcia foi a correr para casa que era do outro lado da estrada, fugiu da mão da mãe e correu... 

 

O camião que vinha em sentido contrário não a viu por causa do autocarro que estava estacionado e atropelou a menina. Foi um dos dias mais negros da aldeia. A Ana Lúcia tinha cinco anos e não resistiu aos graves ferimentos. A aldeia inteira chorou esta menina no seu funeral, o primeiro a que fui.

 

Nós éramos crianças. As crianças não deviam morrer. A Ana Lúcia também não.

 

Durante anos e anos permaneceu uma tristeza enorme por causa deste acidente, pouco a pouco os dias foram passando, os seus pais tiveram outros dois filhos e estes foram crescendo. De vez em quando lembro-me da Ana Lúcia, a primeira amiga que perdi.

 

Mas, na semana passada, todos os dias me lembrei dela. Todos os dias sentia no peito uma saudade e uma sensação esquisita. No sábado passado dia 18-02-2017, decidi ir ao cemitério, ao pé da pequena campa dela, rezar uma Avé Maria, conversar com ela.

 

Quando lá cheguei vi que a Ana tinha morrido no dia 18-02-1987, fazia nesse mesmo dia 30 anos que ela foi para o céu. E, não sei bem como, nunca percebi que ela nasceu e morreu em fevereiro... até à semana passada... e hoje seria o dia do seu aniversário!

 

O que passou, ficou no passado, dizem. 

 

Mas não é a soma de acontecimentos que vamos vivendo que faz de nós o que somos hoje? São momentos, vivências, sentimentos que fazem de nós esta pessoa que hoje somos e não outra... eu não quero viver presa ao passado, mas tenho em mim memórias que o tempo não apaga...

 

 

 

 

 

O lugar mais cobiçado

Voltando atrás no tempo, aos primeiros tempos de casados, as nossas refeições eram feitas numa mesa pequena (quatro lugares) que estava encostada a uma parede na cozinha; o meu marido num topo e eu do seu lado esquerdo, nem sei porque não comia também no outro topo... cerca de cinco anos depois chegou a Margarida e foi ela que ocupou então o lugar que faltava. Aliás estávamos justamente assim sentados a esta mesa quando lhe contámos da minha gravidez!

 

Quando a Maria nasceu e foi crescendo era preciso espaço para colocar a sua cadeira alta, daí que a mesa foi arrastada para o centro da estreita cozinha. Mantivemos então os lugares até desistirmos desta pequena mesa (está guardada na arrecadação) e começarmos a utilizar a mesa grande durante o dia a dia. 

 

O pai manteve o seu lugar no topo, eu e a Lúcia estamos do lado esquerdo e a Maria e a Margarida ficam do lado direito, e mais uma vez ninguém ocupa o outro topo da mesa deixando assim um lugar vago (com a mesa fechada). Mas, não é este o lugar mais cobiçado!

 

E então qual é? 

 

Pois, é o lugar do pai! Durante os dias em que o pai está em Lisboa, e nas várias refeições todas disputávamos o lugar... era do género: a primeira a chegar senta-se lá. E foi assim durante muito tempo.

 

Um dia, ao ler algumas coisas interessantes sobre as dinâmicas das famílias na hora das refeições e perceber que nem todas se sentam a jantar/almoçar ao mesmo tempo pelo menos uma vez por dia, fiquei a pensar na história do lugar do pai. 

 

(isto não é nada significativo eu sei, mas fazia-me confusão)

 

Então se o pai não está alguém ocupa o seu lugar? E, numa manhã tomei a decisão de que ninguém se senta naquele lugar a não ser o pai, se ele não está fica vazio. Como lembrança de que ele nos faz falta. De que ele estar em casa ou não, não é a mesma coisa...

 

E assim temos feito. Tentamos jantar sempre juntos, mas nem sempre conseguimos... por muitas razões, mas quando nos sentamos à mesa, nos nossos lugares, recordamos este "circulo" que construímos feito de aventuras, histórias, problemas e conversas...

 

IMG_20170214_194504.jpg

 

Esta fotografia foi tirada no dia 14. O pai fez-nos uma surpresa e ligou a meio da tarde para dizer que jantava connosco. Comemos a comida que tinha sobrado de véspera, fizemos a "bebida especial do Niall" (como lhe chamamos) comprámos um bolo de bolacha e morangos no Pingo Doce e tirámos os copos e os pratos bonitos dos armários, tudo muito simples... e no entanto transbordávamos de alegria!

 

O pai chegava para jantar connosco!... 

 

 

Marcar momentos, caminhar no tempo

Aproxima-se cada vez mais um dos grandes momentos da vida da igreja: A Páscoa. Mas antes da grande festa vêm- para mim - os quarentas dias mais "ricos" de todo o ano litúrgico. Mais ricos? Então o objetivo não é renunciar e fazer sacrifícios? Não é nesses dias que não se comem doces e essas coisas? 

 

Pode parecer contraditório, mas os dias em que abdicamos de algumas coisas são dias mais ricos nas coisas realmente fundamentais na vida pessoal, familiar e da comunidade.

 

Dizer que a quaresma é o tempo em que não comemos chocolates é muito pouco. É quase nada. Eu posso não comer chocolate por causa do colesterol. Se realmente quero viver uma caminhada com sentido a primeira pergunta será: qual é a coisa que - mesmo sabendo que não devias - fazes mais vezes? Aí, na resposta sincera podemos encontrar o nosso ponto de partida.

 

Um exemplo - ainda com o chocolate - imaginando que todos os dias saio de casa a gritar com toda a gente, num estado de nervos enorme; logo, se cada vez que não comer chocolate me recordar que devo ser mais serena, mais calma, mais controlada, o sacríficio já começa a ter algum sentido. Se ao fim dos quarenta dias, o meu comportamento tiver melhorado substancialmente, penso que esta minha renúncia teve o fim desejado: contribuiu para que eu mudasse e a partir daí basta esforçar-me por manter essa nova postura - com ou sem renúncia ao chocolate! Existem muitas outras coisas a que podemos renunciar e que não são nem comida nem bebida... renunciar às conversas pouco construtivas, à música alta, às horas que passamos nas redes sociais... enfim... tantas e tantas coisas que precisamos deixar "cair" na nossa vida para que outras coisas boas possam renascer nesse lugar!

 

 DSCF7539.JPG

 

 

Lembrete:

Na terça feira dia 28, além das brincadeiras é preciso "vestir" o canto de oração para a Quaresma. Não sendo uma coisa fundamental ajuda-nos - e às crianças - a entrar num outro momento da vida da igreja.

 

 

 

 

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