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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Segundo semestre e as resoluções de ano novo

Ninguém acredita, mas oficialmente ainda não passei de ano... em termos fiscais terminamos as obrigações de 2016 durante o mês de julho... mas a verdade é que já se passaram seis meses.

 

E então Olívia, como estão as tuas resoluções? Vamos ver... ora escrevi eu em janeiro:

 

  • Agradecer o dom da vida em cada manhã, com um pequeno momento para definir o meu dia, para isso terei de acordar cedo sem reclamar interiormente - isto foi muito bem pensado, mas em metade dos dias não o devo ter feito (acordar mais cedo sem reclamar)
  • Preparar o pequeno almoço com cuidado e dedicação Ai Olívia... ainda bem que aqui vieste... essa memória...
  • Palavras de ordem: tolerência, compreensão, paciência, dedicação e serviço não está mal não senhora... mas podia esforçar-me mais!
  • Encontrar formas de estar disponível para ajudar no plano de recuperação escolar das minhas filhas e correu bastante bem, o fim da escola trouxe bons resultados (não apenas boas notas)
  • Ler pelo menos cinco páginas de um livro de aventuras em família diariamente zero páginas por noite
  • Fazer a oração da manhã e da noite temos feito sim, e com melhorias.
  • Preparar as refeições com carinho e retomar o hábito de levar almoço/lanches para o trabalho ando a trabalhar nisso...
  • Reduzir no número de cafés que bebo fora (1 por dia) e beber mais chá estou no bom caminho!
  • Caminhar 15 minutos na terça e na quinta feira na hora de almoço - eu escrevi isto? ai...
  • Não ir deitar zangada, irritada ou amuada e agradecer tudo, mesmo tudo o que vivi nesse dia retomando a escrita no diário da gratidão abandonei o diário durante uns meses, mas está já retomada a escrita
  • Ah... e usar frequentemente as coisas bonitas que temos nos armários podiam ser mais usadas, mas não estão esquecidas!

 

Faltam seis meses para terminar 2017.

 

 

Perguntas & Respostas #1

P. Alguma vez se arrependeram da decisão de adotar?

 

R. Não.

Por mais complicado que fosse o processo, por mais tempo que tenha demorado, nunca pensámos em desistir. Os primeiros tempos de adaptação foram difíceis, não tivemos apoio de nenhuma entidade do estado, pelo que foi muito importante termos tido contacto com outra família que tinha adotado. Mesmo nessa altura não nos arrependemos. Sentimos medo, ficámos com a sensação de que se calhar não estávamos a ser bons pais, que as coisas podiam ter sido diferentes, mas conseguimos sempre equiparar a adoção a uma gravidez, tentando adaptar teorias e técnicas para conseguir ultrapassar os problemas. Sempre que um grande problema surgiu - e já foram muitos - as pessoas têm tendência a sugerir que só acontece a quem adota, mentira, das grandes. Todos os filhos podem ter problemas, independentemente de serem ou não biológicos. O mesmo em relação às doenças.

 

Para adotar  - muito mais do que querer um filho - é preciso querer amar, acolher, aprender, recomeçar. Cada dia é um novo dia, o tempo vai passando e um dia descobres que a vida não tinha qualquer sentido se fosse de outra forma.

 

 

Para colocarem as vossas perguntas cliquem AQUI Na próxima semana respondemos a mais uma!!!

 

 

"Amanhã já não venho"

As férias de verão nos anos noventa podiam ser aborrecidas, mas nunca seriam tão aborrecidas como as destes anos, e porquê? Muito simples, naqueles anos ninguém ficava fechado em casa lá na aldeia!

 

A meio da manhã já os grupos se juntavam na rua, à sombra, para conversar, jogar às cartas... andar de bicicleta, enfim, para passar o tempo! Raramente ficávamos em casa a ganhar neura, porque em casa também havia uma lista de tarefas a fazer que os nossos pais nos deixavam. Desde arrumar a cozinha, varrer o chão, regar as flores... oh tanta coisa que era preciso fazer... 

 

Mas, houve um verão em que as coisas mudaram. A minha mãe, que costumava fazer as campanhas de vindima e tomate, sugeriu que também eu me juntasse ao "rancho", andavam lá alguns jovens e ganhávamos bom dinheiro (eram pouco, mas eu nunca tinha ganho nenhum) o meu grande objetivo era comprar as sapatilhas da moda: umas All Star azuis e brancas.

 

Assim foi.

 

Do alto dos meus catorze/quinze anos e bem vestida para um dia de trabalho debaixo de sol intenso: com calças de fato de treino, camisola de manga curta, camisa fina de manga comprida (dizem as pessoas mais velhas que: "o que guarda o frio, guarda o calor") e chapéu de palha com aba larga, juntei-me ao grupo.

 

Íamos num banco de madeira preso com umas cordas na parte de trás de uma carrinha de caixa aberta, ao vento. Quando chegámos demos o nome, e fomos distribuídos pelas carreiras com um/a parceiro, no início ia com a minha mãe para ver como era. 

 

Uma de cada lado da carreira das cepas, íamos cortando cacho a cacho e colocando numa espécie de "caneco" grande com cerca de 40 centímetros de altura e de diâmetro, quando estava cheio a colega da outra carreira que ia no mesmo "corredor" que nós parava para nos ajudar a equilibrar o caneco e colocá-lo sobre a cabeça, depois era só ir até ao trator, subir uns degraus e desejar a uva lá para dentro sem deixar cair o caneco. E assim íamos andando para a frente... as mais velhas não gostavam que os miúdos lhes passassem à frente, e a competição era bastante animada! Era preciso ter cuidado com: a) não cortar um dedo em vez do cacho e b) não agarrar num vespereiro em vez de um cacho.

 

Havia um capataz que conhecia bem a vinha, era ele que nos organizava e que ia vendo se não deixávamos uvas para trás, pouco antes do meio dia, mandava alguém acender o lume para os grelhados - nós já levávamos tudo feito era só aquecer - eu comia num instante para poder dormir cerca de meia hora. E se custava de manhã, à tarde era um tormento, muito calor, a água já não estava fresca... o cansaço era terrível.

 

E eu dizia sempre "amanhã já não venho!" Mas ia, até ao fim!

 

A melhor parte era quando a "aguadeira" passava com água numa quarta, tirada do poço, tão fresca... eu, que não bebia do mesmo copo de esmalte onde os outros bebiam porque levava uma garrafa, não resistia... a sede era muita, o calor pavoroso!

 

Na esperança de que passasse uma pequena aragem as mulheres diziam bem alto "Oh S. Lourenço mandai o ventinho para as gentes do trabalho" e logo o vento se fazia sentir, mas não podíamos abusar da boa vontade do S. Lourenço, por isso íamos dizendo de tempos a tempos...

 

O melhor dia da semana era a sexta feira, depois do trabaho, sentávamo-nos à espera que chamassem pelo nosso nome, para nos darem um envelope com o nosso ordenado, dizíamos quantos dias eram, confirmava-se o valor e trazia-se o envelope... ah... e havia sempre um gelado que era comprado a caminho de casa!

 

Além das campanhas da vindima, fiz também a do "tomate à grade" (cada um ia enchendo as suas grades e depois quanto mais enchessemos, mais recebíamos, nessa altura só trabalhava meio dia, contentava-me com esse dinheiro, e à tarde a malta nova dormia a sesta!), fiz também a de pimento (eu ficava no armazém a cortar e a tirar as sementes do pimento para ir para a fábrica enquanto algumas mulheres iam apanhando lá fora), e fiz vindima de uva de mesa (detestei aquilo... além de apanhar as uvas tínhamos de "enfeitar" umas pequenas grades e cestas para venda, os cachos eram bem arrumadinhos, sem parras, sem uvas estragadas... a minha mãe fazia aquilo na perfeição, mas as minhas ficavam muito feiazitas!)

 

Era bastante cansativo, mas no fim das férias estava desejosa de voltar à escola, gostei muito de conhecer outros jovens que vinham de fora com as famílias para as campanhas, nunca mais soubemos nada uns dos outros porque apesar de trocarmos moradas, nunca escrevíamos as prometidas cartas...

 

Quanto às sapatilhas tão esperadas... acabei por não as comprar logo... é que o dinheiro custava tanto a ganhar que tinha de ser bem gasto, depois de ajudar a comprar os livros da escola, os materiais aí sim, comprei as minhas primeiras e únicas All Star azuis e brancas!

 

Hoje em dia, a maioria das vindimas são feitas com máquinas, assim como a apanha do tomate, apenas algumas vinhas familiares ainda têm um rancho de gente que dia após dia recomeça com alegria esta dura tarefa!

 

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Perguntas & Respostas

Não, não são as dos exames nacionais, que isso é outra conversa! 

 

Depois de ver que existem pessoas a visitar este blogue para lerem sobre a adoção, e porque há muito tempo que não escrevo sobre esse tema, resolvi abrir um espaço (ali ao lado, na barra) onde quem quiser, pode de forma anónima) colocar as suas questões, dúvidas sobre a adoção na nossa família.

Tentarei responder a uma pergunta por semana.

 

Se têm curiosidade, perguntem.

 

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