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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Segunda-feira, 21.08.17

Memórias #2

Escrito aqui em 18/11/2016

 

A vida é uma check-list?

  • Estudar
  • Encontrar um emprego bom
  • Tirar a carta de condução
  • Casar
  • Ter um filho (talvez dois)
  • Comprar casa
  • Tirar férias pelo menos duas vezes por ano
  • Poupar para a reforma
  • Investir em bens imóveis
  • Passar a reforma a passear
  • Fazer um testamento
  • Programar o funeral

 

Não.

 

A vida tem que ser muito mais do que uma lista onde se vai fazendo pequenos vistos conforme se vai concretizando o que se planeou... a vida é amizades inesperadas, comer um gelado e pingar a blusa em pleno verão, conversas empolgantes, passeios ao entardecer, cometer uma ou outra loucura de vez em quando, rir de piadas parvas, beber um café quente num dia frio de outono, brincar como criança, um chá e um livro em dias de chuva, sair sem destino, ter brinquedos espalhados pela casa, um gato a dormir na janela, um abraço apertado, um beijo apaixonado... um olhar profundo...

 

Eu preciso que a vida seja mais, muito mais.

 

Então, vamos lá viver sim????

 

 

 

margaridabatista3.JPG

 

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Sexta-feira, 18.08.17

Memórias #1

Escrito aqui em 21-7-2016

 

Nunca verei o mundo

Existem sonhos que nunca deixamos de querer alcançar, são aqueles que nos movem e que fazem com que a vida tenha aquela pitada de "aventura". 

 

Sim, em alguma altura da minha vida sonhei ver o mundo, e não, não era nas redes sociais (que ainda não existiam), sonhava fazer um inter-rail, de comboio com uma mochila às costas, algum dinheiro para os gastos e amigas para tornarem a viagem mais divertida.

 

Sonhava passar pelas capitais europeias, cidades cheias de vida e cheias de história, sonhava ver aqueles monumentos todos que estavam nos livros da escola, sonhava levar a minha máquina fotográfica e muitos rolos de 36 fotos na bagagem... depois da Europa teria de ir a outros continentes... fazer grandes viagens de avião, iria ver a savana em África... a muralha da China... Nova Iorque... o Alasca... ah como era ambiciosa e sonhadora!

 

Mas, também sonhava com vestidos de noiva cheios de tule, alianças e um príncipe encantado... sonhava com aquele momento do "sim" e com a valsa lenta nos braços do meu amor... sonhava com o enxoval cheio de coisas bonitas para a minha casa e com aquele quarto de bebé que vi na La Redoute... sonhava com uma casinha no campo com um quintal cheio de flores bonitas rodeadas por uma cerca pintada de branco!

 

Sim, sonhar é bom. Eu adormecia a sonhar acordada... 

 

Quem perde os sonhos deixa de ter vontade de viver... deixa de querer alcançar esta ou aquela coisa, este ou aquele momento... conquistam-se uns, desiste-se de outros, reescreve-se o livro com outros novos... mas nunca - nunca - se deve deixar de sonhar!

 

Eu, nunca fiz um inter-rail... nunca conheci as capitais europeias, nem vi a aurora boreal no Alasca... nunca visitei outros continentes e os monumentos terei de continuar a vê-los nos livros e nas redes sociais quando alguém partilha uma foto das suas férias...

 

Entretanto consegui mais do que a casinha no campo - sim, sem flores bonitas  - mas mesmo assim consegui o meu príncipe... e o quarto de bebé há muito que foi renovado!

 

Fiz uma escolha. Abdiquei de muitos dos meus sonhos para abraçar outros novos, construí uma vida com base no amor, na partilha e na doação, acolhi os sonhos do meu marido que são também os meus sonhos.

 

Nunca verei o mundo.

 

Esse mundo bonito cheio de grandes maravilhas naturais e obras de arte... mas terei sempre este meu mundo, feito de sonhos que se entrelaçaram, que se uniram e que fizeram nascer mais - muito mais - do que aquilo que eu poderia imaginar!

 

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Sexta-feira, 18.08.17

Ânsia

ân·si·a 

substantivo feminino

1. Perturbação acompanhada por dificuldade em respirar.

2. Desejo ardente ou intenso. = ANELOANSEIOSOFREGUIDÃO

3. Comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não. (Mais usado no plural.) = AFLIÇÃOANSEIOANSIEDADE

4. Mal-estar físico acompanhado de vontade de vomitar. (Mais usado no plural.) = ENJOONÁUSEAVASCAS

5. Momento que antecede a morte. (Mais usado no plural.) = AGONIAESTERTOR


"ânsia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/%C3%A2nsia [consultado em 18-08-2017].
 
 
 -----*-----
 
Às vezes sinto esta vontade intensa de fazer mais. De ver mais. De sentir mais. De passear mais. De ter mais. Sinto-me presa por viver numa aldeia pequena, de trabalhar todos os dias numa loja antiga e pequena, de viver numa cidade pequena. Tenho vontade de sair daqui, de ir onde os outros vão, experimentar as coisas que os outros mostram a toda a hora nas redes sociais, de partir de viagem sem destino, ficar em hotéis bonitos, tirar fotografias perfeitas, rir a toda a hora, aproveitar bem a vida. 
 
 
Depois, experimento uma dessas coisas - mesmo uma pequenina - e percebo que afinal não era bem o que eu esperava, sinto aquele misto de frustração com desilusão... "tanta expetativa e era só isto..." percebo que se observar melhor todas as vivências felizes dos outros, se calhar se fosse eu, naquela hora sentiria de novo a sensação de desilusão... será defeito meu? Porquê? Espero demais das coisas? Das pessoas? Iludo-me na esperança de que haja um dia uma experiência que me deixe maravilhada ao ponto de afirmar que foi muito melhor do que aquilo que imaginei?
 
Se calhar tenho uma imaginação demasiado fértil e sinto uma expetativa demasiado grande para as coisas desta vida... queria ir a uma loja da muito in lá de Lisboa, quando lá entrei estava verdadeiramente feliz... passados cinco minutos não havia meio de sair dali, não encontrei nada do que queria... tinha demasiadas pessoas que andavam para lá e para cá... fiquei triste... mas pelo menos fui lá, não tenho vontade de voltar... se calhar transformei-me num "bicho do mato" habituei-me a viver neste ritmo mais parado, acostumei-me a esta "pasmaceira", como se vivesse num mundo imaginário produzido pela minha imaginação, onde aqui pelo menos sei como as coisas são!
 
 
Só espero que quando morrer veja finalmente a luz, sinta aquela sensação de que nunca vivi nada assim... porque tenho a sensação de que ficarei sempre assim com ânsia de experimentar e frustrada com a experiência...
 
 
 
 

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Quarta-feira, 16.08.17

Obras

Grande parte das pessoas tem uma imagem negativa das pessoas que trabalham nas obras, como se fossem todos "broncos", "pobres", "estúpidos", se estão nas obras é porque não têm mais nada onde trabalhar. Penso que foi a própria sociedade que criou esta ideia: "não estudas vais para as obras" e assim, muitos dos jovens caíram de "para-quedas" num mundo onde é preciso muita força e alguma vontade de estar dias inteiros ao sol, com pó, à chuva e com lama. Este tipo de tarefas é sempre vista como de categoria inferior, mas verdade seja dita até a pessoa mais importante precisa de uma casa para viver. 

 

Todos os que usam  fato e gravata são iguais aos que vestem roupa com manchas de cimento e de tinta. Todos nasceram e todos vão morrer um dia. E todos levam o mesmo. Nada.

 

Para pessoas muito presunçosas ler este tipo de texto é uma afronta. Então estamos a comparar pessoas que estudaram seis, sete anos na universidade com pessoas que andam nas obras? Sim, estamos. Estamos porque quando essas pessoas de fato e gravata precisam de um quarto com um roupeiro e uma casa de banho na suite, provavelmente não o sabem fazer. Tal como não sabem fazer aquele pão ou não são capazes de tratar aquela doença. Todos precisamos de todos.

 

Isto dito assim até parece uma daquelas frases bonitas do facebook, mas o objetivo desta conversa tem a ver com a forma como as pessoas olham de lado para quem tem aquela roupa reles das obras. 

 

Um destes dias a Margarida foi ajudar o pai na limpeza final da obra antes de entregar a chave aos donos, era preciso retirar os cartões que cobriam o chão, limpar o soalho que tinha pó, limpar os azulejos e tirar um ou outro pingo de tinta que caiu acidentalmente. Na hora do almoço foram ao MacDonalds aqui mais perto. Estavam lá uns primos afastados e quando viram a Margarida num fato de treino já velhote e com algum pó praticamente nem olharam, e ela sentiu vergonha de andar assim.

 

 

V E R G O N H A.

 

Sim, foi preciso alguma conversa no final do dia para que ela percebesse que devia ter orgulho em aproveitar o seu tempo para fazer coisas produtivas, para perceber que não é a roupa que nos define, mas sim as nossas atitudes. É preciso andar sempre de cabeça levantada.

 

Na segunda feira fui com o meu marido para ajudar a montar uma escada em caracol novinha em folha num outro apartamento. E pode parecer estranho mas aquilo não é só chegar ali e montar o puzzle, é preciso pensar, ver onde vai "bater", tal como em todas as remodelações não é só ter ideias é saber como se faz, é contornar os problemas que vão aparecendo, é ter criatividade para aproveitar bem o espaço... mas, voltando à segunda feira, depois de um dia de trabalho em que conseguimos começar e terminar a montagem desta escada: ------ >>>>

 

 

 

Ora fomos a um estabelecimento comercial onde se vendem coisas com muita qualidade, o objetivo era adquirir uma dessas coisas, fomos recebidos com um olhar de reprovação (por causa da roupa?), fomos praticamente despachados e nem sequer vimos o que íamos à procura. Será que a pessoa que estava a vender achava que não tínhamos dinheiro para pagar? 

 

É muito triste, muito mesmo. Mas já estamos habituados... um dia havemos de colocar umas roupinhas catitas e havemos de lá passar outra vez, não para comprar, mas apenas para ver. Comprar, havemos de comprar num outro local que aceite conversar com pessoas independentemente daquilo que elas tenham vestido...

 

Felizmente que os clientes do meu marido são pessoas que sabem dar o valor ao seu trabalho, sabem que ele não foi para as obras porque não tem mais nada, sabem que ele adora aquilo que faz e são capazes de lhe dizer isto. Ficam contentes com o resultado final, colaboram na escolha, escutam as recomendações... reconhecem que o trabalho quando é feito com gosto e dedicação fica muito melhor! -------- >>>>

 

 

 

 

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Assuntos Importantes:

Sexta-feira, 11.08.17

Apoio

Quando alguém nos quer dar apoio diz-nos coisas que nos incentivam, mostra-nos opções, explica-nos como faz. Sem julgamentos. Sem frases feitas do tipo "eu bem te disse", "sempre tinha razão" e aquele olhar de pena e de espanto do género "só descobriste isso agora?"

 

Verdade.

Há coisas que só descobrimos agora.

Quando passamos pelas coisas.

Quando as sentimos na própria pele.

Quando falhamos.

Uma e outra vez. 

 

Posso enumerar todas as coisas que contribuíram para que as coisas não corressem bem, mas não sou capaz de apontar uma única coisa positiva. Tudo o que é negativo tem sempre um impacto maior, tal como aquela frase que de vez em quando aparece nas redes sociais e que diz "Se erras uma vez ninguém esquece, se fazes uma coisa boa ninguém repara". 

 

Dizia-me uma pessoa no outro dia para não ser tão dura comigo própria. Parece pouco, mas este tipo de frase - dita por alguém que me compreendeu - deixou-me bastante comovida. Sou de facto a primeira a não me perdoar quando não sou capaz de fazer as coisas, sou a minha maior inimiga no que a tolerância diz respeito... sinto-me enfraquecer e aos poucos consigo ouvir aquela voz cá dentro que me diz "não és capaz".

 

E muitas vezes não sou. 

E desanimo.

E fico deprimida.

E sei que não posso ficar assim para sempre.

E tenho mil e uma coisas para acabar porque não tenho tido cabeça para isso.

 

Mas o que me deixe verdadeiramente em pânico são as noites em que durmo uma hora e acordo com a Lúcia a chorar, depois durmo e volto a acordar... quando chega a madrugada parece que nem dormi. Faz-me sentir meio aérea, completamente sem paciência. E é assim que enfrento os meus dias.

 

Posto isto, tenho muita esperança de que dentro da próxima semana as coisas se comecem a resolver e regresse então à minha vida normal. Até lá vou esforçar-me mais para manter a calma, para sorrir, para conversar.

 

A todos vós que nestes dias vão de férias, aproveitem, recarreguem a bateria, façam coisas que não costumam fazer, divirtam-se, aproveitem para conversar, para comer alguma coisa diferente, visitem coisas bonitas. 

 

E por favor, descansem!!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 09.08.17

Sobre a lactose

A lactose é o açúcar presente no leite e seus derivados. É um hidrato de carbono, mais especificamente um dissacarídeo, que é composto por dois monossacarídeos: a glicose e a galactose"

 

Hoje em dia muitas pessoas decidiram abolir o gluten e a lactose e mais uma série de coisas porque os consideram prejudiciais à saúde, conheço várias pessoas que tomaram esta decisão apenas "porque sim".

 

Quando a Lúcia fez um ano era suposto começar a transição do leite. Até esta idade ela sempre bebeu do mesmo, o único leite que a fazia ter uma vida relativamente normal. Mas, nesta nova fase decidi ignorar aquela voz interior que me dizia que se ela não tolerava qualquer leite de lata quanto mais os outros, e mudámos então para o leite da Mimosa especial 1-3 anos. Quando falava nisto a algumas pessoas a maioria dizia que aquilo era só açúcar e que devia era dar leite normal. E eu estupidamente tomei essa decisão. Nesta mesma altura a Lúcia foi vacinada. Era suposto ficar irritada e fazer uma reação na pele que iria durar cerca de duas semanas. O que realmente se veio a verificar, mas os sintomas agravaram-se muito, já nem comia apenas bebia leite.

 

A Lúcia chorava dia e noite - e ela nem é de chorar - não dormia as suas sestas e durante a noite era um horror... o corpo começava a apresentar muitas manchas vermelhas e ela gritava de dor na zona da barriga que nesta fase mais parecia um balão inchado e muito duro. Mas ainda não tinham passado as duas semanas da reação das vacinas pelo que esperei...

 

Ao quarto dia estava desesperada, como havia o aviso para não irmos logo para os hospitais por causa do vírus da gripe, liguei para a saúde 24. No inquérito que nos fazem ia respondendo a todas as perguntas enquanto a Lúcia chorava... o enfermeiro disse-me logo que os sintomas que eu estava a descrever não eram os das vacinas, mas os de uma reação alérgica e faz a pergunta "de certeza que não lhe deu nada de novo nestes dias?" 

 

numa fração de segundos percebi de imediato a porcaria que tinha feito. E respondi a verdade, a única coisa que eu lhe tinha dado era leite de vaca normal. Foi-me explicado que ela manifestava todos os sintomas de alergia à lactose, que dentro de dois a três dias estaria melhor, teria de voltar ao leite antigo que era mais reconfortante e teria de lhe dar medicamentos para as cólicas que era verdadeiramente terríveis.

 

Depois disto, fomos ao médico e contámos o que tinha acontecido, a Lúcia não poderia nunca experimentar leite normal até aos três anos, e teríamos de ter o máximo cuidado com os iogurtes e todas as outras coisas. Deveria ser uma coisa simples, mas não é. Alguns meses depois fiz omelete (com leite) e dei-lhe sem pensar no que estava a fazer... foi um bocadinho, mas foi o suficiente... e assim temos aprendido. Era suposto estar "pro" no assunto uma vez que passaram seis meses. Mas não.

 

Desde que mudámos de leite que segui um conselho que me deram: dar o de soja, mas ela não gostou e fez-lhe mal à barriga, depois comprei novamente o 1-3 anos e fui comprando os que dizem "sem lactose" das várias marcas, nunca dando do mesmo tipo mais de uma semana. Acontece que, como ela tem estado doente e deixou de comer por causa daquela coisa "aftosa" tem bebido mais leite e como não consegui comprar de outra marca, ora estive a dar o do Lidl durante quatro dias... e o que é que aconteceu? Pois é, estamos outra vez a passar pelos sintomas da alergia... desta vez até tem as pálpebras inchadas... na verdade o leite do Lidl diz sem lactose, mas tem um asterisco... não tem muita lactose, mas afinal sempre tem alguma!

 

Isto é uma aprendizagem constante... quem é que diria que seria preciso tanta coisa por causa do leite?

 

No site da Mimosa encontrei informações muito boas... descobri ainda que

 

"os derivados contêm um teor de lactose menor que o leite, variável consoante o seu processamento. 

Outros alimentos poderão ser fonte de lactose, por isso, deve sempre confirmar a presença/ ausência de lactose na lista de ingredientes. Estes são alguns exemplos:

• Gelados 
• Cereais de pequeno-almoço
• Alimentos ou refeições pré-cozinhados 
• Margarina 
• Maionese 
• Molhos
• Bolachas 
• Bolos e doces 
• Frutas de conserva 
• Batatas fritas comerciais
• Sopas instantâneas 
• Enchidos, salames, salsichas industriais 
• Xaropes e antibióticos líquidos 
• Preparados vitamínicos e minerais"

 

É muita coisa... mas tenho de começar a prestar mais atenção... porque as consequências são mesmo terríveis...

 

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 08.08.17

Algures por aí

existem países onde já começaram as aulas. Nesses sítios anda tudo muito animado porque já compraram os materiais, já têm as roupas (e/ou uniformes) compradas e todas essas coisas... em alguns destes países as crianças levam almoço de casa, esse almoço é constituído por sandes, pacotes de leite, alguma fruta ou cenoura em palitos e pouco mais. Ou seja, aquilo que por aqui costumo mandar para o lanche é dado às crianças ao almoço, lanches? Isso não existe, existem snacks que são por exemplo barras de cereais e frutas secas. Raramente estas crianças comem sopa e quando a comem vem de uma lata. Sim, eu pensava que isso era coisa de filmes antigos, mas não. Hoje em dia as pessoas - em certos locais - ainda comem sopa de lata. Percebi também que os pequenos almoços são um bocado mais nutritivos que os nossos pois comem ovos entre outras coisas, e se isto é tudo normal, também é normal haver jantares com comidas bem condimentadas...

 

Eu tenho feito um enorme esforço para não desperdiçar comida, para não desperdiçar dinheiro em coisas que não comemos e em aproveitar bem o que temos fresco como legumes e frutas. Tenho um orçamento mensal para supermercado e tento cumpri-lo. Se tivesse mais tempo dedicar-me-ia a fazer mais coisas em casa, por agora voltámos às pizzas caseiras. A nossa sopa, na maior parte das vezes vem da minha mãe que faz sempre muita e assim não se estraga, mas é feita com coisas da horta, não costumamos comer sopas de pacote... em lata só temos atum, salsichas, milho e pouco mais.

 

Este mês vou começar a ensinar à Margarida como fazemos a gestão da comida lá em casa, já me pareceu que ela gosta deste tipo de coisas e assim vai aprendendo... manter uma família alimentada não é bem a mesma coisa de alimentar bem uma família. Seria mais barato talvez misturar o conteúdo de pacotes com água e ter refeições prontas, mas a mim não me convence... quando penso no que vou fazer para os menus do mês fico sempre angustiada, sem ideias e farta de fazer sempre o mesmo, se decido não seguir o menu acontece sempre o mesmo: muitas vezes comemos frango assado de compra, gasto dinheiro a mais e nem por isso comemos melhor. 

 

Não pensem que somos tão pobres que não temos dinheiro para comida, não é nada disso, é uma questão de comprar o que é melhor para nós, para as nossas necessidades sem desperdiçar dinheiro e comida, é uma questão de aproveitar o que temos, de usar a imaginação, de procurar, de não me acomodar ao mais rápido e que dá menos trabalho... deve ser uma questão de mentalidade, só pode!

 

Como é que dão sandes todos os dias ao almoço a crianças pequenas? E ainda dizem mal do nosso país!!!!

 

 

 

 

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Terça-feira, 08.08.17

Planos para o futuro

Ora aqui está uma coisa que não me apetece muito fazer. Não sei se é por não ter nada fascinante para colocar na agenda, ou se é apenas por saber que no futuro mais próximo está quase sempre as idas ao médico, a preparação para a escola, ou não. Tirando isto nada mais há a acrescentar no enorme calendário que tenho na bancada da cozinha numa espécie de tentativa para combater a tralha espalhada.

 

Tenho andado adoentada, a Lúcia tem estado adoentada. Mesmo assim consegui fazer algumas das coisas que mais me incomodavam, porque contabilista que é contabilista sabe que antes do lazer temos os Ivas em agosto para fazer. Tenho apenas meia dúzia de coisas para lançar e um para enviar. Amanhã por esta hora posso dar como concluída esta tarefa. 

 

Queria fazer qualquer coisa no quinze de agosto, normalmente vamos sempre passear, este ano deveremos ficar mesmo em casa, porque o pai começou uma remodelação e quer cumprir o prazo acordado, como sempre tem feito, além de que calha a uma terça feira e não me parece que haja espaço para pontes. No ano passado fomos à Serra da Estrela, estavamos a sair de uma situação terrível, foram uns dias muito estranhos. Passou um ano. As coisas melhoraram, não voltaram a ser como eram, mas estão melhores. É sempre bom quando as coisas melhoram, certo?

 

Na volta este blogue está a ficar um bocadinho deprimente, vou informar-me do verniz da moda e do melhor produto para limpar a casa e volto em breve com uma review, que é como quem diz com três ou quatro frases opinativas da coisa!

 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 04.08.17

Às vezes não chega...

Tentamos ser mulheres decididas, firmes, de bem com a vida... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser esposas dedicadas, amáveis e prestáveis... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser mães presentes, preocupadas, disponíveis... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser donas de casa controladas, organizadas e imaginativas... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser profissionais no nosso trabalho, pro ativas e honestas... mas às vezes não chega.

 

Tentamos curar pequenas feridas, fazer refeições fora do normal, tentamos construir castelos, ter a roupa alinhada, tentamos ajudar naquela conta teimosa ou naquele trabalho complicado... mas às vezes não chega.

 

Há dias em que o nosso muito parece um grão de pó.

 

Ser mulher é dose!!!

 

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 02.08.17

Meio ano já passou

E com isto chegamos a agosto.

O mês terrível.

Mas não muito.

Um bocadinho.

 

Era suposto colocar aqui uma imagem a dizer #oláagosto ou #qualquercoisagira do género #hellosummer, era suposto fazer o balanço do mês de julho, era suposto estar a fazer as malas para irmos de férias, era suposto ir encomendar os livros escolares para ficar descansada, era suposto... ai que vida!

 

Acontece que, continuamos a nossa vida de sempre. E com isto quero dizer que está na altura de fazer o menu do mês, a lista de compras do supermercado, as contas aos gastos no mês passado -se calhar passo esta - terminar os Ivas (só me falta um), enviar os Ivas, arrumar a papelada, lavar os cortinados da casa, dar um avanço à organização das divisões que ainda me faltam, tomar uns banhos na piscina (se não arrefecer entretanto)... tenho o livro secreto para ler e pela primeira vez não estou a conseguir entusiasmo para lhe pegar...

 

É uma vida muito agitada a minha... não haja dúvidas!!!

 

Entretanto mostro o teste que fizemos à nossa mobília...

 

Antes:

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Depois:

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 Também já tenho a zona de lavar e passar mais ou menos organizada

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Os brinquedos estão agora todos no quarto

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Ainda tenho muito com que me entreter...

 

A maior parte dos esboços e desenhos já foi para o ecoponto, mas alguns vou guardar, foram feitos há vinte anos na escola...

 

 

 

 

 

 

#queposttãoesquisito

#vidadegentenormal

 

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Terça-feira, 01.08.17

Os ensinamentos do desconforto

Sair da nossa zona de conforto é sempre uma ótima oportunidade para crescermos e para aprendermos. Não viver ou experimentar coisas para não sairmos do nosso ninho é meio caminho andado para perdermos grandes oportunidades de aprendizagem.

 

E o quanto tenho eu aprendido desde que decidimos dar uma oportunidade ao campismo como forma de nos divertirmos em família! Acampar não é só agarrar nas coisas (quais coisas?) e instalarmo-nos algures (onde?).

 

O nosso segundo acampamento foi bem diferente do primeiro! Enquanto que da primeira vez estávamos num local desconhecido junto de famílias desconhecidas, desta vez estivemos no nosso Canto de Caná rodeados de pessoas amigas!

 

Confesso que depois de duas semanas de trabalho intenso e muitas outras preocupações, eu e o meu marido estávamos bastante cansados, não fiz as famosas listas e levámos apenas aquilo que nos pareceu ser necessário para quase três dias e duas noites. Claro que mal chegámos consegui logo ver a quantidade de coisas que me iam fazer falta, mas a vida às vezes é isso mesmo: improvisar. 

 

Chegar a um acampamento ao por do sol é bem diferente do que chegar ainda pela fresca da manhã, o cansaço faz-se sentir e a paciência começa a faltar... e acampar dá muito trabalho. Depois de respirarmos fundo, de alguma persistência conseguimos entrar neste novo ritmo. O ritmo de um acampamento familiar.

 

Desta vez já conhecíamos a maior parte das famílias, a nossa "vizinhança" era mesmo boa!!! Preparámos um jantar estilo piquenique, comemos da comida uns dos outros (como faziam os antigos povos que caminhavam nos desertos, talvez!), juntámo-nos já noite dentro no Canto de Caná para rezar e como era de esperar só os mais bebés é que deram sinal de ter sono... os grandes e os pequenos... estavam prontos para mais e mais conversa, música e animação!

 

Mas, mesmo com brincadeira até altas horas, as nossas crianças estavam frescas e airosas logo pelas sete da manhã, alguns adultos também, eu já acumulava algum cansaço... já vos disse que passam por ali muitos comboios? Pois é, na primeira noite em que vamos a algum lado nunca durmo nada de jeito (mesmo em hotel), nada que um café e um pão quentinho com manteiga não ajudem (cortesia da coordenação, aka os que #trabalharamcomotudo para que as coisas corressem bem), tivemos até direito a uma Eucaristia só para nós logo pela manhã, seguida de um dos momentos, para mim, mais ricos que foi a adoração.

 

O dia dois do acampamento foi passado fora, na Mata do Buçaco. Tivemos alguns corajosos que foram e voltaram de bicicleta, uma canseira!!! Mas eles pareceram animados com a aventura, comemos junto à fonte, bebemos água fresquinha, os pequeninos exploraram e exploraram aquilo tudo. Depois fizemos a Via Sacra... e que Via Sacra! A subida é sempre muito dura, muito íngreme... e como dizia o João tivemos pessoas dos oito meses aos oitenta anos a fazer o percurso!

 

Mas valeu a pena, vale a sempre a pena. E não é só pela vista fantástica que se tem lá em cima, é pelo que deixamos pelo caminho. As preocupações, os aborrecimentos, as coisinhas da vida, os pensamentos, as falsas certezas... é nestes momentos extremamente duros que temos noção também das nossas fraquezas humanas, sentimos a dor nas costas, nos joelhos, nos braços, no coração... e voltamos renovados interiormente!

 

Mas, como os dias no acampamento não tiveram as tradicionais 24 horas, mas foram muito maiores, o dia dois ainda teve churrasco, conversas animadas, brincadeiras, banhos de água à temperatura ambiente, mais brincadeira, mais conversas, músicas, oração e uma serão que foi cinco estrelas onde cada família partilhou alguma passagem da bíblia, e se pensam que foi uma seca estão muito enganados, porque eu bem vi muitos sorrisos, palmas e gargalhadas bem grandes, até talvez uma ou outra lágrima quase, quase a sair...

 

Mais uma noite de animação que terminou tarde, desta vez em vez de 5+1 (alguém consegue separar a nossa Maria da Lúcia Power?) éramos 5+1+2! E pena tenho eu de não sermos mais!!! Afinal íamos preparados para acolher quem quisesse ficar connosco, a nossa tenda é bem grande!!

 

Ao terceiro dia... não, não houve casamento em Caná, mas bem podia ter havido tal era a festa! Não houve casamento, mas houve celebração da Eucaristia novamente, desta vez junto de toda a comunidade, claro que a roupa de quem vai acampar é bem mais modesta do que a das restantes pessoas, já para não falar da família que escolheu este dia para batizar uma menina! Mas, Deus não se deve ter importado com os nossos chinelos e ténis cheios de pó, com os vincos nas camisolas depois de alguns dias guadadas nas malas, ou mesmo com os sonos que atacaram alguns dos nossos meninos... afinal todos somos bem vindos na casa do Pai!

 

Este grande acampamento (em atividades e em ensinamentos) não podia terminar sem ser com uma grande refeição à volta das mesas, mais uma vez entre animadas conversas, entre planos para os próximos dias, entre risos e gargalhadas, entre agradecimentos e louvor!

 

Estar privada do meu conforto ensina-me tanta coisa...

 

Sentir que a vida segue sempre o seu rumo não importa onde estamos...

Ver o dia amanhecer à porta de uma tenda em vez de o ver da janela do meu quarto...

Ouvir risinhos de muitas crianças e não apenas das minhas...

Afligir-me com choros de algumas crianças (eu sou um bocado stressada com choros desculpem-me se incomodei alguém entretanto)...

Sentir um abraço apertado...

Receber um chocolate às escondidas...

Rir até doer a barriga...

Chorar de comoção até doer o peito...

 

Tudo isto são coisas que não poderia sentir se nunca saísse da minha zona de conforto!

 

 

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