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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Terça-feira, 01.08.17

Os ensinamentos do desconforto

Sair da nossa zona de conforto é sempre uma ótima oportunidade para crescermos e para aprendermos. Não viver ou experimentar coisas para não sairmos do nosso ninho é meio caminho andado para perdermos grandes oportunidades de aprendizagem.

 

E o quanto tenho eu aprendido desde que decidimos dar uma oportunidade ao campismo como forma de nos divertirmos em família! Acampar não é só agarrar nas coisas (quais coisas?) e instalarmo-nos algures (onde?).

 

O nosso segundo acampamento foi bem diferente do primeiro! Enquanto que da primeira vez estávamos num local desconhecido junto de famílias desconhecidas, desta vez estivemos no nosso Canto de Caná rodeados de pessoas amigas!

 

Confesso que depois de duas semanas de trabalho intenso e muitas outras preocupações, eu e o meu marido estávamos bastante cansados, não fiz as famosas listas e levámos apenas aquilo que nos pareceu ser necessário para quase três dias e duas noites. Claro que mal chegámos consegui logo ver a quantidade de coisas que me iam fazer falta, mas a vida às vezes é isso mesmo: improvisar. 

 

Chegar a um acampamento ao por do sol é bem diferente do que chegar ainda pela fresca da manhã, o cansaço faz-se sentir e a paciência começa a faltar... e acampar dá muito trabalho. Depois de respirarmos fundo, de alguma persistência conseguimos entrar neste novo ritmo. O ritmo de um acampamento familiar.

 

Desta vez já conhecíamos a maior parte das famílias, a nossa "vizinhança" era mesmo boa!!! Preparámos um jantar estilo piquenique, comemos da comida uns dos outros (como faziam os antigos povos que caminhavam nos desertos, talvez!), juntámo-nos já noite dentro no Canto de Caná para rezar e como era de esperar só os mais bebés é que deram sinal de ter sono... os grandes e os pequenos... estavam prontos para mais e mais conversa, música e animação!

 

Mas, mesmo com brincadeira até altas horas, as nossas crianças estavam frescas e airosas logo pelas sete da manhã, alguns adultos também, eu já acumulava algum cansaço... já vos disse que passam por ali muitos comboios? Pois é, na primeira noite em que vamos a algum lado nunca durmo nada de jeito (mesmo em hotel), nada que um café e um pão quentinho com manteiga não ajudem (cortesia da coordenação, aka os que #trabalharamcomotudo para que as coisas corressem bem), tivemos até direito a uma Eucaristia só para nós logo pela manhã, seguida de um dos momentos, para mim, mais ricos que foi a adoração.

 

O dia dois do acampamento foi passado fora, na Mata do Buçaco. Tivemos alguns corajosos que foram e voltaram de bicicleta, uma canseira!!! Mas eles pareceram animados com a aventura, comemos junto à fonte, bebemos água fresquinha, os pequeninos exploraram e exploraram aquilo tudo. Depois fizemos a Via Sacra... e que Via Sacra! A subida é sempre muito dura, muito íngreme... e como dizia o João tivemos pessoas dos oito meses aos oitenta anos a fazer o percurso!

 

Mas valeu a pena, vale a sempre a pena. E não é só pela vista fantástica que se tem lá em cima, é pelo que deixamos pelo caminho. As preocupações, os aborrecimentos, as coisinhas da vida, os pensamentos, as falsas certezas... é nestes momentos extremamente duros que temos noção também das nossas fraquezas humanas, sentimos a dor nas costas, nos joelhos, nos braços, no coração... e voltamos renovados interiormente!

 

Mas, como os dias no acampamento não tiveram as tradicionais 24 horas, mas foram muito maiores, o dia dois ainda teve churrasco, conversas animadas, brincadeiras, banhos de água à temperatura ambiente, mais brincadeira, mais conversas, músicas, oração e uma serão que foi cinco estrelas onde cada família partilhou alguma passagem da bíblia, e se pensam que foi uma seca estão muito enganados, porque eu bem vi muitos sorrisos, palmas e gargalhadas bem grandes, até talvez uma ou outra lágrima quase, quase a sair...

 

Mais uma noite de animação que terminou tarde, desta vez em vez de 5+1 (alguém consegue separar a nossa Maria da Lúcia Power?) éramos 5+1+2! E pena tenho eu de não sermos mais!!! Afinal íamos preparados para acolher quem quisesse ficar connosco, a nossa tenda é bem grande!!

 

Ao terceiro dia... não, não houve casamento em Caná, mas bem podia ter havido tal era a festa! Não houve casamento, mas houve celebração da Eucaristia novamente, desta vez junto de toda a comunidade, claro que a roupa de quem vai acampar é bem mais modesta do que a das restantes pessoas, já para não falar da família que escolheu este dia para batizar uma menina! Mas, Deus não se deve ter importado com os nossos chinelos e ténis cheios de pó, com os vincos nas camisolas depois de alguns dias guadadas nas malas, ou mesmo com os sonos que atacaram alguns dos nossos meninos... afinal todos somos bem vindos na casa do Pai!

 

Este grande acampamento (em atividades e em ensinamentos) não podia terminar sem ser com uma grande refeição à volta das mesas, mais uma vez entre animadas conversas, entre planos para os próximos dias, entre risos e gargalhadas, entre agradecimentos e louvor!

 

Estar privada do meu conforto ensina-me tanta coisa...

 

Sentir que a vida segue sempre o seu rumo não importa onde estamos...

Ver o dia amanhecer à porta de uma tenda em vez de o ver da janela do meu quarto...

Ouvir risinhos de muitas crianças e não apenas das minhas...

Afligir-me com choros de algumas crianças (eu sou um bocado stressada com choros desculpem-me se incomodei alguém entretanto)...

Sentir um abraço apertado...

Receber um chocolate às escondidas...

Rir até doer a barriga...

Chorar de comoção até doer o peito...

 

Tudo isto são coisas que não poderia sentir se nunca saísse da minha zona de conforto!

 

 

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