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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Sexta-feira, 18.08.17

Memórias #1

Escrito aqui em 21-7-2016

 

Nunca verei o mundo

Existem sonhos que nunca deixamos de querer alcançar, são aqueles que nos movem e que fazem com que a vida tenha aquela pitada de "aventura". 

 

Sim, em alguma altura da minha vida sonhei ver o mundo, e não, não era nas redes sociais (que ainda não existiam), sonhava fazer um inter-rail, de comboio com uma mochila às costas, algum dinheiro para os gastos e amigas para tornarem a viagem mais divertida.

 

Sonhava passar pelas capitais europeias, cidades cheias de vida e cheias de história, sonhava ver aqueles monumentos todos que estavam nos livros da escola, sonhava levar a minha máquina fotográfica e muitos rolos de 36 fotos na bagagem... depois da Europa teria de ir a outros continentes... fazer grandes viagens de avião, iria ver a savana em África... a muralha da China... Nova Iorque... o Alasca... ah como era ambiciosa e sonhadora!

 

Mas, também sonhava com vestidos de noiva cheios de tule, alianças e um príncipe encantado... sonhava com aquele momento do "sim" e com a valsa lenta nos braços do meu amor... sonhava com o enxoval cheio de coisas bonitas para a minha casa e com aquele quarto de bebé que vi na La Redoute... sonhava com uma casinha no campo com um quintal cheio de flores bonitas rodeadas por uma cerca pintada de branco!

 

Sim, sonhar é bom. Eu adormecia a sonhar acordada... 

 

Quem perde os sonhos deixa de ter vontade de viver... deixa de querer alcançar esta ou aquela coisa, este ou aquele momento... conquistam-se uns, desiste-se de outros, reescreve-se o livro com outros novos... mas nunca - nunca - se deve deixar de sonhar!

 

Eu, nunca fiz um inter-rail... nunca conheci as capitais europeias, nem vi a aurora boreal no Alasca... nunca visitei outros continentes e os monumentos terei de continuar a vê-los nos livros e nas redes sociais quando alguém partilha uma foto das suas férias...

 

Entretanto consegui mais do que a casinha no campo - sim, sem flores bonitas  - mas mesmo assim consegui o meu príncipe... e o quarto de bebé há muito que foi renovado!

 

Fiz uma escolha. Abdiquei de muitos dos meus sonhos para abraçar outros novos, construí uma vida com base no amor, na partilha e na doação, acolhi os sonhos do meu marido que são também os meus sonhos.

 

Nunca verei o mundo.

 

Esse mundo bonito cheio de grandes maravilhas naturais e obras de arte... mas terei sempre este meu mundo, feito de sonhos que se entrelaçaram, que se uniram e que fizeram nascer mais - muito mais - do que aquilo que eu poderia imaginar!

 

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Sexta-feira, 18.08.17

Ânsia

ân·si·a 

substantivo feminino

1. Perturbação acompanhada por dificuldade em respirar.

2. Desejo ardente ou intenso. = ANELOANSEIOSOFREGUIDÃO

3. Comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não. (Mais usado no plural.) = AFLIÇÃOANSEIOANSIEDADE

4. Mal-estar físico acompanhado de vontade de vomitar. (Mais usado no plural.) = ENJOONÁUSEAVASCAS

5. Momento que antecede a morte. (Mais usado no plural.) = AGONIAESTERTOR


"ânsia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/%C3%A2nsia [consultado em 18-08-2017].
 
 
 -----*-----
 
Às vezes sinto esta vontade intensa de fazer mais. De ver mais. De sentir mais. De passear mais. De ter mais. Sinto-me presa por viver numa aldeia pequena, de trabalhar todos os dias numa loja antiga e pequena, de viver numa cidade pequena. Tenho vontade de sair daqui, de ir onde os outros vão, experimentar as coisas que os outros mostram a toda a hora nas redes sociais, de partir de viagem sem destino, ficar em hotéis bonitos, tirar fotografias perfeitas, rir a toda a hora, aproveitar bem a vida. 
 
 
Depois, experimento uma dessas coisas - mesmo uma pequenina - e percebo que afinal não era bem o que eu esperava, sinto aquele misto de frustração com desilusão... "tanta expetativa e era só isto..." percebo que se observar melhor todas as vivências felizes dos outros, se calhar se fosse eu, naquela hora sentiria de novo a sensação de desilusão... será defeito meu? Porquê? Espero demais das coisas? Das pessoas? Iludo-me na esperança de que haja um dia uma experiência que me deixe maravilhada ao ponto de afirmar que foi muito melhor do que aquilo que imaginei?
 
Se calhar tenho uma imaginação demasiado fértil e sinto uma expetativa demasiado grande para as coisas desta vida... queria ir a uma loja da muito in lá de Lisboa, quando lá entrei estava verdadeiramente feliz... passados cinco minutos não havia meio de sair dali, não encontrei nada do que queria... tinha demasiadas pessoas que andavam para lá e para cá... fiquei triste... mas pelo menos fui lá, não tenho vontade de voltar... se calhar transformei-me num "bicho do mato" habituei-me a viver neste ritmo mais parado, acostumei-me a esta "pasmaceira", como se vivesse num mundo imaginário produzido pela minha imaginação, onde aqui pelo menos sei como as coisas são!
 
 
Só espero que quando morrer veja finalmente a luz, sinta aquela sensação de que nunca vivi nada assim... porque tenho a sensação de que ficarei sempre assim com ânsia de experimentar e frustrada com a experiência...
 
 
 
 

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