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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!


Quarta-feira, 09.08.17

Sobre a lactose

A lactose é o açúcar presente no leite e seus derivados. É um hidrato de carbono, mais especificamente um dissacarídeo, que é composto por dois monossacarídeos: a glicose e a galactose"

 

Hoje em dia muitas pessoas decidiram abolir o gluten e a lactose e mais uma série de coisas porque os consideram prejudiciais à saúde, conheço várias pessoas que tomaram esta decisão apenas "porque sim".

 

Quando a Lúcia fez um ano era suposto começar a transição do leite. Até esta idade ela sempre bebeu do mesmo, o único leite que a fazia ter uma vida relativamente normal. Mas, nesta nova fase decidi ignorar aquela voz interior que me dizia que se ela não tolerava qualquer leite de lata quanto mais os outros, e mudámos então para o leite da Mimosa especial 1-3 anos. Quando falava nisto a algumas pessoas a maioria dizia que aquilo era só açúcar e que devia era dar leite normal. E eu estupidamente tomei essa decisão. Nesta mesma altura a Lúcia foi vacinada. Era suposto ficar irritada e fazer uma reação na pele que iria durar cerca de duas semanas. O que realmente se veio a verificar, mas os sintomas agravaram-se muito, já nem comia apenas bebia leite.

 

A Lúcia chorava dia e noite - e ela nem é de chorar - não dormia as suas sestas e durante a noite era um horror... o corpo começava a apresentar muitas manchas vermelhas e ela gritava de dor na zona da barriga que nesta fase mais parecia um balão inchado e muito duro. Mas ainda não tinham passado as duas semanas da reação das vacinas pelo que esperei...

 

Ao quarto dia estava desesperada, como havia o aviso para não irmos logo para os hospitais por causa do vírus da gripe, liguei para a saúde 24. No inquérito que nos fazem ia respondendo a todas as perguntas enquanto a Lúcia chorava... o enfermeiro disse-me logo que os sintomas que eu estava a descrever não eram os das vacinas, mas os de uma reação alérgica e faz a pergunta "de certeza que não lhe deu nada de novo nestes dias?" 

 

numa fração de segundos percebi de imediato a porcaria que tinha feito. E respondi a verdade, a única coisa que eu lhe tinha dado era leite de vaca normal. Foi-me explicado que ela manifestava todos os sintomas de alergia à lactose, que dentro de dois a três dias estaria melhor, teria de voltar ao leite antigo que era mais reconfortante e teria de lhe dar medicamentos para as cólicas que era verdadeiramente terríveis.

 

Depois disto, fomos ao médico e contámos o que tinha acontecido, a Lúcia não poderia nunca experimentar leite normal até aos três anos, e teríamos de ter o máximo cuidado com os iogurtes e todas as outras coisas. Deveria ser uma coisa simples, mas não é. Alguns meses depois fiz omelete (com leite) e dei-lhe sem pensar no que estava a fazer... foi um bocadinho, mas foi o suficiente... e assim temos aprendido. Era suposto estar "pro" no assunto uma vez que passaram seis meses. Mas não.

 

Desde que mudámos de leite que segui um conselho que me deram: dar o de soja, mas ela não gostou e fez-lhe mal à barriga, depois comprei novamente o 1-3 anos e fui comprando os que dizem "sem lactose" das várias marcas, nunca dando do mesmo tipo mais de uma semana. Acontece que, como ela tem estado doente e deixou de comer por causa daquela coisa "aftosa" tem bebido mais leite e como não consegui comprar de outra marca, ora estive a dar o do Lidl durante quatro dias... e o que é que aconteceu? Pois é, estamos outra vez a passar pelos sintomas da alergia... desta vez até tem as pálpebras inchadas... na verdade o leite do Lidl diz sem lactose, mas tem um asterisco... não tem muita lactose, mas afinal sempre tem alguma!

 

Isto é uma aprendizagem constante... quem é que diria que seria preciso tanta coisa por causa do leite?

 

No site da Mimosa encontrei informações muito boas... descobri ainda que

 

"os derivados contêm um teor de lactose menor que o leite, variável consoante o seu processamento. 

Outros alimentos poderão ser fonte de lactose, por isso, deve sempre confirmar a presença/ ausência de lactose na lista de ingredientes. Estes são alguns exemplos:

• Gelados 
• Cereais de pequeno-almoço
• Alimentos ou refeições pré-cozinhados 
• Margarina 
• Maionese 
• Molhos
• Bolachas 
• Bolos e doces 
• Frutas de conserva 
• Batatas fritas comerciais
• Sopas instantâneas 
• Enchidos, salames, salsichas industriais 
• Xaropes e antibióticos líquidos 
• Preparados vitamínicos e minerais"

 

É muita coisa... mas tenho de começar a prestar mais atenção... porque as consequências são mesmo terríveis...

 

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 08.08.17

Algures por aí

existem países onde já começaram as aulas. Nesses sítios anda tudo muito animado porque já compraram os materiais, já têm as roupas (e/ou uniformes) compradas e todas essas coisas... em alguns destes países as crianças levam almoço de casa, esse almoço é constituído por sandes, pacotes de leite, alguma fruta ou cenoura em palitos e pouco mais. Ou seja, aquilo que por aqui costumo mandar para o lanche é dado às crianças ao almoço, lanches? Isso não existe, existem snacks que são por exemplo barras de cereais e frutas secas. Raramente estas crianças comem sopa e quando a comem vem de uma lata. Sim, eu pensava que isso era coisa de filmes antigos, mas não. Hoje em dia as pessoas - em certos locais - ainda comem sopa de lata. Percebi também que os pequenos almoços são um bocado mais nutritivos que os nossos pois comem ovos entre outras coisas, e se isto é tudo normal, também é normal haver jantares com comidas bem condimentadas...

 

Eu tenho feito um enorme esforço para não desperdiçar comida, para não desperdiçar dinheiro em coisas que não comemos e em aproveitar bem o que temos fresco como legumes e frutas. Tenho um orçamento mensal para supermercado e tento cumpri-lo. Se tivesse mais tempo dedicar-me-ia a fazer mais coisas em casa, por agora voltámos às pizzas caseiras. A nossa sopa, na maior parte das vezes vem da minha mãe que faz sempre muita e assim não se estraga, mas é feita com coisas da horta, não costumamos comer sopas de pacote... em lata só temos atum, salsichas, milho e pouco mais.

 

Este mês vou começar a ensinar à Margarida como fazemos a gestão da comida lá em casa, já me pareceu que ela gosta deste tipo de coisas e assim vai aprendendo... manter uma família alimentada não é bem a mesma coisa de alimentar bem uma família. Seria mais barato talvez misturar o conteúdo de pacotes com água e ter refeições prontas, mas a mim não me convence... quando penso no que vou fazer para os menus do mês fico sempre angustiada, sem ideias e farta de fazer sempre o mesmo, se decido não seguir o menu acontece sempre o mesmo: muitas vezes comemos frango assado de compra, gasto dinheiro a mais e nem por isso comemos melhor. 

 

Não pensem que somos tão pobres que não temos dinheiro para comida, não é nada disso, é uma questão de comprar o que é melhor para nós, para as nossas necessidades sem desperdiçar dinheiro e comida, é uma questão de aproveitar o que temos, de usar a imaginação, de procurar, de não me acomodar ao mais rápido e que dá menos trabalho... deve ser uma questão de mentalidade, só pode!

 

Como é que dão sandes todos os dias ao almoço a crianças pequenas? E ainda dizem mal do nosso país!!!!

 

 

 

 

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Terça-feira, 08.08.17

Planos para o futuro

Ora aqui está uma coisa que não me apetece muito fazer. Não sei se é por não ter nada fascinante para colocar na agenda, ou se é apenas por saber que no futuro mais próximo está quase sempre as idas ao médico, a preparação para a escola, ou não. Tirando isto nada mais há a acrescentar no enorme calendário que tenho na bancada da cozinha numa espécie de tentativa para combater a tralha espalhada.

 

Tenho andado adoentada, a Lúcia tem estado adoentada. Mesmo assim consegui fazer algumas das coisas que mais me incomodavam, porque contabilista que é contabilista sabe que antes do lazer temos os Ivas em agosto para fazer. Tenho apenas meia dúzia de coisas para lançar e um para enviar. Amanhã por esta hora posso dar como concluída esta tarefa. 

 

Queria fazer qualquer coisa no quinze de agosto, normalmente vamos sempre passear, este ano deveremos ficar mesmo em casa, porque o pai começou uma remodelação e quer cumprir o prazo acordado, como sempre tem feito, além de que calha a uma terça feira e não me parece que haja espaço para pontes. No ano passado fomos à Serra da Estrela, estavamos a sair de uma situação terrível, foram uns dias muito estranhos. Passou um ano. As coisas melhoraram, não voltaram a ser como eram, mas estão melhores. É sempre bom quando as coisas melhoram, certo?

 

Na volta este blogue está a ficar um bocadinho deprimente, vou informar-me do verniz da moda e do melhor produto para limpar a casa e volto em breve com uma review, que é como quem diz com três ou quatro frases opinativas da coisa!

 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 04.08.17

Às vezes não chega...

Tentamos ser mulheres decididas, firmes, de bem com a vida... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser esposas dedicadas, amáveis e prestáveis... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser mães presentes, preocupadas, disponíveis... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser donas de casa controladas, organizadas e imaginativas... mas às vezes não chega.

 

Tentamos ser profissionais no nosso trabalho, pro ativas e honestas... mas às vezes não chega.

 

Tentamos curar pequenas feridas, fazer refeições fora do normal, tentamos construir castelos, ter a roupa alinhada, tentamos ajudar naquela conta teimosa ou naquele trabalho complicado... mas às vezes não chega.

 

Há dias em que o nosso muito parece um grão de pó.

 

Ser mulher é dose!!!

 

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 02.08.17

Meio ano já passou

E com isto chegamos a agosto.

O mês terrível.

Mas não muito.

Um bocadinho.

 

Era suposto colocar aqui uma imagem a dizer #oláagosto ou #qualquercoisagira do género #hellosummer, era suposto fazer o balanço do mês de julho, era suposto estar a fazer as malas para irmos de férias, era suposto ir encomendar os livros escolares para ficar descansada, era suposto... ai que vida!

 

Acontece que, continuamos a nossa vida de sempre. E com isto quero dizer que está na altura de fazer o menu do mês, a lista de compras do supermercado, as contas aos gastos no mês passado -se calhar passo esta - terminar os Ivas (só me falta um), enviar os Ivas, arrumar a papelada, lavar os cortinados da casa, dar um avanço à organização das divisões que ainda me faltam, tomar uns banhos na piscina (se não arrefecer entretanto)... tenho o livro secreto para ler e pela primeira vez não estou a conseguir entusiasmo para lhe pegar...

 

É uma vida muito agitada a minha... não haja dúvidas!!!

 

Entretanto mostro o teste que fizemos à nossa mobília...

 

Antes:

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Depois:

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 Também já tenho a zona de lavar e passar mais ou menos organizada

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Os brinquedos estão agora todos no quarto

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Ainda tenho muito com que me entreter...

 

A maior parte dos esboços e desenhos já foi para o ecoponto, mas alguns vou guardar, foram feitos há vinte anos na escola...

 

 

 

 

 

 

#queposttãoesquisito

#vidadegentenormal

 

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Terça-feira, 01.08.17

Os ensinamentos do desconforto

Sair da nossa zona de conforto é sempre uma ótima oportunidade para crescermos e para aprendermos. Não viver ou experimentar coisas para não sairmos do nosso ninho é meio caminho andado para perdermos grandes oportunidades de aprendizagem.

 

E o quanto tenho eu aprendido desde que decidimos dar uma oportunidade ao campismo como forma de nos divertirmos em família! Acampar não é só agarrar nas coisas (quais coisas?) e instalarmo-nos algures (onde?).

 

O nosso segundo acampamento foi bem diferente do primeiro! Enquanto que da primeira vez estávamos num local desconhecido junto de famílias desconhecidas, desta vez estivemos no nosso Canto de Caná rodeados de pessoas amigas!

 

Confesso que depois de duas semanas de trabalho intenso e muitas outras preocupações, eu e o meu marido estávamos bastante cansados, não fiz as famosas listas e levámos apenas aquilo que nos pareceu ser necessário para quase três dias e duas noites. Claro que mal chegámos consegui logo ver a quantidade de coisas que me iam fazer falta, mas a vida às vezes é isso mesmo: improvisar. 

 

Chegar a um acampamento ao por do sol é bem diferente do que chegar ainda pela fresca da manhã, o cansaço faz-se sentir e a paciência começa a faltar... e acampar dá muito trabalho. Depois de respirarmos fundo, de alguma persistência conseguimos entrar neste novo ritmo. O ritmo de um acampamento familiar.

 

Desta vez já conhecíamos a maior parte das famílias, a nossa "vizinhança" era mesmo boa!!! Preparámos um jantar estilo piquenique, comemos da comida uns dos outros (como faziam os antigos povos que caminhavam nos desertos, talvez!), juntámo-nos já noite dentro no Canto de Caná para rezar e como era de esperar só os mais bebés é que deram sinal de ter sono... os grandes e os pequenos... estavam prontos para mais e mais conversa, música e animação!

 

Mas, mesmo com brincadeira até altas horas, as nossas crianças estavam frescas e airosas logo pelas sete da manhã, alguns adultos também, eu já acumulava algum cansaço... já vos disse que passam por ali muitos comboios? Pois é, na primeira noite em que vamos a algum lado nunca durmo nada de jeito (mesmo em hotel), nada que um café e um pão quentinho com manteiga não ajudem (cortesia da coordenação, aka os que #trabalharamcomotudo para que as coisas corressem bem), tivemos até direito a uma Eucaristia só para nós logo pela manhã, seguida de um dos momentos, para mim, mais ricos que foi a adoração.

 

O dia dois do acampamento foi passado fora, na Mata do Buçaco. Tivemos alguns corajosos que foram e voltaram de bicicleta, uma canseira!!! Mas eles pareceram animados com a aventura, comemos junto à fonte, bebemos água fresquinha, os pequeninos exploraram e exploraram aquilo tudo. Depois fizemos a Via Sacra... e que Via Sacra! A subida é sempre muito dura, muito íngreme... e como dizia o João tivemos pessoas dos oito meses aos oitenta anos a fazer o percurso!

 

Mas valeu a pena, vale a sempre a pena. E não é só pela vista fantástica que se tem lá em cima, é pelo que deixamos pelo caminho. As preocupações, os aborrecimentos, as coisinhas da vida, os pensamentos, as falsas certezas... é nestes momentos extremamente duros que temos noção também das nossas fraquezas humanas, sentimos a dor nas costas, nos joelhos, nos braços, no coração... e voltamos renovados interiormente!

 

Mas, como os dias no acampamento não tiveram as tradicionais 24 horas, mas foram muito maiores, o dia dois ainda teve churrasco, conversas animadas, brincadeiras, banhos de água à temperatura ambiente, mais brincadeira, mais conversas, músicas, oração e uma serão que foi cinco estrelas onde cada família partilhou alguma passagem da bíblia, e se pensam que foi uma seca estão muito enganados, porque eu bem vi muitos sorrisos, palmas e gargalhadas bem grandes, até talvez uma ou outra lágrima quase, quase a sair...

 

Mais uma noite de animação que terminou tarde, desta vez em vez de 5+1 (alguém consegue separar a nossa Maria da Lúcia Power?) éramos 5+1+2! E pena tenho eu de não sermos mais!!! Afinal íamos preparados para acolher quem quisesse ficar connosco, a nossa tenda é bem grande!!

 

Ao terceiro dia... não, não houve casamento em Caná, mas bem podia ter havido tal era a festa! Não houve casamento, mas houve celebração da Eucaristia novamente, desta vez junto de toda a comunidade, claro que a roupa de quem vai acampar é bem mais modesta do que a das restantes pessoas, já para não falar da família que escolheu este dia para batizar uma menina! Mas, Deus não se deve ter importado com os nossos chinelos e ténis cheios de pó, com os vincos nas camisolas depois de alguns dias guadadas nas malas, ou mesmo com os sonos que atacaram alguns dos nossos meninos... afinal todos somos bem vindos na casa do Pai!

 

Este grande acampamento (em atividades e em ensinamentos) não podia terminar sem ser com uma grande refeição à volta das mesas, mais uma vez entre animadas conversas, entre planos para os próximos dias, entre risos e gargalhadas, entre agradecimentos e louvor!

 

Estar privada do meu conforto ensina-me tanta coisa...

 

Sentir que a vida segue sempre o seu rumo não importa onde estamos...

Ver o dia amanhecer à porta de uma tenda em vez de o ver da janela do meu quarto...

Ouvir risinhos de muitas crianças e não apenas das minhas...

Afligir-me com choros de algumas crianças (eu sou um bocado stressada com choros desculpem-me se incomodei alguém entretanto)...

Sentir um abraço apertado...

Receber um chocolate às escondidas...

Rir até doer a barriga...

Chorar de comoção até doer o peito...

 

Tudo isto são coisas que não poderia sentir se nunca saísse da minha zona de conforto!

 

 

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Quinta-feira, 27.07.17

Se...

olhas para este blogue, para as nossas fotografias e pensas que somos uma bonita família, numa bonita casa, com filhas bonitas e uma gata bonita... pensa melhor...

 

Não existem famílias perfeitas, sempre "bonitas" mesmo que as imagens do facebook ou do Instagram nos queiram fazer acreditar nisso. A minha casa é exatamente como as outras. A minha família também. A família daquela tua amiga que está de férias nas águas quentes de um país tropical também. A da tua outra amiga que finalmente comprou a sua casa e já a decorou com todos os pormenores também. 

 

Ninguém é imensamente feliz em cem por cento do tempo.

 

Só os que já são santos e nem ligam a certos pormenores terrenos. Todos nós que continuamos a cometer aquelas falhas e erros temos momentos bons e menos bons, mas não fica bem ocupar um feed de notícias com três cestos de roupa para passar, com a areia dos gatos por limpar, com os lenços de papel amachucados em tempo de alergias, também não é bonito colocar uma fotografia do casal logo depois de uma discussão (todos as têm e se não têm a coisa vai mesmo mal), ninguém quer aparecer ao mundo naquela t-shirt de 1999 cheia de manchas, ninguém mostra as migalhas no chão depois de uma festa... mostram só a mesa num "antes" maravilhoso, mostram só os beijinhos e abraços, o vestido novo, a écharpe, o closet com todas as roupas alinhadas naquela fotografia que tornará imortal um acontecimento.

 

As pessoas têm medo, medo de ser julgadas pelo que são, pelo que sentem.

 

Eu também sinto isso.

 

Eu também sinto inveja das famílias perfeitas - mesmo sabendo que não o são - eu também fico triste por ver toda a gente divertida nas férias, ou por ouvir todos os relatos de férias fantásticas durante o verão, eu também me sinto inferior por não ser a mulher bem sucedida na sua carreira profissional depois de tanto investimento em estudos. 

 

Agora, eu não quero ficar presa a estes sentimentos mais do que o mínimo indispensável para sentir pena de mim própria, comer um chocolate ou uma bola de Berlim ali da pastelaria e seguir com a minha vida pequenina.

 

Eu não quero que este sentimento me corroa a alma até não restar mais nada a não ser a dor.

 

Eu não posso deixar que este sentimento esporádico se torne permanente. É por isso que procuro chegar ao fim do dia e agradecer o que tenho, o que sou, o que fiz. Se são coisas pequeninas paciência. Se são coisas desinteressantes aos olhos dos outros, não importa. São essas coisas pequeninas do tamanho de "um grão de mostarda" que eu quero no meu coração, porque eu sei que a árvore que nasce dessa semente pode um dia ser "a maior de todas as árvores do jardim". (Mt.13, 31-32)

 

 

 

 (obrigada V. L. por aquela pequena conversa no mensenger, este post 1000 dedico-o a ti!)

 

 

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Assuntos Importantes:

Quarta-feira, 26.07.17

n.º 999

Este é o meu post número novecentos e novena e nove.

 

Este foi o número de vezes que abri a página de escrita e que cliquei em "publicar". Muitas mais vezes escrevi e apaguei, ou guardei para depois e depois significou nunca mais. Ao longo de todos estes textos contei histórias, vivências, partilhei memórias e confesso que até escrevi algumas coisas que talvez não conseguisse dizer "cara a cara" se me encontrasse com cada uma das pessoas que aqui passa.

 

Esta tem sido a minha passagem para o mundo dos blogues, não daqueles escritos por pessoas famosas que mostram as suas unhas pintadas com o verniz x e que experimentaram por coincidência todas o mesmo produto naquela semana... os blogues são muito mais do que publicidade.

 

Os blogues são namoros, noivados e casamentos, são mudanças de trabalho e de cidade, são chávenas de chá em dias frescos e cafés na varanda... são semanas de gravidez contadas ou passeios pelas cidades, são piqueniques no campo e saltos no trampolim, viagens de autocarro, aulas e métodos de estudo, são piadas engraçadas, são descobertas, são famílias grandes e pequenas, são sorrisos e lágrimas, são confusão e solidão... são milhares de livros lidos, outros tantos para ler e bichanos mimados, são pessoas sós e agulhas de croché... são catequeses e ensinamentos, são parvoíces e coisas sérias, sim...

 

Os blogues do Sapo são blogues com gente dentro.

 

Sei que certamente não nos chegaremos a conhecer pessoalmente, mas a verdade é que estas pessoas fazem parte da minha vida!

 

Obrigada por escreverem, por partilharem, por viverem!

 

 

 

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 25.07.17

Mudar cá dentro #4

"Era uma vez uma dona de casa que queria ser mais, que queria ser aquilo que via em blogues e que no fundo, no fundo bem sabia que nunca iria acontecer, mas mesmo assim, decidiu tentar. Tentou ter a casa arrumada, ter uma despensa cheia de coisas boas para que nada faltasse, tentou programar menus e aproveitar as promoções. Tudo em grande! Com direito a cupões de desconto. Em poucos meses o stock duplicou, triplicou... e aquela sensação de que se tem tudo controlado fez com que se sentisse de facto uma excelente dona de casa.

 

MAS

 

Um dia, reparou que existiam umas pequenas borboletas castanhas na despensa, eram pequeninas, mal se viam. Passou um tempo e afinal eram dezenas delas, e já bem grandes... então nesse dia, resolveu ir limpar a despensa, fazer a escolha das coisas mais antigas - estão a ver onde é que esta história vai acabar, certo? - pois, a descoberta foi pavorosa. Praticamente todo o stock de farinha estava atacado, assim como muitas outras coisas, esta dona de casa passou de supercontrolada a completamente descontrolada... foi preciso terapia de choque. Foi preciso retirar tudo da despensa, limpar, lavar as paredes, pintar e recomeçar."

 

Desde este fatídico período nunca mais guardei nada de mercearias naquela despensa, reorganizei os móveis da cozinha e em duas portas guardei o que nos ia fazendo falta. Dois pacotes de cada coisa e ia repondo consoante ia gastando. Claro que este método obriga a andar sempre nas compras e, para quem detesta o processo... torna-se uma canseira! Hoje me dia a coisa está mais organizada porque já consigo "prever" mais ou menos as quantidades de coisas que gastamos por mês - agora nem tanto, porque as miúdas estão de férias e não há nada melhor do que elas almoçarem na cantina da escola! - mas tento sempre ter aquilo que considero suficiente e não ter coisas a mais.

 

Então e a tal despensa? Ah pois, essa zona tenebrosa da casa serviu essencialmente para colocar pacotes de leite, guardanapos, papel absorvente, tralha, roupa para passar a ferro e tralha. Já escrevi tralha? No fim de semana passado ganhei coragem - que bem preciso - e tirei tudo de lá, organizei as coisas, e reparei que 50% das coisas que lá estavam eram.... roupas para escolher e para passar a ferro. No sábado adiantei alguma roupa, mas no domingo à noite fiz uma maratona de três horas, passei quase tudo, fiquei exausta. Na segunda passei o resto, e pela primeira vez neste ano tenho a roupa em dia!

 

Estou bastante satisfeita comigo. Aliás, só o facto de poder olhar para a despensa e sorrir já é recompensa suficiente, mas descobri ao longo deste processo que sou capaz. Eu sou capaz de manter a casa em ordem porque isso me faz sentir bem. Eu sou capaz de manter algum equilíbrio na gestão doméstica, não por obrigação, mas por amor.

 

Logo mais à noitinha já mostro como ficou a despensa (esqueci-me de tirar uma foto), só não mostro o "antes" porque me envergonho bastante daquilo!

 

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Terça-feira, 25.07.17

E então famílias de Caná,

contem lá, quantas vezes rezaram a consagração e só no final repararam que se esqueceram de acrescentar "como tu e José teu esposo"?

 

Será que só nós nos distraímos uma meia dúzia de vezes???

 

 

 

 

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Segunda-feira, 24.07.17

O acampamento das Famílias de Caná

Está mesmo aí ao virar da esquina, nem acredito que vamos poder ficar no Canto de Caná, que vamos ter companhia - da boa - e que teremos tantas, mas tantas coisas para fazer neste fim de semana!

 

Só hoje consegui virar a página e focar-me neste próximo acampamento da família. Tenho neste momento as minhas expetativas elevadas ao mais alto que pode haver... lá por casa já se nota a alegria  e ansiedade de rever amigos, desta vez durante um fim de semana inteiro!

 

Desde que fomos chamados às Famílias de Caná que temos vindo a descobrir novas formas de aproveitar cada pedaço dos nossos dias, que temos tentado mudar a nossa maneira de ser e de pensar. É pois com grande alegria que aguardamos os momentos fortes de partilha em família de famílias como o retiro do Natal ou da Quaresma, e se um dia de retiro em família é bom, um fim de semana será muito, muito bom!

 

Sabemos que as famílias acolhedoras têm tudo muito bem programado, com fortes momentos de oração, com muita partilha, com atividades de evangelização e até teremos um serão junto à fogueira... eu sei parece pouca coisa quando se aspira a umas férias nas Caraíbas, mas para quem um dia ousou sonhar com tendas ali montadas, risos, gargalhadas, cânticos e refeições partilhadas é mesmo uma grande alegria!

 

Não sei se será um tempo de muito descanso, porque acampar dá muito trabalho, mas sei que haverá sempre alguém com quem trocar algumas palavras, que as nossas filhas terão sempre alguém com quem partilhar umas bolachas, que haverá sempre alguém que nos ajude, sei que os laços de amizade serão renovados, que cada momento vivido dará para encher um baú de memórias...

 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 21.07.17

3º Aniversário

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Esqueci-me por completo, mas no dia um de julho de 2014 abri as portas e janelas a esta casa aqui no bairro! Entretanto a casa já foi remodelada vezes sem conta, mas o essencial permanece!

 

Entretanto consegui adiantar uma boa parte das tarefas a que me propus, graças a Deus! 

 

Bom fim de semana a todos e não se esqueçam de VIVER! Mesmo que aquilo que está na vossa lista não seja "ir de férias", "ir à esplanada" ou !ir aos saldos"!

 

 

 

 

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Quarta-feira, 19.07.17

Mudar cá dentro #3

Mudar implica deixar de ter, de fazer, deixar de ser de determinada forma. Na maior parte dos dias encontro motivação suficiente para continuar com a mudança, noutros dias sinto-me mais tentada a seguir outro caminho. Mudar dá muito trabalho, requer persistência. Acima de tudo requer confiança. 

 

Eu sou do tipo de pessoa que se "perde" nos projetos que tem, que tem tendência para adiar coisas menos interessantes e para deixar cerca de dez por cento do projeto para concluir. 

 

Tenho neste momento uma folha com alguns (poucos) grandes objetivos para concretizar até ao final deste mês. Deveria ter cumprido já mais de cinquenta por cento, mas não o fiz. Perco muito tempo em coisas secundárias, navego demais nesta Internet à procura de coisas e mais coisas quando na verdade já tenho as coisas definidas... e estou justamente a escrever isto enquanto a pequena Lúcia dorme a sesta para ver se ganho #vergonhanacara e me lanço com todas as minhas forças em pelo menos dois destes objetivos.

 

Assim, terei de fazer uma espécie de restrição nas navegações: durante os próximos três dias - quinta, sexta e sábado - não usarei a Internet senão para assuntos de contabilidade, escola e faturação; e farei uma visita ao site das Famílias de Caná na sexta feira, porque me faz bem ao espírito!

 

Até breve!

 

 

 

Assim sendo, mãos à obra!

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Terça-feira, 18.07.17

Mudar cá dentro #2

Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes"

Lc 16, 10

 

Eu queria ser fiel nas coisas grandes e ir deixando andar as coisas pequenas. Aquelas coisitas aborrecidas, monótonas, desinteressantes... essas eram para depois. É daqueles defeitos que uma pessoa tem e que com o tempo acaba por adotar como qualidade. Quebrar esta pequena barreira escolhendo sempre as coisas grandes é andar sempre a adiar e a ignorar mais de setenta e cinco por cento da vida.

 

A vida não é apenas aquele almoço de festa, aquela reunião importante, o passeio em família, as férias... a vida é aquele papel que é preciso pedir na secretaria da escola, o mail que se tem de enviar a reclamar de um serviço, o chão sempre sujo da cozinha, o interminável monte de roupa para passar, aqueles bifes escondidos no fundo do congelador há dois meses, a caixa vazia de benuron, o pão que se compra todos os dias, os momentos em que toda a família se junta à mesa... o silêncio quando a noite já vai avançada, o sol a entrar as frestas das janelas pela manhã...

 

Muitas vezes me senti sobrecarregada quando me via literalmente engolida por dezenas de pequenas coisas para fazer, lamentando-me por mais isto e mais aquilo... escolhendo ignorar quando deveria encarar, mas tenho feito um grande esforço por mudar, por me poder dar - em primeiro a Deus, depois à minha família, aos outros... é daqueles investimentos em que não vemos os frutos no imediato, mas que temos esperança de ver florescer um dia!

 

Quem encontrar a sua vida há de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la." 

Mt. 10, 39

 

Eu acredito - de verdade- que cada vez que dou o meu tempo, a minha dedicação, a minha vida aos outros, um dia terei a vida eterna, mesmo que este dar a vida sejam apenas aqueles quinze minutos de oração em família, ou aqueles dez minutos em que apanho os brinquedos do chão, ou aquela meia hora em que preparo uma refeição... 

 

 

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Segunda-feira, 17.07.17

Mudar cá dentro

Durante muito tempo convenci-me de que precisava das minhas coisas, não para ser feliz, mas para viver estavelmente. Não só gostava de as ter como gostava de as ver. Molduras, estatuetas, caixas, potes, livros... e por aí fora. Sentir que tinha as coisas ali "à mão" dava-me aquela falsa sensação de controlo. Falsa, sim. No fundo sempre tive a noção de que não importa a quantidade de coisas que se tem, importa muito mais quem temos connosco.

 

Mesmo assim, por diversas situações que vivi deixei de ter controlo nas coisas que guardava e nas que não me faziam falta, e durante muitas vezes parti numa aventura de organizar a casa, mas comecei pelo fácil: umas etiquetas bonitas nuns frascos e esse género de coisas. Pouco tempo depois desistia porque aquilo da organização era para gente pindérica e que não tinha mais nada para fazer.

 

Quanto mais coisas guardava e tinha em casa, menos vontade tinha de as arrumar, isto porque não estou o dia inteiro em casa, porque somos muitos a desarrumar, porque podia ser preciso e assim já estava ali à vista ou ainda porque era preciso mudar isto ou aquilo e só depois se pode arrumar melhor... e assim uma pessoa começa a inventar desculpas (ao género daquelas que inventamos quando não queremos reconhecer que estamos a engordar e nada fazemos para contrariar) é um estado quase depressivo no que à lida da casa diz respeito, adia-se, finge-se que não se vê... habitua-se a ver (afinal há piores)... e sempre a piorar...

 

Um dia, ouvi uma blogger no seu canal do youtube a dizer uma coisa que me fez abrir os olhos:

 

Valoriza a casa que tens, como está agora, não como querias que fosse. Cuida dela, mima-a, porque a tua casa pode não ser tão bonita como as do Pinterest, pode não ter aqueles acesórios todos chiques, mas é a tua casa, faz dela um lar! Pior do que uma casa humilde e antiga é uma casa suja e desarrumada"

 

Toma lá! Sinceridade da mais pura! De que estava eu à espera para mudar? A minha casa nunca será perfeita, mas pode ser funcional e simples. É neste ponto que me encontro. Começar pelo mais difícil: tirar tudo dos armários e fazer "montes" de coisas semelhantes (roupas, brinquedos...), depois é escolher e tirar de casa - tirar mesmo - o que não nos serve.

 

Dá trabalho. Cansa. É desesperante. Muitas vezes frustrante. Não se consegue fazer tudo num dia. Mas, com força de vontade, dá para começar num sítio e ir avançando. Eu comecei pelas áreas piores: o roupeiro do meu quarto, a bancada da cozinha, os roupeiros da Lúcia e da Maria, juntar todos os brinquedos no quarto, ... quem quer ir vendo é clicar no Instagram e ir dando uma vista de olhos.

 

Neste momento não há volta atrás. Tenho ocupado cada pedaço do meu tempo para fazer da minha casa um lar, para ter gosto em acordar de manhã e ver uma casa limpa e organizada. Se é fácil, não é. Mas não vou desistir.

 

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Podem ouvir aqui este belo podcast em inglês... para quem é como eu e quer mesmo mudar. (Dá para ouvir enquanto se passa a ferro, por exemplo)

 

 

 

 

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por Olívia às 11:20


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