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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Quinta-feira, 12.01.17

A chaminé

Há cem anos atrás, a planta das pequenas casas da aldeia, incluindo a da minha bisavó, era muito simples: uma divisão à entrada e dois quartos separados por uma parede com uma cortina em cada porta. Na entrada havia um "pial" que seria hoje uma bancada, uma mesa ao centro, duas malas (tipo arca), um "prateleiro" e uma grande chaminé com cerca de dois metros de comprido. Mais tarde acrescentaram outros dois quartos ao lado e muito mais tarde uma casa de banho (fora de casa).

 

Enquanto a minha mãe trabalhava, depois da escola eu e o meu primo ficávamos com a avó Sofia e com a bisavó Constantina lá em casa delas (onde também morava o tio Zé e mais tarde a tia Adelaide). 

 

Mas, voltando à chaminé de chão como lhe chamavam, era uma coisa fantástica! No inverno tinha sempre um bocado de lume aceso, o borralho, e uma trempe com uma panela preta ao lume, também era lá que aqueciam a água e fazíamos torradas com fatias grossas de pão espetados num garfo bem pertinho das brasas.

 

A chaminé era tão grande que lá dentro estavam sempre as nossas cadeiras pequenas brancas e esverdeadas, mais um ou dois bancos de palha. Nós, como crianças muito atinadas que éramos, divertíamo-nos com pequenos paus, que conseguíamos acender e depois com a ponta já sem chama, mas em brasa desenhávamos círculos no ar... isto, até sermos repreendidos com um "quem brinca com o fogo... faz xi-xi na cama!" vindo da nossa avó.

 

No verão não havia lume, e dentro da chaminé era talvez o sítio mais fresco daquela casa de paredes de adobe caiadas de branco! Na hora da sesta nas longas tardes de férias lembro-me de estender o "panal" (uma saca gigante) no chão da chaminé e de me deitar lá a ouvir os parodiantes, eu raramente dormia a sesta... ficava ali a sonhar acordada até as velhotas se resolverem que era hora do lanche! Então comíamos melancia com pão e queijos alentejanos, que é uma verdadeira delícia!

 

Hoje, a chaminé continua lá, vazia e fria numa casa fechada há vários anos. Aos poucos, foram morrendo as pessoas que lhe davam vida, já só cá temos a tia Adelaide, mas infelizmente também já não consegue viver lá sozinha... restam-nos aos duas cadeiras que a minha mãe me trouxe e que hoje servem para as minhas filhas se sentarem lá na nossa sala, bem perto da nossa moderna lareira, mantendo vivas as memórias de uma infância!

 

IMG_20170112_194952.jpg

 

 

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por Olívia às 12:17


1 comentário

De Bruxa Mimi a 12.01.2017 às 13:04

Gostei destas memórias. Partilha mais!

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