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Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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22.11.16

Amizades improváveis

Olívia

Existem pessoas por quem sinto uma afinidade muito grande. Algumas são amigas de longa data, cuja amizade o tempo foi alimentando com histórias e conversas, outras travaram comigo longas batalhas nos tempos de estudante, outras conheço há tão pouco tempo - ninguém diria - mas são presença constante na minha vida nos últimos tempos.

 

Existe ainda uma pessoa cuja amizade aconteceu numa das épocas mais difíceis das nossas vidas. Talvez tenha sido por isso que nos sentimos tão próximas, talvez tenha sido isso que fez com que uma amizade tão improvável tenha nascido e crescido em apenas dois dias e algumas horas. Desde então vamos trocando mensagens, vamos conversando, tudo à distância. Uma aqui e outra na zona de Lisboa. Durante este ano encontrámo-nos duas vezes, numa delas aqui outra lá.

 

E então, como é que duas pessoas que moram a oitenta quilómetros uma da outra se tornam amigas em 50 horas? Pois bem, ambas estavam grávidas e ambas decidem ter os seus bebés no mesmo hospital. Enquanto que eu apareci no hospital sem aviso prévio, apenas porque estava na hora, a Susana foi com data marcada, para que o seu bebé nascesse em segurança através de uma cesariana. E este bebé é um menino muito especial, um verdadeiro lutador, falei dele algures por aqui, e sei que a mãe gostava de poder um dia contar com todos os detalhes a sua grande luta.

 

E foi assim, que na noite do dia cinco de novembro do ano passado cheguei ao quarto da maternidade e conheci a Susana, também ela internada sem o seu pequeno bebé. Aos poucos fomos trocando algumas palavras carregadas de dor e de angústia, aos poucos fiquei a saber que, quando fez a sua primeira ecografia os médicos lhe disseram que o bebé tinha uma malformação grave que se chama onfalocelo, ou seja os órgãos estavam fora da cavidade abdominal, foi preciso realizar vários exames para despiste de outras doenças, foi-lhe dito que nestes casos é preferível optar pela interrupção da gravidez. Parece-me que no fundo ela não queria mesmo aceitar o fim, queria ter o seu menino... e lutou, informou-se, fez tudo o que pôde, seguiu com a gravidez, com o apoio de médicos especializados. E a cesariana aconteceu no dia quatro de novembro.

 

Naqueles dias ambas estávamos uma lástima, hoje sorrimos só de nos lembrarmos dos ais, das dores, das barrigas enormes, da primeira vez que viemos ao saco do enxoval buscar a chucha ou um gorro... dos lençóis amarelos às riscas das fotos "olha os teus lençóis eram iguais aos meus!!!"

 

No dia onze eu fui para casa com a Lúcia, mas o bebé V. ficou, acabara de fazer a primeira cirurgia e ainda tinha muito para recuperar... alguns dias mais tarde já tomava banho e podia estar ao colo dos pais... mais dias se passaram e teve alta. 

 

Hoje é um menino normalíssimo, traquina e maroto como convém ser aos doze meses!

 

20161113_174311.jpg

 

Se um milagre é bom, dois milagres juntos é o céu! De uma luta tão grande, de lágrimas e dúvidas, de momentos angustiantes nasceu uma amizade improvável entre duas mães, estes encontros são a prova viva de que a vida é muito mais do que uma lista ou uma tabela!!!!

 

*

 

Um agradecimento especial a todos os médicos e profissionais de saúde que dedicam a sua vida aos outros e sem os quais estes milagres não seriam possíveis!

 

 

 

 

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