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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Terça-feira, 19.04.16

Aquele burburinho...

A nossa igreja é muito pequena, pode até dizer-se a nossa capela, em vez de igreja. Vivo numa pequena aldeia e cada vez mais os bancos são ocupados por pessoas de mais idade. É o interior do país. Envelhecido... na nossa missa não há coro. Algumas pessoas têm mais aptidão para cantar e "conduzem" todo o resto, assim, dentro da igreja praticamente todos cantam (sem afinação, sem beleza melódica, mas com muita devoção), também todos respondem certinhos, não há gente a começar o Pai-Nosso enquanto que outros vão já a meio... ao mesmo ritmo, um ritmo lento, tipicamente quase-alentejano, a celebração decorre calmamente.

 

Mas, há uma altura em que grande parte das pessoas faz silêncio, e uma pessoa começa num burburinho, assim como nós aqui dizemos a "bichanar", baixinho, mas que se ouve ainda que não se perceba nada... e missa após missa, na altura da consagração, vai sendo sempre igual...

 

Digo já que me fazia alguma confusão... porque é que aquela pessoa, não fazia silêncio? 

 

Mas, um dia, já nem sei bem porquê, fiquei sentada perto da tal pessoa. E, tal como eu já calculava, naquele momento, ouvi claramente a sua voz baixa...

 

E, nesse dia, recebi uma das maiores lições de humildade da minha vida. Nunca mais voltei a incomodar-me com o tal burburinho. Nunca mais voltei a fazer juízos daquilo que os outros fazem ou deixam de fazer na missa.

 

Eu ouvi, palavra por palavra. Ali, naquela pessoa, encontrei vivas várias das parábolas que escutamos nos Evangelhos, ali na simplicidade daquela pessoa, que não sabe ler nem escrever percebi estar uma grande sabedoria...

 

Recordei-me* daquela passagem que diz que "foi aos pequeninos que as revelastes", recordei-me ainda daquela parábola do fariseu e do publicano que oravam ambos na mesma sinagoga, recordei-me das bem aventuranças, da parábola da viúva que ia insistentemente pedir ao juiz... e de mais umas quantas... e tudo porque ali, na simplicidade das suas palavras ela conseguiu reconhecer, sem reservas, que ali, elevado aos nossos olhos uma e outra vez estava o mesmo Deus que nos deu a vida, que nos deu o Seu Filho, que nos oferece a salvação. Ela confia, ela não duvida, ela tem fé!

 

E eu? Cheia de sabedorias adquiridas em escolas, quantas vezes me questiono sobre este e aquele mistério? Quantas vezes estou afastada da verdadeira confiança apenas porque as coisas não me correm ao jeito?

 

E aquela pessoa, ali, despojada de tudo, entrega-se sem reservas. Confia.

 

Agora, sempre que ouço o aquele burburinho sorrio interiormente e junto a minha oração, à oração daquela mulher, porque, sem saber, mostrou-me pelas suas ações uma grande verdade!

 

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 *graças à Youversion consegui fazer os links... que eu não sei os versículos de cor...

 

 

 

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por Olívia às 09:25



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