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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Terça-feira, 06.01.15

Ecos do Natal II

Onde está a minha estrela? A estrela que me mostra o caminho para o presépio?

Esta foi, para mim, uma das questões mais significativas do ensinamento do Retiro do Natal e porquê? Porque me fez "rever" a minha caminhada ali numa fracção de segundos, porque me deixou angustiada ao perceber que a estrela realmente não é aquela que eu queria, a mais bonita, brilhante, aquela que me deixaria feliz da vida...

Ali naquela cadeira no meio de tantas pessoas por momentos fiquei "só", por  momentos senti que a minha estrela afinal foi aquela que realmente eu não queria que fosse... isto pode parecer estranho, mas não é.

Tal como os Magos, andei distante, lá no meu palácio interior onde havia lugar apenas para "esperar", para viver ou para "sobreviver", com as minhas inquietações e pensamentos, com as minhas vivências diárias.

Os dias iam passando e a fase da minha vida que era suposto ser a mais feliz, cheia de encanto tornava-se aos poucos num pesadelo, tornava-se numa escuridão tremenda, num poço sem fundo... tudo à minha volta parecia ruir, o meu palácio sofreu um terrível abanão que deitou por terra grande parte da estrutura. Mas não toda, algo ficou, uma pequena semente deixada por anos e anos de vivência da fé, de tempos de alegria e partilha ficou a descoberto... estou a referir-me aos tempos em que "nasceram" as minhas filhas. 

Ser mãe deveria ser um sonho tornado realidade, porque é que comigo não foi? Porque sofri eu de um esgotamento? Porque cheguei tão ao fundo? Porque tive de passar quatro anos sem que a bebé linda me deixasse dormir de noite? Porque é que a filha mais velha me testou de todas as formas possíveis a paciência levando-me ao desespero? Porque é que deixei de conseguir organizar a casa, o dia-a-dia? Porque é que a Maria gritava tanto, porque é que ela gritava dia e noite? Porquê?

Estas foram certamente algumas das questões que me surgiram novamente depois de tantos anos... talvez porque embora tenha conseguido lutar contra a depressão em que estive durante três anos, depois de "ver" que não era com comprimidos que a coisa ia lá... talvez tenha tentado e lutado, muitas vezes sem forças para sair do fundo, talvez nesses momentos tenha regressado a "Casa", talvez porque finalmente me sentia como um "nada" e suplicava "por favor Meu Deus deixa-me dormir quatro horas esta noite", e depois tenha suplicado "só mais algumas horas de descanso", talvez nessa altura em que já nada, mesmo nada parecia fazer sentido, talvez aí tenha visto a estrela, talvez nesses momentos tenha sentido que valia a pena levantar-me e caminhar, talvez aí tenha chorado mais, mas desta vez tenha chorado por finalmente perceber que sozinha não seria capaz... talvez tenha demorado anos para chegar onde estou, talvez finalmente possa fazer as pazes com o meu passado, seguir em frente sem medo, pois agora eu sei, que no dia em que chegar novamente ao fundo e me estiver a afogar, aí gritarei, levantarei a minha mão e Ele estará lá para me ajudar!

Este foi um dos grandes "ecos" do teu ensinamento Teresa... a mim deixou-me sem palavras... mas grata por finalmente sentir que é no maior desespero, na maior escuridão que encontramos um raio de luz!

Obrigada.

DSCF1279.JPG

 

Este deveria ser um texto sobre a beleza dos presentes trazidos ao Menino Jesus pelos Magos do Oriente, deveria ter sido um texto sobre o último dia de Natal, mas afinal foi um texto diferente e nada romanceado sobre a Estrela e a caminhada até ao presépio!

 

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por Olívia às 06:00


5 comentários

De Maria de Jesus a 06.01.2015 às 09:53

Bom dia,
Sou solidária com o seu post. Sei o que é passar noites sem dormir. Da minha filha mais velha foi até aos 3.5 anos, a mais nova está com quase 3 e raramente dorme a noite inteira, mas tenho uma vantagem nenhuma delas chora ou grita simplesmente estão acordadas e querem companhia. Também fico com uma pontinha de "inveja" quando mães dizem que o seu bebé com 1 mês já dorme a noite toda. A mim nunca me saiu um desses na rifa. Paciência! Deus lá saberá porquê. Uma coisa eu aprendi com as contrariedades da vida - Aceitar aquilo que não posso mudar!
Mas que não é nada fácil de facto não é, ás vezes ando aqui com umas olheiras de meter medo.
Beijinhos. Obrigado pelo postal de Natal estava lindo!
Votos de um ano novo repleto de graças para toda a família.
Mª Jesus Nunes

De Olívia a 07.01.2015 às 10:23

Obrigada, que pena não ter conseguido ir ao retiro... fica para uma próxima!

De Vasco a 06.01.2015 às 17:46

Que testemunho tão bonito e corajoso que a Olívia aqui nos deixou!
Ainda bem que este não foi um post como desejava que fosse. Até eu, tão vazio na fé, fiquei tão curioso em fazer um retiro espiritual...

Perante os seus questionamentos, a resposta que encontro é sempre uma: para que de uma forma ou de outra se torne um ser cada vez melhor. Acredito que todo este horror a que assisti, nos últimos dias do meu pai e o terror do último mês também tenham a missão de me ensinar.

Um abraço,
Paulo

De Olívia a 07.01.2015 às 10:25

Oxalá saibamos encontrar sempre coragem nos momentos de maior dor... quanto ao retiro faz-nos muito bem, fazer uma pausa e, escutar testemunhos e ideias que nos façam bem, que nos façam seguir em frente!

De Marisa Milhano a 29.01.2015 às 09:22

Tenho que te agradecer por este post Olivia. Cada vez me apercebo mais que aquilo que verdadeiramente une e identifica os cristãos são o sofrimento e a dor por que todos um dia passámos, apesar de cada um consoante a sua vida. Mais do que isso, aquilo que nos identifica é o facto de termos descoberto a Único realmente capaz de nos salvar! 

Ás vezes dou por mim a pensar, como anda o mundo perdido. Andam todos à procura da felicidade, do bem-estar, do sucesso. Andam todos a fugir à dor, ao desconforto, àquilo que eles dizem "que lhes faz mal". Andam todos às apalpadelas no escuro, à procura do pote dourado, da fonte da vida, da felicidade duradoura e eterna. E procuram isso noutra forma de viver a vida, noutro país, noutro livro revolucionário, noutras resoluções e ideologias. 

Se eles soubessem, oh se eles soubessem, como nós cristãos descobrimos, que a resposta por que todos procuram está aqui mesmo, ao seu lado. Está aqui, e sempre esteve aqui.
O amor que todos procuram chama-se Deus. Aquele do qual todos fugimos inicialmente. Mas que apesar disso, esteve sempre aqui, ao nosso lado, em todos os momentos da nossa vida. 

Abençoada sejas Olivia, por teres finalmente descoberto Aquele que dá sentido às nossas vidas. Tudo o resto é acessório...

Beijinhos

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