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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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Ecos do Natal II

Onde está a minha estrela? A estrela que me mostra o caminho para o presépio?

Esta foi, para mim, uma das questões mais significativas do ensinamento do Retiro do Natal e porquê? Porque me fez "rever" a minha caminhada ali numa fracção de segundos, porque me deixou angustiada ao perceber que a estrela realmente não é aquela que eu queria, a mais bonita, brilhante, aquela que me deixaria feliz da vida...

Ali naquela cadeira no meio de tantas pessoas por momentos fiquei "só", por  momentos senti que a minha estrela afinal foi aquela que realmente eu não queria que fosse... isto pode parecer estranho, mas não é.

Tal como os Magos, andei distante, lá no meu palácio interior onde havia lugar apenas para "esperar", para viver ou para "sobreviver", com as minhas inquietações e pensamentos, com as minhas vivências diárias.

Os dias iam passando e a fase da minha vida que era suposto ser a mais feliz, cheia de encanto tornava-se aos poucos num pesadelo, tornava-se numa escuridão tremenda, num poço sem fundo... tudo à minha volta parecia ruir, o meu palácio sofreu um terrível abanão que deitou por terra grande parte da estrutura. Mas não toda, algo ficou, uma pequena semente deixada por anos e anos de vivência da fé, de tempos de alegria e partilha ficou a descoberto... estou a referir-me aos tempos em que "nasceram" as minhas filhas. 

Ser mãe deveria ser um sonho tornado realidade, porque é que comigo não foi? Porque sofri eu de um esgotamento? Porque cheguei tão ao fundo? Porque tive de passar quatro anos sem que a bebé linda me deixasse dormir de noite? Porque é que a filha mais velha me testou de todas as formas possíveis a paciência levando-me ao desespero? Porque é que deixei de conseguir organizar a casa, o dia-a-dia? Porque é que a Maria gritava tanto, porque é que ela gritava dia e noite? Porquê?

Estas foram certamente algumas das questões que me surgiram novamente depois de tantos anos... talvez porque embora tenha conseguido lutar contra a depressão em que estive durante três anos, depois de "ver" que não era com comprimidos que a coisa ia lá... talvez tenha tentado e lutado, muitas vezes sem forças para sair do fundo, talvez nesses momentos tenha regressado a "Casa", talvez porque finalmente me sentia como um "nada" e suplicava "por favor Meu Deus deixa-me dormir quatro horas esta noite", e depois tenha suplicado "só mais algumas horas de descanso", talvez nessa altura em que já nada, mesmo nada parecia fazer sentido, talvez aí tenha visto a estrela, talvez nesses momentos tenha sentido que valia a pena levantar-me e caminhar, talvez aí tenha chorado mais, mas desta vez tenha chorado por finalmente perceber que sozinha não seria capaz... talvez tenha demorado anos para chegar onde estou, talvez finalmente possa fazer as pazes com o meu passado, seguir em frente sem medo, pois agora eu sei, que no dia em que chegar novamente ao fundo e me estiver a afogar, aí gritarei, levantarei a minha mão e Ele estará lá para me ajudar!

Este foi um dos grandes "ecos" do teu ensinamento Teresa... a mim deixou-me sem palavras... mas grata por finalmente sentir que é no maior desespero, na maior escuridão que encontramos um raio de luz!

Obrigada.

DSCF1279.JPG

 

Este deveria ser um texto sobre a beleza dos presentes trazidos ao Menino Jesus pelos Magos do Oriente, deveria ter sido um texto sobre o último dia de Natal, mas afinal foi um texto diferente e nada romanceado sobre a Estrela e a caminhada até ao presépio!

 

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