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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Quinta-feira, 10.07.14

História VII

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...

«E no meio de tanta brincadeira lá estava aquela menina a jogar à bola com a minha mãe, com muita insegurança pois a sua destreza para com os jogos não era das melhores. é mesmo comum estas crianças terem dificuldades motoras, de aprendizagem, inter-relacionais, mas o que mais se notou foi sem duvida a ânsia em serem mimadas e acarinhadas, a procura constante de atenção, a competição pela melhor história ou episódio, a procura de colo...

 

Ficamos para sempre marcados quando convivemos com estas crianças que, sem terem culpa foram retiradas de casa e passaram a viver numa outra casa com outras meninas, com outras histórias de vida, outras experiências...

 

Muitas vezes é difícil encarar este outro lado da vida na sociedade, este lado onde os sonhos são destruídos e onde se voltam a semear pequenos baguinhos de esperança no coração maltratado destas crianças.

 

É lá na instituição, que se rege por valores próprios de uma casa católica fundada por uma grande senhora, Luíza Andaluz, que recebem o conforto, as regras e a experiência de viver em família, com horas para levantar, estudar, descansar, brincar e ajudar nas tarefas de uma casa, pois sem isso não será possível crescerem e viverem em comunidade.

 

Para muitas é um choque, nunca antes ninguém lhes delegou tarefas, nunca tiveram quem lhes ensinasse as coisas mais básicas da vida em família, a convivência, o gosto pelos estudos...

 

Tudo isto cai como uma bomba nestes corações magoados...parece uma prisão de segurança máxima.

 

É o tempo, o carinho e a dedicação de todos quanto ali colaboram que lhes vai mostrando que numa casa é mesmo assim, todos participam nas tarefas, cada qual segundo as suas capacidades e de acordo com aquilo que lhe é proposto. É aqui, nesta casa de "passagem" que aprendem que devem ter orgulho na concretização das suas tarefas por mais pequeninas que sejam!

 

Mas hoje não é dia de ficar triste porque afinal aqui à volta só se ouve uma gritaria alegre de miúdas a divertirem-se e estamos de férias!»

 

A Mãe

 

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por Olívia às 06:00


3 comentários

De Mamã a 11.07.2014 às 22:22

Na minha experiência de jornalista, fui destacada para acompanhar o julgamento de um padre responsável por uma instituição que acolhia estas crianças e que tinha sido acusado de assédio sexual por uma das meninas mais velhas.
Não queria nada ter de seguir este caso, mas para minha surpresa o julgamento acabou antes mesmo de começar porque a menina admitiu ser tudo mentira e ter dito o que disse por despeito, porque tinha desobedecido e não tinha gostado de ser repreendida.
Quem olhasse para aquele homem só via bondade e, quando dei por mim, estava a pedir-lhe que me autorizasse a passar 24h como utente para desmistificar todos os boatos que se tinham levantado. Levou o meu pedido à administração e, uma semana depois lá estava eu, de mochila, a fingir que tinha acabado de chegar de Coimbra com o padre.
Foi muito enriquecedor e os meninos e meninas receberam-me muito bem. Afinal, eu era uma deles. Tentei falar o menos possível de mim, para que não se sentissem enganados quando o meu colega fotógrafo viesse no dia seguinte.
Mas estava sempre a ser observada por um menino louro, de olhos azuis, que me perseguia por todo o lado com o olhar. Até que, ao jantar, quando estava a limpar a mesa, ele tocou-me no braço e disse: "És igualzinha à minha mãe. Ela é muito bonita, como tu".
Confesso que me fechei na cozinha, a chorar agarrada à cozinheira. Ela contou-me que o menino era filho de casal toxicodependente, cuja família da mãe "de bem" e renegou filha e neto. Como não conseguiam largar a adição, entregaram o menino à instituição, mas nunca o iam ver. O que talvez fosse o melhor para todos, mas que criou um vazio na criança que praticamente deixou de falar.
Tive que aprender a conviver com o olhar dele, mas por dentro estava destroçada. E fiquei ainda pior quando, no dia seguinte lhes contei a verdade é ele me perguntou: isso quer dizer que já não te vou ver mais?
E. Sim. Nunca mais me viu, a pedido da instituição, para que não ficasse na ilusão de que substituiria a mãe e que, um dia, o levaria comigo. Eu tinha 22 anos. Isso não iria acontecer.
Ainda hoje me dói pensar nele....

De Olívia a 12.07.2014 às 10:22

Penso que se recordará sempre dessa experiência... com o passar do tempo aprendi que não podemos carregar sobre os nossos ombros o peso de todas as injustiças deste mundo... o importante é agir na "hora" de acordo com a nossa consciência e dar o melhor de nós em cada momento, quanto ao resto vamos rezando... por quem é abandonado, por quem abandona, por quem luta e por quem já não tem forças...

De Joana a 16.07.2014 às 21:24

Não se se conseguiria suportar as historia das crianças que sofrem maus tratos. Como iria conseguir ir para casa sem pensar naqueles casos?
Imagino que "calo", mas não será fácil, pois não?
Beijinho

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