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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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História XV

...

 

«Entretanto vamos à entrevista na Segurança Social...

 

Escusado será dizer que esta não é de todo das melhores recordações a guardar na nossa memória, quem passou por ela (elas) sabe bem aquilo que eu quero dizer, para quem nunca lá foi e ainda há-de ir fica um conselho amigo: Nós vamos lá porque queremos muito um filho, não vamos lá para ser enxovalhados, sabemos o que queremos e não temos medo deles!

 

Depois deste pequeno desabafo posso então andar mais uma etapa na nossa história, penso que a convocatória tenha sido feita por telefone, mas não me recordo ao certo. Avisámos no trabalho e naquele dia lá fomos. Ao ver a técnica que se apresentou logo com todas as credenciais (adoro quando as pessoas dizem eu sou a Dra. Ana p.ex. até me arrepio toda...) «e aqui está a Dra.. Tânia, a psicóloga que estará presente durante a entrevista»... 

 

Escusado será dizer que aquilo foi uma entrevista muito comprida.... onde basicamente respondemos às questões que já tínhamos preenchido no questionário (não fossemos nós ter inventado alguma coisa...) Depois vem a questão da barriga proeminente, e de que provavelmente nós não aguentaríamos duas crianças de uma vez, porque muitos casos corre mal etc etc coiso e tal.

Reconheço agora que as senhoras estavam a fazer o trabalho delas e o problema nem foi o que nos disseram ou os avisos que deixaram, mas a maneira de falar e o tom autoritário como que o fizeram.

 

O pior veio mesmo no final, já depois de uma pessoa estar de rastos por ver a sua infância, adolescência e vida adulta ser esmiuçada, então não é que levantaram a questão de não ser possível a adopção por eu estar grávida... saímos de lá em estado de choque, nunca pensei que me poderia sentir assim, valeu-me sempre a convicção nas minhas ideias, valeu-nos o mútuo apoio um ao outro enquanto casal.

 

Passado o choque que durou pelo menos 3 dias (em que chorei, desabafei, me revoltei e me acalmei), resolvi imprimir todas as leis sobre a adopção em Portugal e durante um dia inteiro li aquilo de uma ponta à outra, confirmei que nada havia escrito sobre o facto de uma pessoa grávida não poder adoptar.

 

Liguei para a SS e pedi uma reunião, quando as técnicas bem entendessem:

- Mas qual é o assunto?

- Nada que se possa falar pelo telefone.

- Bem vamos agendar, será preciso a presença da psicóloga?

- Façam como entenderem, preciso só de saber a data.

- então fica para dia x. Mas tem a certeza de que está tudo bem? (parece que a assustei!!!!!)

- Há-de ficar tudo bem depois de aí irmos, o meu marido também irá.

Despedimo-nos cordialmente.

 

Quando chegámos (confesso que estava cheia de nervos, mas aparentemente calma) apresentei a Lei 147/99 de 01 de Setembro e a Lei 31/2003 de 22 de Agosto devidamente impressas (com o patrocínio do meu local de trabalho, foi por uma boa causa) e perguntei:

 

- Então digam-me lá onde é que diz na Lei que por estar grávida não posso adoptar?

 

(espanto, silêncio, e uma tentativa fraca de resposta)

 

- Pois, mas nós não dissemos isso assim, foi só para ver se tinham mesmo a certeza de que queriam dar esse passo tão importante e que não tem volta a dar...

 

Bem, mais uma vez deixámos bem claro que era o que queríamos, que não havia volta a dar, que o tribunal estava a fazer de tudo para nos dar essa hipótese e não era a SS que a ia retirar.

 

Mais uma etapa, sofrida... chorada e vencida!»

 

A Mãe

 

"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna".

João 6, 68

 

 

 

 

 

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