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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

História XX *A sentença*

...

«Soubemos (já nem me recordo como) que a sentença seria proferida no dia 24 Abril (2008)! Ficaríamos então a saber qual o futuro da pequena Gui, sendo que as opções seriam:

  • Ficar com a família biológica;
  • Ficar na instituição até à maioridade;
  • Ficar com a sua nova família;

Coube então aos três juízes do tribunal analisar toda a vida da Gui, verificar no fundo qual seria o melhor caminho para ela. Sabemos pelas várias reportagens televisivas que a lei pende muitas vezes para a família biológica... no fundo confesso que tive mesmo muito medo que isso pudesse acontecer. Estamos a falar de alguém que nunca se arrependeu de não ter amado e de ter negligenciado os filhos, estamos a falar de alguém que quando lhe foi dada uma segunda oportunidade voltou ao mesmo, e numa terceira provavelmente voltará ao mesmo... sem nunca tentar mudar, sem nunca tentar fazer o "sacrifício" de lutar pela família. Havia também a hipótese de que o futuro da Gui passasse pela institucionalização e era preciso estarmos preparados para isso. Tudo fizemos para que o tribunal visse o quanto gostávamos que ela ficasse connosco independentemente da vinda da bebé, mostramos à CPCJ (a pedido do tribunal) que a nossa casa estava pronta para a receber a tempo integral (até porque o quarto tinha sempre as coisas próprias de uma menina, roupas, brinquedos, molduras, etc).

 

Porque já passaram vários anos e a minha memória por vezes não é bem clara, mas chegou até mim uma mensagem do tribunal. A mensagem era muito simples: ninguém aconselhava a que eu estivesse presente na leitura da sentença, 1º pelo que já havia acontecido no dia do debate, 2º porque o meu estado de gravidez era avançado e 3º porque a dita senhora fez uma cena ainda pior na leitura da sentença de outros três filhos (que graças à divina providência de Deus foram adoptados pela mesma família).

 

Posto isto,e porque eu queria mesmo estar lá e ouvir directamente o que tinha sido decidido, mas não podia pensar só em mim, a querida escrivã garantiu-me que se eu telefonasse nesse dia pelas 10.30 da manhã me leria ao telefone a dita sentença! Aceitei na hora!

 

Nesse dia a angústia atingiu valores muito altos... a incerteza da nossa família, o ter que explicar à Gui o que aconteceria dali em diante... o não estar no tribunal... mas a vida é mesmo assim e perante todos os cenários possíveis resolvemos acreditar até ao fim que o amor estaria ao lado da razão e juntos venceriam esta batalha.

Fomos então trabalhar nesse dia, tínhamos de ocupar a cabeça senão... bem senão éramos consumidos pelos nervos... e combinámos que eu ligaria para o tribunal e depois de saber ligaria para o meu marido.

 

  • Às 10.30h liguei e foi-me dito que estava tudo atrasado e que ainda não podiam ler-me a sentença era melhor ligar dali a  meia hora:
  • ÀS 11h liguei e ainda não tinha chegado o juíz;
  • ÀS 11.30 liguei e o juíz estava retido no trânsito por causa de um acidente;
  • Ao meio dia foi-me dito que dali a meia hora podia ligar porque estavam já na sala de audiência a ler a sentença para sua excelência a progenitora;

Nervos, nervos, nervos e mais nervos...

  • Liguei então já depois do meio dia e meia e a senhora escrivã que foi mais do que 5 estrelas disse que agora sim, iria ler a sentença... quer dizer perguntou-me se queria apenas que lesse a parte "interessante" ou que lesse as muitas páginas... claro que eu queria era saber a decisão, que passo a transcrever:

«... determina-se a confiança à Instituição K, com sede em xxxxxxx, para FUTURA ADOPÇÃO, de xxxx Gui xxxx filha de A e de B, ficando estes últimos, em consequência, inibidos do poder paternal relativamente a esta filha e proibidos de a visitar, nomeando-se curadora provisória da menor a Sra Y;»

 

Cá estava esta frase tão bela (mas mesmo muito bela, tal como um poema ou uma melodia maravilhosa) dita por esta tão amável funcionária do tribunal que no fim me perguntou se percebia e se estava feliz. Claro que percebia a Gui ficava na instituição até o processo da segurança Social estar concluído e depois seria então nossa filha no papel! No final fiquei a saber que desta vez não precisaram de chamar a polícia como na outra leitura dos outros filhos, ela sabia que estava derrotada e mais uma vez nem sequer uma lágrima deitou... apenas virou costas e saiu...

 

Este foi sem dúvida um dos dia mais felizes da nossa vida, um dia em que a justiça portuguesa saiu vencedora, um dia em que a família saiu vencedora, a nossa família - a família unida pelo amor, pelo carinho e pela dedicação, o dia em que os laços do amor foram maiores do que os laços de sangue!»

 

A Mãe

 

«Quero louvar-Vos, Senhor, com todo o coração;
narrando as Vossas maravilhas sem conta.
Em Vós me alegro e exulto;
canto salmos ao Vosso Nome, ó Altíssimo.
Os meus inimigos dão em retirada, tropeçam e morrem diante de Vós.
É que defendeis o meu direito e a minha justiça;
tomando o assento no trono do justo juíz.»
Sl.9 1-5

 

 

 

 

 

 

 

 

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