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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Quinta-feira, 22.01.15

No limite*

Brincadeiras, grupos, conversas, partidas, jogos, piadas, correrias, empurrões e diz-que-disse nas escolas sempre houve, são a forma das crianças e jovens aprenderem a conhecer-se uns aos outros e aprenderem o que é viver em sociedade. Mas para tudo existe um limite, certo? Se eu for na estrada e encontrar um semáforo vermelho, até posso ir depressa demais, mas ali tenho de parar... e quando não paro, coisas muito más podem acontecer. Este foi só um exemplo ilustrativo para que eu, enquanto mãe, tente perceber o que se passa hoje nas escolas. Podia começar a típica frase "no meu tempo...", mas não o vou fazer, muito mudou entretanto nas famílias, nas escolas, nas aldeias, nas cidades, nas comunidades...

Então, onde está o tal semáforo na vida que indica que chegou a hora de parar, que alguma coisa não vai bem, que as brincadeiras de inofensivas não têm nada, que as brigas e as embirrações já não são normais?

Sabemos nós os filhos que temos em casa? São eles capazes de humilhar publicamente os seus colegas e no entanto parecerem dóceis e simpáticos quando estão connosco? Serão eles facas afiadas que cortam a auto-estima dos seus colegas com acções e palavras, enquanto na nossa casa são como flocos de algodão? Serão os nossos filhos tímidos, sossegados e recatados ou andam amedrontados e tentam passar despercebidos? Estão desmotivados porque a matéria é difícil ou o complicado são os intervalos?

Conheço bem as minhas filhas? Mesmo, mesmo bem? Ou penso que as conheço?

Pode parecer estranho para quem sabe a nossa história dizer que conheço as minhas filhas, afinal uma delas trazia alguma bagagem "psicológica" excessiva por aquilo que já tinha vivido, mas para quem ouviu (entre risos) na instituição "Tinham de ficar com a pior de todas" era normal conhecer aquela menina que passava a vida a "picar" as colegas, a fazer "fitas" e "birras" a toda a hora, desinteressada pelo estudo e sem grandes expectativas na vida... por isso sei que ela não perde uma... portanto se alguém aqui chegar ao pé de mim e disser que ela "gozou" com uma colega, eu acredito, pois provavelmente é verdade. 

Quando na segunda semana de aulas o director de turma me ligou pela segunda vez (a primeira tinha sido por uma resposta verdadeiramente mal educada) fiquei realmente muito aborrecida, um grupo de três "meteu-se" com ela, chamaram-lhe nomes e por aquilo que percebi ela já tinha feito comentários depreciativos à rapariga do grupo... e foi uma bola de neve... bocas que levam a bocas e por aí fora.

Deste telefonema que foi feito para cada um dos pais dos meninos resultou um pedido de desculpa de ambas as partes e a promessa que a partir dali acabava a discórdia. Nós, enquanto pais católicos e preocupados tentamos dar as bases para o bom relacionamento entre as nossas filhas e os colegas, sem egoísmos, com humildade, sem ofensas, com respeito, partilha, entre-ajuda... e parece-me que a Margarida percebeu e mudou a sua atitude.

Mas, enquanto a Margarida se controlou para não responder aos insultos os outros miúdos continuavam a provocá-la, sugeri que não lhes ligasse e que voltasse costas para não entrar em problemas. E eles continuavam, sugeri que fosse para a biblioteca nos intervalos maiores e nas horas de almoço, e eles continuavam... um deles acabou por deixar o grupo e tentar fazer com as coisas parassem, mas pelos vistos não foi bem sucedido, então ela vai fazer metade das disciplinas, chega a estar duas horas por dia na escola e mesmo assim não a deixam em paz?...

E aqui está então a parte complicada destas coisas, eu acredito seriamente em deixarmos os nossos filhos crescerem, a conseguirem defender-se sozinhos, a encontrarem o seu caminho autonomamente, mas começou a parecer-me que isto já era demais... como conheço a mãe da rapariga fui falar com ela, e ela ficou chocada... ao que parece ela não conhece a filha... sei que ralhou com ela e que a colocou de castigo. E como é que eu sei? Sei porque na aula de educação física da segunda-feira ela "passou-se" e mostrando uma atitude de adolescente desequilibrada gritou e ameaçou a Margarida por ter contado em casa o que se passava na escola e porque a considerava responsável por estar de castigo, foi tal o berreiro que a funcionária teve de intervir... sem sucesso já que a rapariga saiu disparada depois de gritar com toda a gente... nesse mesmo dia e depois de saber disto disse: BASTA. Não pode ser, terei de ir à escola marcar uma reunião com os pais e com os miúdos porque não vou andar até ao fim do ano nisto!

Nem de propósito, o dito miúdo passa em frente da loja, e chamo-o perguntando se sabia quem eu era, ele respondeu que não e a cara dele quando lhe disse de quem era mãe... claro que tinha vontade de lhe dar um estalo, mas apenas lhe pedi para dizer à mãe dele que queria falar com ela na escola em frente dele e da outra miúda...

Na terça-feira, e porque a Margarida tinha de ir à aula de história (disciplina já feita no ano passado) entregar um papel ao professor (DT), houve uma espécie de "tribunal" na aula, onde unanimemente ficou reconhecido o abuso por parte dos colegas, e a certeza de que o professor não iria tolerar nem mais um "ai" que fosse.

Ficaram novamente as promessas, pedidos de desculpa... seriam sinceros? Tenho muitas dúvidas porque meninos que conseguem manipular os seus pais, que conseguem estar ali a escutar sem manifestar a mínima emoção, que passam o dia a fazer o que quiserem sem que os pais saibam, que acham que podem martirizar outros miúdos porque sim, que têm uma noção distorcida de amizade... não me parece que mudem... mas temos de ter esperança e o facto de ter ouvido a Margarida a cantarolar em casa ontem deu-me ânimo para acreditar!

 

E nunca esqueçamos de dizer aos nossos jovens:

«Ninguém te deve desprezar por seres ainda novo. Pelo contrário, deves ser um exemplo para os crentes nas palavras, na conduta, no amor, na fé e na pureza.»

1Tim 4:12

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* Porque na vida real também acontecem estas coisas, Maria das Palavras, aqui fica o meu testemunho!

 

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por Olívia às 05:16


4 comentários

De Maria das Palavras a 22.01.2015 às 10:18

É muito tocante ler o teu texto. A realidade que evitamos e queremos sempre ver como ficção. Que nos bate à porta. A metáfora do semáforo acho que diz muito das perguntas essenciais desta temática. Até onde os pais podem disciplinar (por um lado) e até onde podem ou devem deixar de intervir?

Espero que te tenha feito bem escrever sobre o assunto.
Não tenho mais do que palavras e teorias, mas tenho também um beijinho grande para te enviar. Como tudo o que é mau na vida: "Também isto há-de passar".

De Olívia a 22.01.2015 às 19:49

Depois de tudo o que ela já passou, sinceramente não merecia... mas agora ela sabe que tem uma família a lutar por ela e isso já é alguma coisa!

Podes pensar que «Não tenho mais do que palavras e teorias», mas pelo menos tens a sensibilidade para colocar a questão de uma forma realmente profunda e tocante, talvez por isso tenha escrito este meu texto! Por isso obrigada!

De Paula Almeida a 22.01.2015 às 14:32

Ola Olivia
Todos os dias venho aqui ao blog. Conheco-a através da Teresa Power.
Acerca deste assunto posso dizer que sou Doutorada.
A minha filha mais velha foi uma aluna com necessidades educativas e só por isso e como tinha os testes diferentes foi sempre um "alvo a abater" por alguns colegas. Até alguns pais embitratam com isso.
O que é certo e com a ajuda de Deus ela está na universidade e alguns desses colegas ficaram pelo caminho.
Mas sofri muito só de ver o sofrimento dela quando ia para a escola.
Beijinho

De Olívia a 22.01.2015 às 19:50

Olá Paula, obrigada pela visita e pelas suas palavras, é uma grande alegria saber que há alegria e vida depois destes temporais!
Muitas felicidades para a vossa família e vá passando por cá!

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