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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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O dia "D"

O dia "D" veio de surpresa... afinal estávamos a contar com pelo menos mais uma semana e meia de gravidez, tal era o atraso.

 

No dia 4 quando acordei estava bastante estranha, sentia-me doente e cansada... mas como sempre fui levar as minhas filhas à escola e fui trabalhar. Passei o dia com umas dores estranhas, e com um certo mal estar. À tardinha ainda consegui ir ao lar visitar a tia Adelaide, disse-lhe que estava aflita e que podia não ir lá tão cedo!

 

Regressei a casa e preparei tudo para no dia seguinte ir à consulta ao hospital, as meninas iam dormir a casa da minha mãe para não terem de se levantar às seis da manhã. O pai, que vinha a casa para me poder levar no dia seguinte à consulta foi levá-las pois eu já não consegui ir, não sabiam elas que eu já estava com contrações de 5 em 5 minutos. Eram 20h30m.

 

 Ainda aguentei mais um pouco, mas desisti, talvez fosse melhor ir para o hospital e depois logo se via. Colocámos as "malas" no carro e lá fomos nós.

 

À chegada ao hospital Beatriz Ângelo fui vista por uma enfermeira e por um médico, e confirmei aquilo que mais temia, tinha dores, sim, mas nada de dilatação. Tive de voltar a casa, a casa dos meus sogros, pois estava a 1 hora da nossa casa e o médico não aconselhou a afastar-me assim tanto. 

 

Pelas 5 da manhã regressei ao hospital e fiquei. Fui para um quarto, com o meu marido onde esperámos, tranquilamente pela hora certa. Havia música ambiente e luzes de cores claras a refletir nas paredes. As dores eram cada vez mais e pedi a epidural, foi uma maravilha!

 

O dia ia passando, íamos conversando, dormitando um pouco, conversando e esperando. Foi numa dessas conversas que resolvemos ver na internet o "Santo do dia", e qual não foi o nosso espanto eram os pais de João Batista, que alegria sentimos, não íamos ter um João, mas a Lúcia ia nascer no dia dos seus pais!

 

Pelas 17 horas aceleraram o "soro" para avançar com o parto, afinal estava ali já há 12 horas à espera, estava quase e por incrível que pareça não entrei em pânico. Pedi aos enfermeiros que me dissessem como havia de fazer, pois queria ajudar. Fizemos um teste, e parece que ia ser fácil, não fosse a Lúcia estar demasiado em "cima" e não haver meio de descer.

 

Os momentos que se seguiram foram tudo menos uma beleza, o parto é uma experiência muito dolorosa, suja e confusa... tentámos e tentámos e as forças começavam a faltar... havia que recorrer à "ventosa", que não funcionou... restavam os "forceps", para isso era preciso assistência de uma outra médica, que foi chamada de emergência  e interrompeu uma cesariana para nos vir acudir.

 

Mais um pouco, e a Lúcia nasceu. Foi colocada em cima de mim e de lá retirada em menos de dois segundos... o que vi foi um bebé imóvel demasiado branco...

 

Silêncio.

 

Nem um som.

 

"Porque é que a minha filha não chora?"

 

Eu sabia o porquê, mas insisti. Foi-me explicado que ela estava a ser tratada, já ia ficar bem.

 

Chamam o meu marido à pressa e levam a menina embora, pedi para a ver, passaram com ela junto a mim, só tive tempo de lhe fazer o sinal da cruz na testa e pedir a Deus que ela vivesse...

 

Foi levada. Eu fiquei para aquelas coisas que são preciso fazer. Fui para o recobro e a cada vez que pedia para me darem notícias da minha filha a resposta foi a mesma: "Não sabemos ainda". As enfermeiras tentavam passar longe para que não as chamasse, percebi que ninguém viria falar comigo.

 

E chorei. Chorei. Chorei.

 

Pedi a Deus que a Lúcia vivesse e chorei, até adormecer.

 

Acordei novamente para a minha realidade, uma enfermeira de lágrimas nos olhos tentava consolar-me e dizer-me que já alguém ia trazer notícias...

 

Passaram cerca de 3 horas e veio a pediatra. Disse-me para ter esperança.

A Lúcia estava fraquinha, mas viva.

Estava a estabilizar.

O Pai estava com ela. 

 

Havia esperança. Sim, havia. Mas também havia muita dor, muita solidão.

 

Nada mais podia fazer, por isso rezei...

 

 

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