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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

O lado B

Tenho a sensação de que algumas pessoas ainda pensam que a nossa família é uma perfeição. Um poço de virtudes. Oh... se soubessem, se nos vissem e ouvissem em certos momentos, mudavam logo de opinião... começando por mim, que na maior parte dos dias nem sei muito bem o que vim fazer a este mundo.

 

Ora, o nosso primeiro dia da quaresma - ontem - coincidiu com uma data especial, o dia de aniversário do nosso casamento. A primeira grande tentação foi festejar a preceito porque o dia pedia festa e não penitência. Era o nosso dia. Algures a meio dos planos para o jantar percebi que na verdade, se queremos ser coerentes cá em casa, teríamos de colocar a celebração das cinzas primeiro. Afinal o casamento deve ser festejado diariamente como um dia que não tem fim... foi por isso que ontem publiquei aqui aquele pequeno texto. Foi quando decidi inverter as prioridades. 

 

Durante a tarde enquanto as manas mais velhas foram ao lar com a avó visitar a tia Adelaide para lhe cantarem os parabéns pelos seus noventa e muitos anos, dediquei-me a escrever a "nossa frase" para colocar no canto de oração. Depois agarrei na Lúcia e na minha mala e fomos buscar o carro para mais perto da loja para poder arrumar todos os sacos que trazemos. Não cheguei a demorar cinco minutos.

 

Quando cheguei à porta, enfiei a chave e a porta não abriu. Rodava, mas nada de abrir, nem para um lado, nem para o outro... entrei em pânico, claro. Imaginem se eu fizesse como das outras vezes em que vou buscar o carro e deixo a Lúcia a dormir... enfim, um horror... quanto mais tentava, mais me enervava. tinha tudo à porta do lado de dentro incluindo um computador, bastava partir o vidro para o levarem.

 

Entretanto fui ao lar dar um beijo à tia e buscar o pessoal, telefonei ao meu marido, que me pediu para não sair daqui, já estava a caminho e ainda ia demorar pelo menos meia hora. Pensei em pedir ajuda ao nosso vizinho que arranja e vende motas e bicicletas e foi o que fiz. Ele com a sua paciência, um alicate e a chave conseguiu abri-la! 

 

Graças a Deus! O alívio que foi.

 

Nesta altura todos os meus planos estavam prestes a ir pelo cano abaixo. A Lúcia estava cheia de fome, não tinha jantar feito. Não tinha queimado ainda o ramo e era tarde.

 

Ao chegar a casa a prioridade foi dar a sopa à Lúcia, munida de duas latas de atum, cebola, alho, batatas palha e ovos "alinhavei" um atum à Brás (uma estreia, que não saiu nada mal) e em quinze minutos estava feito. Entretanto, fui colocar o ramo na lareira e acendi aquilo, mas nunca mais me lembrei dele até ver que a sala estava cheia de fumo. Cheia. Um cheiro a rosmaninho e fumo espalhava-se por toda a casa muito rapidamente, ao abrir a janela na esperança de que o fumo saísse, mais fumo se espalhava, o pai chegou no meio desta confusão... a Lúcia ainda na sua cadeira "presa" chorava para sair, era preciso apressar as irmãs nos banhos...

 

É nestas alturas que aprendi a ver que o mal está ali à espera e à espreita para entrar em nossa casa e no nosso coração. E, é aqui, que das duas uma: ou controlamos a coisa e levamos isto como uma pequena aventura ou achamos que nada vale a pena e desistimos.

 

Nós escolhemos não desistir.

 

Jantámos mesmo com um cheiro terrível em casa (e os ramos nem eram grandes), levantámos a mesa a correr mandando a loiça para um monte dentro do lava loiça e passámos à nossa pequena celebração. Cartaz colocado, cinzas recolhidas da lareira, sinal da cruz. Silêncio, bem dentro do possível, leituras e gestos, cânticos e agradecimentos... hoje tínhamos muito que agradecer... não parece, mas tínhamos!

 

Estávamos juntos

Jantámos em família

Recebemos um ramo de flores que mandou a minha mãe

Uma mensagem de parabéns inesperada

Mais um ano de vida da tia Adelaide

O vizinho que nos ajudou a abrir a porta

O sol

O fim das férias

Os trabalhos de casa feitos...

... muita coisa!

 

 

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A casa ainda cheira a fumo, os nervos de ontem ainda deixaram as suas marcas... mas percebamos que somos postos à prova uma e outra vez ao longo do dia, ao longo da vida e só com Deus podemos seguir em frente!

 

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