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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Quinta-feira, 07.05.15

O número certo de filhos

Quem pode dizer com quantos filhos seremos felizes?

 

Conheço casais felizes e que não têm filhos, por opção. Outros não têm filhos por razões biológicas e por isso fazem a sua vida seguindo outras metas e outros objectivos, se são felizes? Certamente.

 

Como já aqui escrevi, os filhos são importantes, mas se por qualquer motivo não tivesse sido chamada à vocação da maternidade haveria certamente um outra vocação à minha espera.

 

Mas desde cedo que no meu coração senti o chamamento a ser uma mãe diferente, e o meu marido foi contagiado (positivamente) por este ideal: receber um filho nascido de outra família que por alguma razão não conseguiu ser o seu porto seguro, de forma a que pelo menos uma das milhares de crianças institucionalizadas pudesse ter uma família. Foi uma opção estranha para a maioria das pessoas com quem nós convivíamos na altura, muitas pessoas ainda não perceberam o porquê e isso faz-me confusão.

 

Tomar uma decisão destas, de adoptar, não foi apenas uma decisão racional, mas de coração. Não foi para parecer bem aos outros, não foi uma obra de caridade, não foi por pena, foi como gosto de chamar um acto de amor. E esta nossa filha é tão nossa filha quanto a que nasceu da minha barriga em 2008 e o que há-de nascer em novembro, disso não tenho dúvidas.

 

Ainda antes da decisão de constituir família já havíamos falado da infertilidade que assombra tantos casais, e perante esse cenário já havíamos decidido que não faríamos tratamentos para engravidar, pois sabíamos que existiria uma criança (pelo menos) que poderia ser nossa filha, nós é que ainda não a tínhamos encontrado.

 

Ao ter engravidado sensivelmente na mesma altura em que conhecemos a Margarida as coisas pareceram encaixar nos nossos planos, assim teríamos os dois filhos que já havíamos decidido ter. E como se costuma dizer, assunto arrumado.

 

Mas a vida tem coisas que nós não conhecemos, que nós não imaginamos e um dia dá uma reviravolta que nos deixa a pensar «e se...», claro que o primeiro pensamento a seguir foi «nem pensar».

 

Então a nossa vida parece estar a começar a estabilizar, eu estou na maior parte dos dias sozinha com os afazeres da casa entre compras de supermercado, refeições, limpezas, roupas e por aí fora, com as especificidades de uma filha na escola primária outra a fazer o 8º ano ao abrigo do Dl3/2008, com as tarefas do trabalho, trabalho esse que me ocupa cinco dias e meio por semana, podíamos lá nós pensar em ter mais filhos? E o tempo? E o dinheiro? E a capacidade mental? E a capacidade física?

 

Pois muito bem, como a vida tem razões que a própria razão desconhece, conhecemos muitas famílias que não se prenderam ao que é comum ou seja ter um, no máximo dois filhos, são pessoas normais, alegres e que colocam na família a sua essência.

 

E nós começámos a alargar os nossos horizontes, e pensámos em seguir em frente na opção de aumentar a família, o resto tenho a certeza de que se vai resolver, dia-a-dia, momento a momento! Não vale a pena começar já a entrar em pânico com os "ses", com as hipóteses, com questões que muito provavelmente nem sequer se vão colocar.

 

Com tudo isto não gostava nada de ser rotulada de mãe inconsequente ou irresponsável, quando muito uma mãe meio maluca! Maluca, mas feliz!!!

 

 

 

7 julho 2012 002.JPG

 

 

amor pelos filhos

 

 

 

 

 

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por Olívia às 06:00


10 comentários

De Bruxa Mimi a 07.05.2015 às 07:32

Olha, eu vejo-te como uma mãe absolutamente consciente e responsável. Nem meio maluca, nem um quarto de maluca, mas feliz, sim!

De Olívia a 07.05.2015 às 09:26

É bom saber que alguém nos compreende!
Obrigada!

De ana santos a 07.05.2015 às 08:51

Disseram-me esta semana " Deus não escolhe os que têm capacidade, mas capacita os que escolheu" e depois de pensar em várias alturas nesta frase fico mais serena, pois nós seremos capazes de enfrentar todas as dificuldades/desafios que nos surgirem pela frente...
Um abraço grande:)

De Olívia a 07.05.2015 às 09:26

Que bela frase, não me esquecerei dela!
Beijinhos grandes

De Teresa Power a 07.05.2015 às 09:36

A melhor coisa em relação ao número de filhos é nunca dizer aquela frase que, no início, te sentiste tentada a dizer: "Assunto arrumado". O nosso Deus é o Deus das surpresas, como se lê desde as aventuras de Abraão às de Paulo, e "arrumar os assuntos" é tarefa dele, não nossa! Escutar os sonhos do Senhor e escutar os anseios do nosso coração de casal dia a dia, para discernir corretamente as opções a tomar... Temos de ser um bocadinho malucos, sim, e não levarmos a vida demasiado a sério, como certos senhores de fato e gravata! Não percas nunca a loucura da juventude, que é a fonte da alegria! Felicidades para os cinco (seis, sete, oito...)

De Olívia a 07.05.2015 às 10:33

Tu bem sabes que a nossa sociedade foi-nos colocando estes ideais, com menos filhos és mais feliz porque tens as coisas controladas... e nós detestamos ter as coisas descontroladas, vamos acreditando que tem de ser assim. 


Por vezes olho para trás e vejo o quanto se pode mudar... se mantivermos o nosso coração aberto às surpresas e a uma vida "desarrumada"!!!

De Magda L Pais a 07.05.2015 às 19:21

Eu acho que não há número certo de filhos.... há aqueles que os pais querem ter, seja nenhum ou muitos. O principal é que os pais estejam felizes

De Olívia a 07.05.2015 às 20:56

Exactamente, ambos marido e mulher devem sentir-se felizes pelos seus filhos, ou pelo facto de não terem nenhum. Cada casal saberá de si e por isso eu agora acredito que não há número certo de filhos (um é pouco, dois é bom, três é demais)!

De Alguém, algures a 08.05.2015 às 01:21

Para uns é loucura adoptar uma criança (tantos "se", como se as crianças que são filhos biológicos tivessem a vida toda controlada e certinha), para outros é completa loucura ter mais que certo número de filhos ou então não abortar um filho diferente (seja doente, deficiente, ...) E adoptar uma criança doente/deficiente? Ui! É de ser internado no manicómio para todo o sempre!! :p Ainda bem que vai havendo alguns loucos destes, que nos fazem pensar e são exemplos de vidas cheias de sentido... 
Muitas felicidades e continuação de uma boa dose dessa loucura que enche o coração (e a casa!)! :) Obrigada pelo seu exemplo!

De Olívia a 08.05.2015 às 09:08

Obrigada pela visita e pelas palavras tão certeiras!

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