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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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12.10.16

O pedaço de papel

Olívia

Desde há uns dias, existe um pedaço de papel que me acompanha. Este pedaço de papel com cerca de 8x8 cm e rabiscado contém uma pequena formula, que não sendo mágica, me recorda quem eu sou. 

 

Eu sou a Olívia nascida e criada numa zona rural que se apaixonou, casou e constituiu uma família para além dos seus maiores sonhos. Sou aquela que acorda com a sensação de que a noite foi curta, sou a que se deita com a certeza de que as dores das costas não são de velhice, mas do colo dado durante o dia a uma bebé traquina, sou a chata da mãe que teima em coisas às vezes demasiado pequeninas... sou a mesma que ralha e se enerva com coisas do dia a dia e a que se ri de piadas parvas.

 

Sou a mulher que perde a paciência quando o marido deixa os ténis espalhados, mas que lhe leva um pedaço de bolo acabado de fazer para comer enquanto descansa... 

 

Sou preguiçosa quando sei que tenho roupa para passar, mas prefiro ficar na conversa com o meu marido, ou quando arranjo mil desculpas para não arrumar o roupeiro só porque não me apetece fazê-lo.

 

Sou egoísta porque gostava que tudo fosse feito como eu quero, sou obsessiva em coisas parvas como arrumar a loiça nos armários sempre nos mesmos sítios, sou teimosa porque me recuso a fazer certas coisas diferentes - e tenho noção disso - sou orgulhosa porque me custa rebaixar, implorar, ceder...

 

Sou fraca porque nem sempre consigo seguir com a  vida sem recurso a uma grande dose de café e de vitaminas fortes.

 

Não sou a mãe perfeita, sempre impecável, que faz fatinhos de tecidos coloridos e festas temáticas, que oferece o último modelo do briquedo mais badalado da televisão. Sim, sou a mãe que contínua a mandar pão com manteiga para os lanches, leite com chocolate e muito raramente umas bolachas... sou a mãe que já se esqueceu do dia de uma consulta no médico, que baralhou a toma dos medicamentos, que se fartou de chorar à noite com pena de si própria!

 

Não sou a esposa perfeita que veste roupas bonitas e elegantes e que aguarda que o seu marido chegue com uma bebida na mão, sou a esposa que se esqueceu de passar a roupa a tempo do dia seguinte e tem de o fazer de madrugada, ou a que faz omeletes para o jantar porque não tem cabeça para mais nada...

 

Isto é o que eu sou. Esta é a minha vida. Está longe de ser perfeita, e isso custa-me a assimilar. 

 

Neste pedaço de papel está escrito (pela mão do padre que me confessou) que em cada semana devo apenas concentrar-me naquilo que posso fazer e não naquilo que acho que posso fazer... está escrito que devo ser grata em tudo, todos os dias, está escrito que o caminho é longo, que a porta é estreita, que estou de passagem. 

 

A pergunta é: como quero caminhar?

Frustrada por aquilo que não consigo/sei/posso fazer?

Ou grata pelos pequenos passos que consigo dar, pelas vitórias em coisas tão pequeninas aos olhos dos outros, mas tão importantes para mim?

 

 

 

 

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