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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Quarta-feira, 16.08.17

Obras

Grande parte das pessoas tem uma imagem negativa das pessoas que trabalham nas obras, como se fossem todos "broncos", "pobres", "estúpidos", se estão nas obras é porque não têm mais nada onde trabalhar. Penso que foi a própria sociedade que criou esta ideia: "não estudas vais para as obras" e assim, muitos dos jovens caíram de "para-quedas" num mundo onde é preciso muita força e alguma vontade de estar dias inteiros ao sol, com pó, à chuva e com lama. Este tipo de tarefas é sempre vista como de categoria inferior, mas verdade seja dita até a pessoa mais importante precisa de uma casa para viver. 

 

Todos os que usam  fato e gravata são iguais aos que vestem roupa com manchas de cimento e de tinta. Todos nasceram e todos vão morrer um dia. E todos levam o mesmo. Nada.

 

Para pessoas muito presunçosas ler este tipo de texto é uma afronta. Então estamos a comparar pessoas que estudaram seis, sete anos na universidade com pessoas que andam nas obras? Sim, estamos. Estamos porque quando essas pessoas de fato e gravata precisam de um quarto com um roupeiro e uma casa de banho na suite, provavelmente não o sabem fazer. Tal como não sabem fazer aquele pão ou não são capazes de tratar aquela doença. Todos precisamos de todos.

 

Isto dito assim até parece uma daquelas frases bonitas do facebook, mas o objetivo desta conversa tem a ver com a forma como as pessoas olham de lado para quem tem aquela roupa reles das obras. 

 

Um destes dias a Margarida foi ajudar o pai na limpeza final da obra antes de entregar a chave aos donos, era preciso retirar os cartões que cobriam o chão, limpar o soalho que tinha pó, limpar os azulejos e tirar um ou outro pingo de tinta que caiu acidentalmente. Na hora do almoço foram ao MacDonalds aqui mais perto. Estavam lá uns primos afastados e quando viram a Margarida num fato de treino já velhote e com algum pó praticamente nem olharam, e ela sentiu vergonha de andar assim.

 

 

V E R G O N H A.

 

Sim, foi preciso alguma conversa no final do dia para que ela percebesse que devia ter orgulho em aproveitar o seu tempo para fazer coisas produtivas, para perceber que não é a roupa que nos define, mas sim as nossas atitudes. É preciso andar sempre de cabeça levantada.

 

Na segunda feira fui com o meu marido para ajudar a montar uma escada em caracol novinha em folha num outro apartamento. E pode parecer estranho mas aquilo não é só chegar ali e montar o puzzle, é preciso pensar, ver onde vai "bater", tal como em todas as remodelações não é só ter ideias é saber como se faz, é contornar os problemas que vão aparecendo, é ter criatividade para aproveitar bem o espaço... mas, voltando à segunda feira, depois de um dia de trabalho em que conseguimos começar e terminar a montagem desta escada: ------ >>>>

 

 

 

Ora fomos a um estabelecimento comercial onde se vendem coisas com muita qualidade, o objetivo era adquirir uma dessas coisas, fomos recebidos com um olhar de reprovação (por causa da roupa?), fomos praticamente despachados e nem sequer vimos o que íamos à procura. Será que a pessoa que estava a vender achava que não tínhamos dinheiro para pagar? 

 

É muito triste, muito mesmo. Mas já estamos habituados... um dia havemos de colocar umas roupinhas catitas e havemos de lá passar outra vez, não para comprar, mas apenas para ver. Comprar, havemos de comprar num outro local que aceite conversar com pessoas independentemente daquilo que elas tenham vestido...

 

Felizmente que os clientes do meu marido são pessoas que sabem dar o valor ao seu trabalho, sabem que ele não foi para as obras porque não tem mais nada, sabem que ele adora aquilo que faz e são capazes de lhe dizer isto. Ficam contentes com o resultado final, colaboram na escolha, escutam as recomendações... reconhecem que o trabalho quando é feito com gosto e dedicação fica muito melhor! -------- >>>>

 

 

 

 

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Assuntos Importantes:

por Olívia às 11:14


2 comentários

De Catarina a 16.08.2017 às 11:58

Estava a ler e a pensar o quanto concordo contigo. As pessoas olham de lado mas a verdade é que somos todos importantes. Desde a pessoa que varre as ruas até ao médico que nos atende. Tudo é necessário numa sociedade e é pena que agora todos queriam ser doutores e engenheiros. Depois quando precisamos de uma obra vemos que existe muito pouca gente no mercado capaz. 

De Alguém, algures a 16.08.2017 às 17:06

Concordo inteiramente consigo. Os cientistas são fundamentais e estudaram mais do que nós, têm um trabalho muito mais complicado, merecem que lhes demos valor. Mas nós também temos o nosso valor e somos todos precisos. Basta termos de estar numa cama de hospital para percebermos isso.


Eu bem gostava de fazer umas remodelações na minha casa, mas estou a juntar dinheiro e não tenho para onde ir durante as obras e a casa é muito pequena.
Já pensei que um dia ainda lhe bato à porta, mas ainda vai levar muito tempo.


A Margarida é uma rapariga inteligente. Vai perceber que valemos pelo que somos humanamente e não pelo nosso dinheiro ou as nossas roupas.

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