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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Segunda-feira, 23.11.15

Os momentos seguintes

Depois de tudo, continuei sozinha à espera.

 

Em silêncio recordava a letra do cântico que a Teresa fez e que fazia mexer a pequena Lúcia na minha barriga sempre que o cantava:

 

Há ondas fortes em alto mar
Meu barco querem engolir.
Tu prometeste comigo estar
Mas não Te sinto... vais a dormir!
Ensina-me a confiar
E a tempestade vem acalmar!"

 

Pelas onze da noite disseram-me que me iam transferir para um quarto. Para um quarto, pensei, certamente com uma mãe e um bebé em plena alegria, meu Deus, como iria eu aguentar?

 

À chegada ao quarto reinava o silêncio. A outra mãe estava deitada sozinha. Não tinha bebé. Estava no mesmo local onde estava a Lúcia.

 

A enfermeira que me veio "dar as boas vindas" disse-me para ter calma. Tudo se iria recompor. Mas eu queria ver a minha filha, o meu marido... tanto insisti que ela concordou em levar-me na cadeira de rodas se me conseguisse levantar. Claro que me levantava, nem que fosse de rastos eu ia...

 

Quando entrei naquela sala e vi tantos bebés nem queria acreditar... levaram-me junto da minha menina, que tranquilamente dormia na incubadora apenas com uma fraldinha. Não pude tocar. Só olhar e chorar de gratidão porque ela estava ali, viva, perto de mim!

 

Tinha de ir embora, descansar diziam elas... eu precisava de descansar... não, o que eu precisava era de ter a minha filha nos braços junto a mim... mas não podia ser. Não ainda.

 

No quarto fiquei a saber da história do outro bebé, hei-de contá-la aqui um dia porque é uma história maravilhosa, hoje ainda lá está o bebé, a recuperar... a mãe vai-me dando notícias, assim que tudo se resolva contarei aqui.

 

No silêncio da noite ambas chorávamos pelos nossos filhos, e assim adormecemos...

 

Na sexta feira voltei a ver a minha bebé, o pediatra pediu para falar comigo e com o meu marido ao mesmo tempo. As notícias não eram as melhores. Com calma explicou-nos que a Lúcia tinha tido uma convulsão durante as primeiras oito horas de vida, pelo que estaria a ser medicada a fim de evitar que isso acontecesse novamente. Teria de ser feita uma avaliação neurológica para saber se teria ficado com danos cerebrais ou não.

 

Mais uma "bomba", que coração aguenta tanto? Só mesmo o coração dos pais. Fizemos mais umas perguntas e cautelosamente o médico disse que ela estava a evoluir favoravelmente. Era preciso tempo.

 

Sim, tempo.

 

E nós tinhamos tempo. Esperaríamos. Confiaríamos.

 

Nesta altura as pessoas começavam a querer saber mais sobre a nossa bebé, mandavam mensagens, mas o que podia eu dizer? Se nem eu sabia?

 

Pedimos apenas aos amigos mais próximos e à família que se unisse a nós em oração. E realmente Deus nunca se deixa vencer em generosidade, um pouco por todo o país, algures do outro lado do oceano, pessoas que eu nem conheço tiraram um pouco de tempo para rezar por nós.

 

Para quem não é crente em Deus não há como explicar o consolo que é sentir que algures alguém está a pensar e a pedir por nós junto de Deus. Se eu não fosse crente certamente teria gritado, perdido a calma, estaria revoltada culpando tudo e todos pelo meu "azar", diria mil e um disparates, ameaçaria todo o hospital, entraria em guerra com todos quantos se abeirassem de mim... teria sido desgastante...

 

Nestas coisas, só mesmo a fé podia fazer com que, em cada manhã ao abrir os meus olhos e perceber onde estava, o meu primeiro pensamento fosse dar graças a Deus porque a minha filha estava viva.

 

Independentemente de ficar ou não com danos cerebrais, ela estava viva!

 

 E assim, hora a hora, dia a dia, caminhávamos com esperança de que tudo passaria em breve!

 

 

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Assuntos Importantes:

por Olívia às 06:00


1 comentário

De Bruxa Mimi a 23.11.2015 às 07:58

Sei que agora tudo passou, mas não consegui evitar uma lágrima no canto do olho (dos dois olhos, na verdade!).

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