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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Terça-feira, 24.11.15

Os momentos seguintes #2

No sábado, quando cheguei ao pé da incubadora da Lúcia tive uma grande surpresa, a enfermeira colocou-ma nos braços, e assim pela primeira vez pude sentir a minha bebé junto a mim. Tão frágil, tão bonita!

 

Ah, como foi bom poder olhar para ela, sem pressa, poder ficar ali a ver a forma da cara, o tamanho dos dedinhos, sentir como era leve e como tinha a pele macia... estive tanto tempo à espera por este momento e finalmente tinha chegado a hora. Mas a surpresa não ficou por ali, a enfermeira perguntou-me se lhe queria dar banho! Então não queria? Claro que sim!

 

Com cuidado ela retirou todos os fios, tubos e coisas que a prendiam à incubadora, levou-a para a "bancada" junto à banheira e perguntou-se se sabia como fazer, assim que respondi que sim, deixou-me sozinha, cheia de alegria e cheia de medo!

 

Com cuidado dei-lhe banho e na hora de vestir tive de regressar ao quarto, as enfermeiras tinham de me observar, mas não sem antes ir buscar uma das roupas que tinha preparado com tanto carinho e que estavam guardadas no armário juntamente com todo o enxoval... oh que pena senti... ficou a promessa de repetir no dia seguinte e o convite para voltar dali a pouco para tentar dar-lhe de mamar... parecia um sonho!

 

Aos poucos comecei a estar mais presente, na hora das refeições, na hora do banho... era reconfortante estar ali, sentir-me útil, a cada hora de convivência com a minha filha pequenina ficava mais tranquila, sentia o coração ficar mais sossegado.

 

No domingo tive alta, o que significava: ou ter de ficar as 24 horas numa cadeira nos cuidados neo-natais ou ficar lá durante o dia e ir dormir a casa. Optámos por vir a casa, era muito complicado ficar ali as 24 horas sem poder "tratar de mim", que confesso ainda estava bastante "em baixo", então até ao dia 11, os meus dias eram assim preenchidos.

 

Depois da ecografia à cabeça, do electro-encefalograma era ainda preciso fazer uma ressonância magnética... para isso foi necessário suspender a medicação para as convulsões e aguardar. As alterações notaram-se logo, a Lúcia deixou de estar tão sonolenta, passou a ficar mais alerta para o mundo que a rodeava, passou a estar acordada alguns bocados do dia, coisa que não acontecia nos dias anteriores.

 

O dia da ressonância foi complicado... era preciso que estivesse algumas horas de jejum e tal como eu suspeitava era preciso que ela estivesse imóvel para que o exame fosse feito com sucesso. E como se mantém um recém-nascido com 5 dias imóvel? Pois com anestesia geral.

 

Pediram-me que assinasse os termos de responsabilidade, um para o exame e outro para autorizar a anestesia, e eu assinei, que mais podia fazer? Aguentei-me o mais que pude até ela estar a "dormir" e depois afastei-me das pessoas e chorei de medo. Medo do que uma anestesia pudesse fazer a um bebé... medo de ela não acordar... medo do resultado...

 

Enquanto me afastava olhei por uma janela e vi uma coisa fascinante, no meio de um jardim estava uma árvore belíssima, nela cada folha tinha um tom diferente, desde o verde ao castanho... fiquei ali por momentos a admirar aquele sinal de que no meio de tanta dor, no meio de tanto sofrimento há sempre um momento em que a esperança prevalece, em que nos deixamos encantar pela vida e era esse momento que eu tinha de "segurar"!

 

IMG_20151110_160236.jpg

 

Minutos mais tarde, o exame terminou, a Lúcia começava a despertar cheia de fome, os médicos estavam felizes pois o exame não mostrava nenhuma anomalia, era preciso que fosse analisado juntamente com os outros pela neuro-pediatra, mas numa primeira análise era altura para respirar de alívio!

 

 

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por Olívia às 06:18


3 comentários

De Bruxa Mimi a 24.11.2015 às 08:11

Ai, estas lágrimas que aparecem do nada! São resultado de "poeiras", claro! 

De Carla a 24.11.2015 às 16:09

Deus nunca nos abandona... mesmo qd O vemos nem sentimos, qd parece que estamos sozinhos.... Ele está sempre lá..... parabéns pela lucia e que agora cresça saudável e reguila... bjs

De Petrolina a 24.11.2015 às 22:41

Olá :)
Parabéns pelo nascimento da Lúcia! Muitas felicidades :)Tenho andado a leste e por isso não me tinha apercebido que já tinha nascido.
O pior já passou.
Um beijinho

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