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Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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08.04.16

Paciência e tolerância

Olívia

Vou tentar reescrever o meu texto de hoje ... 

 

Hoje quero registar aqui um episódio da minha vida, algo de que me arrependo de ter feito, e que na verdade nem ia dando conta não fosse o desfecho da história...

 

Ora, costumava andar aqui pelas ruas da cidade um senhor, ia entrando nas lojas e dizia (parece que o estou a ouvir):

 

"Tenho aqui estas coisas para mostrar (coisas feitas em madeira, piões, chuchas, caixas...) não sei se quer comprar alguma coisa... sabe que já ninguém faz esta arte como eu, antigamente ainda fazia muitos varões para os cortinados, mas agora já ninguém quer nada disso... se precisar ou souber de alguém que precise de pés para móveis eu também faço. Sabe que estas coisas é bom dar ao conhecimento..." 

 

Eu, tal como toda a gente, escutava a conversa e respondia que não precisava de nada, agradecia e ele saía. ora isto até nem faz muita confusão se fosse de vez em quando, mas era assim várias vezes por semana... todas as semanas...

 

Assim que o via, lá tentava eu despachar a conversa, aquilo aborrecia-me como tudo, era sempre igual... uma chatice ter de parar o que estava a fazer para fazer de conta que ouvia com atenção o que ele dizia...

 

Era sempre assim, a conversa era sempre a mesma, quando ele chegava eu já sabia de cor  a conversa, até ao dia em que ele deixou de aparecer. até comentei com uma vizinha que é artesã e ela também deixou de o ver.

 

O tempo foi passando e há duas semanas, entra na loja uma senhora e atrás dela entra então o tal senhor. Eu cumprimento-os e ela responde, mas ele nem liga... atendo a senhora e quando já está para sair, olho e vejo que ele já está lá fora e pergunto: Aquele senhor é seu marido? Ele costumava passar por aqui, mas agora nem disse nada...

 

A resposta dela, que aqui transcrevo ainda hoje me deixa triste, não pela resposta em si, mas pela atitude que tive em tempos...

 

"Sim, é o meu marido, sabe ele tem alzheimer, nesta altura já nem se lembra do próprio nome, tenho de andar sempre com ele atrás porque preciso de dar as minhas voltas, não o posso deixar sozinho em lado nenhum!"

 

eu, engoli em seco e só consegui dizer-lhe que tivesse coragem para enfrentar tudo o que aí vinha... e cá dentro tive tanta vergonha do que pensava quando o via...

 

Quantas vezes desejei que se despachasse com a conversa?

Quantas vezes desejei que nem sequer entrasse dentro da loja?

Quantas vezes o despachei com uma frase seca?

Será que se eu soubesse que aquilo eram os primeiros indícios dessa doença horrível eu tinha agido de outra forma? Nunca saberei...

 

Com atitudes como esta, que tipo de cristã sou eu?

 

Que Deus me perdoe por não ter tido nem a paciência nem a tolerância para conversar atentamente com este senhor...

 

 

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