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Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Segunda-feira, 11.05.15

Plano de recuperação

Hoje quero falar da luta que é em cada ano lectivo quando os nossos filhos não gostam de ir à escola.

 

Todos os dias eles vão para a escola, escutam os seus professores (ou fingem que escutam), trazem trabalhos de casa para consolidar a matéria dada e para ver se realmente compreenderam o que se passou naquele pedaço de tempo em que o professor esteve a dar o seu melhor.

 

Sei desde há seis anos que os programas escolares não são acessíveis a todos, sei que existem alunos que não conseguem assimilar o mesmo do que os outros, ou para que isso aconteça, precisam de trabalhar mais. 

 

Mas chega-se a um ponto, normalmente para o final do ano, em que o desgaste começa a ser maior, o desanimo abate-se sobre o aluno, o entusiasmo dá lugar à desmotivação... e é a desgraça total.

 

Se a vontade é nula, há pouca coisa que se possa fazer... por mais que em casa a mãe ou o pai tente estratégias para que o filho se esforce se ele não tem mesmo vontade nenhuma, o que fazer? Dias, semanas e meses a lutar e do outro lado zero esforço, o que fazer?

 

Desistir.

 

Sim, a vontade é mesmo desistir.

 

Pensei bastante antes de escrever este texto, mas se me proponho ser verdadeira tenho de escrever também sobre as minhas falhas enquanto mãe e educadora. Não é facil admitir por escrito que tenho dias em que atinjo o limite da paciência, procurando afastar-me dos problemas e tendo como primeiro pensamento desistir.

 

Foi o que me aconteceu num dia da semana passada. Cheguei a um ponto em que disse: "Se tu não queres estudar, faz como quiseres. Eu não quero saber mais da escola."

 

Confiante da minha decisão, de que pelo menos por uns dias ia abanar a inércia que se apoderou da Margarida, continuei na "minha".

 

Mas este sábado uma grande ajuda estava à minha espera à distância de um "clique". Não sei bem como, mas desconfio que esse texto foi escrito para pessoas como eu. Mães que perdem a cabeça, que dizem disparates, mães que querem ser boas mães e que muitas vezes se deixam vencer pelo cansaço e quase caem na tentação de ignorar e seguir o caminho mais fácil.

 

Muitas mães e não só estão nesta hora a condenar o meu comentário, algumas estão a tentar compreender o que é querer lutar e encontrar sempre uma "parede" do outro lado que não responde ao desafio, e poucas mães sabem aquilo que senti e que me fez dizer o que disse.

 

Ontem foi então dia de, mais uma vez, recomeçar.

 

Preparar aquilo a que eu chamei um plano de recuperação. Sei que vou ter de insistir muito, dia-a-dia, semana a semana, sei que as fichas que imprimi, que as folhas de apoio e os horários não vão servir para nada se do outro lado a vontade continua a ser zero.

 

Mas pelo menos tentei.

 

Até ao fim.

 

E que Deus nos ajude.

 

 

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por Olívia às 06:00


9 comentários

De Bruxa Mimi a 11.05.2015 às 07:32

Essa parede do outro lado encontro eu também, em alguns dos meus alunos. Ausência de vontade de se esforçarem... e não só quando o fim do ano se aproxima.  Ou então sou eu.

De Olívia a 11.05.2015 às 09:27

Não me parece que sejas tu...
Eu falo por mim, e sei que a Margarida tem professores que realmente trabalham com os seus alunos, que se dedicam e mesmo com esses... a coisa não evolui. 

De ana santos a 11.05.2015 às 14:20

Pois, eu sou das poucas mães que sabem o que te fez sentir e dizer o que disseste...deve ser bom chegar a maio e pensar se os nossos filhos vão conseguir ter aqueles cincos ou quatros que querem ter, e não pensar novamente se irão conseguir passar... não sei, talvez um dia eu também saiba. 
É desgastante, mesmo desgastante, e por muita motivação que eu tenha,ela não resiste a tantas respostas tortas, e por vezes, como aconteceu este fim de semana,cai-se lá em baixo...Desta vez entreguei mais uma vez tudo a Maria, e senti-me um cisco, incapaz de tudo... mas sei que vai correr com Deus quiser, ou dizendo melhor, do que acontecer Deus vai conseguir tirar o bem para as minhas filhas e para mim... de algum modo tudo tem uma razão.
E penso que depois de ir ao fundo me sinto mais acompanhada, mais apoiada em Quem importa.
Um grande, enorme abraço!

De Olívia a 11.05.2015 às 17:05

Obrigada Ana.
Por vezes é difícil e a verdade é mesmo essa. Por mim só nada posso.
Há que entregar tudo, tudo. Sem reservas. Sem medo. E com esperança!
Um grande beijinho

De BataeBatom a 11.05.2015 às 22:46

Apesar de não ser mãe, acho que é compreensível que a nossa paciência tenha limites e que por vezes precisemos de parar de pensar nas preocupações. Nem que seja por uns dias, como neste caso, para voltar ao "ataque" com mais força! :)
Boa sorte com o plano de recuperação! 


De Olívia a 12.05.2015 às 09:12

Obrigada!

De Vasco a 12.05.2015 às 04:01

Olívia


Mães que a critiquem é porque não fazem nada. 
Já me aconteceu exatamente o mesmo, enquanto professor, na sala de aula. Porquê? Porque me preocupo, porque quero que aprendam, tenham boas notas e passem de ano. Surge sempre um ou outro colega que critica a minha postura. Acredite que é a mim que os alunos ficam ligados. Eles sabem distinguir quem lhes quer bem e/ou quem os ensina de quem se está nas tintas. Por isso, tranquila. Um berro, uma palmada nunca fizeram mal a ninguém. Já a falta de amor dos pais e professores sim.


Se puder, verifique se na escola há uma sala de estudo com professores a acompanhar os alunos. Em caso afirmativo, com a DT, podem combinar algumas horas durante as quais a sua filhota é para lá reencaminhada devendo escrever o que fez numa folha que deve ser assinada por um dos profs. Esta medida também se pode aplicar na biblioteca. 


Força e coragem.
Qualquer coisa, disponha.
Bjs

De Olívia a 12.05.2015 às 09:12

Obrigada pelas palavras de apoio. 
Pela compreensão.
Muito obrigada.

De Vasco a 12.05.2015 às 15:21

Olívia,
nada tens que agradecer.
Estamos no mesmo barco! Quem me dera encontrar 80% dos pais com tamanha preocupação e consciência. Quem me dera, mesmo. Seguem sempre o caminho mais fácil: implicar com os professores que querem ensinar (porque os outros não chateiam) e por os miúdos em explicações mais explicações que não sei como conseguem respirar. Não, nós e os pais temos que falar a mesma linguagem para que haja respeito e consigamos chegar a bom porto. Falhar, todos falhamos. Mas não é por um desabafo de falta de paciência. Seguramente!
Bjs

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