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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Sábado, 04.10.14

Retrato de Família

Gosto muito de ver/ler blogues familiares as suas peripécias, histórias, aventuras e tudo isto detalhadamente acompanhado com imensas fotografias. Já dizia o João Miguel Tavares a propósito da privacidade das famílias:

«Mas deixem-me dizer só mais uma coisa em relação à "vida privada" e ao facto de eu não dever estar a contar isto num blogue. Este blogue nasceu por várias razões, e uma das principais - digamos que está no top 3 das razões decisivas - tem a ver com um combate, chamem-lhe missionário, se quiserem, contra o desaparecimento das crianças - e, por arrasto, da família - do espaço público. Não gosto de viver num mundo de crianças com caras pixelizadas, a não ser por razões óbvias (se foram abusadas, por exemplo). Esse desaparecimento faz parte de uma mesma cultura securitária que, paradoxalmente, empurra os mais pequenos para a sombra na civilização de todos os holofotes.»

Já li este texto há dias e continuo a pensar nele. Noto a cada dia que passa que vivemos com medo, medo de tudo o que ouvimos na rádio, na televisão, coisas que se passaram do outro lado do mundo, coisas que se passaram uma única vez... 

Vivi também eu durante algum tempo com medo, medo de que a progenitora da Gui um dia me aparecesse por aqui para arranjar confusão, digamos que naquele dia em que nos cruzámos no tribunal a coisa ferveu e eu nada fiz, além da gravidez, estava avisada para não responder a provocações, mas o que me apetecia era mesmo dar-lhe uma carga de porrada daquelas mesmo grandes, enormes... se lessem os papeis do tribunal em que estava lá preto no branco o que acontecia naquela família podem crer que não me iriam criticar, e eu sou uma pessoa muito pacífica, a sério que sim.

Passado algum  tempo resolvi pensar de outra forma: eu vivo como eu quero e não tenho de estar cá com medos. Erro crasso, erro grande, enorme, gigante...

Em Maio deste ano recebi uma ameaça através de uma mensagem no facebook, aquela mulher desgraçada achou a minha página do facebook, como não sei, mas achou... deve ter ficado chocada com as duas ou três fotos que lá tinha das minhas filhas com sorrisos de orelha a orelha! Eu, por cá fiquei completamente desorientada, andei durante a hora de almoço à volta aqui dos quateirões para desanuviar e resolvi parar na GNR, expliquei o caso e garantiram-me que teria sempre apoio caso a dita senhora aqui aparecesse, mas o meu medo não era por mim pois sou mais alta e mais gorda do que ela, posso bem dar-lhe um par de estalos, o meu medo era pela Gui, pelo regresso das memórias antigas, dos receios e do estado "alerta" em que vivia nos últimos dias antes de vir para nossa casa.

Andei a investigar através do facebook e descobri onde a mulher estava a morar, ou seja usei a mesma arma dela para me situar, está bastante longe e ainda bem. Contámos à Gui e explicámos que ela nunca deixaria de ser nossa filha e que não devia ter medo, fui à escola e contei à directora, e nunca respondi à mensagem, nem responderei, apenas lhe dou o desprezo que merece. Ainda vivi aormentada durante uns tempos, depois foi passando a pouco e pouco, entretanto inspirada pela Teresa comecei este blogue para contar a minha história e partilhar as nossas aventuras familiares, deixei o facebook (o que me custou, mas também não morri por causa disso) e assim continuo a minha vida. Se me apetece colocar aqui fotos nossas? Muito, até porque as minha filhas são as mais lindas do mundo (ok, a seguir vêm os vossos) Mas por enquanto vamos continuar assim, mas um dia ganharei coragem e quando aqui chegarem terão um verdadeiro retrato de família, por enquanto fica este!

 

 

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por Olívia às 06:05


10 comentários

De Bruxa Mimi a 04.10.2014 às 08:06

Já é um bom princípio! Eu ainda não estou nessa fase (quer dizer, eu era para mostrar algumas fotos desde o início, mas o Rogério preferia que não mostrasse, e eu respeitei o seu desejo)...

De Olívia a 04.10.2014 às 09:24

Sim de facto é uma questão familiar, claro que nós que somos leitoras gostamos muito de ver as famílias, eu penso o mesmo... mas cabe a cada família decidir até que ponto se quer mostrar... pode ser que um dia o seu marido não se importe e apareça uma foto familiar vosso no blogue!

De marrocoseodestino a 04.10.2014 às 09:04

Aos poucos vamos deixando os medos.
No meu caso vivi anos com medo de impor as minha ideias, medos de desiludir os meus pais, medos de nunca ser feliz, medo de não ter coragem para dizer que queria o divorcio e outros tantos medos. Depois veio a fase em que decidi que a vida era minha e era em mim que ia pensar, mas o medo que fazer algo que o "senhor" não gostasse ainda lá estava. Tive (ainda existe) um blog que falava por vezes do meu casamento infeliz , mas não colocava fotos com medo do dito "senhor" depois decido criar um apenas para fazer sobre essa fase tão difícil da minha vida, que tu já conheces. Lá está não tive coragem de colocar fotos, mas agora neste achei que não tinha de ter medo, afinal é a minha vida e eu não quero continuar a ter medo
Beijinho

De Olívia a 04.10.2014 às 09:25

E eu gostei muito de as ver!!!
Felicidades!

De Mamã a 05.10.2014 às 20:03

Eu coloquei uma foto minha e do Salvador no blogue dele.
Já no Facebook, costumo actualizar a nossa foto apenas uma vez por ano e tem a ver com o facto de ter família longe.
Claro que lhes podia enviar directamente a foto por email, mas quem define como levo a minha visa sou eu e não o medo.

Adorei a vossa foto!!!

De mãe de coração a 06.10.2014 às 10:35

Olá Olívia, como a entendo! Também vivo com a luta de não me deixar levar pelos medos mas de preparar o meu filho para o mundo que, aparentemente, está cada vez mais louco (digo aparentemente está mais, porque tenho para mim que sempre foi!).Eu ainda vivo a angustia de não ver chegar a carta do Tribunal a finalizar o nosso processo de adopção, com a filiação correta! Disseram 15 dias e já lá vão 3 semanas e mesmo sabendo que estas burocracias demoram, o medo de que algo corra mal está sempre presente no meu pensamento.
Quanto a partilhar as fotos da família também vivo dividida entre o anseio de partilhá-lo com os amigos e o receio de que essa imagem nos traga problemas. Contudo acho a sua atitude correta em relação à mãe da Gui, tem a razão e lei do seu lado e o desprezo é o melhor remédio para quem o merece.
Aqui no blog podemos ter o anonimato que desejamos com o apoio que pretendemos e a Olívia tem sido um apoio importante para mim! Por tudo isso Obrigada!

De Olívia a 07.10.2014 às 19:57

Cá estarei sempre que precisar o meu e mail está à sua disposição!
Muitas vezes basta alguém que nos entenda sem nos julgar!
bj grande

De glau a 07.10.2014 às 03:24

Achei interessantíssima sua história com suas filhas!
Primeiro - amo seu país...minhas sobrinhas são portuguesas e aprendi a amar Portugal como minha segunda pátria.
Segundo...sou de um grupo no Brasil de apoio à adoção e estou na fila para adoção no Brasil há 2 anos...
Lendo seu post, fiquei aqui a pensar sobre as diferenças das leis entre Brasil e Portugal sobre a adoção de crianças.
Aqui no Brasil, sabemos das histórias das crianças e de seus genitores através de seus processos jurídicos, mas as crianças quando chegam para adoção - os genitores já perderam o pátrio poder e todos os direitos legais sobre as crianças e nunca os encontramos.
E nem eles, como genitores podem saber de quem adotou seus filhos, ou dos processos de adoção - perdem para sempre quaisquer direitos sobre os filhos e sobre o paradeiro destes...só as crianças quando se tornam maiores de 18 podem ter acesso ao processo de sua adoção e se quiserem, procuram seus pais.
Assim evita-se esse constrangimento para os pais que adotam...e o stress para os filhos.
Espero de todo coração que vcs tenham uma vida linda, cheia de prosperidade e amor...
Paz alem do entendimento a vcs!

De Olívia a 07.10.2014 às 09:27

Olá Glau bem-vida!
Aqui em Portugal também é suposto nunca encontrarmos a família biológica, mas o nosso caso foi um pouco diferente já que a menina não podia ser adoptada, mas nós insistimos e fomos a tribunal provar que a nossa família a amava e que tínhamos condições para ficar com ela, desde o momento em que a criança fica "apta" para adopção também perde o contacto com a família biológica, mas Portugal é pequeno e com esta história das redes sociais é fácil encontrar as pessoas...

De Olívia a 07.10.2014 às 09:29

Desejamos que encontre finalmente o seu filho/a que está certamente à vossa espera é só uma questão de tempo para chegar a vossa vez!
Rezaremos por si! Beijinho grande!

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