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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Terça-feira, 04.07.17

Sair da zona de conforto

Frases como "eu não gosto nada do padre", "elas só vão à missa para cuscar as roupas umas das outras", "eu cá tenho a minha fé, ir à missa é para as beatas" e por aí fora, são comuns na vida de quem - apesar de tudo - vai à missa aos domingos. A mim pouco me importa o que os outros digam ou o que eles pensem, vivemos num país livre, tão livre que hoje posso sair de casa e ir a uma qualquer igreja, tão livre que posso andar com um crucifixo ao peito, ou ter uma bíblia debaixo do balcão de vidro da loja onde trabalho. 

 

Nas grandes cidades, as igrejas estão abertas grande parte dos dias, existem pessoas que asseguram a abertura e o fecho das portas, existem celebrações a várias horas e em alguns locais, até existem celebrações em várias línguas. Algumas apenas são visitadas porque são o testemunho visível de uma época histórica, as pessoas entram, fazem poses, tiram selfies, apontam e saem, sem sequer perceber onde estavam.

 

Nas pequenas aldeias as coisas são diferentes, na nossa por exemplo temos missa uma vez por semana, ao domingo à tarde (por escolha da maioria e por tradição, eu bem que gostava que fosse de manhã), existe um grupo de que reza o rosário uma vez por dia - nos dias em que não há missa - sempre à mesma hora, de resto a igreja está fechada. Quem vem da cidade nem lhe chama igreja, chama-lhe capela, eu continuo a chamar igreja, pois o meu Jesus está tão presente aqui como na Sé Catedral.

 

Esta igreja é muito antiga, a porta principal não está voltada para a estrada, mas para o lado onde nasce o sol, as imagens vieram de antigos conventos e a imagem de Cristo crucificado foi avaliada em tempos como "de valor incalculável". Em 2001 a nossa igreja foi assaltada e de lá roubaram muita coisa... imagens, toalhas, utensílios... foi um dia triste para toda a população, até agora nada apareceu. Mas, a vida continuou, domingo após domingo, celebração após celebração continuamos a fazer deste edifício a nossa casa. 

 

Raramente existem outras crianças na missa que não as nossas filhas, as pessoas vão envelhecendo, algumas vão adoecendo e, claro, algumas vão morrendo. Muitas vezes dou comigo a pensar até quando a nossa igreja será a casa de Deus, até quando poderá ter ali celebrações, qual será o dia em que não teremos a nossa missa... é por isto que, a partir do ano que passou, deixei de ir à missa (das oito da manhã) na aldeia vizinha, quando lá íamos a nossa igreja ficava mais vazia... e nós fazemos falta nas nossas igrejas, tanto como fazemos falta na casa dos nossos pais, não moramos lá, mas gostamos de lá ir com frequência para ouvir o que têm para nos dizer, para comermos uma refeição juntos, para sermos família!

 

A partir da próxima semana, a nossa missa será no salão paroquial, e porquê? Porque a nossa pequena igreja está a ser restaurada! Vão tirar-lhe o velho telhado, o forro antigo e em breve teremos uma igreja renovada (tanto quanto possível) e a imagem de Cristo será restaurada por profissionais.

 

Assim, teremos de sair da nossa zona de conforto, a casa será outra, os bancos diferentes, as flores estarão noutros sítios, as imagens também, mas o Deus - o nosso Deus - esse: foi, é e será sempre o mesmo!

 

 

 

 

 

 

 

 

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por Olívia às 06:59


2 comentários

De Bruxa Mimi a 04.07.2017 às 12:13

Gostei muito deste teu texto, Olívia! 
Por aqui (na "minha" paróquia), vai dar-se início à construção de uma nova igreja paroquial. As obras ainda não têm data marcada, mas a decisão está tomada, há o espaço, e é mesmo para avançar! A desvantagem (do ponto de vista prático): não será tão perto de nossa casa como a atual igreja, mas, ainda assim, será bastante perto: uns dez minutos a pé!

De Paulo a 05.07.2017 às 12:04

À cerca de 3 anos a igreja matriz da minha paróquia também entrou em obras. Teve que encerrar ao culto durante 1 ano. No início algumas pessoas não souberam aceitar esta mudança. Mas como é possível reclamar a realização de obras e depois reclamar pela concretização das mesmas? Quando as pessoas estão habituadas a algo (inclusivamente a determinado banco na igreja!) não é fácil aceitarem a mudança. As celebrações passaram a realizar-se no centro paroquial que, naturalmente não era a mesma coisa que a igreja. Mas sempre referi que a interrupção era por um bom motivo: melhorar a nossa igreja. Mas mesmo assim houve alguns resistentes que não frequetaram o centro paroquial argumentando com a existência de escadas para subir. Na paróquia existiam outras alternativas, mas o orgulho entre os responsaveis encontrou uma barreira. Em vez pensarem em comunidade pensam no umbigo. Mas isso é outra história.
Passado o tempo das obras (ainda faltam alguns acabamentos) a igreja abriu, muito bonita. Digan lá se não valeu a pena o tempo que esteve en obras? Já ninguém se lembra 😊


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