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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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Ser luz no meio das trevas

Aqui presto  a minha homenagem a duas pessoas que, podendo continuar com as suas vidas, escolheram ficar e ajudar.

 

O texto foi copiado integralmente daqui.

 

Assim que se sentam numa mesa do restaurante Everest Montanha 2, em Lisboa, pedem um "chá picante". Têm saudades do Nepal. Mas não por muito tempo: antes do fim do mês, estão de regresso a Kathmandu. O trabalho de Pedro Queirós, 35 anos, e Lourenço Macedo Santos, 33, está ainda a começar.

 

Lourenço: Só viemos cá porque queremos chamar mais atenção para a causa.

 

Pedro: Ainda temos muito para fazer lá.

 

Os dois amigos chegaram ao Nepal na noite de 24 de abril, após uma longa viagem de mochila às costas por vários países asiáticos. A aventura, julgavam, estava perto do fim. Quinze horas depois de aterrarem, o chão tremeu, matando quase nove mil pessoas.

 

Pedro: Nos primeiros dias, tudo parou. O abastecimento de água, comida, eletricidade, recolha de lixo. Os estrangeiros tentavam abandonar o país. Mas os nossos passaportes tinham ficado numa agência de viagens local. Quando os recuperámos, três dias depois, já tínhamos andado pela cidade e visto o caos: gente a dormir nas ruas, filas de 500 metros para a água e para a comida...

 

Lourenço: Aí tomámos a decisão: aplicar todo o dinheiro, 1 700 dólares [1 500 euros] cada um, a apoiar as pessoas.

 

Pedro: A nossa primeira compra, nessa manhã, foi 50 quilos de arroz e 400 bananas. Voou tudo em cinco minutos. No mesmo dia, tivemos de voltar ao supermercado mais duas vezes, comprar mais 200 quilos e depois 400 quilos de arroz. Enchíamos táxis e organizávamos filas para distribuir.

 

Entretanto, Pedro, com viagem marcada para 1 de maio, publicou o seu NIB no Facebook para quem o quisesse ajudar a ajudar.

 

Pedro: As pessoas perguntavam: ficam aí até quando? Ainda vale a pena ajudar?

 

Lourenço: Mas nós tínhamos visto gente morta na rua! Pessoas a pedir-nos massa, arroz, leite para bebés. Como é que podíamos ir para a praia beber cerveja?

 

Não podiam e não foram. Com os fundos a crescerem e os amigos do Facebook a multiplicarem-se, Pedro e Lourenço redobraram os esforços. Levantavam-se às sete da manhã e nunca se deitavam antes das três, quatro da madrugada. Com a ajuda de uma associação local, a BPW, "profissionalizaram-se". Aprenderam a regatear nas lojas.

 

Pedro: Caíamos em cima deles. Colchões a 100 rupias? Não. Faz isso a 50. É o teu povo.

 

Desenrascaram uma carrinha de caixa aberta, diversificaram os alimentos de acordo com os costumes nepaleses e passaram a comprar também bens não alimentares, como pensos higiénicos. Tudo com dinheiro português.

 

Lourenço: Um dia, o Pedro, que anda sempre com os lápis de cor atrás, pegou num cartão, pintou a bandeira nacional e escreveu "Obrigado Portugal". Era uma maneira de agradecer às pessoas que tinham contribuído.

 

A imprensa internacional descobriu-os. A história passou no Japão, na Austrália, nos EUA. Foram capa da VISÃO. Voluntários do Brasil, do México, de Espanha e de Malta juntaram-se-lhes, entusiasmados com o exemplo. Logo perceberam que estava na altura de passar à fase seguinte.

 

Pedro: Começámos a pensar na reconstrução do país, tendo em conta as monções que aí vinham.

 

Lourenço: Fora de Kathmandu, vimos vilas completamente devastadas. Ficámos ainda mais tocados.

 

A "Missão Obrigado, Portugal" passou a concentrar-se em duas novas vertentes: um campo de refugiados (Campo Esperança) para 350 pessoas de uma vila próxima, que procuraram refúgio na capital, e a construção de casas temporárias, para enfrentar as violentas chuvas das monções.

 

Lourenço: Caíram muitas casas, mas cada tenda que montamos é uma vitória.

 

Pedro: Temos aproveitado as competências de quem chega. Voluntários que vêm só por uma semana são encaminhados para o Campo Esperança, onde podem brincar com as crianças, dar aulas, comprar comida. Uma arquiteta chegou precisamente quando estávamos a pensar avançar com as casas temporárias.

 

Lourenço: Estamos agora a construir duas ao mesmo tempo, com assinatura portuguesa. Quando voltarmos, já estarão prontas.

 

Pedro: E vamos ter mais.

 

Lourenço: Sim, isto é um projeto-piloto. A Saudade 1 e a Saudade 2. Mais tarde, vamos analisar e replicar.

 

Com a sobrevivência garantida, era tempo de se concentrarem na dignidade dos nepaleses.

 

Pedro: Instalámos uma televisão no Campo Esperança, organizámos um show de talentos para as crianças...

 

Lourenço: De repente, estava o campo todo a cantar, a dançar e a recitar poemas. Foi uma tarde mágica. Isto é fundamental para as pessoas esquecerem um bocadinho a desgraça e terem dignidade. Terem vida.

 

A missão humanitária dos dois portugueses corria tão bem que algumas organizações não governamentais, com dinheiro e meios mas emperradas pela burocracia, já se juntavam a eles.

 

Lourenço: Nós temos dois milhões de dólares que vieram de Itália e podemos dar o transporte, mas não temos comida.

 

Pedro: Eles tinham paletes de comida no aeroporto, mas não conseguiam tirá-la de lá.

 

Lourenço: Nós levantávamos o dinheiro e comprávamos comida. Em menos de 24 horas, arranjámos oito toneladas de lentilhas, arroz, sal, que depois foram transportados de helicóptero.

 

O trabalho continua longe de estar terminado. Pedro e Lourenço preparam-se para fazer as malas e regressar ao Nepal, onde devem ficar, pelo menos, até ao Natal. Os seis meses sabáticos que haviam tirado para a viagem pela Ásia esticaram, deixando-lhes as carreiras em suspenso. O plano de iniciarem as suas próprias empresas, cuidadosamente delineado, foi adiado.

 

Pedro: Se começar o meu negócio aos 34 ou 35... São cinco minutos da minha vida.

 

Lourenço: Sim, seis meses não é nada. E isto está a dar-nos uma enorme bagagem em organização, liderança, gestão, marketing...

 

Pedro: Este é o nosso maior projeto.

 

Quase duas mil e quinhentas pessoas já contribuíram para a causa. Mas a responsabilidade não os assusta: nem têm tempo para pensar nisso.

 

Lourenço: Ainda não parámos. Mesmo em Portugal. Estava a ler o Shantaram antes disto e não lhe consegui voltar a pegar.

 

Pedro: Eu gosto de pintar e escrever, e também nunca mais.

 

Com os 27 mil euros angariados pelos dois amigos (que guardam cada fatura do que gastam, e pagam as suas refeições do próprio bolso), já foram ajudados 50 mil nepaleses. Mas muito, muito mais há a fazer.

 

Pedro: Peço às pessoas: organizem jantares de angariação de fundos. Criem movimentos.

 

Lourenço: O dinheiro lá rende. Com o preço de um metro quadrado em Lisboa construímos uma casa para uma família no Nepal.

 

O apelo tem resultado - Pedro e Lourenço até já receberam poupanças de crianças que partiram os mealheiros para ajudar o Nepal.



Ler mais: http://visao.sapo.pt/nepal-herois-acidentais=f822994#ixzz3dtOLInZ0

 

 

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(mais informações aqui

 

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