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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Mudar cá dentro #2

Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes"

Lc 16, 10

 

Eu queria ser fiel nas coisas grandes e ir deixando andar as coisas pequenas. Aquelas coisitas aborrecidas, monótonas, desinteressantes... essas eram para depois. É daqueles defeitos que uma pessoa tem e que com o tempo acaba por adotar como qualidade. Quebrar esta pequena barreira escolhendo sempre as coisas grandes é andar sempre a adiar e a ignorar mais de setenta e cinco por cento da vida.

 

A vida não é apenas aquele almoço de festa, aquela reunião importante, o passeio em família, as férias... a vida é aquele papel que é preciso pedir na secretaria da escola, o mail que se tem de enviar a reclamar de um serviço, o chão sempre sujo da cozinha, o interminável monte de roupa para passar, aqueles bifes escondidos no fundo do congelador há dois meses, a caixa vazia de benuron, o pão que se compra todos os dias, os momentos em que toda a família se junta à mesa... o silêncio quando a noite já vai avançada, o sol a entrar as frestas das janelas pela manhã...

 

Muitas vezes me senti sobrecarregada quando me via literalmente engolida por dezenas de pequenas coisas para fazer, lamentando-me por mais isto e mais aquilo... escolhendo ignorar quando deveria encarar, mas tenho feito um grande esforço por mudar, por me poder dar - em primeiro a Deus, depois à minha família, aos outros... é daqueles investimentos em que não vemos os frutos no imediato, mas que temos esperança de ver florescer um dia!

 

Quem encontrar a sua vida há de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la." 

Mt. 10, 39

 

Eu acredito - de verdade- que cada vez que dou o meu tempo, a minha dedicação, a minha vida aos outros, um dia terei a vida eterna, mesmo que este dar a vida sejam apenas aqueles quinze minutos de oração em família, ou aqueles dez minutos em que apanho os brinquedos do chão, ou aquela meia hora em que preparo uma refeição... 

 

 

Resiliência

 

re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)

substantivo feminino

1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades


"resiliência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/resili%C3%AAncia [consultado em 12-06-2017].
 
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Num destes dias, quando fiz uma espécie de resumo da vida da nossa família por motivos clínicos foi-me dito - depois de uma pausa - que a nossa família tinha atingido um grau de resiliência fabuloso.
 
Este pequeno exercício em que, durante quinze/vinte minutos passei em revista os acontecimentos que de alguma forma foram mais relevantes para sermos as pessoas que hoje somos, foi uma excelente forma de perceber que o tempo, a vida e cada uma das situações por que passámos nos moldou e nos fez crescer enquanto família. Mas, a capacidade de resiliência, essa... só a conseguimos adquirir tendo uma maneira diferente de ver as coisas: ou seja, através da fé que professamos em cada momento do nosso dia.
 
Nunca imaginei que isto que hoje vivo fosse a minha vida de adulta. Cresci, sim. Mas, sinto que a minha vida passou num "crivo" e muitas das coisas que um dia considerei essenciais eram realmente desnecessárias, enquanto que outras que nunca sequer me atreveria a imaginar são agora uma realidade. 
 
Se a vida é um conjunto de escolhas, se eu nem sempre escolho o melhor, porque é que olhando para trás vejo que tudo o que hoje tenho (e o que não tenho) foram a melhor coisa que me poderia ter acontecido?
 
 

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Fazer coisas pequenas com grande amor

 

Não sei se já alguma vez fizeram esta pequena experiência: hoje vou fazer (enumerar a tarefa pequenina que menos gostam de fazer) com um sorriso e acima de tudo com, e por, amor. 

 

É difícil. Muito difícil.

 

 

Eu poderia dedicar-me a uma tarefa que gosto, cantando, sorrindo, pondo nela todo o meu amor, a minha dedicação e seria feliz assim. Agora, ter de fazer uma coisa que não gosto, por exemplo passar a ferro, dobrando e passando as montanhas várias peças de roupa cheia de alegria, custa imenso!

 

Ando a praticar. Aliás andei a praticar toda a quaresma para ter uma atitude diferente perante as "coisitas" que fazem parte das minhas tarefas de todos os dias. Acho que vou precisar de mais tempo, porque finalmente começo a perceber que, apesar de não ter sido chamada a uma grande missão na minha vida, ela não é menor do que a das outras pessoas. 

 

Viver uma vida simples, abdicando de algumas coisas, vendo desaparecer pequenos sonhos, aprendendo a aceitar o presente, rindo de tempos antigos, guardando recordações, criando novas memórias, concretizando pequenos projetos, acolhendo com amor cada pequena coisa é um bom projeto de vida.

 

Olhar e "listar" tudo aquilo que não conseguimos ter, fazer ou ser é bem mais fácil. Aprender a dar sentido a tudo aquilo que temos, fazemos e somos é uma tarefa muito mais árdua, mas parece-me que o resultado tende a ser muito melhor!

 

 

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Desafio limpeza em 30 dias #2

Estamos praticamente no final do prazo para terminar as grandes limpezas. E o que era esperado não aconteceu. Mais uma vez fui demasiado exigente comigo mesma. Tentei copiar esta ideia de traçar uma meta e cumpri-la esquecendo-me do fator "imprevisto", esquecendo-me de que trabalho fora de casa, de que tenho obrigações profissionais cujos prazos são bem mais importantes e acima de tudo esquecendo-me de que tenho família.

 

Durante a semana o tempo não sobra, ao fim de semana preciso de fazer as tarefas básicas de quem não tem empregada doméstica e preciso de ser mãe e esposa. Já adiantei bastante na parte da zona de brincar e dos livros. Estão agora bem mais organizados por idades e tipos, os brinquedos também foram arrumados deforma a estarem acessíveis... mas estamos naquela fase em que a Lúcia pura e simplesmente pega em tudo e espalha pelo chão, gosta de brincar, entretém-se, mas não sabe arrumar - sim, eu sei, 16 meses é pouco - e ver sempre tantos brinquedos pelo chão é daquelas coisas que eu já não me lembrava!

 

A parte do "escritório" também está muito melhor, falta ainda escolher e arquivar muita coisa, mas já tenho espaço para trabalhar. Além de que resolvi aproveitar a mesa pequena da cozinha que já não usamos como mesa de trabalho para fazermos trabalhos manuais sem estarmos sempre com pressa em arrumar tudo na hora das refeições como acontecia quando usávamos a mesa onde comemos.

 

Nos quartos só falta mesmo ver os roupeiros. Vou aproveitar quando estiver o tempo melhor e precisar de escolher umas roupas mais "primaveris" para retirar tudo e só arrumar o que nos fizer mesmo falta. As roupas da Lúcia que já não servem estou a dá-las todas a uma prima que vai ter uma menina, sacos e sacos já foram despachados! No meu quarto coloquei um móvel com os meus livros, reorganizei as gavetas da cómoda e das mesinhas de cabeceira. 

 

Tenho ainda os posters para colocar nas paredes e a montagem que vou fazer com as fotografias que tirei das molduras que andavam espalhadas pela casa, assim, aproveitando os meus quadros vou fazer várias montagens por temas: família, festas, acontecimentos marcantes, passeios e expor nas paredes. Muito mais fácil de limpar!

 

A cozinha foi alvo de uma grande escolha no ano passado, por isso apenas a despensa está uma tragédia... mas lá chegarei. 

 

Não vou cumprir os 30 dias, está visto. Mas, mais importante do que as arrumações e as limpezas, escolhi aproveitar melhor o tempo em família, logo escreverei sobre isso!

 

Há sempre uma grande lição de humildade a retirar do nosso fracasso. Reconhecer a nossa humanidade. As nossas limitações. Tentar. Cair. Levantar. Voltar a tentar.

 

Viver também é isto.

É saber que sou livre:

Para escolher...

Para avançar e para parar...

Para sorrir e para chorar...

Para cantar ou para calar...

Para ter ou para ser...

Para ir ou para ficar...

Para sobreviver ou para viver...

 

 

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sexta feira

Chove a potes lá fora, diz que vai ser assim todo o fim de semana. A primeira coisa que me salta ao pensamento é que os cestos da roupa suja estão cheios... e vai ser uma tremenda chatice enxuga-la... depois a casa vai andar cheia de pegadas e o alpendre todo cheio de salpicos de lama... viver no campo tem destas coisas. Não vou poder abrir as janelas para arejar, nem colocar as colchas ao sol para apanharem ar, vou começar a colocar em sacos aquelas roupas que não vestimos porque não nos servem... deitar fora, dar, guardar...

 

 

Mas, terei a lareira acesa aconchegando toda a casa, podemos ligar o forno de lenha para fazer qualquer assado no domingo, quem sabe até podemos fazer bolachas caseiras para levar nos lanches da próxima semana, vamos testar um novo bolo, com farinha integral e açúcar mascavado a ver como o pessoal reage. 

 

 

Pretendo avançar um bom bocado na reorganização do móvel da entrada, do hall e da "biblioteca", nada como um dia de chuva para atirar com coisas para o lixo. Ainda tenho de ver onde vou entregar algumas coisas que ainda estão em condições. Combater esta permanente necessidade de estar rodeada de coisas é uma tarefa contínua, tenho feito um grande esforço para não me deixar ir na vontade de guardar tudo... deitar fora, dar, guardar...

 

 

Apesar de não ser propriamente um propósito quaresmal, esta dura tarefa de tornar mínimos os nossos pertences encaixa na perfeição em pessoas como eu. Talvez seja um bom hábito a manter. Duas vezes por ano, dar volta a tudo e retirar de casa o que não se precisa.

 

 

Tenho muitos livros de culinária, daquelas coleções que se faziam com as revistas, estão em casa desde sempre e nunca fiz uma única receita de lá. Vou dá-los. Livros da escola das miúdas... vou dá-los, ou mandá-los para o ecoponto que estão muito estragados... deitar fora, dar, guardar...

 

 

E os brinquedos? Tantos. Uns na sala, outros no quarto, mais ainda na cozinha... deitar fora, dar, guardar...

 

 

E papeis... oh os papeis...

 

deitar fora, dar, guardar...