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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!


Terça-feira, 18.04.17

Uma boa notícia

Hoje queria partilhar aqui uma coisa boa, assim como sinal do agradecimento a todos os que se preocuparam - e preocupam - com a nossa pequena (hoje já não tão pequena) Lúcia.

 

Ontem fomos novamente ao hospital para mais uma consulta de seguimento e avaliação do desenvolvimento da Lúcia.

 

Quem convive de perto com crianças pequenas consegue ter uma noção de que coisas uma criança é capaz de fazer com um ano, por exemplo, por isso, para nós a Lúcia tem sido sempre uma menina normal, mesmo sabendo que as estatísticas não são animadoras em casos como o da Lúcia, pudemos ver que ela é muito espevitada e expressiva, tal como os outros meninos com quase um ano e meio!

 

Mais uma vez, o médico ficou bastante surpreendido com as coisas que ela já sabe, já faz e já diz. Ele e a sua colega observaram, perguntaram... mexe-se bem, usa ambas as mãos, come com a colher, come tudo, dorme bem, repete quase todas as palavras, sabe folhear livros e gosta de histórias... já subiu a escada e parece ser do tipo aventureira sem medo de nada... gosta de cantigas e de brincar com água e terra, descobriu o caixote do lixo e adora deitar tudo lá para dentro, não só anda muito bem, como corre e cai muitas vezes!

 

É um doce!

 

No final de toda a conversa, os médicos deram-nos uma grande alegria quando afirmaram que a Lúcia está muito bem e não precisa de lá voltar!

 

É tempo de darmos graças, de respirarmos fundo!

 

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Terça-feira, 22.11.16

Amizades improváveis

Existem pessoas por quem sinto uma afinidade muito grande. Algumas são amigas de longa data, cuja amizade o tempo foi alimentando com histórias e conversas, outras travaram comigo longas batalhas nos tempos de estudante, outras conheço há tão pouco tempo - ninguém diria - mas são presença constante na minha vida nos últimos tempos.

 

Existe ainda uma pessoa cuja amizade aconteceu numa das épocas mais difíceis das nossas vidas. Talvez tenha sido por isso que nos sentimos tão próximas, talvez tenha sido isso que fez com que uma amizade tão improvável tenha nascido e crescido em apenas dois dias e algumas horas. Desde então vamos trocando mensagens, vamos conversando, tudo à distância. Uma aqui e outra na zona de Lisboa. Durante este ano encontrámo-nos duas vezes, numa delas aqui outra lá.

 

E então, como é que duas pessoas que moram a oitenta quilómetros uma da outra se tornam amigas em 50 horas? Pois bem, ambas estavam grávidas e ambas decidem ter os seus bebés no mesmo hospital. Enquanto que eu apareci no hospital sem aviso prévio, apenas porque estava na hora, a Susana foi com data marcada, para que o seu bebé nascesse em segurança através de uma cesariana. E este bebé é um menino muito especial, um verdadeiro lutador, falei dele algures por aqui, e sei que a mãe gostava de poder um dia contar com todos os detalhes a sua grande luta.

 

E foi assim, que na noite do dia cinco de novembro do ano passado cheguei ao quarto da maternidade e conheci a Susana, também ela internada sem o seu pequeno bebé. Aos poucos fomos trocando algumas palavras carregadas de dor e de angústia, aos poucos fiquei a saber que, quando fez a sua primeira ecografia os médicos lhe disseram que o bebé tinha uma malformação grave que se chama onfalocelo, ou seja os órgãos estavam fora da cavidade abdominal, foi preciso realizar vários exames para despiste de outras doenças, foi-lhe dito que nestes casos é preferível optar pela interrupção da gravidez. Parece-me que no fundo ela não queria mesmo aceitar o fim, queria ter o seu menino... e lutou, informou-se, fez tudo o que pôde, seguiu com a gravidez, com o apoio de médicos especializados. E a cesariana aconteceu no dia quatro de novembro.

 

Naqueles dias ambas estávamos uma lástima, hoje sorrimos só de nos lembrarmos dos ais, das dores, das barrigas enormes, da primeira vez que viemos ao saco do enxoval buscar a chucha ou um gorro... dos lençóis amarelos às riscas das fotos "olha os teus lençóis eram iguais aos meus!!!"

 

No dia onze eu fui para casa com a Lúcia, mas o bebé V. ficou, acabara de fazer a primeira cirurgia e ainda tinha muito para recuperar... alguns dias mais tarde já tomava banho e podia estar ao colo dos pais... mais dias se passaram e teve alta. 

 

Hoje é um menino normalíssimo, traquina e maroto como convém ser aos doze meses!

 

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Se um milagre é bom, dois milagres juntos é o céu! De uma luta tão grande, de lágrimas e dúvidas, de momentos angustiantes nasceu uma amizade improvável entre duas mães, estes encontros são a prova viva de que a vida é muito mais do que uma lista ou uma tabela!!!!

 

*

 

Um agradecimento especial a todos os médicos e profissionais de saúde que dedicam a sua vida aos outros e sem os quais estes milagres não seriam possíveis!

 

 

 

 

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Segunda-feira, 05.09.16

10

Como é que o tempo passou tão depressa? Há 10 meses atrás estávamos prestes a viver o dia mais atribulado da nossa vida... desse dia não há fotos. Hoje partilho uma fotografia tirada no dia 7!

 

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 (finalmente consigo ver estas fotos sem chorar e sem sentir o coração prestes a ficar novamente destroçado. Uma vitória para mim!)

 

 

 

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Sábado, 16.04.16

Aguardo novidades...

... primeiro as coisas alegres e depois as tristes:

 

Lembram-se da prometida história da S. e do seu bebé?

 

Ando há que tempos para a contar, não o queria fazer sem a autorização da mãe embora o que aqui escrevesse fosse de forma anónima.

 

Entretanto ontem contei-lhe deste blogue, acho que já aqui veio espreitar e sabem que mais? Talvez, só talvez ela escreva a sua maravilhosa história... sabem como é que eu sou... lancei o desafio e espero que ela aceite e que em breve nasça um novo blogue aqui neste "bairro"!

 

 ...

 

Ao que parece ontem precipitei-me... deu-me a sensação de que o email que recebi da mentora do jesusmail era claro e que eu estaria incluída nas pessoas que iriam enviar o correio... afinal ela ficou espantada com o meu entusiasmo pela sua ideia... e agora não sei. Sinceramente foi um balde de água fria... demorei tanto para dar este passo e agora terei de recuar humildemente, jamais quero ser acusada de copiar uma ideia ou de me servir das ideias dos outros para meu benefício (como se isto fosse para mim), eu não sou assim... a todos os que se inscreveram aguardem, seja de que forma for, aparecerá alguma coisa na caixa de correio!

 

 Sim, estou desanimada... mas não vou ficar assim muito mais tempo, afinal há um fim de semana grande em breve ... e muita coisa boa para ser feita!

 

 

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por Olívia às 06:50

Quarta-feira, 16.03.16

O meu lado da questão

Se há blogue que sigo com todo o carinho é o blogue da "Mãe de Coração" e se há pessoa que eu gostava de conhecer é esta mãe! E claro a sua família, consta que aumentará muito em breve (eu rezo muito por isso)!!!

 

Esta mãe, como todas nós que somos mães, de  vez em quando faz umas partilhas muito, muito pertinentes! Eu ando para lhe responder a este texto desde o dia em que ela o publicou, vou mentalmente escrevendo e num  bocadinho venho aqui tentar colocar em palavras as minhas ideias...

 

Lígia,

Bem sei que até pensas que provavelmente falhaste quando te deste conta destas coisas que falas no teu texto, mas quero que saibas que a meu ver fizeste o que sabias e o que podias na altura. Tal como eu, na primeira vez que fui mãe passei pelo mesmo, e vivi até uma situação realmente idêntica com a Margarida, e outras ainda "piores" com a Maria em bebé.

 

Soubesse eu alguma coisa de ser mãe e nada disso tinha acontecido! Pudesse eu aprender tudo sobre a maternidade nos livros e na internet e a coisa tinha corrido muito melhor. Mas não. A verdade é que ser mãe aprende-se todos os dias e parece-me que quando pensamos que já sabemos tudo... acontece logo alguma coisa para nos derrubar as certezas!

 

Claro que depois de passarmos o nível 1 - o primeiro filho - estamos já muito mais preparadas para o que vai acontecendo...

 

Queres saber uma coisa? Eu conto na mesma!

 

Quandoa  Maria era bebé, chorava de dia e de noite, era um horror... eu queria que ela dormisse, ela só gritava... eu andava com ela ao colo até ela cair de cansada (uma hora depois) quando pensava que ia ter de a adormecer chorava de medo, e depois de ela estar a dormir chorava de alívio. E ela dormia uma ou duas horas e vai de gritar outra vez... foi terrível.

 

Existem coisas que não nos ensinam, que não aprendemos em reuniões ou nas nossas leituras...

 

Desta vez percebi que a Lúcia chorava, tal como a Maria... mas desta vez eu estava consciente de que certamente conseguiria fazer as coisas de outra forma, e fiz. Aprendi que não vale  apena deita-la enquanto estiver com cólicas, aprendi que não precisa de comer sempre que chora, aprendi que pode ficar no seu quarto logo cedo... e assim por diante!

 

Por isso querida Lígia, quando vierem os vossos próximos filhos (bem sei que 4 é o teu número) tudo será diferente... para melhor!

 

E olha, estou por aqui, para o caso de precisares!

 

 

 

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Quinta-feira, 26.11.15

A Lúcia

Eu sei, o tema está a ser muito repetitivo, mas há que recuperar o tempo em que não vim aqui diariamente contar as novidades... ontem ao olhar para o calendário ali na barra lateral até fiquei de boca aberta... num mês escrevi meia dúzia de dias!

 

Agora que a rotina se volta a instalar cá em casa, sinto que devo esforçar-me mais por escrever nem que sejam apenas umas linhas!

 

A Lúcia está a crescer a olhos vistos! É um doce, não chora a não ser que esteja com muita fome, ou com dores de barriga... ah e no banho, claro!

 

Ora então aqui ficam os "valores métricos" da nossa pequenina:

 

Nasceu no dia 5 de novembro pelas 17h57m com 3,075 kg de peso e 48,5 cm de comprimento, agora que está em casa está muito mais tranquila, come, tem momentos em que está acordada a observar tudo e dorme como se espera de qualquer bebé recém-nascido!

 

Enquanto ela dorme os seus pequenos sonos da manhã aqui a mãe consegue algum tempo para organizar a casa, para vir aqui escrever e adiantar o almoço e o jantar!

 

De tarde bem que gostaria de dormir uma sesta, mas como tenho sempre muito que fazer (trazer lenha para casa, apanhar a roupa do estendal, varrer a cozinha...) só consigo passar pelas brasas uns dez minutos!  

 

À tardinha vamos à cidade buscar as manas à escola, e regressamos antes que o sol se esconda por completo, acendemos o lume e depois dos trabalhos de casa feitos e de alguma brincadeira lá jantamos!

 

Ainda não temos a rotina do banho bem definida... e a oração da noite já foi feita no hall de entrada... aos poucos vamos adaptando o nosso dia-a-dia às novas exigências da família, afinal de contas dia 1 a mãe irá regressar ao trabalho, com um horário reduzido, claro que a vida é mesmo assim!

 

 

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Quarta-feira, 25.11.15

Comentários

Queria responder a todos os comentários, mensagens e emails que me têm enviado desde o dia 5, mas não consigo, assim aqui fica um beijo enorme a todos os que se preocupam connosco!

 

Muito obrigada!

 

Bem-hajam!

 

 

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Quarta-feira, 25.11.15

O que não nos mata... fortalece-nos!

Durante dias recordei esta frase dita por alguém que agora não me lembro quem foi, e é justamente assim que me tenho sentido.

 

Dos vinte dias de vida da Lúcia, o início foi realmente complicado, muito atribulado e acima de tudo cheio de grandes dúvidas.

 

Depois de regressarmos a casa, as coisas começaram aos poucos a acalmar. Havia toda uma dinâmica familiar que foi interrompida - já sabíamos que o iria ser, nunca nos passou pela cabeça que fosse desta forma!

 

Durante os sete dias em que me "afastei" de casa, as nossas filhas ficaram entregues à minha mãe e à minha irmã. Foi lá que dormiram, comeram, tomaram o seu banho... foram elas que as levaram à escola e que as foram buscar, foram elas que as auxiliaram nas questões da escola, que lhes prepararam as roupas... ter de "entregar" a gestão da vida familiar não é fácil. Metade da família num local, outra metade longe... deixava-me bastante triste...

 

Apesar de tudo, em cada manhã eu sentia-me uma pessoa abençoada, grata e cheia de esperança! Em cada manhã pelas 8 horas o meu marido deixava-me à porta do hospital para mais um dia.

 

Enquanto ele ia trabalhar, eu entrava e pedia a identificação para poder circular nos corredores e portas onde está escrito "acesso reservado" e a senha do pequeno almoço - no hospital Beatriz Ângelo as mães que estão a amamentar e que têm bebés internados têm direito ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar - depois de comer dirigia-me à capela e ali ficava por meia hora em oração e...em grandes acessos de choro, confesso.

 

Ali era o único local onde eu conseguia "extravasar" tudo o que sentia, ali podia chorar sem que ninguém me julgasse, ali conseguia desarmar-me de todas as "fortalezas" exteriores... ali podia ser eu, no melhor ou no pior, ali podia ser simplesmente uma mãe de coração partido!

 

Às nove horas já estava a entrar na unidade de cuidados neo-natais para ir dar o banho e o pequeno almoço à minha filha mais pequena! Seguiam-se umas fotos com o telemóvel para mostrar ao pai e às manas, e para enviar aos amigos mais chegados. Depois repetiam-se as refeições até à hora de ir embora, apenas saía na hora do almoço por meia hora. Durante a noite podia ir telefonando para saber como estava a nossa pequenina.

 

Depois da ressonância feita no dia 10 e visto que havia realmente sinais de que o pior já tinha passado combinei com o meu marido levarmos o "ovo" de transporte na quarta feira, assim caso a Lúcia tivesse alta podíamos trazê-la logo para casa.

 

Na quarta feira de madrugada apanhei o único botão de rosa do nosso jardim para levar para a capela do hospital, um gesto simples, demasiado simples para tamanha gratidão que sentia no coração (era a esperança de em breve estarmos em casa todos juntos que me fazia sentir assim), voltei a repetir a rotina de cada manhã, desta vez com mais alegria, o botão de rosa deixei discretamente na capela...

 

Perto do meio dia saí para almoçar e resolvi passar de novo na capela, estava tudo preparado para a celebração da missa, em vez de ir almoçar fiquei. Já não ia à missa há tanto tempo... o botão de rosa que havia deixado de manhã cedo estava agora aos pés de Maria, junto ao sacrário, alguém o colocou lá.

 

Nessa mesma tarde a Lúcia teve alta, que alegria! Com calma guardei todas as papeladas, escutei com atenção todas as recomendações da pediatra e das enfermeiras e aguardei que o pai chegasse com o "ovo" para regressarmos finalmente a casa!

 

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Terça-feira, 24.11.15

Os momentos seguintes #2

No sábado, quando cheguei ao pé da incubadora da Lúcia tive uma grande surpresa, a enfermeira colocou-ma nos braços, e assim pela primeira vez pude sentir a minha bebé junto a mim. Tão frágil, tão bonita!

 

Ah, como foi bom poder olhar para ela, sem pressa, poder ficar ali a ver a forma da cara, o tamanho dos dedinhos, sentir como era leve e como tinha a pele macia... estive tanto tempo à espera por este momento e finalmente tinha chegado a hora. Mas a surpresa não ficou por ali, a enfermeira perguntou-me se lhe queria dar banho! Então não queria? Claro que sim!

 

Com cuidado ela retirou todos os fios, tubos e coisas que a prendiam à incubadora, levou-a para a "bancada" junto à banheira e perguntou-se se sabia como fazer, assim que respondi que sim, deixou-me sozinha, cheia de alegria e cheia de medo!

 

Com cuidado dei-lhe banho e na hora de vestir tive de regressar ao quarto, as enfermeiras tinham de me observar, mas não sem antes ir buscar uma das roupas que tinha preparado com tanto carinho e que estavam guardadas no armário juntamente com todo o enxoval... oh que pena senti... ficou a promessa de repetir no dia seguinte e o convite para voltar dali a pouco para tentar dar-lhe de mamar... parecia um sonho!

 

Aos poucos comecei a estar mais presente, na hora das refeições, na hora do banho... era reconfortante estar ali, sentir-me útil, a cada hora de convivência com a minha filha pequenina ficava mais tranquila, sentia o coração ficar mais sossegado.

 

No domingo tive alta, o que significava: ou ter de ficar as 24 horas numa cadeira nos cuidados neo-natais ou ficar lá durante o dia e ir dormir a casa. Optámos por vir a casa, era muito complicado ficar ali as 24 horas sem poder "tratar de mim", que confesso ainda estava bastante "em baixo", então até ao dia 11, os meus dias eram assim preenchidos.

 

Depois da ecografia à cabeça, do electro-encefalograma era ainda preciso fazer uma ressonância magnética... para isso foi necessário suspender a medicação para as convulsões e aguardar. As alterações notaram-se logo, a Lúcia deixou de estar tão sonolenta, passou a ficar mais alerta para o mundo que a rodeava, passou a estar acordada alguns bocados do dia, coisa que não acontecia nos dias anteriores.

 

O dia da ressonância foi complicado... era preciso que estivesse algumas horas de jejum e tal como eu suspeitava era preciso que ela estivesse imóvel para que o exame fosse feito com sucesso. E como se mantém um recém-nascido com 5 dias imóvel? Pois com anestesia geral.

 

Pediram-me que assinasse os termos de responsabilidade, um para o exame e outro para autorizar a anestesia, e eu assinei, que mais podia fazer? Aguentei-me o mais que pude até ela estar a "dormir" e depois afastei-me das pessoas e chorei de medo. Medo do que uma anestesia pudesse fazer a um bebé... medo de ela não acordar... medo do resultado...

 

Enquanto me afastava olhei por uma janela e vi uma coisa fascinante, no meio de um jardim estava uma árvore belíssima, nela cada folha tinha um tom diferente, desde o verde ao castanho... fiquei ali por momentos a admirar aquele sinal de que no meio de tanta dor, no meio de tanto sofrimento há sempre um momento em que a esperança prevalece, em que nos deixamos encantar pela vida e era esse momento que eu tinha de "segurar"!

 

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Minutos mais tarde, o exame terminou, a Lúcia começava a despertar cheia de fome, os médicos estavam felizes pois o exame não mostrava nenhuma anomalia, era preciso que fosse analisado juntamente com os outros pela neuro-pediatra, mas numa primeira análise era altura para respirar de alívio!

 

 

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Segunda-feira, 23.11.15

Os momentos seguintes

Depois de tudo, continuei sozinha à espera.

 

Em silêncio recordava a letra do cântico que a Teresa fez e que fazia mexer a pequena Lúcia na minha barriga sempre que o cantava:

 

Há ondas fortes em alto mar
Meu barco querem engolir.
Tu prometeste comigo estar
Mas não Te sinto... vais a dormir!
Ensina-me a confiar
E a tempestade vem acalmar!"

 

Pelas onze da noite disseram-me que me iam transferir para um quarto. Para um quarto, pensei, certamente com uma mãe e um bebé em plena alegria, meu Deus, como iria eu aguentar?

 

À chegada ao quarto reinava o silêncio. A outra mãe estava deitada sozinha. Não tinha bebé. Estava no mesmo local onde estava a Lúcia.

 

A enfermeira que me veio "dar as boas vindas" disse-me para ter calma. Tudo se iria recompor. Mas eu queria ver a minha filha, o meu marido... tanto insisti que ela concordou em levar-me na cadeira de rodas se me conseguisse levantar. Claro que me levantava, nem que fosse de rastos eu ia...

 

Quando entrei naquela sala e vi tantos bebés nem queria acreditar... levaram-me junto da minha menina, que tranquilamente dormia na incubadora apenas com uma fraldinha. Não pude tocar. Só olhar e chorar de gratidão porque ela estava ali, viva, perto de mim!

 

Tinha de ir embora, descansar diziam elas... eu precisava de descansar... não, o que eu precisava era de ter a minha filha nos braços junto a mim... mas não podia ser. Não ainda.

 

No quarto fiquei a saber da história do outro bebé, hei-de contá-la aqui um dia porque é uma história maravilhosa, hoje ainda lá está o bebé, a recuperar... a mãe vai-me dando notícias, assim que tudo se resolva contarei aqui.

 

No silêncio da noite ambas chorávamos pelos nossos filhos, e assim adormecemos...

 

Na sexta feira voltei a ver a minha bebé, o pediatra pediu para falar comigo e com o meu marido ao mesmo tempo. As notícias não eram as melhores. Com calma explicou-nos que a Lúcia tinha tido uma convulsão durante as primeiras oito horas de vida, pelo que estaria a ser medicada a fim de evitar que isso acontecesse novamente. Teria de ser feita uma avaliação neurológica para saber se teria ficado com danos cerebrais ou não.

 

Mais uma "bomba", que coração aguenta tanto? Só mesmo o coração dos pais. Fizemos mais umas perguntas e cautelosamente o médico disse que ela estava a evoluir favoravelmente. Era preciso tempo.

 

Sim, tempo.

 

E nós tinhamos tempo. Esperaríamos. Confiaríamos.

 

Nesta altura as pessoas começavam a querer saber mais sobre a nossa bebé, mandavam mensagens, mas o que podia eu dizer? Se nem eu sabia?

 

Pedimos apenas aos amigos mais próximos e à família que se unisse a nós em oração. E realmente Deus nunca se deixa vencer em generosidade, um pouco por todo o país, algures do outro lado do oceano, pessoas que eu nem conheço tiraram um pouco de tempo para rezar por nós.

 

Para quem não é crente em Deus não há como explicar o consolo que é sentir que algures alguém está a pensar e a pedir por nós junto de Deus. Se eu não fosse crente certamente teria gritado, perdido a calma, estaria revoltada culpando tudo e todos pelo meu "azar", diria mil e um disparates, ameaçaria todo o hospital, entraria em guerra com todos quantos se abeirassem de mim... teria sido desgastante...

 

Nestas coisas, só mesmo a fé podia fazer com que, em cada manhã ao abrir os meus olhos e perceber onde estava, o meu primeiro pensamento fosse dar graças a Deus porque a minha filha estava viva.

 

Independentemente de ficar ou não com danos cerebrais, ela estava viva!

 

 E assim, hora a hora, dia a dia, caminhávamos com esperança de que tudo passaria em breve!

 

 

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Segunda-feira, 09.11.15

coragem e gratidão

Não podemos deixar de agradecer todo carinho, mensagens e orações pela Lúcia. A evolução tem sido positiva, temos esperança que as boas notícias cheguem em breve. A nossa bebé está a ser bem tratada, a ganhar força! A Teresa do blogue Uma Família Católica (na barra ao lsdo) vai dando notícias pois eu nem sempre consigo... Obrigada de coração<

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Sexta-feira, 06.11.15

A Lucia nasceu

No dia 5, dia de Santa Isabel e São Zacarias, a quem a confiámos nestes momentos ainda difíceis. Queria muito escrever sobre como correu tudo bem e como tudo está bem, mas não é possível. A nossa bebé tem ainda um longo caminho para percorrer. Temos muita fé e muita esperança de que em breve estará bem! Rezem por ela.

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Quarta-feira, 04.11.15

Quase de "férias"!

Terminei ontem as minhas obrigações contabilísticas e fiscais, e devo dizer que sinto um enorme alívio!

 

Sinto-me quase de férias, tópico a tópico fui riscando aquilo que me faltava fazer, com mais ou menos esforço fui utilizando os tempos menos agitados na loja para me dedicar à contabilidade, alturas houve em que quase duvidei de que conseguisse ter tudo pronto antes das datas limites, mas agora posso finalmente respirar de alívio!

 

Continuarei a vir trabalhar, num horário ainda mais reduzido, que isto com 39 semanas e meia, a partir das cinco da tarde já custa um bocado...

 

 

De manhã abalamos à mesma hora (8), às nove horas abro a porta da loja, à tarde vou buscar a Maria à escola, esperamos pela Margarida que vem a pé do liceu e pelas cinco e meia regressamos a casa.

 

Felizmente que tenho conseguido trabalhar sempre, modificando ligeiramente o meu ritmo, digo felizmente porque ficar em casa vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas sem poder fazer as minhas coisas, sem falar com as pessoas, sem companhia iria ser muito complicado...

 

É reconfortante dia após dia ver esta e aquela pessoa, sorrir quando me cumprimentam, conversar com quem passa por aqui, escutar os desabafos de quem se vê cansado e cheio de dificuldades na vida... de vez em quando recebo um miminho desta ou daquela pessoa, muitas vezes até de quem nem se espera... um bolinho, umas broas, um presente para a bebé... 

 

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E saber que no dia em que colocar na porta o papel a dizer "fechado para férias, já nasceu a Lúcia", as pessoas irão dar pela minha falta, irão perguntar por nós, irão ficar ansiosas para conhecer a bebé... sim, saber de tudo isto é realmente uma bênção, pois a amizade e o carinho são coisas que não têm preço! 

 

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Quarta-feira, 21.10.15

A passo de caracol

É o que me ocorre quando penso que tenho de ir a algum lado... lá vou eu a passo de caracol... é de manhã para ir levar a Maria à escola, é à tarde quando a vou buscar, é no supermercado enquanto faço as compras, em casa nas tarefas domésticas... até o meu marido me disse quase à chegada à igreja depois de percorrer a subida que é deveras inclinada: «então já não chegas lá a cima?»

 

Não deixa de ser uma ironia, logo eu que ando andava sempre apressada e cheia de energia estar aqui a afirmar que neste momento ando mais lenta do que a fila da repartição de finanças em dias de sistema informático avariado!

 

Mas, em tudo na vida temos de nos adaptar, e eu estou a fazer um esforço por não me deixar entristecer pelo simples facto de não dar o mesmo rendimento que dei na gravidez da Maria... a boa notícia é que neste momento acabo de passar a fase complicada, ou seja estou a chegar às 38 semanas, o que deve querer dizer que já não preciso de tanto repouso!!!!

 

Por isso se tudo correr bem, na sexta feira quando for à consulta ao hospital vou confirmar que realmente posso retomar as caminhadas que eu tanto adoro. Vai ser bom, poder desanuviar a cabeça caminhando e pensando enquanto ando, além de que sinto mesmo a falta deste bocadinho de exercício!

 

Ando tão parada... na verdade a semana passada resolvi aproveitar o sol da hora de almoço e fui caminhar, pensei em passar pela igreja, seria a primeira vez que o ia fazer assim a meio do dia, mas foi uma desilusão... primeiro porque quase a chegar lá comecei a ficar cheia de dores fortes, e depois a porta estava fechada!

 

Resultado, tive de voltar para a loja ainda a um passo mais lento do que um caracol, e claro tive de me deitar para que as dores passassem... porquê? Perguntei eu... teria sido tão bom se a caminhada fosse descontraída e se tivesse entrado na igreja... mas não foi nada assim... provavelmente porque as coisas não acontecem apenas porque eu quero! E essa é uma lição valiosa e difícil de aprender.

 

A saúde não aparece porque eu quero, as minhas filhas não são exemplares porque eu quero, o sol não brilha hoje porque eu quero, as igrejas não estão abertas agora porque eu quero, o mundo não gira em torno de mim, nem daquilo que eu quero!

 

Ah, espantem-se as pessoas que acreditam que o universo se vira para elas apenas porque elas querem, que acreditam que ou se tem sorte ou não... a vida é isso mesmo vida, um milagre que me foi dado um dia e cabe-me a mim saber viver da melhor forma, aprendendo com os meus erros e com as minhas falhas, não culpando os outros pelo que me acontece, sendo grata pelo que tenho, mesmo que me pareça pouco, olhando para cada dia como uma dádiva e nunca como um fardo!

 

É ou não uma maravilha saber que apesar de tudo, Deus me ama em cada dia?

 

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«Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? Contudo, nenhum deles é esquecido diante de Deus.
Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos»

Lucas 12, 7

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 16.10.15

A pergunta do momento

«Estás pronta para o nascimento do bebé?»

 

Uma coisa é ter tudo pronto para receber um bebé em casa e na família, outra coisa é estar preparada para todas as mudanças que um bebé vai trazer na vida de uma mãe, de um pai, dos irmãos, de uma família... e para isso não há listas, nem blogues, nem conselhos de três gerações de mães que nos valham!

 

A cerca de três semanas e meia de ser novamente mãe existem milhares de dúvidas na minha cabeça...

 

Como vai ser o "sinal"?

Será de noite? a meio do dia?

Estarei sozinha? Estará o meu marido por perto?

Em que hospital nascerá? Aqui perto de casa? Um pouco mais longe?

Como será o parto? Igual ao outro? 

Serei capaz de amamentar?

Ainda me lembro de como se dá banho a um bebe? Como se veste e mudam as fraldas?

 

Pois é... e a lista continua e continua... a sorte é que só por breves momentos me lembro destas coisas, enquanto ando ocupada no meu dia a dia, enquanto as tarefas me mantêm focada num determinado objetivo o tempo vai passando, de tal forma que nem sei bem como e já passaram 30 semanas desde que descobri que estava grávida!

 

Não há como estar preparada, não há como saber, apenas esperar. E nisto digo-vos a gravidez é uma bela forma de ensino: queres ver o teu bebé, então olha espera cerca de 40 semanas.

 

É muito tempo? Talvez! Mas Deus na sua infinita sabedoria lá sabe o porquê destes meses todos de preparação para que uma nova vida nasça! E eu, mais remédio tenho do que aprender a esperar. Não vale a pena andar ansiosa, não vale a pena pensar em como será, quando chegar o momento saberei.

 

Os Preparativos

 

Conto nestes dias que ainda faltam, começar a preparar o meu coração para receber a minha bebé, conto "dar" mais tempo à minha oração pessoal, aos momentos de leitura de passagens marcantes das grandes famílias da história do Povo de Deus.

 

Também já tracei um plano para quando chegar a hora, sabendo que poderei: estar sozinha em casa com as meninas, ou no trabalho e elas na escola, ou em casa com o pai... as malas essas continuam por aqui, que ainda me parece cedo para as colocar no carro...

 

Como se pode ver, parece que tenho tudo pronto, no entanto eu não sei se estou assim tão pronta...

 

 

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