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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

conversas

Praticamente nove meses depois de ter tido um bebé, a minha barriga ainda tem um volume considerável.

É um facto.

Está à vista.

A Maria volta e meia gosta de me recordar deste facto. 

 

(...)

- Se calhar é o Joãozinho que está na barriga da mãe

- Não, Maria, não há bebés aqui dentro e se calhar não vai haver. Com a Lúcia foi muito complicado, sabes...

- Oh... assim nunca mais vamos ter um João...

 - Eu disse que não vou ter bebés cá dentro da barriga, não disse que não vai haver um João.

- Oh boa!!! Assim todos os outros vão ser adotados!?!?

 

(....)

 

- "OUTROS"?

 

(...)

 

 

A nossa história

A nossa família passou, até hoje, por algumas fases que nos marcaram para sempre: o nosso namoro, o casamento, a chegada das filhas Margarida, Maria e Lúcia.

Inicialmente neste blogue partilhei alguns textos que tinha escrito e que estavam guardados sobre o processo de adoção da Margarida.

 

Para quem só chegou agora resolvi fazer um resumo:

 

História I

História II

História III

História IV

História V

História VI

História VII

História VIII

História IX

História X

História X cont.

História XI

História XII

História XIII

História XIV o 1º Natal

História XV

História XVII

História XVIII - o debate

História XIX

História XX - A sentença

História XXI

História XXII

História XXIII

História XXIV

História XXV

História XXVI

História XXVII - Ofícios

História XXVIII

História XXIX

História XXX - em tribunal

História XXXI

História XXXII

 

Datas - Resumo da nossa história

 

 

 

O meu lado da questão

Se há blogue que sigo com todo o carinho é o blogue da "Mãe de Coração" e se há pessoa que eu gostava de conhecer é esta mãe! E claro a sua família, consta que aumentará muito em breve (eu rezo muito por isso)!!!

 

Esta mãe, como todas nós que somos mães, de  vez em quando faz umas partilhas muito, muito pertinentes! Eu ando para lhe responder a este texto desde o dia em que ela o publicou, vou mentalmente escrevendo e num  bocadinho venho aqui tentar colocar em palavras as minhas ideias...

 

Lígia,

Bem sei que até pensas que provavelmente falhaste quando te deste conta destas coisas que falas no teu texto, mas quero que saibas que a meu ver fizeste o que sabias e o que podias na altura. Tal como eu, na primeira vez que fui mãe passei pelo mesmo, e vivi até uma situação realmente idêntica com a Margarida, e outras ainda "piores" com a Maria em bebé.

 

Soubesse eu alguma coisa de ser mãe e nada disso tinha acontecido! Pudesse eu aprender tudo sobre a maternidade nos livros e na internet e a coisa tinha corrido muito melhor. Mas não. A verdade é que ser mãe aprende-se todos os dias e parece-me que quando pensamos que já sabemos tudo... acontece logo alguma coisa para nos derrubar as certezas!

 

Claro que depois de passarmos o nível 1 - o primeiro filho - estamos já muito mais preparadas para o que vai acontecendo...

 

Queres saber uma coisa? Eu conto na mesma!

 

Quandoa  Maria era bebé, chorava de dia e de noite, era um horror... eu queria que ela dormisse, ela só gritava... eu andava com ela ao colo até ela cair de cansada (uma hora depois) quando pensava que ia ter de a adormecer chorava de medo, e depois de ela estar a dormir chorava de alívio. E ela dormia uma ou duas horas e vai de gritar outra vez... foi terrível.

 

Existem coisas que não nos ensinam, que não aprendemos em reuniões ou nas nossas leituras...

 

Desta vez percebi que a Lúcia chorava, tal como a Maria... mas desta vez eu estava consciente de que certamente conseguiria fazer as coisas de outra forma, e fiz. Aprendi que não vale  apena deita-la enquanto estiver com cólicas, aprendi que não precisa de comer sempre que chora, aprendi que pode ficar no seu quarto logo cedo... e assim por diante!

 

Por isso querida Lígia, quando vierem os vossos próximos filhos (bem sei que 4 é o teu número) tudo será diferente... para melhor!

 

E olha, estou por aqui, para o caso de precisares!

 

 

 

A adoção e o batismo

A propósito de podermos destacar três textos no nosso blogue (são aqueles três que estão mesmo aqui em cima do título do texto de hoje) escolhi colocar lá o texto do batismo da nossa afilhada por considerá-lo um momento marcante na nossa vida, ontem recebi um comentário bastante pertinente, sei que escrevi sobre isso aqui no blogue, há bastante tempo mas, sabendo que é uma questão em que podemos responder na primeira pessoa, e sabendo que para nós o batismo é muito importante, resolvi fazer este pequeno "post".

 

Diz o comentário:

«Tenho umas dúvidas sobre o baptismo da sua filha mais velha... Ela já era baptizada quando a adoptaram? E como têm a certeza disso? Há fotografias? Ela conhece os padrinhos? Desculpe a curiosidade, mas é difícil perceber como se lida com essa situação quando a criança é adoptada, e parece-me que a Olívia é quem saberá melhor...»

 

Como se sabe a Margarida já era crescida quando a conhecemos, e iria frequentar o 3º ano de catequese, ano esse em que se faz a primeira comunhão. Nessa altura ainda não era nossa filha a não ser no nosso coração e no coração de Deus, mas já a acompanhávamos na sua caminhada de educação cristã. Fomos convidados para a sua primeira comunhão que aconteceu em maio de 2008 e uns meses mais tarde estava a viver connosco.

 

Sabendo que a Primeira comunhão estava feita, não haveria dúvidas de que era batizada, afinal essa era a ideia que todos tinham na instituição onde ela esteve.

 

O tempo foi passando e a nossa família começou a dar uma maior importância às questões da fé, aos sacramentos e à vida cristã. Daí a minha tristeza por não sabermos a data do seu batismo. Nessa altura liguei para a instituição e falei com as pessoas responsáveis, com quem mantemos uma relação de proximidade e amizade desde há muitos anos. Foi-me confirmado que ela teria sido batizada ou não teria feito a comunhão, mas as provas, as datas essas não existiam.

 

Na catequese aproximava-se a data da sua Profissão de Fé, e o que seria esse momento sem se saber ao certo se houve batismo ou não? Perante esta dúvida cada vez mais intensa resolvi pedir o conselho do nosso pároco.

 

Na opinião dele: «se não se sabe, se não existem provas, a criança deve ser batizada. Não se deve negar esse direito a ninguém que o queira de coração, muito menos a uma criança.»

 

Perante isto, resolvi propor-lhe que nos auxiliasse numa missão de investigação caso não chegássemos a nenhuma conclusão decidiríamos prepará-la para o batismo, e ele aceitou, pesquisei as paróquias próximas do local onde ela nasceu e viveu em pequena e o pároco escreveu a solicitar a confirmação do batismo da menina (ainda com o nome antigo, claro).

 

A primeira para onde se escreveu respondeu prontamente com a data do batismo. Ficámos assim a saber que efetivamente ela estava batizada e qual a data para celebrarmos a sua entrada na grande família da igreja! 

 

Um dia fará o Crisma, terá a sua madrinha (oficialmente), e professará a fé por ela própria, por agora vai crescendo e aprofundando em casa, na comunidade e na igreja a grande graça de ser chamada Filha de Deus!

 

 

 

 

A adoção em palavras #3

 

«A maternidade/paternidade enche-nos de alegria, mas também nos enche de medo!»

 

 

Ora aqui está mais uma coisa interessante que descobri verificar-se seja qual for a forma como nos tornamos pais.

 

Sabemos da novidade, somos invadidos de uma grande alegria, entusiasmo e depois caímos na realidade e surge o medo!

 

Medo de não sermos bons pais, de não sabermos como fazer, de não sermos perfeitos, de que os nossos filhos não gostem de nós tanto quanto gostamos deles, medo do futuro que os espera... medo de não gostarmos do segundo filho tanto como do primeiro, medo de não conseguirmos organizar as coisas com mais do que um filho, medo de que daqui por vinte anos não consigamos dar os estudos aos nossos filhos... e podia continuar que parece-me não ia ter espaço num destes textos para escrever tudo o que nos passa, a nós pais, pela cabeça!

 

É inevitável... sermos responsáveis por uma terceira pessoa deve fazer de nós pessoas com receio, vá, com medo. Não acho que isso seja um drama, pois com o tempo e a experiência vamos conseguindo dar conta do recado.

 

Ainda me recordo da cara de espanto das pessoas em tribunal quando perceberam que estava grávida de três meses e ia iniciar um processo de adoção na segurança social, a primeira pergunta foi:

 

«E mesmo estando grávida quer adotar?»

 

A resposta a mim parecia-me obvia, mas para que ficasse registado respondi que sim, uma coisa não invalidava a outra.

 

Se tive receio de não gostar dos dois filhos de igual forma? Talvez tenha tido durante breves instantes, mas não foi coisa que me tirasse o sono. Já tínhamos decidido que ia ser assim e para nós, era e é, uma coisa natural.

 

Ao longo destes sete anos de maternidade sempre tive medo disto ou daquilo, coisas relacionadas com a adoção, com a gravidez, com esta terceira menina... é normal.

 

O importante é avançar. Ter alguém com quem partilhar estes receios e seguir caminho, se ficarmos sempre a bater na mesma tecla, nunca conseguiremos criar filhos capazes...

 

E a grande beleza de todo este processo é mesmo essa, apesar do medo que nos invade, a certeza de que o amor é maior do que todo o resto faz de nós pessoas muito melhores!

 

E sim, podemos amar os filhos, todos eles, independentemente se são ou não nossos filhos biológicos, se são bebés ou crescidos!

 

 

Porque o amor não tem medidas!

 

 

 

A adoção em palavras #2

Cada Processo é uma Gravidez!

 

Por incrível que possa parecer ainda existem pessoas que acham que um processo de adoção é apenas a famosa máquina burocrática portuguesa a funcionar mal.

 

Mas, a mim parece-me que esta forma de nos tornarmos pais não é nem mais nem menos do que uma gravidez, embora não saibamos qual será o dia do parto, um dia será o nosso dia.

 

Até lá existem algumas coisas necessárias e que devem ser preparadas, tal como numa gravidez biológica.

 

É preciso decidir que está na hora de nos tornarmos pais, é preciso ter muita paciência, tal como nos exames físicos que fazemos quando estamos grávidas (análises, ecografias, observações) é preciso deixar que pessoas especializadas nos "examinem".

 

É preciso preparar o coração e a nossa vida para receber o dom dos filhos, é preciso não perder a paciência quando as coisas são mais complicadas do que deviam ser, ora perguntemos às grávidas que têm de repousar nove meses para que o seu filho possa nascer saudável... ou perguntemos às grávidas que descobrem que não se sabe de onde agora têm diabetes gestacionais, ou tensão muito alta... será que elas desanimam e pensam em desistir?

 

Pois também os pais adotivos não podem desanimar só porque a papelada dá muito trabalho, as entrevistas são uma coisa pavorosa, o tempo de espera é exasperante... cada filho traz consigo muitas alegrias, mas também uma luta constante!

 

Mas no fim, aquele momento em que olhamos para os nossos filhos e pensamos: "finalmente estás aqui!" vale todo o esforço, seja ele físico ou psicológico, seja ele fruto de uma gravidez ou de um processo de adoção!

 

 Gostaria tanto que existissem iniciativas que mostrassem o lado bom de ter filhos adotivos, que não se concentrassem sempre no processo demorado, existem nas redes sociais centenas de páginas e personalidades que promovem a adoção de animais, basta fazer uma pesquisa no google por "adoção" e é ver... depois temos milhares de crianças institucionalizadas, que não merecem viver assim, temos pessoas solteiras, casadas, unidas de facto que gostavam de adotar, mas têm medo.

 

Não tenham medo.

O amor é a resposta a todas as questões que podem surgir!

 

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