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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!


Quinta-feira, 28.07.16

conversas

Praticamente nove meses depois de ter tido um bebé, a minha barriga ainda tem um volume considerável.

É um facto.

Está à vista.

A Maria volta e meia gosta de me recordar deste facto. 

 

(...)

- Se calhar é o Joãozinho que está na barriga da mãe

- Não, Maria, não há bebés aqui dentro e se calhar não vai haver. Com a Lúcia foi muito complicado, sabes...

- Oh... assim nunca mais vamos ter um João...

 - Eu disse que não vou ter bebés cá dentro da barriga, não disse que não vai haver um João.

- Oh boa!!! Assim todos os outros vão ser adotados!?!?

 

(....)

 

- "OUTROS"?

 

(...)

 

 

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Sábado, 04.06.16

A nossa história

A nossa família passou, até hoje, por algumas fases que nos marcaram para sempre: o nosso namoro, o casamento, a chegada das filhas Margarida, Maria e Lúcia.

Inicialmente neste blogue partilhei alguns textos que tinha escrito e que estavam guardados sobre o processo de adoção da Margarida.

 

Para quem só chegou agora resolvi fazer um resumo:

 

História I

História II

História III

História IV

História V

História VI

História VII

História VIII

História IX

História X

História X cont.

História XI

História XII

História XIII

História XIV o 1º Natal

História XV

História XVII

História XVIII - o debate

História XIX

História XX - A sentença

História XXI

História XXII

História XXIII

História XXIV

História XXV

História XXVI

História XXVII - Ofícios

História XXVIII

História XXIX

História XXX - em tribunal

História XXXI

História XXXII

 

Datas - Resumo da nossa história

 

 

 

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por Olívia às 11:28

Quarta-feira, 16.03.16

O meu lado da questão

Se há blogue que sigo com todo o carinho é o blogue da "Mãe de Coração" e se há pessoa que eu gostava de conhecer é esta mãe! E claro a sua família, consta que aumentará muito em breve (eu rezo muito por isso)!!!

 

Esta mãe, como todas nós que somos mães, de  vez em quando faz umas partilhas muito, muito pertinentes! Eu ando para lhe responder a este texto desde o dia em que ela o publicou, vou mentalmente escrevendo e num  bocadinho venho aqui tentar colocar em palavras as minhas ideias...

 

Lígia,

Bem sei que até pensas que provavelmente falhaste quando te deste conta destas coisas que falas no teu texto, mas quero que saibas que a meu ver fizeste o que sabias e o que podias na altura. Tal como eu, na primeira vez que fui mãe passei pelo mesmo, e vivi até uma situação realmente idêntica com a Margarida, e outras ainda "piores" com a Maria em bebé.

 

Soubesse eu alguma coisa de ser mãe e nada disso tinha acontecido! Pudesse eu aprender tudo sobre a maternidade nos livros e na internet e a coisa tinha corrido muito melhor. Mas não. A verdade é que ser mãe aprende-se todos os dias e parece-me que quando pensamos que já sabemos tudo... acontece logo alguma coisa para nos derrubar as certezas!

 

Claro que depois de passarmos o nível 1 - o primeiro filho - estamos já muito mais preparadas para o que vai acontecendo...

 

Queres saber uma coisa? Eu conto na mesma!

 

Quandoa  Maria era bebé, chorava de dia e de noite, era um horror... eu queria que ela dormisse, ela só gritava... eu andava com ela ao colo até ela cair de cansada (uma hora depois) quando pensava que ia ter de a adormecer chorava de medo, e depois de ela estar a dormir chorava de alívio. E ela dormia uma ou duas horas e vai de gritar outra vez... foi terrível.

 

Existem coisas que não nos ensinam, que não aprendemos em reuniões ou nas nossas leituras...

 

Desta vez percebi que a Lúcia chorava, tal como a Maria... mas desta vez eu estava consciente de que certamente conseguiria fazer as coisas de outra forma, e fiz. Aprendi que não vale  apena deita-la enquanto estiver com cólicas, aprendi que não precisa de comer sempre que chora, aprendi que pode ficar no seu quarto logo cedo... e assim por diante!

 

Por isso querida Lígia, quando vierem os vossos próximos filhos (bem sei que 4 é o teu número) tudo será diferente... para melhor!

 

E olha, estou por aqui, para o caso de precisares!

 

 

 

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Terça-feira, 20.10.15

A adoção e o batismo

A propósito de podermos destacar três textos no nosso blogue (são aqueles três que estão mesmo aqui em cima do título do texto de hoje) escolhi colocar lá o texto do batismo da nossa afilhada por considerá-lo um momento marcante na nossa vida, ontem recebi um comentário bastante pertinente, sei que escrevi sobre isso aqui no blogue, há bastante tempo mas, sabendo que é uma questão em que podemos responder na primeira pessoa, e sabendo que para nós o batismo é muito importante, resolvi fazer este pequeno "post".

 

Diz o comentário:

«Tenho umas dúvidas sobre o baptismo da sua filha mais velha... Ela já era baptizada quando a adoptaram? E como têm a certeza disso? Há fotografias? Ela conhece os padrinhos? Desculpe a curiosidade, mas é difícil perceber como se lida com essa situação quando a criança é adoptada, e parece-me que a Olívia é quem saberá melhor...»

 

Como se sabe a Margarida já era crescida quando a conhecemos, e iria frequentar o 3º ano de catequese, ano esse em que se faz a primeira comunhão. Nessa altura ainda não era nossa filha a não ser no nosso coração e no coração de Deus, mas já a acompanhávamos na sua caminhada de educação cristã. Fomos convidados para a sua primeira comunhão que aconteceu em maio de 2008 e uns meses mais tarde estava a viver connosco.

 

Sabendo que a Primeira comunhão estava feita, não haveria dúvidas de que era batizada, afinal essa era a ideia que todos tinham na instituição onde ela esteve.

 

O tempo foi passando e a nossa família começou a dar uma maior importância às questões da fé, aos sacramentos e à vida cristã. Daí a minha tristeza por não sabermos a data do seu batismo. Nessa altura liguei para a instituição e falei com as pessoas responsáveis, com quem mantemos uma relação de proximidade e amizade desde há muitos anos. Foi-me confirmado que ela teria sido batizada ou não teria feito a comunhão, mas as provas, as datas essas não existiam.

 

Na catequese aproximava-se a data da sua Profissão de Fé, e o que seria esse momento sem se saber ao certo se houve batismo ou não? Perante esta dúvida cada vez mais intensa resolvi pedir o conselho do nosso pároco.

 

Na opinião dele: «se não se sabe, se não existem provas, a criança deve ser batizada. Não se deve negar esse direito a ninguém que o queira de coração, muito menos a uma criança.»

 

Perante isto, resolvi propor-lhe que nos auxiliasse numa missão de investigação caso não chegássemos a nenhuma conclusão decidiríamos prepará-la para o batismo, e ele aceitou, pesquisei as paróquias próximas do local onde ela nasceu e viveu em pequena e o pároco escreveu a solicitar a confirmação do batismo da menina (ainda com o nome antigo, claro).

 

A primeira para onde se escreveu respondeu prontamente com a data do batismo. Ficámos assim a saber que efetivamente ela estava batizada e qual a data para celebrarmos a sua entrada na grande família da igreja! 

 

Um dia fará o Crisma, terá a sua madrinha (oficialmente), e professará a fé por ela própria, por agora vai crescendo e aprofundando em casa, na comunidade e na igreja a grande graça de ser chamada Filha de Deus!

 

 

 

 

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Terça-feira, 11.08.15

A adoção em palavras #3

 

«A maternidade/paternidade enche-nos de alegria, mas também nos enche de medo!»

 

 

Ora aqui está mais uma coisa interessante que descobri verificar-se seja qual for a forma como nos tornamos pais.

 

Sabemos da novidade, somos invadidos de uma grande alegria, entusiasmo e depois caímos na realidade e surge o medo!

 

Medo de não sermos bons pais, de não sabermos como fazer, de não sermos perfeitos, de que os nossos filhos não gostem de nós tanto quanto gostamos deles, medo do futuro que os espera... medo de não gostarmos do segundo filho tanto como do primeiro, medo de não conseguirmos organizar as coisas com mais do que um filho, medo de que daqui por vinte anos não consigamos dar os estudos aos nossos filhos... e podia continuar que parece-me não ia ter espaço num destes textos para escrever tudo o que nos passa, a nós pais, pela cabeça!

 

É inevitável... sermos responsáveis por uma terceira pessoa deve fazer de nós pessoas com receio, vá, com medo. Não acho que isso seja um drama, pois com o tempo e a experiência vamos conseguindo dar conta do recado.

 

Ainda me recordo da cara de espanto das pessoas em tribunal quando perceberam que estava grávida de três meses e ia iniciar um processo de adoção na segurança social, a primeira pergunta foi:

 

«E mesmo estando grávida quer adotar?»

 

A resposta a mim parecia-me obvia, mas para que ficasse registado respondi que sim, uma coisa não invalidava a outra.

 

Se tive receio de não gostar dos dois filhos de igual forma? Talvez tenha tido durante breves instantes, mas não foi coisa que me tirasse o sono. Já tínhamos decidido que ia ser assim e para nós, era e é, uma coisa natural.

 

Ao longo destes sete anos de maternidade sempre tive medo disto ou daquilo, coisas relacionadas com a adoção, com a gravidez, com esta terceira menina... é normal.

 

O importante é avançar. Ter alguém com quem partilhar estes receios e seguir caminho, se ficarmos sempre a bater na mesma tecla, nunca conseguiremos criar filhos capazes...

 

E a grande beleza de todo este processo é mesmo essa, apesar do medo que nos invade, a certeza de que o amor é maior do que todo o resto faz de nós pessoas muito melhores!

 

E sim, podemos amar os filhos, todos eles, independentemente se são ou não nossos filhos biológicos, se são bebés ou crescidos!

 

 

Porque o amor não tem medidas!

 

 

 

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Sexta-feira, 26.06.15

A adoção em palavras #2

Cada Processo é uma Gravidez!

 

Por incrível que possa parecer ainda existem pessoas que acham que um processo de adoção é apenas a famosa máquina burocrática portuguesa a funcionar mal.

 

Mas, a mim parece-me que esta forma de nos tornarmos pais não é nem mais nem menos do que uma gravidez, embora não saibamos qual será o dia do parto, um dia será o nosso dia.

 

Até lá existem algumas coisas necessárias e que devem ser preparadas, tal como numa gravidez biológica.

 

É preciso decidir que está na hora de nos tornarmos pais, é preciso ter muita paciência, tal como nos exames físicos que fazemos quando estamos grávidas (análises, ecografias, observações) é preciso deixar que pessoas especializadas nos "examinem".

 

É preciso preparar o coração e a nossa vida para receber o dom dos filhos, é preciso não perder a paciência quando as coisas são mais complicadas do que deviam ser, ora perguntemos às grávidas que têm de repousar nove meses para que o seu filho possa nascer saudável... ou perguntemos às grávidas que descobrem que não se sabe de onde agora têm diabetes gestacionais, ou tensão muito alta... será que elas desanimam e pensam em desistir?

 

Pois também os pais adotivos não podem desanimar só porque a papelada dá muito trabalho, as entrevistas são uma coisa pavorosa, o tempo de espera é exasperante... cada filho traz consigo muitas alegrias, mas também uma luta constante!

 

Mas no fim, aquele momento em que olhamos para os nossos filhos e pensamos: "finalmente estás aqui!" vale todo o esforço, seja ele físico ou psicológico, seja ele fruto de uma gravidez ou de um processo de adoção!

 

 Gostaria tanto que existissem iniciativas que mostrassem o lado bom de ter filhos adotivos, que não se concentrassem sempre no processo demorado, existem nas redes sociais centenas de páginas e personalidades que promovem a adoção de animais, basta fazer uma pesquisa no google por "adoção" e é ver... depois temos milhares de crianças institucionalizadas, que não merecem viver assim, temos pessoas solteiras, casadas, unidas de facto que gostavam de adotar, mas têm medo.

 

Não tenham medo.

O amor é a resposta a todas as questões que podem surgir!

 

adoption

 

 

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por Olívia às 06:00

Segunda-feira, 01.06.15

A adoção em palavras #1

 

 

 

Ser mãe adotiva é ser mãe.

 

 

Não é ser nem mais nem menos do que as mães biológicas. Isto é o que sinto hoje, muito depois de termos tomado essa decisão, muito depois de todas as situações que já vivemos aqui na nossa família e na nossa casa.

 

Por vezes ainda me espanto quando as pessoas me dizem que até gostavam de adotar, mas não têm dinheiro. É certo que as condições económicas são importantes, não cabe na cabeça de ninguém fazer sair uma criança de uma instituição para uma casa onde à partida já se sabe que não há condições para que tenha uma vida digna.

 

Mas o dinheiro não é tudo. 

 

Ser família passa também por sabermos gerir aquilo que temos, pensar naquilo que precisamos, encontrar soluções para as nossas dificuldades, sermos muitas vezes criativos na gestão do dia-a-dia!

 

Recordo ainda uma das muitas questões que nos fazem na entrevista para a adoção: porque é que querem adotar?

 

Não é fácil responder a esta pergunta. Um "porque sim" não chega, um "sentimo-nos chamados a ter uma família diferente" também não... muito menos dizer apenas que se quer ter um filho. Querer só por si não chega...

 

Penso que a chave da resposta a esta pergunta está naquilo que para nós é o mais importante e o mais importante passaria por abdicar do nosso conforto e da nossa vida calma a dois para poder receber um filho com todos os extras que qualquer criança nos oferece... passaria por ceder parte do nosso tempo na educação de uma criança, ainda que para isso tenhamos de travar duras batalhas!

 

Custa-me saber de tantos casos em que as pessoas devolvem as crianças depois de se tornarem seus pais. Em que é que estes novos pais são melhores do que os primeiros? Como podem as pessoas pensar que se pode devolver um filho? Como?

 

Passar-me-ia pela cabeça devolver a Maria que nasceu da minha barriga porque nos primeiros quatro anos não dormia as noites inteiras? 

- Não.

 

Como me poderia passar pela cabeça devolver a Margarida só porque ela aprontava todos os dias na escola...e  em casa?

 

Ter um filho não é o mesmo que ir ao supermercado escolher um electrodoméstico, com tudo a que temos direito e depois ir trocá-lo porque isto ou aquilo não funciona... 

 

Ter um filho é lutar em cada dia para que cresçam, para que aprendam, para que se mantenham honestos e trabalhadores, ter um filho tem que ser uma grande batalha, mas uma batalha de amor!

 

E todas as noites peço perdão porque não fui boa mãe, porque penso que devia ter feito as coisas de uma forma e não fui capaz... porque desanimo, porque as coisas não correram bem...

 

... mas isso apenas me faz querer ser melhor, querer aprender, querer viver!

 

Hoje penso com carinho e tristeza nos milhares de crianças que, nas nossas instituições, esperam uma família... hoje recordo aqueles a quem prometeram uma segunda oportunidade e que apenas lhes deram mais razões para não acreditarem que é possível ter uma família que os ame!

 

Que Deus na Sua infinita bondade adoce os corações dos candidatos a pais adotivos para que possam ver para além da idade, da cor, do feitio...

 

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Todas as crianças têm direito a uma família!

 

 

 

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Quarta-feira, 27.05.15

Solidariedade

 

 

 

A respeito desta notícia, eu não me importava de receber uma criança órfã em minha casa... é estranho eu sei, mas é mais forte do que eu!

 

 

 

 

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Quinta-feira, 07.05.15

O número certo de filhos

Quem pode dizer com quantos filhos seremos felizes?

 

Conheço casais felizes e que não têm filhos, por opção. Outros não têm filhos por razões biológicas e por isso fazem a sua vida seguindo outras metas e outros objectivos, se são felizes? Certamente.

 

Como já aqui escrevi, os filhos são importantes, mas se por qualquer motivo não tivesse sido chamada à vocação da maternidade haveria certamente um outra vocação à minha espera.

 

Mas desde cedo que no meu coração senti o chamamento a ser uma mãe diferente, e o meu marido foi contagiado (positivamente) por este ideal: receber um filho nascido de outra família que por alguma razão não conseguiu ser o seu porto seguro, de forma a que pelo menos uma das milhares de crianças institucionalizadas pudesse ter uma família. Foi uma opção estranha para a maioria das pessoas com quem nós convivíamos na altura, muitas pessoas ainda não perceberam o porquê e isso faz-me confusão.

 

Tomar uma decisão destas, de adoptar, não foi apenas uma decisão racional, mas de coração. Não foi para parecer bem aos outros, não foi uma obra de caridade, não foi por pena, foi como gosto de chamar um acto de amor. E esta nossa filha é tão nossa filha quanto a que nasceu da minha barriga em 2008 e o que há-de nascer em novembro, disso não tenho dúvidas.

 

Ainda antes da decisão de constituir família já havíamos falado da infertilidade que assombra tantos casais, e perante esse cenário já havíamos decidido que não faríamos tratamentos para engravidar, pois sabíamos que existiria uma criança (pelo menos) que poderia ser nossa filha, nós é que ainda não a tínhamos encontrado.

 

Ao ter engravidado sensivelmente na mesma altura em que conhecemos a Margarida as coisas pareceram encaixar nos nossos planos, assim teríamos os dois filhos que já havíamos decidido ter. E como se costuma dizer, assunto arrumado.

 

Mas a vida tem coisas que nós não conhecemos, que nós não imaginamos e um dia dá uma reviravolta que nos deixa a pensar «e se...», claro que o primeiro pensamento a seguir foi «nem pensar».

 

Então a nossa vida parece estar a começar a estabilizar, eu estou na maior parte dos dias sozinha com os afazeres da casa entre compras de supermercado, refeições, limpezas, roupas e por aí fora, com as especificidades de uma filha na escola primária outra a fazer o 8º ano ao abrigo do Dl3/2008, com as tarefas do trabalho, trabalho esse que me ocupa cinco dias e meio por semana, podíamos lá nós pensar em ter mais filhos? E o tempo? E o dinheiro? E a capacidade mental? E a capacidade física?

 

Pois muito bem, como a vida tem razões que a própria razão desconhece, conhecemos muitas famílias que não se prenderam ao que é comum ou seja ter um, no máximo dois filhos, são pessoas normais, alegres e que colocam na família a sua essência.

 

E nós começámos a alargar os nossos horizontes, e pensámos em seguir em frente na opção de aumentar a família, o resto tenho a certeza de que se vai resolver, dia-a-dia, momento a momento! Não vale a pena começar já a entrar em pânico com os "ses", com as hipóteses, com questões que muito provavelmente nem sequer se vão colocar.

 

Com tudo isto não gostava nada de ser rotulada de mãe inconsequente ou irresponsável, quando muito uma mãe meio maluca! Maluca, mas feliz!!!

 

 

 

7 julho 2012 002.JPG

 

 

amor pelos filhos

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 27.03.15

Necessidades educativas especiais #4

Depois de um 7º ano cheio de esforço e com muito trabalho, o 8º ano chegou para deitar por terra o sonho de conseguir alcançar resultados positivos. A matéria das disciplinas revelara-se muito exigente, os bons alunos tremeram com a matemática logo no 1º teste... os alunos mais fracos não conseguiram manter a positiva... a físico-química a mesma coisa, português e por aí fora...

 

Com os trabalhos de grupo, relatórios e testes na mesma semana não restava outra opção a não ser estudar para apenas uma ou duas disciplinas e as notas do 1º período foram uma tragédia.

 

Ao falar com a directora de turma, fui confrontada com uma alternativa que na escola só tinha ainda sido aplicada uma vez, fazer o ano em dois. Caso os pais quisessem, a Margarida faria metade das disciplinas nesse ano e no seguinte faria as restantes. É complicado para nós pais tomarmos decisões destas que têm uma repercussão para sempre.

 

Se por um lado parecia boa ideia uma vez que teria muito mais tempo para estudar e fazer todos os trabalhos, por outro lado parecia que estava a condicionar o seu desempenho logo à partida.

 

Falámos com a psicóloga que se mostrou bastante optimista com esta opção, e assim seguimos para o pedido oficial fundamentado com um relatório completo da psicóloga, bem como um compromisso assumido por mim, encarregada de educação de que nas horas "livres" a Margarida trabalharia com afinco para subir as notas e que eu a acompanharia no seu estudo.

 

No mês de Março do ano passado recebemos a aprovação do conselho executivo e pedagógico e o horário ficou reduzido. Ficou com português, espanhol, história, fisico-química, tic, música, ciências da natureza.

 

Assim, com um horário mais leve e podendo estudar com mais calma chegámos ao fim da 1ª parte do 8º ano com positiva a todas as disciplinas.

 

Este ano é a vez de moral, geografia, inglês, matemática e educação física. Até agora com positiva em todas estas disciplinas!

 

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Sexta-feira, 13.03.15

Necessidades educativas especiais #3

Continuando a história escolar da Margarida... E enquanto nos organizamos por aqui..

 

 

...Depois de um 3º ano verdadeiramente entusiasmante, com conquistas e descobertas fantásticas, eis que o 4º ano se revelou um autêntico desastre.

 

Desde a primeira aula que o objectivo da professora foram as provas de aferição, não deu matéria, não fez actividades, nada mais fazia do que resolver os mil e um exercícios de um livro só de provas que nos mandou comprar, e caso ainda não soubessem a matéria, ela fazia uma mini pausa e dava essa parte, seguindo para o próximo exercício... até de tudo isto foi uma professora que nunca colaborou na educação da Margarida, exigindo o que não devia, "torturando" com conversas que não faziam qualquer sentido, recusando-se a abrir a porta da escola à psicóloga que lá ia para estar com dois meninos (uma das quais a Margarida), correu tudo mal, o que havia para correr, o pior foi mesmo dizer aos meninos que aquilo que acontecia na escola não se podia contar aos pais... e o que lá andava a acontecer era mesmo muito mau, ainda tentei mudá-la para outra escola por altura da Páscoa, mas devido ao ensino especial já não consegui vaga.

 

O resultado das provas foi o que se esperava depois de uma viagem até à escola mais próxima a ouvir a professora a dizer que não a podia envergonhar e tinham de tirar boas notas... foi uma desgraça... e tive uma real conversa com ela, ai se tive... ainda hoje olha para mim meio de lado, pois o filho é da sala da Maria...

 

A passagem ao 5º ano era assustadora e revelou-se mais calma do que o inicialmente esperado... com grande apoio dos professores, uma directora de turma excelente, uma professora de ensino especial totalmente dedicada, adequações curriculares, muito empenho, horas de organização diária, muito estudo... foi realmente um ano de aprendizagem, assim como o 6º ano.

 

No 7º ano as coisas começaram a complicar-se, muita matéria, muitos testes seguidos, trabalhos de grupo e individuais, uma luta constante, mais organização, mais trabalho, horas e horas de estudo... uma batalha quase perdida, mas conquistada com muito trabalho...

 

...O 8º ano previa-se muito, mas mesmo muito complicado...

 

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por Olívia às 10:00

Sábado, 24.01.15

Necessidades educativas especiais #2

Qual é o primeiro passo para nós pais quando um filho entra na escola? Agora eu sei responder, mas há sete anos atrás não tinha bem a certeza... talvez fosse acompanhar os trabalhos de casa, talvez fosse deixá-los ganhar a sua autonomia, talvez fosse explicar mais uma vez aquilo que a professora tinha ensinado... muitos talvez para poucas certezas!

Foi assim que me estreei como mãe no mundo da escola, acompanhando aos fins de semana aquilo que ia sendo feito nas aulas, ajudando na execução dos trabalhos de casa (odiados por tantos pais e uma bênção para mim) recebendo os recados de "cabeça na lua", "preguicita aguda" e "lentidão" e tentado encontrar formas de recuperar algum do tempo perdido.

A primeira coisa a fazer foi um Abecedário com uma letra e uma imagem correspondente (uma letra por cada folha A4) e forrar as paredes do quarto, de manhã à noite ao sábado e domingo a Margarida ia convivendo com essa maravilha que são as letras, depois foi a vez da matemática, contas simples com ajuda de objectos para fazer as adições e subtracções.

Aos poucos foi sendo introduzida a hora dos trabalhos entre tantas actividades que havia para fazer: comer, tomar banho, pôr a mesa, brincar, ler... sempre exigindo 90% para receber 50%. 

Aos poucos o ano escolar (2007/2008) ia decorrendo sem percalços e até com alguns avanços, cada vez a professora ia exigindo mais, nós cada vez íamos "puxando mais" e a Margarida ia trabalhando mais, e não era nada exagerado apenas nos estávamos a deixar levar pela descoberta do mundo da escola! No final desse ano vieram as boas notícias, a Margarida tinha, dentro das suas capacidades, tido resultados positivos e estava no bom caminho.

Mas a mudança de escola estava eminente, se por um lado ia perder a professora e os seus colegas, por outro ia ganhar uma família a tempo inteiro!

Nessas férias a Margarida trabalhou bastante, todos os dias fazia alguma coisa: contas, textos, cópias, tabuadas... pode parecer cruel para muitos pais, mas eu cheguei à conclusão que existem crianças que se não praticam esquecem, e a Margarida era assim. Apenas folgou nas duas semanas após o nascimento da Maria... é que eu também merecia um descanso dos trabalhos... que isto de passar trabalhos também impõe que sejam vistos!

O ano 2008/2009 - matriculada no 4º a fazer o 3º - foi o melhor ano de sempre a nível escolar, com uma professora para as quatro classes que parecia condenar o desempenho, afinal foi exactamente o contrário e movida pelo que  a rodeava tentava superar as suas limitações, foi um ano de muito trabalho, muitas birras, muitos recados devido ao comportamento, mas que tiveram excelentes resultados escolares! O único senão era mesmo o ter de ir para o 5º ano sem ter feito o 4º, e aqui tivemos de intervir e fazer o pedido de retenção devidamente fundamentado ao conselho executivo da escola para que superiormente fosse aprovado.

O início do ano lectivo 2009/2010 marca assim uma nova etapa, a Margarida fica no 4º ano a fazer o 4º ano, e assim entra nos trilhos de uma escolaridade normal, quer dizer normal adaptada estando ao abrigo do DL3/2008...

 

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Quarta-feira, 26.11.14

Necessidades educativas especiais

Qualquer pai ou mãe, a certa altura da vida dos seus filhos sente grandes expectativas no que diz respeito ao progresso escolar, é normal, é saudável e mostra que nos preocupamos. A diferença está em sabermos de antemão que um dos nossos filhos tem necessidades educativas especiais, mesmo antes de ser nosso filho. É esta uma das grandes vantagens da adopção tardia (crianças já crescidas). À partida já sabemos mais ou menos o que nos espera, resta-nos aceitar as limitações e trabalhar para incutir bons hábitos de estudo e de organização, que a meu ver faltam a grande parte dos alunos e não apenas aos de famílias disfuncionais, mas isso já é outra história!

Para alguns pais identificar ou perceber que os seus filhos não aprendem ao ritmo dos outros é chocante e penso que a maioria nem quer acreditar e ignora, mas um dia acaba por perceber e não podendo lutar contra isso tem mesmo de aceitar, este é o passo mais complicado. Se algum dia no passado, alguém me dissesse que uma das minhas filhas ia ter problemas de aprendizagem eu até me iria rir podem acreditar e no entanto quando isso aconteceu para mim foi simples e normal!

Quando conhecemos a Gui, ela estava matriculada no 3º ano a fazer uma espécie de 2º ano, com um programa específico para ela, era a típica aluna que andava na escola porque era obrigada, que estava sentada numa mesa com os meninos da classe "atrasada" e que aos 10 anos estava sem expectativas e sem objectivos, penso até que muitas das vezes nem percebia bem qual era o objectivo de estar na escola o dia inteiro.

Para todos os pais que têm filhos com estas necessidades educativas especiais aquilo que aqui estou a escrever não é uma novidade, mas para os pais cujos filhos são excelentes alunos talvez seja interessante saber que estas crianças não estão nas turmas ditas normais para "empatar" ou para atrasar a matéria, estão lá porque alguém acredita que a integração ainda é a melhor forma de crescer e aprender e não, não é o ministro Nuno Crato, que esse disse para quem quis ouvir que estes meninos estão integrados para que Portugal fique bonito na fotografia, ou seja para efeitos administrativos já que na prática só podem contar com a dedicação dos poucos professores de ensino especial e dos professores que acreditam que o tempo neles investido é positivo (isto foi um desabafo)...

Assim sendo, até hoje nós pais tivemos de travar algumas batalhas contra o desinteresse escolar da Gui, e a passinhos de caracol cansado fomos evoluindo, quer no desempenho, quer na autonomia.

Eu ainda acredito que devemos educar os nossos filhos para que sejam autónomos na sua vida escolar, portanto o primeiro passo foi criar hábitos de estudo e de trabalho, horários específicos para estudar.

Mas o caso da Gui era sem sombra de dúvidas realmente preocupante, ela sabia copiar do livro, mas lia muito pouco e a matemática então era o mínimo dos mínimos, às vezes olho para trás nem acredito o quanto já progrediu...mas porque o texto já vai longo, voltarei a ele para registar a nossa caminhada escolar!

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 «O pai que corrige o seu filho ficará satisfeito com ele;

no meio dos seus conhecidos, orgulhar-se-á dele.»

BEN SIRA 30:2

 

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por Olívia às 06:00

Quinta-feira, 13.11.14

As dúvidas #4

Quando as pessoas se apercebem que a nossa família tem algumas particularidades que outras não têm, surge mais uma questão, é ela:

«Se soubesses o que sabes hoje, voltavas a adoptar?»

A resposta é sim.

Perante as mil e umas frases feitas, conselhos, conversas, exemplos que nos relatam em que o final é sempre trágico, eu voltava a fazer o mesmo, até porque para nós esta é uma forma natural de maternidade e paternidade e não um daqueles "bichos de sete cabeças" como muitas vezes no fazem crer.

Todas as crianças/adolescentes são diferentes, todas têm momentos bons, todas são teimosas, todas acham que sabem muito, todas precisam de pais que os orientem e lhes mostrem o caminho. Fazemos a nossa parte e quando eles têm de seguir  a sua vida escolhem o caminho, tal como nós escolhemos o nosso independentemente de ser o que os nossos pais sonhavam para nós.

Não é por me virem com estatísticas de que os filhos adoptivos dão problemas que me convencem que fiz um disparate... não é porque A ou B adoptaram e os filhos escolheram maus caminhos que eu vou pensar que todos são assim.

É por saber que isso acontece aqui ou ali que me esforço por transmitir bons valores às minhas filhas, com palavras e exemplos, é isso que me faz querer seguir uma educação com bases católicas onde a todo o momento podemos encontrar animo e palavras de amor, onde em comunidade e família nos podemos entregar nos braços da nossa Mãe Maria, onde vemos na família de Nazaré (não esquecer que José adoptou Jesus) um grande exemplo de amor sem fim, de educação, de trabalho em conjunto!

Portanto, voltaria a adoptar. Sem qualquer dúvida ou reserva.

amor pelos filhos

 

 

 

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Sábado, 08.11.14

Famílias de amor

Conheci por acaso uma senhora que veio comprar linhas e fita para colocar nuns cortinados de criança, ao sair como é habitual desejei-lhe "boas costuras" ao que ela me responde que no fim de semana não iria costurar pois era o dia da família se juntar na sua casa. Olhei para ela (com cerca de 60 anos) e não resisti a perguntar se eram muitos.

- 25, entre filhos, noras e genros e netos. Bem, a casa vai estar cheia de gente, é sempre uma animação quando se junta toda a gente... e ninguém falta ao combinado!

Por momentos desejei um dia, do alto dos meus 60 anos, ter esta reunião mensal em que a família se junta em clima de alegria e ninguém falta! O que a senhora me contou a seguir deu para encher o meu coração de uma alegria ainda maior! Dos seus sete filhos, três são adoptivos a que se vem juntar um menino de ano e meio, filho do filho mais novo ainda solteiro.

Descobriu esta avó que a namorada do filho tinha estado grávida e entregou o bebé para a adopção, fez as contas nessa noite e na manhã seguinte estava à porta da CPCJ a tentar explicar que o bebé era neto dela e não podia deixar ir o menino, ouviu uma resposta seca: a senhora nem sabe quem é o pai do menino... ela insistiu dizendo que não importava...e de tanto insistir fizeram o teste (foi então que o filho soube da criança), e era mesmo filho dele!

Trataram do processo e um ano e meio depois o menino já está com eles!

Existem tantas famílias cheias de alegria e de amor à nossa volta, onde o mais importante é a relação que têm uns com os outros! Onde ninguém quer faltar à reunião mensal, ao almoço semanal, ao jantar diário, onde tudo podem deixar de lado apenas para partilharem a alegria do convívio familiar! (ok eu sei que já se estão a recordar das birras ao jantar, mas daqui por 30 anos isso vai ser certamente motivo de risadas e piadas...)

Numa época em que se vêem tantos casos de famílias disfuncionais e destruídas é tão bom olhar e ver que há esperança, que o amor tudo pode!

adopcion5

 

«O amor é paciente e prestável. Não é invejoso. Não se envaidece nem é orgulhoso. O amor não tem maus modos nem é egoísta. Não se irrita nem pensa mal. O amor não se alegra com uma injustiça causada a alguém, mas alegra-se com a verdade. O amor suporta tudo, acredita sempre, espera sempre e sofre com paciência.»

1 CORÍNTIOS 13:4-7

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