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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Mudar cá dentro

Durante muito tempo convenci-me de que precisava das minhas coisas, não para ser feliz, mas para viver estavelmente. Não só gostava de as ter como gostava de as ver. Molduras, estatuetas, caixas, potes, livros... e por aí fora. Sentir que tinha as coisas ali "à mão" dava-me aquela falsa sensação de controlo. Falsa, sim. No fundo sempre tive a noção de que não importa a quantidade de coisas que se tem, importa muito mais quem temos connosco.

 

Mesmo assim, por diversas situações que vivi deixei de ter controlo nas coisas que guardava e nas que não me faziam falta, e durante muitas vezes parti numa aventura de organizar a casa, mas comecei pelo fácil: umas etiquetas bonitas nuns frascos e esse género de coisas. Pouco tempo depois desistia porque aquilo da organização era para gente pindérica e que não tinha mais nada para fazer.

 

Quanto mais coisas guardava e tinha em casa, menos vontade tinha de as arrumar, isto porque não estou o dia inteiro em casa, porque somos muitos a desarrumar, porque podia ser preciso e assim já estava ali à vista ou ainda porque era preciso mudar isto ou aquilo e só depois se pode arrumar melhor... e assim uma pessoa começa a inventar desculpas (ao género daquelas que inventamos quando não queremos reconhecer que estamos a engordar e nada fazemos para contrariar) é um estado quase depressivo no que à lida da casa diz respeito, adia-se, finge-se que não se vê... habitua-se a ver (afinal há piores)... e sempre a piorar...

 

Um dia, ouvi uma blogger no seu canal do youtube a dizer uma coisa que me fez abrir os olhos:

 

Valoriza a casa que tens, como está agora, não como querias que fosse. Cuida dela, mima-a, porque a tua casa pode não ser tão bonita como as do Pinterest, pode não ter aqueles acesórios todos chiques, mas é a tua casa, faz dela um lar! Pior do que uma casa humilde e antiga é uma casa suja e desarrumada"

 

Toma lá! Sinceridade da mais pura! De que estava eu à espera para mudar? A minha casa nunca será perfeita, mas pode ser funcional e simples. É neste ponto que me encontro. Começar pelo mais difícil: tirar tudo dos armários e fazer "montes" de coisas semelhantes (roupas, brinquedos...), depois é escolher e tirar de casa - tirar mesmo - o que não nos serve.

 

Dá trabalho. Cansa. É desesperante. Muitas vezes frustrante. Não se consegue fazer tudo num dia. Mas, com força de vontade, dá para começar num sítio e ir avançando. Eu comecei pelas áreas piores: o roupeiro do meu quarto, a bancada da cozinha, os roupeiros da Lúcia e da Maria, juntar todos os brinquedos no quarto, ... quem quer ir vendo é clicar no Instagram e ir dando uma vista de olhos.

 

Neste momento não há volta atrás. Tenho ocupado cada pedaço do meu tempo para fazer da minha casa um lar, para ter gosto em acordar de manhã e ver uma casa limpa e organizada. Se é fácil, não é. Mas não vou desistir.

 

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Podem ouvir aqui este belo podcast em inglês... para quem é como eu e quer mesmo mudar. (Dá para ouvir enquanto se passa a ferro, por exemplo)

 

 

 

 

Tarefas domésticas

AVISO: »»---- Post não recomendado a feministas pessoas sensíveis----««

 

Cada família tem uma rotina própria no que a tarefas domésticas diz respeito. Se há ou não divisão ou se há tabela rotativa de tarefas, esse género de coisas. Aumentando a família, aumenta o trabalho, aumenta a quantidade de roupa, de loiça, de compras no supermercado, as paredes aparecem misteriosamente riscadas, cortinados cortados ou rasgados e muito, muito lixo para gerir!

 

Sair de casa dos pais, além de se poder ter o próprio espaço, implica gerir uma casa, que por sua vez inclui - além de escolher toalhas a combinar com os pratos e copos para várias ocasiões - a limpeza e a manutenção do espaço... e toda a gente que já saiu de casa dos pais sabe... dá muito trabalho!

 

Na nossa casa sou eu quem cuido da limpeza, da roupa e da comida. Juntamente com a minha descendência -as mais velhas - esforçamo-nos por manter o nível básico de limpeza e arrumação da casa, por fazer a comida e por ter roupa lavada e passada nos roupeiros. Nunca tivemos empregada doméstica e não está nos nossos planos vir a ter. Em alturas criticas a minha mãe deu-nos sempre uma grande ajuda, neste momento prefiro que ela fique com a Lúcia e dedico-me mais à casa.

 

Nestes mais de catorze anos de "gestora da casa" já falhei muitas vezes e em muitas coisas. Alturas houve em que a casa estava sempre muito bem cuidada, depois aquela época terrível em que deixei de querer saber e ainda a época em que quase-quase consegui ter a casa minimamente em ordem... depois chegou a Lúcia e novamente as coisas começaram a "andar", quanto mais deixamos "para depois", menos fazemos, porque o depois demora muito a chegar. Quero com isto dizer que existiram fases na minha vida em que não tive nem tempo, nem coragem para cuidar da casa como deveria.

 

Sendo que é suposto sentirmo-nos bem em casa, sabendo que não ser a fada do lar esperada não é um defeito, mas uma realidade resolvi recomeçar. Não do zero, porque é impossível retirar tudo de casa e começar de novo, mas do ponto onde estamos.

 

  1. Eu quero que a minha casa seja um local simples, limpo, arrumado e organizado
  2. não tenho tempo para me dedicar a "limpezas de verão" e
  3. temos muita tralha em casa

 

Desta vez, mudei de atitude, se antes considerava que era um sacrifício cuidar da casa, ter mil e uma outra coisas para gerir ao mesmo tempo; passei a considerar o tempo que dedico à casa um tempo de doação, de amor e um tempo meu. Posso ter uma casa à minha imagem, posso colocar tudo o que sou nestas pequenas tarefas aborrecidas, posso oferecer à minha família uma casa cuidada.

 

Isto já vai longo, mas como o blogue é uma espécie de diário, vou continuar...

 

Com a decisão tomada só precisava de força e coragem. Porque a casa estava uma verdadeira confusão (pena ter tão poucas fotografias do "antes" e nenhuma dos sacos de lixo que já retirei... Assim pensei em recorrer à minha "dose de vitaminas" para ganhar mais energia, comecei pouco a pouco, uma hora por dia, as tardes de sábado, as manhãs de domingo... e vejo o quanto já consegui fazer, mais do que "organizar" vejo que esta força e coragem finalmente chegaram, sem sequer ter ido à farmácia! Quantas graças dou em cada dia por esta mudança! Quantas ainda tenho de dar!

 

Não tenho uma data para concluir esta tarefa, mas sei que o farei nos próximos meses.

 

Então e o teu marido, perguntam vocês? Ah... o meu marido tem sido uma grande ajuda, remodelou o nosso quarto o que me obrigou a retirar tudo de lá, colocou chão no roupeiro o que me obrigou a tirar tudo de lá, pintou toda a parte de cima da casa (escritório - sala - espaço de biblioteca) o que... sim, me obrigou a tirar muita, muita coisa de lá!!!

 

É o meu marido que mantém as coisas em funcionamento, é ele que repara, que concerta, que aparafusa e fura, que tem grandes ideias para mudar a casa e ajuda na sua concretização... é ele que incentiva a ideia de destralhar, tendo já feito grandes progressos nas suas "zonas de trabalho", sim, o meu marido não aspira, nem faz comida, não lava loiça, nem passa a ferro, mas tem grandes responsabilidades na manutenção da casa e do quintal... dos carros e das ferramentas das obras... e dos mimos às suas quatros mulheres da casa!

 

Ele é o pilar, eu sou a trave e é assim que a nossa casa, o nosso lar, a nossa família se vai mantendo erguida!

 

 

 

 

 

 

 

As férias e a exploração de mão de obra infanto-juvenil*

Este ano estou muito confiante. Acho que os quatro dias fora me deram outra perspectiva das coisas... enfim, estou a tentar. Então e o que é que mudou nestas férias? Muita coisa. 

 

A grande mudança é que decidimos dar uma oportunidade às nossas filhas mais velhas para mostrarem que são responsáveis e que podemos confiar nelas para ficarem em casa uma parte do dia. A nossa aldeia é pequena, mas sempre me senti com receio de lá deixá-las sozinhas... este ano (e porque investimos num telefone fixo para casa) estou bem mais tranquila, vou ligando, elas ligam quando precisam e as coisas têm corrido bem! 

 

Durante as horas em que ficam em casa (não ficam todo o dia porque vão para os avós um bocado) ficam com a lista de afazeres e com liberdade para verem desenhos animados durante um bocado, o curioso é que - talvez por não estarem habituadas - cansam-se logo e acabam por desligar a televisão... ajudam nas arrumações, e provavelmente embirram uma com a outra!

 

O costume entre irmãos, portanto.

 

 Até à data esta opção está a ter bons resultados, as nossas filhas estão entretidas nas suas coisas, estão em casa à vontade (a loja é pequena) e ainda ajudam nas tarefas de casa.

 

Coisas que fazem parte das listas diárias afixadas no figorífico pela manhã:

  • estender a roupa (deixo tirada da máquina, dobrada num cesto)
  • colocar a loiça na máquina/arrumar a loiça da máquina
  • varrer a cozinha
  • despejar o lixo
  • lavar caixotes e colocar sacos novos
  • apanhar a roupa seca
  • dobrar o que não se passa a ferro

 

 

 

 

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* esta palavra nem deve existir...

14 anos de amor e de tralha

Por mais voltas que eu queira dar ao assunto volto sempre ao mesmo ponto: temos tralha demais em casa.

 

No último ano mudei radicalmente de pensamento, deixei de querer guardar todas as recordações e coisas com “memórias” para passar a ter uma casa mais “arejada”, mais livre de coisas por todo o lado.

 

Mas, há sempre este “mas”, não me parece que as pessoas mudem do dia para a noite e não me parece que se consiga fazer esta mudança em pouco tempo (devia ter sido em 30 dias).

 

Estamos no segundo semestre e devo confessar que ainda me falta chegar a muitos cantos para fazer a derradeira escolha.

 

E, se num dia estou altamente inspirada e faço montes de projetos, no dia seguinte estou sem vontade de limpar e arrumar. Posto isto, resolvi mudar de tática:

 

  • Devagar se vai ao longe

De agora em diante vou concentrar-me em pequenas tarefas, uma de cada vez. Se “destralhar o quarto” me parece um absurdo e me recorda que devo precisar de semanas a fazer tudo, “destralhar as mesas-de-cabeceira” já me parece uma tarefa menos dolorosa.

 

  • Aproveitar o momento

É preciso aproveitar as alturas em que estou muito motivada, porque uma hora cheia de motivação rende-me mais do que um dia inteiro desmotivada. O conceito “power hour” veio dar-me um grande incentivo nestas coisas.

 

  • Grão a grão…

Bem sei que organizar uma casa leva tempo, e é preciso tempo para que todos comecem a colaborar nas pequenas alterações, a ponta da mesa tem sempre coisas em cima, os papéis acumulam na entrada, os brinquedos ganham asas e voam por todo o lado… mas se for menos exigente e mais persistente acabarei por ver resultados… eventualmente

 

  • Cada macaco no seu galho

Tudo numa casa tem um sítio para ser guardado. Se não está a ser usado é bom que volte para lá o quanto antes, ter um cesto ou caixa de tamanho médio é uma grande ajuda na recolha das coisas espalhadas e no encaminhamento para o seu poiso. Quando muito arquivamos o que sobra no “arquivo central do estado” (aka lixo)...

 

Quem muda de casa com frequência provavelmente nõ junta tantas coisas... porque nas mudanças as pessoas escolhem sempre aquilo que vale a pena levar e o que já não faz falta. Nós nunca mudámos de casa, por isso vamos guardando mais isto e mais aquilo porque "pode fazer falta". Passam os anos e as coisas ficam. Tenho feito limpezas e arrumações, mas deixo sempre as minhas tralhas de estimação bem guardadas, quer dizer deixava. Agora tudo o que não me faz falta, tudo o que não uso há pelo menos um ano, está de saída!

 

Na cozinha já se nota esta pequena revolução... na sala, nos quartos também! Trabalhámos bastante neste fim de semana! Até tivemos tempo para começar alguns projetos de fotografia!!!

 

 

 

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Power hour

O conceito foi desenvolvido por uma mãe americana que optou por ficar em casa com os filhos em vez de trabalhar fora. Tal como se pode imaginar, estar em casa não significa que se tenha sempre tudo muito limpo e arrumado, pois todos sabemos como fica a nossa casa depois de um fim de semana com os nossos filhos a brincarem com todos os brinquedos e mais algumas coisas que entretanto encontram por ali!

 

A power hour, é um desafio. Como funciona?

 

  1. Fazer uma lista de tarefas a fazer numa hora
  2. Desligar todas as distrações: campainha, TV, Internet, etc etc
  3. Escolher uma playlist com as músicas que mais nos ajudem a ganhar energia
  4. marcar 1 hora no temporizador (telemóvel, ou cronómetro)
  5. Seguir a lista, sem parar, fazendo o máximo que conseguirmos durante essa hora.

 

Podemos usar esta técnica por exemplo para:

  • organizar uma única divisão (escritório, cozinha)
  • Recolher e arrumar tudo o que esteja fora do sítio em toda a casa
  • escolher (lixo, guardar, dar) brinquedos, roupas...

 

Hoje farei a minha primeira Power hour para dar uma geral na casa!

 

Depois conto como foi!

 

 

 

 

Desafio limpeza em 30 dias #2

Estamos praticamente no final do prazo para terminar as grandes limpezas. E o que era esperado não aconteceu. Mais uma vez fui demasiado exigente comigo mesma. Tentei copiar esta ideia de traçar uma meta e cumpri-la esquecendo-me do fator "imprevisto", esquecendo-me de que trabalho fora de casa, de que tenho obrigações profissionais cujos prazos são bem mais importantes e acima de tudo esquecendo-me de que tenho família.

 

Durante a semana o tempo não sobra, ao fim de semana preciso de fazer as tarefas básicas de quem não tem empregada doméstica e preciso de ser mãe e esposa. Já adiantei bastante na parte da zona de brincar e dos livros. Estão agora bem mais organizados por idades e tipos, os brinquedos também foram arrumados deforma a estarem acessíveis... mas estamos naquela fase em que a Lúcia pura e simplesmente pega em tudo e espalha pelo chão, gosta de brincar, entretém-se, mas não sabe arrumar - sim, eu sei, 16 meses é pouco - e ver sempre tantos brinquedos pelo chão é daquelas coisas que eu já não me lembrava!

 

A parte do "escritório" também está muito melhor, falta ainda escolher e arquivar muita coisa, mas já tenho espaço para trabalhar. Além de que resolvi aproveitar a mesa pequena da cozinha que já não usamos como mesa de trabalho para fazermos trabalhos manuais sem estarmos sempre com pressa em arrumar tudo na hora das refeições como acontecia quando usávamos a mesa onde comemos.

 

Nos quartos só falta mesmo ver os roupeiros. Vou aproveitar quando estiver o tempo melhor e precisar de escolher umas roupas mais "primaveris" para retirar tudo e só arrumar o que nos fizer mesmo falta. As roupas da Lúcia que já não servem estou a dá-las todas a uma prima que vai ter uma menina, sacos e sacos já foram despachados! No meu quarto coloquei um móvel com os meus livros, reorganizei as gavetas da cómoda e das mesinhas de cabeceira. 

 

Tenho ainda os posters para colocar nas paredes e a montagem que vou fazer com as fotografias que tirei das molduras que andavam espalhadas pela casa, assim, aproveitando os meus quadros vou fazer várias montagens por temas: família, festas, acontecimentos marcantes, passeios e expor nas paredes. Muito mais fácil de limpar!

 

A cozinha foi alvo de uma grande escolha no ano passado, por isso apenas a despensa está uma tragédia... mas lá chegarei. 

 

Não vou cumprir os 30 dias, está visto. Mas, mais importante do que as arrumações e as limpezas, escolhi aproveitar melhor o tempo em família, logo escreverei sobre isso!

 

Há sempre uma grande lição de humildade a retirar do nosso fracasso. Reconhecer a nossa humanidade. As nossas limitações. Tentar. Cair. Levantar. Voltar a tentar.

 

Viver também é isto.

É saber que sou livre:

Para escolher...

Para avançar e para parar...

Para sorrir e para chorar...

Para cantar ou para calar...

Para ter ou para ser...

Para ir ou para ficar...

Para sobreviver ou para viver...

 

 

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