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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

03
Abr17

Recarregar baterias


Olívia

Sábado passado foi dia de fazer uma pequena pausa nas tarefas para podermos estar presentes no retiro da quaresma em Fátima. Não foi nada fácil encontrar tempo para ir, aliás, só confirmámos a nossa presença na tarde de sexta feira... o que para uma pessoa com a mania de programar tudo como eu é dose!

 

Mas, nem o facto de não ter nada preparado para o almoço partilhado ou para os lanches foram motivos para desanimar! A nossa família precisava deste dia. Desta vez, sem grandes stresses optei por simplificar, nas comidas, nas roupas, nas listas... tive apenas preocupação de levar comida para a Lúcia, bolachas para os lanches e lombo fatiado para o almoço (faço na panela de pressão para ser mais rápido), mais umas batatas fritas de pacote e já está!

 

No dia do retiro todos acordam bem dispostos! Todos se despacham depressa, em poucos minutos levamos tudo para o carro e fazemo-nos à estrada! À entrada de Fátima somos prendados com uns pequenos pingos de chuva, nada que abale a alegria de em breve estarmos com os nossos amigos!

 

Para não variar muito, fomos dos primeiros a chegar!!! E, aos poucos fomos matando as saudades de quem nos é muito querido, mas vive longe!

 

Enquanto a sala se ia compondo com as famílias que chegavam, tivemos oportunidade de ver a linda imagem da Mãe de Caná - em fotografia - e aprender o hino do movimento, até sábado passado considerava que o "hino" fosse "Eu e a minha família serviremos o Senhor", apesar de nunca o ter dito, era um cântico que nos identificava! Mas, este novo hino é tudo! Tudo o que somos, o que vivemos, o que sentimos, o que esperamos! A música do refrão fica no ouvido (digo eu que não percebo nada de música).

 

Quando as nossas queridas educadoras Vera e São chamaram pelas crianças para irem para uma outra sala falar de Jesus, todos foram em fila... incluindo a nossa Lúcia! Eu fiquei a olhar... e aproveitei para entregar a chucha e um iogurte, sem que ela desse conta. E assim, sem eu sequer ter imaginado consegui ficar a escutar o ensinamento sossegadamente (com uma ou outra interrupção para ajudar mais crianças a encontrarem a sua sala).

 

E, tudo isto foi muito mais do que eu alguma vez pedi! Valeu o esforço, o tempo que dedicámos ao retiro, a viagem, a roupa por passar, a cozinha por arrumar, o chão por aspirar, os orçamentos por fazer, o escritório por organizar... valeu cada segundo em que escutei o ensinamento, em que partilhámos uma refeição, em que percorremos a Via Sacra passo a passo, com carrinho, sem carrinho, a dar de comer, a mudar fraldas, em busca de água... cada segundo!

 

Para casa trazemos sempre mais do que levamos, trazemos a mensagem, trazemos uma ou duas frases marcantes, trazemos o coração cheio, a alma tranquila, um sorriso no rosto, o cansaço no corpo, mas também trazemos energia para no domingo conseguirmos receber os avós para o almoço do aniversário da Margarida e para fazer tudo que não fizemos no sábado!

 

Hoje sei que sou uma pessoa muito grata.

A Deus.

A todos os que estiveram lá.

Aos que não foram, mas estiveram connosco em pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08
Fev17

Perseverança


Olívia

 

Dicionário:

 

per·se·ve·ran·ça
(latim perseverantia, -ae)

substantivo feminino

1. Qualidade ou acção de quem persevera.

2. Constância, firmeza, pertinácia.

3. Duração aturada de alguma coisa.


"perseverança", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/perseveran%C3%A7a [consultado em 08-02-2017].
 
 
Bíblia:
 
Sir. 2, 14
 
«Ai de vós que perdestes a perseverança:
que fareis, quando o Senhor vos pedir contas?»
 
 
----**----**----
 
 
Ser família de Caná é perseverar numa caminhada cheia de desafios, com muitas incertezas, obstáculos, surpresas, mas é acima de tudo caminhar para Deus sabendo que não estamos sós. Aqui perto ou lá mais longe, existem famílias que caminham com tantas ou mais dificuldades que nós, que seguem, abrandam, recomeçam e voltam a caminhar, mas não desistem.
 
 
Hoje em dia cada família tem uma agenda apertadíssima, demoramos tempos e tempos para marcar um encontro para beber café com aquela pessoa - um encontro de vinte minutos - se tivermos de sair de casa então... nem se fala. Eu detesto aquela velha máxima de "antigamente é que era bom", porque é mentira. As pessoas tinham mais tempo e os miúdos andavam até tarde na rua em bandos, é verdade. Faziam piqueniques e passeios a pé, também é verdade. Mas tinham muitas outras coisas terríveis... lavavam roupa à mão, não havia aquecimentos e a comida demorava muito tempo até estar feita...
 
Hoje habituámo-nos a outros confortos, trabalhamos para manter a nossa vida de forma mais ou menos estável, mas andamos sempre ocupados.
 
Quando há cerca de três anos (meu Deus!) iniciámos a caminhada nas famílias de Caná, não tínhamos "metas", nem "expetativas", simplesmente sentimo-nos impelidos a aceitar o desafio. Daí a algum tempo, eu queria mais, queria famílias com quem conviver, conversar, trocar ideias, mas queria-as aqui ao pé de mim... e eu não moro nas ilhas Berlengas!!! Moro no coração da lezíria ribatejana! 
 
 
- Onde estão as famílias? Porque não lêem o site? Porque não nos contactam? Será que têm vergonha? Medo? 
 
 
Deve ter sido o facto de eu ser tão chata que Deus me mandou uma outra família, completamente diferente da minha para connosco formar uma pequena aldeia!
 
 
- Mas moramos tão longe... é tão difícil encontramo-nos! Será que vale a pena continuar? Será preciso pedir-Lhe com mais insistência que aumente o nosso tempo em conjunto?
 
 
Se Deus tem filhos muito chatos, eu devo estar no top 5. Nunca estou contente, não é? Eu queria ver as famílias juntas, cantar cânticos, fazer jogos e atividades... eu queria mais, muito mais! Ah se a Sónia morasse aqui... ou a Elsa... mas a nossa realidade é outra!
 
 
 Neste momento, embora a aldeia não se reuna com frequência continuamos a comunicar e unidos na fé. Será que é suficiente? Não sei. Mas sei Quem sabe... vou insistir e pedir um sinal... nem que seja pequenino... até lá, vamos vivendo na simplicidade dos primeiros tempos, de coração aberto e vigilante!
 

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26
Jan17

O Ano novo, o tempo comum e a nossa vida


Olívia

Eu queria escrever um bom texto sobre a vivência do ano litúrgico em família e não estou a conseguir por falta de tempo.

 

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No fundo gostava de deixar aqui um pequeno registo sobre a forma como temos acompanhado o novo ano (não o 2017, mas o Ano A), sobre as nossas catequeses em família, os tempos de oração e a nossa nova rotina do dia a dia.

 

Assim e de forma bastante resumida tenho procurado retomar o meu plano bíblico (estou no dia 281 de 365), também tenho um bloco de notas para apontar as passagens mais marcantes, como num diário. Temos procurado fazer todos os dias a oração da manhã em casa, mas quase sempre acabamos por fazê-la no carro. Em cada dia, uma de nós - a responsável do dia - enuncia as intenções desse dia, oferecendo assim todo o nosso trabalho, esforço, todas as nossas conquistas, invocamos os santos padroeiros e fazemos a consagração à Mãe de Caná.

 

No regresso a casa rezamos o terço, são cerca de vinte minutos o percurso e quase sempre conseguimos concluir todos os mistérios orientados pela responsável do dia, ao serão cantamos e rezamos o Shemá, agradecemos as várias coisas que recebemos nesse dia e pedimos ao Anjo da Guarda que tome conta de nós.

 

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Também retomámos as catequeses em família, uma vez que houve mudanças nos horários e temos tido algumas consultas médicas que impossibilitam a ida à catequese. 

 

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Procurei também dedicar-me às cartas da Palavra Partilhada, e aqui surgiu-me uma grande dificuldade: como as cartas são manuscritas e com o aumento das inscrições não estou a conseguir escrever uma carta por mês para cada pessoa, por isso, dividi em dois grupos e alternadamente vou enviando as cartas sem data marcada, uma coisa é certa: ninguém ficará sem a receber!

 

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 Ah... rezem por mim, para que não caia no desanimo quando me vejo atrapalhada no meu dia a dia!

 

 

19
Jan17

Percalços de viagem


Olívia

Algumas das cartas da Palavra Partilhada de dezembro foram devolvidas aqui à precedência... porque me enganei nas moradas, é de facto muito aborrecido para quem aguarda a carta e ela teima em não aparecer.

Agora não sei o que fazer.

Mandar a carta antiga que falava do tempo do Natal novamente (uma vez que já está escrita)?

Mandar apenas a de janeiro.

Juntar as duas...

Preciso de ajuda...

 

---

 

adenda:

 

Seguiram hoje as cartas que deveriam ter sido entregues em dezembro. As cartas foram escritas, a mensagem poderá significar algo de importante para cada uma destas pessoas e é por isso que, mesmo tarde, foram enviadas.

De facto, basta uma pequena distração e um algarismo errado numa morada ou código postal e a carta não chega ao destino. Tenho imensa pena que tenha acontecido, mas todos somos humanos, certo? Prometo a mim mesma fazer melhor desta vez.

Obrigada pela compreensão.

 

 

 

 

15
Set16

E assim começa mais um ano letivo


Olívia

Hoje, as minhas duas filhas mais velhas iniciaram o ano letivo 2016-2017. Mais um recomeço, mais uma fase que se inicia. Novas rotinas estão a ser desenhadas e espero que os próximos dias sejam como o de hoje. Sem pressas. Sem correrias. Sem nervos. Sem atrapalhações. Com vontade. Com entusiasmo. 

 

Por um lado a Maria estava eufórica pois ontem, na reunião encontrou as suas colegas e sabia desde logo que hoje o recreio iria ser preenchido com muita, muita brincadeira. A professora é a mesma. A escola também.

 

Por outro lado a Margarida estava bastante apreensiva com a nova turma, ela que entra numa turma de 9º ano a fim de fazer as disciplinas da segunda fase sabe que a turma vem em conjunto do 7º e 8º pelo que as amizades já estão vincadas. Mais uma vez ela é a nova aluna numa escola que já conhece bem, no entanto terá as suas amigas do ano passado bem perto nos intervalos o que é muito bom. Ontem recebemos uma grande graça: a diretora de turma é a mesma que ela tinha tido no 7º e na primeira fase do 8º ano, conhece a sua história, já trabalhámos em conjunto o que é uma enorme ajuda. Apenas foi preciso alguns minutos de conversa para que ficasse a par dos últimos acontecimentos. 

 

Este ano as duas irmãs regressam também à catequese na comunidade aqui da cidade, uma vez que já me reorganizei não há necessidade de deixar passar mais um ano, continuaremos as nossas catequeses familiares aqui em casa, mas elas poderão também conviver e crescer juntamente com os seus pares.

 

Ontem à noite, ao ligar o computador para ouvir os "nossos cânticos" no site das FC (como também já tinha feito no dia anterior) enquanto trabalhava mais um pouco na separação do material escolar, que vergonhosamente deixei para o último dia, pensava no quanto estes dias são difíceis para os jovens e crianças que não têm plena confiança e si próprios, para os que não têm o apoio de ambos os pais, para os que não podem exibir o material da infindável lista por não terem condições de o comprar... recordava os meus primeiros dias de aulas, receosa e cheia de dores de barriga... pensava na pressão que muitos alunos sentem nesta véspera em vez do incentivo que era suposto.

 

Decidi que quero ser a mãe que prepara os lanches com ternura e relembra dia após dia para não se esquecerem dos óculos, do cartão da escola e beber água durante o dia... decidi que não serei a mãe que só sabe criticar e exigir... decidi que quero estar cada vez mais atenta e participar cada vez mais no processo de estudo de todas as minhas filhas, decidi que não importa a idade de cada uma, ambas merecem a mesma atenção, cuidado e dedicação.

 

Hoje levantei-me mais cedo, preparei os pequenos almoços e os lanches, preparei as mochilas e os sacos de material, os livros ainda sem terem sido forrados, porque ontem cedi ao cansaço de um dia de reuniões e de compra de boa parte do material, não importa. O essencial não faltou, uma palavra de coragem, de alento e a nossa oração da manhã, feita no carro a caminho da escola, uma oração muito simples que repetimos todas as manhãs, oferecemos o nosso dia e o nosso esforço, pedimos a interseção dos nossos santos padroeiros e consagramo-nos à Mãe de Caná (sendo esta a sexta bilha, e a forma simples como a conseguimos viver no dia a dia)

 

Prontas para mais um dia, gostava apenas de partilhar a frase que ficou ontem no último slide do power point do 3º ano e que não esqueci:

 

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Um bom ano para todos!

 

 

 

 

14
Set16

A realidade


Olívia

Expetativa: Amanhã (segunda feira passada) começo finalmente a fechar a loja às 19 horas, levo uma pizza do supermercado, ponho a piza no forno enquanto trato da Lúcia e comemos com sopa. 

 

Realidade: Esqueci-me de trazer jantar para a Lúcia que come antes das sete. Dei-lhe um suissinho e bolacha para entreter, já não consegui passar no supermercado, não tinha nada para o jantar descongelado. Mal cheguei dei a sopa à Lúcia, depois fui fazer uns bifes meio congelados e massa enquanto a Lúcia chorava agarrada às minhas pernas praticamente debaixo do fogão, eu quase a colapsar cheia de fome que me esqueci de lanchar. A Margarida toma banho, depois a Maria, põe a mesa, a Lúcia não acalma, o pai não chega (foi ver um trabalho), quase grito cheia de nervos, respondo meio torto a uma filha, depois à outra. Vamos comer, a Lúcia sentada à mesa a comer banana em pedaços com a mão, silêncio. Rezamos, acalmamos, comemos e conversamos. Tudo começa a acalmar, eu começo a acalmar e a sorrir um pouco. No final fazemos a oração da noite e seguimos com as tarefas. 

 

A vida é muito mais do que duas linhas de expetativas. A vida é a realidade que nos é colocada à frente para vivermos. Com choros, birras, contratempos, atrapalhações. Não há nada mais sagrado do que esta vida que temos agora para viver. No meio do meu desespero, naqueles vinte e cinco minutos que pareceram horas só uma coisa me fez aguentar, ali, mesmo quase no limite das minhas forças fechei os olhos e confiante disse: Nós, Jesus vamos fazer isto

 

Claro que não é uma fórmula mágica, é uma súplica, um apoio. É saber que mesmo naqueles momentos - e em especial nesses momentos - não estamos sós.

 

Depois desta pequena aventura de segunda feira decidi que depois de deitar as minhas filhas iria adiantar o jantar do dia seguinte para que quando chegasse a casa não andasse feita barata tonta desesperada. E assim tem sido. Ontem já correu melhor.

 

Hoje veremos.

 

 

 (Este é apenas uma das muitas vezes em que na realidade vivo a 1ª bilha)

 

 

 

 

13
Set16

Momentos de cumplicidade


Olívia

Numa família não faltam momentos de cumplicidade, são olhares trocados, meias palavras, sorrisos inesperados, piadas que mais ninguém entende... são assim frações de segundo em que, nos encontramos unidos. Quanto mais a nossa família se for "separando" ao longo do dia, menos momentos destes temos.

 

Estamos a recomeçar mais um ano letivo, a exigência dos horários escolares não deixará muito espaço para que a família - toda - se junte ao longo do dia. Não quer isto dizer que agora vai ser uma tragédia e que a beleza da flexibilidade das férias desapareça, mas a verdade é que os dias vão começar a ser menos quentes, o sol vai andar menos tempo a iluminar-nos e as tarefas vão ser muitas mais.

 

É aqui que tem de entrar a criatividade. A rotina tem de ter espaço para coisas imprevistas, para brincadeiras, para unir a família, mesmo que sejam poucos momentos, que estes momentos sejam significativos.

 

Um dos momentos em que juntamos a família toda na mesma divisão é a hora do jantar. Teremos de a adaptar para que consigamos sentar-nos todos à mesma hora em volta da mesa. Ainda não sei bem como, mas havemos de o conseguir. Depois do jantar, sendo a Lúcia pequenina e que ainda precisa que lhe dê banho e o leitinho da noite, temos ainda de adaptar um outro grande momento: a oração familiar.

 

Talvez não seja muito longa, talvez não seja sempre organizada e perfeita, mas é preciso que aconteça. Nos últimos tempos temos feito a oração logo depois do jantar, muitas vezes ainda com a mesa cheia de pratos e copos, descobrimos que é bem mais fácil porque já estamos todos juntos. Além disso como entretanto mudámos o nossa canto de oração para junto da mesa, conseguimos assim juntar estes dois momentos. A refeição e a oração. 

 

Durante a refeição vamos conversando, combinado coisas para o dia seguinte e logo depois começamos com uma canção fácil e que todos sabemos - até a Lúcia começa logo a bater palmas - e iniciamos assim a oração, uma oração muito simples, mas sentida.

 

Claro que no final é um corre-corre, uns arrumam a cozinha, há a Lúcia para tratar, mais as mochilas da escola, os lanches, as refeições do dia seguinte... e convém dizer que não há formulas mágicas e fixas (esta é para mim), cada dia é um dia, havemos de adaptar a nossa vida às situações específicas de cada momento, mas o essencial está lá. E não, não temos tempo para tudo, por isso temos de fazer escolhas, e viver com elas!

 

Esta é a nossa forma de viver a 4ª bilha - a oração familiar. Se precisa de ser melhorada? Sim. Mas, com pequenos passos vamos seguindo caminho!

 

 

 

 

 

12
Set16

Pequenos passos


Olívia

No sábado estivemos em retiro. Foi um retiro diferente, talvez o mais importante de todos em que estivemos presentes. Durante todo o dia tentei absorver o máximo em especial do ensinamento do senhor bispo, e mais do que isso, da conversa sobre o movimento famílias de Caná.

 

Durante o pequeno debate pudemos colocar as nossas questões e dar a nossa humilde opinião sobre cada um dos vários aspetos. E um deles sobressaiu de forma quase espontânea. A "obrigatoriedade" do cumprimento das seis bilhas. De facto para uma família que sempre viveu com a maioria destas premissas é bem mais fácil. Para quem, como eu, passou do nada ao tudo é de facto uma caminhada exigente. Se juntarmos a isto a vivência de aldeia, torna-se ainda mais exigente.

 

Caminhadas exigentes são boas, porque nos obrigam a superarmo-nos em cada passo, mas se forem demasiado exigentes caímos no risco de perder tudo. 

 

Disse o senhor bispo e muito bem, que a família é a segunda coisa mais importante nas FC, sendo que Deus é a primeira. Ora, no meio de tudo aquilo a que me proponho fazer, em que lugar coloco então as duas coisas mais importantes? Será, que tal como os fariseus também eu me preocupo em cumprir as normas e deixo de lado o amor? Será que estou a regredir 2.000 anos? Começámos a casa pelo telhado e isso não pode acontecer, porque as seis bilhas são o caminho, não são a meta... Ah... como não percebi isso antes?

 

Que tempo dedico eu à minha família, e não contam todas as obrigações de fazer comidas e limpezas... tempo, tempo para brincadeiras, tempo para jogos, conversas? E o meu marido? O meu melhor amigo, quando tempo passamos realmente juntos? Como um só? Será que palavras como "tempo de casal" e "tempo de família" estão a ser substituídos por "tempo pessoal" e "caminhada pessoal"? Parece-me que eu em primeiro lugar está a tornar-se demasiado evidente... e isso troca as prioridades! 

 

Setembro é um excelente mês para nos reorganizarmos. Para nos focarmos novamente no mais importante, para nos redescobrirmos enquanto pessoas individuais, enquanto casal e enquanto família. Só uma família coesa, forte, amada pode fazer espelhar o rosto de Deus, só uma mãe feliz, atenta, compassiva, solidária e acima de tudo amiga pode representar a Mãe.

 

Quando a nossa vivência familiar se aproximar mais e mais de Deus, as seis bilhas não serão uma imposição, serão sim gestos de amor!

 

Não vou voltar a dizer que falhei muito, porque isso era olhar para o passado e ficar presa nele. Só posso dizer que estou pronta a recomeçar, a "olhar com olhos de ver", porque aquilo que todos procuramos, não está num pote de ouro no fim do arco íris, está na nossa casa, no nosso coração.

 

 

09
Set16

As seis bilhas e o medo de (não) avançar


Olívia

Fazer parte do movimento Famílias de Caná é uma forma de caminhar dentro da igreja católica com a particularidade da caminhada ser feita em família, pelo que cativar a família e encorajá-la a viver desta forma é um grande passo!

 

Cá em casa, o começo foi confuso e atribulado. Vivíamos uma fé estagnada e muito centrada no cumprimento das normas corretas. Nem sempre caminhávamos juntos. Às vezes acho que nem caminhávamos, estávamos quase, quase parados. E, bem vistas as coisas dá-me a sensação de que às vezes andamos para trás em vez de andar em frente, mas lá está: não podemos desistir!

 

Parece-me então que o primeiro passo é mesmo o querer. Se quisermos muito, muito avançar, não importa o quão devagar vamos, importa sim o esforço que fazemos para que isso aconteça. Quando comecei por ler o testemunho da família Power pensava "Ah... eu gostava tanto de ser assim... de viver assim", depois, quanto mais lia e conhecia mais triste ficava porque a realidade é que "nós nunca seremos como eles". Não sabemos cantar, nem tocar instrumentos, não temos o dom da palavra... não temos... não somos... não fazemos... Oh... e agora?

 

E graças ao facto de conseguirmos admitir isto, pudemos enfim avançar.

 

 

1º Nós não precisamos de ser como A ou B!

2º Nós somos únicos, temos os nossos dons, temos as nossas particularidades. A nossa família é única, tal como qualquer outra.

3º Basta sabermos para onde queremos ir, basta que nos indiquem o caminho, que a forma de lá chegar nós arranjamos... cada qual com a sua bagagem , cada qual com o seu veículo ou a pé, cada qual com a família que tem e com o combustível que conseguir arranjar!

 

Ao longo dos próximos dias hei de escrever aqui um bocado sobre como procuramos viver cada uma das seis bilhas e sobre como vencemos o desânimo quando parece que estamos a falhar...

 

Para recordar as seis bilhas são:

 

1. Comunhão

2. Palavra de Deus

3. Vida sacramental

4. Oração familiar

5. Serviço

6. Consagração a Nossa Senhora

 

(Eu não gosto de as numerar, mas terei de o fazer para ser mais fácil falar delas.)

 

 

Coragem, o caminho é longo, mas o destino vale muito a pena!

 

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05
Set16

Compromissos?


Olívia

Tenho a sensação de que nós, seres humanos, temos alguma aversão a compromissos... bem, talvez seja mesmo medo de compromissos.

 

O medo é capaz de paralisar uma pessoa, metafórica e literalmente falando... medo de nos estarmos a precipitar, medo de fracassar, medo do que o futuro nos reserva... enfim medo. E sempre que nos sentimos com medo, paramos, pensamos, ponderamos e não avançamos... por outro lado a esperança devolve-nos a coragem para arriscar... para avançar, para ponderar as mudanças.

 

Ora, toda a minha vida assumi compromissos, e se uns foram assumidos quase sem pensar, outros foram assumidos depois de muito "bater na mesma tecla". Se me arrependo de alguma coisa? Talvez, mas a verdade é que mais importante do que o arrependimento é a forma como tenho conseguido ultrapassar os momentos de maior fracasso. Ninguém gosta de falhar. Quando uma pessoa falha sente-se o mais pequeno dos mais pequenos e é aí que entra a fé. 

 

Quem tem fé sabe que Deus nunca nos abandona, pode até não nos fazer todas as vontades como filhos mimados que somos, mas nunca nos falta. Se confiarmos o suficiente para não abandonarmos o barco à primeira onda, se segurarmos na mão de que comanda o barco, por maior que seja a tempestade, um dia ela há de passar e aí sentiremos a alegria de não termos desistido.

 

Posto isto, neste momento sou chamada a assumir dois compromissos. Um enquanto leiga, trabalhando na comunidade juntamente com a Família Andaluz (cujo movimento foi aprovado pela Santa Sé neste mês de julho) e outro enquanto mãe - juntamente com toda a família - no movimento nascente Famílias de Caná (movimento aprovado na diocese de Aveiro, também em julho).

 

Se por um lado, sei no meu coração sem grandes dúvidas que devo fazer parte das Famílias de Caná, porque senti esse chamamento há muito tempo, e sei que é aí que vamos caminhar, embora ainda precisemos de tempo para conseguir responder sim em cada dia ao que nos é proposto enquanto família, não sei se consigo fazer um compromisso num outro movimento. Tudo isto porque - lá está - tenho medo de não conseguir cumprir o que é proposto. Tenho receio de que na hora de trabalhar concretamente não consiga encontrar disponibilidade para o "sim".

 

Vou entrar assim num período de formação na família Andaluz, a qual farei com todo o empenho. Iremos também entrar num período de reflexão nas Famílias de Caná, que se inicia com um retiro e Mogofores com o senhor bispo de Aveiro no próximo sábado.

 

E é assim, de vez em quando é preciso agitar as águas para sairmos na monotonia em que se torna a nossa vida quando vivermos na "segurança" das nossas decisões moderadas!

 

Que Deus nos ilumine a todos os que neste momento precisamos de tomar grandes decisões na vida e que o medo não nos impeça de avançar, mas que a esperança nos encha de coragem!

 

 

 

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