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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

18
Mai17

Serviço


Olívia

Como Maria em Caná, as Famílias de Caná procuram estar muito atentas às necessidades materiais e espirituais das famílias que as rodeiam. Discernindo as situações de urgência em que “acabou o vinho”, as Famílias de Caná tornam-se “pessoas-cântaro” (Evangelii gaudium, nº86), oferecendo a todos o “vinho novo” de Jesus."(Aqui)

 

Ser boa pessoa é bem diferente de ser uma pessoa boa. E, ser bom às vezes não chega. Às vezes é preciso ser mais do que isso e eu queria ser sempre "mais"... e um dia percebi que não preciso de me afadigar e encontrar formas de serviço para ficar com aquela sensação de que fiz a boa ação do dia. Isso é muito pouco. Quase nada.

 

Enquanto eu encontrar motivo de orgulho nas ajudas que vou prestando a coisa está muito mal parada! Estar ao serviço não é fazer coisas para acrescentar a lista das minhas boas obras! É estar simplesmente disponível, humildemente presente, sacrificando até uma parte do meu bem estar porque existe algo mais importante do que eu: alguém que precisa de ajuda.

 

Descobrir isto, foi para mim, uma grande novidade... demorei praticamente três anos! Nos últimos tempos tenho vivido algumas situações que me têm feito crescer, e nos últimos dias, pude finalmente compreender o que é ser o "bom Samaritano", que ajuda sem olhar a quem o faz, que pensa no futuro assegurando-se de que a pessoa ficará bem e segue o seu caminho sem publicar isso nos noticiários (e na mercearia da esquina, ou no blogue do bairro)...

 

Estar atento ao que os outros precisam sem ser demasiado presunçoso é coisa para custar um bocadinho a alcançar... deixar de sentir "orgulho" por uma ação e sentir um aperto de dor é de certa forma estranho... ou então não, se recuarmos ao texto das bodas de Caná podemos ver que não está lá escrito:

"Maria, ao ver o primeiro milagre do Seu filho, e ao escutar os elogios do chefe da mesa ficou cheia de orgulho e disse junto das outras pessoas: fui eu que lhe disse para ajudar, o meu filho é o maior!" Espero não estar a cometer nenhuma falha grave fazendo este tipo de comparação, mas a verdade é que a recompensa pelas boas obras não a recebemos já. De nada vale fazer milhares de coisas para termos um grande portefólio de boas ações e depois ficar à espera de uma medalha!

 

Havemos de encontrar muitas oportunidades de estar ao serviço se realmente estivermos atentos... a começar pela nossa família e pelos que estão mais perto de nós!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

05
Mai17

O carisma e o tempo de família


Olívia

Se alguém perguntar a alguma das nossas filhas do que gostam mais no que a tempo de família diz respeito, de certeza que passeios em família, churrascos e brincadeira estão no top 3 das respostas! E, se estão nos primeiros lugares foi porque ao longo dos últimos anos temos feito um esforço considerável em passarmos mais tempo juntos e que esse tempo seja bom. Não perfeito, mas bom.

 

Pequenas atividades em conjunto, mais dias de passeio, brincar na rua, partilhar refeições simples e deliciosas em que todos colaboram, passar fins de semana fora, ver coisas, admirar a grandeza daquilo que nos rodeia e contemplar a natureza em qualquer estação do ano têm sido dos momentos mais apreciados na nossa família.

 

E, todos estes momentos têm uma coisa em comum que é: família unida. Quer seja em volta de uma mesa, numa manta de piquenique, no quintal, na casa do lago (em Mira), à lareira no inverno, em viagem no carro, estamos todos juntos.

 

Quando faço uma pequena retrospetiva destes momentos e leio aquilo que é esperado alcançar vivendo este carisma das famílias de Caná, parece-me que estamos no caminho certo, não pela quantidade de coisas que fazemos, mas na forma como encaramos a vida familiar e na forma como tentamos ser alegres, simples e generosos - em família e na comunidade.

 

Quanto mais se aproxima a data do compromisso, mais gostava de ir (aos poucos) aprofundando a nossa carta fundacional porque é lá que está a base daquilo que vivemos e com o qual nos vamos comprometer. 

 

Para quem ainda tem dúvidas se pode ou não enquadrar-se nas famílias de Caná, uma vez que já vive com entusiasmo as seis bilhas na sua vida do dia a dia, aqui fica um excerto da carta:

 

Os membros do Movimento comprometem-se a buscar a santidade de acordo com o carisma das Famílias de Caná. Podem contudo encontrar-se em situações diferentes de vida pessoal ou familiar. Pertencem ou podem vir a pertencer ao Movimento:

  • Famílias que, por inteiro – pais e filhos em conjunto – se comprometem a viver de acordo com o carisma proposto. Nem todas estas famílias estão fundadas sobre o sacramento do matrimónio, mas todas precisam de sentir sede deste sacramento. Assim, há no Movimento famílias de divorciados que vivem numa nova união e que correspondem ao perfil traçado pelo Papa Francisco em Amoris laetitia: “Uma segunda união consolidada no tempo, com novos filhos, com fidelidade comprovada, dedicação generosa, compromisso cristão, consciência da irregularidade da sua situação e grande dificuldade para voltar atrás sem sentir, em consciência, que se cairia em novas culpas.” (nº 298) As famílias resultantes de uma união de facto, que não apresentem nenhum impedimento para a receção do sacramento do matrimónio, só poderão ser Famílias de Caná depois do seu matrimónio, pois a união de facto não sugere sede de vida sacramental. No entanto, o Movimento pode e deve acompanhar estas famílias no sentido de provocar nelas a sede de Deus, necessária para que também elas venham a beber do “vinho novo” de Jesus.
  • Famílias em que apenas um dos cônjuges se deseja comprometer, dada a falta ou a imaturidade de fé do outro cônjuge. Recusar a pertença seria agravar a dor do cônjuge crente. Para estas famílias, são sempre atuais as palavras de S. Paulo: “O marido não crente é santificado pela mulher, e a mulher não crente é santificada pelo marido; de outro modo, os vossos filhos seriam impuros, quando na realidade, são santos.” (1Cor 7, 14)
  • Famílias que vivem todo o tipo de situações problemáticas, como mães solteiras, pais cujos filhos abandonaram a fé, e outras, bastando que um dos membros da família se queira comprometer. O Papa Francisco foi movido pelo Espírito Santo a apresentar a Igreja como um “hospital de campanha”: “Essa é a missão da Igreja, que cura e cuida. Algumas vezes, eu falei da Igreja como um hospital de campanha. É verdade: quantas feridas há, quantas feridas! Quanta gente que tem necessidade de que suas feridas sejam curadas! Essa é a missão da Igreja: curar as feridas do coração, abrir portas, libertar e dizer que Deus é bom, que perdoa tudo, que é Pai, é terno e nos espera sempre”. (Homilia de 5-2-15) Esta imagem vem na mesma senda bíblica que apresenta Jerusalém como ruínas que o Senhor tem a alegria de reconstruir: "Ruinas de Jerusalém, irrompei em cânticos de alegria, porque o Senhor consola o seu povo!" (Is 52, 9) "As velhas ruínas serão restauradas, levantarão os antigos escombros, restaurarão as cidades destruídas!" (Is 61, 4) Jesus nasceu na gruta de Belém e transformou-a em lugar sagrado; em Caná, Jesus restaurou a fonte da alegria. Numa belíssima homilia sobre o mistério das Bodas de Caná, o Papa Francisco fez algumas afirmações proféticas, referindo-se precisamente a estas famílias destruídas: “O melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje veem desmoronar-se tudo. Murmurai isto até acreditá-lo: o melhor vinho ainda não veio. Murmurai-o cada um no seu coração: o melhor vinho ainda não veio. E sussurrai-o aos desesperados ou aos que desistiram do amor: Tende paciência, tende esperança, fazei como Maria, rezai, atuai, abri o coração porque o melhor dos vinhos vai chegar. Deus sempre Se aproxima das periferias de quantos ficaram sem vinho, daqueles que só têm desânimos para beber; Jesus sente-Se inclinado a desperdiçar o melhor dos vinhos com aqueles que, por uma razão ou outra, sentem que já se lhes romperam todas as talhas.” (Homilia de 6- 7-2015)
  • Jovens que encontram no carisma do movimento um caminho de santidade.
  • Leigos consagrados que encontram no mistério de Caná um chamamento para servir as famílias, especialmente as famílias destruídas, segundo o carisma do Movimento.
  • Sacerdotes diocesanos que querem “beber das Seis Bilhas de Caná”. 

 

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(Manhãs solarengas significam roupa ao sol e brinadeira na rua!) 

 

 

 

 

03
Mai17

Entre o ecrã e a vida diária


Olívia

O mundo moderno tem uma grande vantagem, tudo está à distância de um clique... quer dizer, nem tudo, já que aquele abraço e aquele beijo só mesmo "em pessoa", mesmo assim, existe uma grande aproximação das pessoas graças às novas tecnologias, em poucos minutos conseguimos enviar fotografias aos amigos, uma mensagem a alguém doente, marcamos uma consulta, fazemos compras, lemos o "jornal" e se quisermos entrar em depressão profunda lemos os comentários em publicações polémicas...

 

Confortavelmente sentados em frente ao ecrã, ocupamos algum do nosso tempo pesquisando, lendo sobre as mais variadas matérias, descobrimos sites interessantes aos quais voltamos e outros não tão interessantes assim... a escolha é sempre nossa. E, se existem coisas que facilmente dispensamos, existem outras que passam a fazer parte das nossas rotinas do dia a dia. E é assim que a nossa família se vai mantendo ao corrente daquilo que se passa nas Famílias de Caná.

 

Todos os dias vou ao site em busca de novas publicações, novas notícias e iniciativas do movimento, já era assim há três anos quando o movimento ainda dava os seus primeiros passos! Passar de comentadora regular a participante num retiro "para ver como era" foi fundamental, reconhecer que viver as seis bilhas não era o objetivo, mas o caminho foi determinante, perceber que, ainda que estejamos longe de sermos exemplares, queremos caminhar deste jeito e não de outro dá-nos um novo entusiasmo rumo ao compromisso.

 

No fim de semana passado a nossa catequese familiar teve como base o evangelho dos discípulos de Emaús e a nossa própria caminhada. No fundo sentimo-nos tantas vezes desanimados e com vontade de voltar ao "antigamente", cheios de dúvidas e confusos, que só com a Verdade à frente do nariz conseguimos sentir aquela alegria!

 

- Quem é que se quer comprometer a viver sempre como família de Caná? - Perguntei eu...

- Eu, eu... - responderam as meninas.

- Ai sim? Então e o que pretendem fazer diariamente? Não é só dizer "eu quero", comprometer-se é trabalhar dia a dia... insistir, viver as seis bilhas, uma e outra vez... e nós sabemos que existem coisas que não conseguimos ainda fazer... 

 

Pois é, apesar de termos mudado muita coisa nas nossas vidas, ainda temos muito por onde trabalhar, e munidas de um post-it e um lápis tentámos encontrar formas de nos comprometermos. Coisas pequenas, repetia eu... somos pequenos, fazemos coisas pequenas. "Ajudar o próximo" é muito vago... "ler a bíblia" também... coisas pequenas...

 

Decidimos ler o evangelho do dia logo depois do jantar quando ainda estamos todos na mesma divisão, isto porque o serão é uma corrida, já que chegamos tarde a casa, ainda temos os banhos, o jantar, preparar as malas para o dia seguinte e uma hora e meia passa depressa!

 

Vamos também fazer um esforço para fazer as nossas tarefas - em especial as mais aborrecidas - com amor e ajudar os outros em pequenas coisas em casa, na escola, quando passeamos... oportunidades não hã-de faltar!

 

Estamos a tentar encher assim um bocadinho as nossas bilhas mais vazias: da Palavra de Deus e da Visitação. 

 

 

 

 

01
Mai17

Os trinta minutos e a nossa missão


Olívia

Num dia da semana passada em que o pai saiu perto das seis da manhã resolvi ir deitar-me mais uns minutos e acabei por dormir um bocadinho, em vez de me levantar antes das sete, levantei-me passavam quinze minutos das ditas sete da manhã. Mesmo sabendo que o tempo não ia render muito, fizemos o que normalmente fazemos, incluindo rezar junto ao canto de oração de manhã e mais umas coisas (prometi a mim mesma não sair de casa sem arrumar a cozinha e a sala).

 

Quando fui tirar o carro da garagem e olhei para as horas fiquei em choque... eram 8.33 e era suposto a Margarida entrar às 8.30 na escola que fica a cerca de treze quilómetros de distância! Resultado, a primeira aula estava perdida e a Maria chegou mesmo em cima das nove.

 

A grande lição é:

Não voltar a levantar-me tão tarde!

 

Trinta minutos é pouco tempo para o muito transtorno causado... a nossa rotina dos dias de escola é como um dominó bem alinhado à espera de um toque para derrubar peça sobre peça. Ninguém gosta de sair de casa de mau humor, à pressa, irritado e com aquela sensação de que alguma coisa ficou esquecida, quando isto acontece o dia torna-se mais confuso, falta a paciência e o sorriso teima em não aparecer!

 

Sinto que a minha família está neste momento a ser moldada, estamos a ajustar-nos aos poucos às várias mudanças sofridas ultimamente. Constantemente faço perguntas sobre como queremos viver o nosso dia, que tipo de família somos, como conseguimos ultrapassar as dificuldades e acima de tudo o que é esperado de nós, enquanto um todo?

 

Durante algum tempo via a minha família como uma ambição pessoal, sim, aquela história do "eu sempre sonhei casar-me e ter filhos", depois comecei a perceber que constituir família é uma vocação, como outra qualquer, exatamente com o mesmo valor. Deixei de ver as coisas como se fosse uma "check-list" e passei a encarar a vida que hoje tenho como um projeto de amor.

 

Estamos neste momento a ser desafiados a assumir um compromisso, enquanto família que quer viver segundo o carisma das Famílias de Caná. Posto isto pergunto: para que quer Deus uma família com tão poucos dons e virtudes como a nossa num movimento como este?

 

Somos pessoas tão normais, tão simples, tão sem estatuto social... não sabemos cantar, nem temos assim nada de especial... e fiz esta pergunta uma e outra vez... a resposta ainda não a tenho concretamente porque só Deus sabe o porquê. No entanto, recordei-me das várias famílias que temos conhecido nos retiros (algumas nem sei ainda os nomes), todos são especiais, tenho a certeza disso.

 

Todas têm alguma coisa que as faz serem chamadas a afirmar o seu Sim consciente no dia 3 de junho. E, ao ler este texto, uma frase fez uma espécie de clique na minha cabeça: "Deus é um verdadeiro adepto da diversidade".

 

Será que somos escolhidos por termos sido abençoados com filhos adotivos e biológicos mostrando assim que é possível estarmos disponíveis - sem medo - para acolhermos os filhos independentemente de serem ou não biológicos, amando-os de igual forma, ensinando, aprendendo e vivendo com simplicidade? (Responder com uma pergunta é uma coisa espetacular, não é?)

 

 

 

 

 

 

03
Abr17

Recarregar baterias


Olívia

Sábado passado foi dia de fazer uma pequena pausa nas tarefas para podermos estar presentes no retiro da quaresma em Fátima. Não foi nada fácil encontrar tempo para ir, aliás, só confirmámos a nossa presença na tarde de sexta feira... o que para uma pessoa com a mania de programar tudo como eu é dose!

 

Mas, nem o facto de não ter nada preparado para o almoço partilhado ou para os lanches foram motivos para desanimar! A nossa família precisava deste dia. Desta vez, sem grandes stresses optei por simplificar, nas comidas, nas roupas, nas listas... tive apenas preocupação de levar comida para a Lúcia, bolachas para os lanches e lombo fatiado para o almoço (faço na panela de pressão para ser mais rápido), mais umas batatas fritas de pacote e já está!

 

No dia do retiro todos acordam bem dispostos! Todos se despacham depressa, em poucos minutos levamos tudo para o carro e fazemo-nos à estrada! À entrada de Fátima somos prendados com uns pequenos pingos de chuva, nada que abale a alegria de em breve estarmos com os nossos amigos!

 

Para não variar muito, fomos dos primeiros a chegar!!! E, aos poucos fomos matando as saudades de quem nos é muito querido, mas vive longe!

 

Enquanto a sala se ia compondo com as famílias que chegavam, tivemos oportunidade de ver a linda imagem da Mãe de Caná - em fotografia - e aprender o hino do movimento, até sábado passado considerava que o "hino" fosse "Eu e a minha família serviremos o Senhor", apesar de nunca o ter dito, era um cântico que nos identificava! Mas, este novo hino é tudo! Tudo o que somos, o que vivemos, o que sentimos, o que esperamos! A música do refrão fica no ouvido (digo eu que não percebo nada de música).

 

Quando as nossas queridas educadoras Vera e São chamaram pelas crianças para irem para uma outra sala falar de Jesus, todos foram em fila... incluindo a nossa Lúcia! Eu fiquei a olhar... e aproveitei para entregar a chucha e um iogurte, sem que ela desse conta. E assim, sem eu sequer ter imaginado consegui ficar a escutar o ensinamento sossegadamente (com uma ou outra interrupção para ajudar mais crianças a encontrarem a sua sala).

 

E, tudo isto foi muito mais do que eu alguma vez pedi! Valeu o esforço, o tempo que dedicámos ao retiro, a viagem, a roupa por passar, a cozinha por arrumar, o chão por aspirar, os orçamentos por fazer, o escritório por organizar... valeu cada segundo em que escutei o ensinamento, em que partilhámos uma refeição, em que percorremos a Via Sacra passo a passo, com carrinho, sem carrinho, a dar de comer, a mudar fraldas, em busca de água... cada segundo!

 

Para casa trazemos sempre mais do que levamos, trazemos a mensagem, trazemos uma ou duas frases marcantes, trazemos o coração cheio, a alma tranquila, um sorriso no rosto, o cansaço no corpo, mas também trazemos energia para no domingo conseguirmos receber os avós para o almoço do aniversário da Margarida e para fazer tudo que não fizemos no sábado!

 

Hoje sei que sou uma pessoa muito grata.

A Deus.

A todos os que estiveram lá.

Aos que não foram, mas estiveram connosco em pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08
Fev17

Perseverança


Olívia

 

Dicionário:

 

per·se·ve·ran·ça
(latim perseverantia, -ae)

substantivo feminino

1. Qualidade ou acção de quem persevera.

2. Constância, firmeza, pertinácia.

3. Duração aturada de alguma coisa.


"perseverança", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/perseveran%C3%A7a [consultado em 08-02-2017].
 
 
Bíblia:
 
Sir. 2, 14
 
«Ai de vós que perdestes a perseverança:
que fareis, quando o Senhor vos pedir contas?»
 
 
----**----**----
 
 
Ser família de Caná é perseverar numa caminhada cheia de desafios, com muitas incertezas, obstáculos, surpresas, mas é acima de tudo caminhar para Deus sabendo que não estamos sós. Aqui perto ou lá mais longe, existem famílias que caminham com tantas ou mais dificuldades que nós, que seguem, abrandam, recomeçam e voltam a caminhar, mas não desistem.
 
 
Hoje em dia cada família tem uma agenda apertadíssima, demoramos tempos e tempos para marcar um encontro para beber café com aquela pessoa - um encontro de vinte minutos - se tivermos de sair de casa então... nem se fala. Eu detesto aquela velha máxima de "antigamente é que era bom", porque é mentira. As pessoas tinham mais tempo e os miúdos andavam até tarde na rua em bandos, é verdade. Faziam piqueniques e passeios a pé, também é verdade. Mas tinham muitas outras coisas terríveis... lavavam roupa à mão, não havia aquecimentos e a comida demorava muito tempo até estar feita...
 
Hoje habituámo-nos a outros confortos, trabalhamos para manter a nossa vida de forma mais ou menos estável, mas andamos sempre ocupados.
 
Quando há cerca de três anos (meu Deus!) iniciámos a caminhada nas famílias de Caná, não tínhamos "metas", nem "expetativas", simplesmente sentimo-nos impelidos a aceitar o desafio. Daí a algum tempo, eu queria mais, queria famílias com quem conviver, conversar, trocar ideias, mas queria-as aqui ao pé de mim... e eu não moro nas ilhas Berlengas!!! Moro no coração da lezíria ribatejana! 
 
 
- Onde estão as famílias? Porque não lêem o site? Porque não nos contactam? Será que têm vergonha? Medo? 
 
 
Deve ter sido o facto de eu ser tão chata que Deus me mandou uma outra família, completamente diferente da minha para connosco formar uma pequena aldeia!
 
 
- Mas moramos tão longe... é tão difícil encontramo-nos! Será que vale a pena continuar? Será preciso pedir-Lhe com mais insistência que aumente o nosso tempo em conjunto?
 
 
Se Deus tem filhos muito chatos, eu devo estar no top 5. Nunca estou contente, não é? Eu queria ver as famílias juntas, cantar cânticos, fazer jogos e atividades... eu queria mais, muito mais! Ah se a Sónia morasse aqui... ou a Elsa... mas a nossa realidade é outra!
 
 
 Neste momento, embora a aldeia não se reuna com frequência continuamos a comunicar e unidos na fé. Será que é suficiente? Não sei. Mas sei Quem sabe... vou insistir e pedir um sinal... nem que seja pequenino... até lá, vamos vivendo na simplicidade dos primeiros tempos, de coração aberto e vigilante!
 

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26
Jan17

O Ano novo, o tempo comum e a nossa vida


Olívia

Eu queria escrever um bom texto sobre a vivência do ano litúrgico em família e não estou a conseguir por falta de tempo.

 

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No fundo gostava de deixar aqui um pequeno registo sobre a forma como temos acompanhado o novo ano (não o 2017, mas o Ano A), sobre as nossas catequeses em família, os tempos de oração e a nossa nova rotina do dia a dia.

 

Assim e de forma bastante resumida tenho procurado retomar o meu plano bíblico (estou no dia 281 de 365), também tenho um bloco de notas para apontar as passagens mais marcantes, como num diário. Temos procurado fazer todos os dias a oração da manhã em casa, mas quase sempre acabamos por fazê-la no carro. Em cada dia, uma de nós - a responsável do dia - enuncia as intenções desse dia, oferecendo assim todo o nosso trabalho, esforço, todas as nossas conquistas, invocamos os santos padroeiros e fazemos a consagração à Mãe de Caná.

 

No regresso a casa rezamos o terço, são cerca de vinte minutos o percurso e quase sempre conseguimos concluir todos os mistérios orientados pela responsável do dia, ao serão cantamos e rezamos o Shemá, agradecemos as várias coisas que recebemos nesse dia e pedimos ao Anjo da Guarda que tome conta de nós.

 

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Também retomámos as catequeses em família, uma vez que houve mudanças nos horários e temos tido algumas consultas médicas que impossibilitam a ida à catequese. 

 

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Procurei também dedicar-me às cartas da Palavra Partilhada, e aqui surgiu-me uma grande dificuldade: como as cartas são manuscritas e com o aumento das inscrições não estou a conseguir escrever uma carta por mês para cada pessoa, por isso, dividi em dois grupos e alternadamente vou enviando as cartas sem data marcada, uma coisa é certa: ninguém ficará sem a receber!

 

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 Ah... rezem por mim, para que não caia no desanimo quando me vejo atrapalhada no meu dia a dia!

 

 

19
Jan17

Percalços de viagem


Olívia

Algumas das cartas da Palavra Partilhada de dezembro foram devolvidas aqui à precedência... porque me enganei nas moradas, é de facto muito aborrecido para quem aguarda a carta e ela teima em não aparecer.

Agora não sei o que fazer.

Mandar a carta antiga que falava do tempo do Natal novamente (uma vez que já está escrita)?

Mandar apenas a de janeiro.

Juntar as duas...

Preciso de ajuda...

 

---

 

adenda:

 

Seguiram hoje as cartas que deveriam ter sido entregues em dezembro. As cartas foram escritas, a mensagem poderá significar algo de importante para cada uma destas pessoas e é por isso que, mesmo tarde, foram enviadas.

De facto, basta uma pequena distração e um algarismo errado numa morada ou código postal e a carta não chega ao destino. Tenho imensa pena que tenha acontecido, mas todos somos humanos, certo? Prometo a mim mesma fazer melhor desta vez.

Obrigada pela compreensão.

 

 

 

 

15
Set16

E assim começa mais um ano letivo


Olívia

Hoje, as minhas duas filhas mais velhas iniciaram o ano letivo 2016-2017. Mais um recomeço, mais uma fase que se inicia. Novas rotinas estão a ser desenhadas e espero que os próximos dias sejam como o de hoje. Sem pressas. Sem correrias. Sem nervos. Sem atrapalhações. Com vontade. Com entusiasmo. 

 

Por um lado a Maria estava eufórica pois ontem, na reunião encontrou as suas colegas e sabia desde logo que hoje o recreio iria ser preenchido com muita, muita brincadeira. A professora é a mesma. A escola também.

 

Por outro lado a Margarida estava bastante apreensiva com a nova turma, ela que entra numa turma de 9º ano a fim de fazer as disciplinas da segunda fase sabe que a turma vem em conjunto do 7º e 8º pelo que as amizades já estão vincadas. Mais uma vez ela é a nova aluna numa escola que já conhece bem, no entanto terá as suas amigas do ano passado bem perto nos intervalos o que é muito bom. Ontem recebemos uma grande graça: a diretora de turma é a mesma que ela tinha tido no 7º e na primeira fase do 8º ano, conhece a sua história, já trabalhámos em conjunto o que é uma enorme ajuda. Apenas foi preciso alguns minutos de conversa para que ficasse a par dos últimos acontecimentos. 

 

Este ano as duas irmãs regressam também à catequese na comunidade aqui da cidade, uma vez que já me reorganizei não há necessidade de deixar passar mais um ano, continuaremos as nossas catequeses familiares aqui em casa, mas elas poderão também conviver e crescer juntamente com os seus pares.

 

Ontem à noite, ao ligar o computador para ouvir os "nossos cânticos" no site das FC (como também já tinha feito no dia anterior) enquanto trabalhava mais um pouco na separação do material escolar, que vergonhosamente deixei para o último dia, pensava no quanto estes dias são difíceis para os jovens e crianças que não têm plena confiança e si próprios, para os que não têm o apoio de ambos os pais, para os que não podem exibir o material da infindável lista por não terem condições de o comprar... recordava os meus primeiros dias de aulas, receosa e cheia de dores de barriga... pensava na pressão que muitos alunos sentem nesta véspera em vez do incentivo que era suposto.

 

Decidi que quero ser a mãe que prepara os lanches com ternura e relembra dia após dia para não se esquecerem dos óculos, do cartão da escola e beber água durante o dia... decidi que não serei a mãe que só sabe criticar e exigir... decidi que quero estar cada vez mais atenta e participar cada vez mais no processo de estudo de todas as minhas filhas, decidi que não importa a idade de cada uma, ambas merecem a mesma atenção, cuidado e dedicação.

 

Hoje levantei-me mais cedo, preparei os pequenos almoços e os lanches, preparei as mochilas e os sacos de material, os livros ainda sem terem sido forrados, porque ontem cedi ao cansaço de um dia de reuniões e de compra de boa parte do material, não importa. O essencial não faltou, uma palavra de coragem, de alento e a nossa oração da manhã, feita no carro a caminho da escola, uma oração muito simples que repetimos todas as manhãs, oferecemos o nosso dia e o nosso esforço, pedimos a interseção dos nossos santos padroeiros e consagramo-nos à Mãe de Caná (sendo esta a sexta bilha, e a forma simples como a conseguimos viver no dia a dia)

 

Prontas para mais um dia, gostava apenas de partilhar a frase que ficou ontem no último slide do power point do 3º ano e que não esqueci:

 

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Um bom ano para todos!

 

 

 

 

14
Set16

A realidade


Olívia

Expetativa: Amanhã (segunda feira passada) começo finalmente a fechar a loja às 19 horas, levo uma pizza do supermercado, ponho a piza no forno enquanto trato da Lúcia e comemos com sopa. 

 

Realidade: Esqueci-me de trazer jantar para a Lúcia que come antes das sete. Dei-lhe um suissinho e bolacha para entreter, já não consegui passar no supermercado, não tinha nada para o jantar descongelado. Mal cheguei dei a sopa à Lúcia, depois fui fazer uns bifes meio congelados e massa enquanto a Lúcia chorava agarrada às minhas pernas praticamente debaixo do fogão, eu quase a colapsar cheia de fome que me esqueci de lanchar. A Margarida toma banho, depois a Maria, põe a mesa, a Lúcia não acalma, o pai não chega (foi ver um trabalho), quase grito cheia de nervos, respondo meio torto a uma filha, depois à outra. Vamos comer, a Lúcia sentada à mesa a comer banana em pedaços com a mão, silêncio. Rezamos, acalmamos, comemos e conversamos. Tudo começa a acalmar, eu começo a acalmar e a sorrir um pouco. No final fazemos a oração da noite e seguimos com as tarefas. 

 

A vida é muito mais do que duas linhas de expetativas. A vida é a realidade que nos é colocada à frente para vivermos. Com choros, birras, contratempos, atrapalhações. Não há nada mais sagrado do que esta vida que temos agora para viver. No meio do meu desespero, naqueles vinte e cinco minutos que pareceram horas só uma coisa me fez aguentar, ali, mesmo quase no limite das minhas forças fechei os olhos e confiante disse: Nós, Jesus vamos fazer isto

 

Claro que não é uma fórmula mágica, é uma súplica, um apoio. É saber que mesmo naqueles momentos - e em especial nesses momentos - não estamos sós.

 

Depois desta pequena aventura de segunda feira decidi que depois de deitar as minhas filhas iria adiantar o jantar do dia seguinte para que quando chegasse a casa não andasse feita barata tonta desesperada. E assim tem sido. Ontem já correu melhor.

 

Hoje veremos.

 

 

 (Este é apenas uma das muitas vezes em que na realidade vivo a 1ª bilha)

 

 

 

 

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