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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

Sair da zona de conforto

Frases como "eu não gosto nada do padre", "elas só vão à missa para cuscar as roupas umas das outras", "eu cá tenho a minha fé, ir à missa é para as beatas" e por aí fora, são comuns na vida de quem - apesar de tudo - vai à missa aos domingos. A mim pouco me importa o que os outros digam ou o que eles pensem, vivemos num país livre, tão livre que hoje posso sair de casa e ir a uma qualquer igreja, tão livre que posso andar com um crucifixo ao peito, ou ter uma bíblia debaixo do balcão de vidro da loja onde trabalho. 

 

Nas grandes cidades, as igrejas estão abertas grande parte dos dias, existem pessoas que asseguram a abertura e o fecho das portas, existem celebrações a várias horas e em alguns locais, até existem celebrações em várias línguas. Algumas apenas são visitadas porque são o testemunho visível de uma época histórica, as pessoas entram, fazem poses, tiram selfies, apontam e saem, sem sequer perceber onde estavam.

 

Nas pequenas aldeias as coisas são diferentes, na nossa por exemplo temos missa uma vez por semana, ao domingo à tarde (por escolha da maioria e por tradição, eu bem que gostava que fosse de manhã), existe um grupo de que reza o rosário uma vez por dia - nos dias em que não há missa - sempre à mesma hora, de resto a igreja está fechada. Quem vem da cidade nem lhe chama igreja, chama-lhe capela, eu continuo a chamar igreja, pois o meu Jesus está tão presente aqui como na Sé Catedral.

 

Esta igreja é muito antiga, a porta principal não está voltada para a estrada, mas para o lado onde nasce o sol, as imagens vieram de antigos conventos e a imagem de Cristo crucificado foi avaliada em tempos como "de valor incalculável". Em 2001 a nossa igreja foi assaltada e de lá roubaram muita coisa... imagens, toalhas, utensílios... foi um dia triste para toda a população, até agora nada apareceu. Mas, a vida continuou, domingo após domingo, celebração após celebração continuamos a fazer deste edifício a nossa casa. 

 

Raramente existem outras crianças na missa que não as nossas filhas, as pessoas vão envelhecendo, algumas vão adoecendo e, claro, algumas vão morrendo. Muitas vezes dou comigo a pensar até quando a nossa igreja será a casa de Deus, até quando poderá ter ali celebrações, qual será o dia em que não teremos a nossa missa... é por isto que, a partir do ano que passou, deixei de ir à missa (das oito da manhã) na aldeia vizinha, quando lá íamos a nossa igreja ficava mais vazia... e nós fazemos falta nas nossas igrejas, tanto como fazemos falta na casa dos nossos pais, não moramos lá, mas gostamos de lá ir com frequência para ouvir o que têm para nos dizer, para comermos uma refeição juntos, para sermos família!

 

A partir da próxima semana, a nossa missa será no salão paroquial, e porquê? Porque a nossa pequena igreja está a ser restaurada! Vão tirar-lhe o velho telhado, o forro antigo e em breve teremos uma igreja renovada (tanto quanto possível) e a imagem de Cristo será restaurada por profissionais.

 

Assim, teremos de sair da nossa zona de conforto, a casa será outra, os bancos diferentes, as flores estarão noutros sítios, as imagens também, mas o Deus - o nosso Deus - esse: foi, é e será sempre o mesmo!

 

 

 

 

 

 

 

 

O brilho do Natal

Não desaparece porque termina o tempo das festas. Não desaparece porque esse brilho das luzes bonitas e dos alegres cânticos lhe foi dado pela Páscoa. É por ela que somos diferentes. Em cada dia, em cada momento, em cada dúvida e em cada dificuldade... eu sei quem me acompanha sempre. Sempre.

 

Feitos de chão, de chuva e sonho
fora do tempo
despedaçado o que fica de nós
nas batalhas sentidas cá dentro
por isso é que eu sigo esse brilho da noite
que é estrela ou chama
olhar ou mar
e vou procurar essa luz
mas só quero lá chegar contigo

 

 

Não é fácil recomeçar ano após ano, com novos ideais, novas metas, os mesmos problemas e as mesmas limitações... começar com entusiasmo e às primeiras quedas o desânimo faz recuar mais passos do que aqueles que avanço... estou a ser exigente de mais? Estou a fazer de mim uma tabela de verificação constante?

 

feitos de tempo em mil pedaços
de escuro e luar
há uma noite que é escolhida pra ser
essa noite que se há-de guardar
por isso é que eu sigo esse brilho ou calor
que é estrela ou chama
ou tu em mim
e vou pra poder descobrir
quem é que ainda sou contigo."

 

Onde está a alegria das pequenas coisas? A surpresa do inesperado? O sentido do sacrifício? Porque é que me acontece a mim? Porque não me há de acontecer a mim? Dia após dia, o sol volta a nascer, noite após noite a lua volta a acordar... queda após queda volto a recomeçar!

 

dispo o cansaço e recomeço
mais uma vez
há um sorriso que nos salva do frio
e recolhe o que a vida desfez
se me desarmo noutro feitiço
num outro olhar
há um abrigo que não deixa morrer
quem nós somos e o que temos pra dar
por isso é que eu sigo esse brilho da noite
que és tu em mim
ou quem eu fui
e vou pra poder descobrir
quem é que ainda sou contigo"

 

A vida é um dom que me foi oferecido. A minha escolha é vivê-la à luz da Palavra de Deus, sim, continuo a ser pecadora, sim, continuo a ser pior do que muitos que não são crentes... mas só assim a minha vida faz sentido!

 

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Letra: "Escuro e luar" de Mafalda Veiga, 1999.

a ilustrar simbolicamente a escolha de ter sempre Deus presente na minha vida. A luz que me guia na noite. O calor que aquece a minha alma gelada.

 

 

 

Reconstruir

Estamos neste momento a reconstruir a nossa relação familiar, durante algum tempo fomos ignorando aquilo que tínhamos como valores fundamentais aqui em casa, fomos deixando de "olhar" para a nossa declaração de missão.

 

Aos poucos fui descurando muitas das coisas que deveriam sempre estar na tal lista de prioridades... uma grande chatice esta lista e não dei conta de que algo se estava a passar aqui em casa, mesmo debaixo do meu nariz.

 

Não é fácil parar e perceber que de tanto querer fazer bem as coisas, estava realmente cega e só aquilo que eu achava importante é que me interessava... fui egoísta e sim, negligente nalgumas coisas.

 

É tempo de repensar e de me colocar novamente na rota. Não abandonarei os vários projetos, mas terei de abdicar de muitas outras coisas.

 

Quero agradecer a todos os comentários, as mensagens e orações, podem parecer-vos pouca coisa, mas dão-me algum alento para não cair no desânimo total.

 

Deus é bom e deu-me amigos e conhecidos para além deste blogue que me estimam e a quem eu muito estimo também.

 

Terei força e coragem agora, nesta grande tribulação. 

 

E a tempestade um dia acalmará, sei que sim.

 

 

 

Misericórdia

 

Sentir a miséria do outro verdadeiramente no nosso coração e prestar o nosso auxílio.

Sem julgamentos.

Sem opiniões.

Sem recriminações.

 

Separar a pessoa dos seus actos. 

Uma coisa é a pessoa em si outra coisa são os seus actos num qualquer momento da vida.

 

 

Bela lição de misericórdia... tanto dito em tão poucas palavras...

 

 

Para mim, ou "para o outro"?

Como é que uma pessoa faz a coisa certa, e o sentimento com que fica é de tristeza em vez de satisfação?

 

A resposta encontrei-a à bem pouco tempo. De facto há uns anos, eu pensava que devia fazer bem aos outros, para ser boa pessoa, para ser boa amiga. Assim, sempre que fazia alguma boa obra orgulhava-me de o ter feito e sentia uma enorme satisfação.

 

Por outro lado, nas coisas mais significativas  que fiz nunca em momento algum me senti " a maior". Ora a contradição de tudo isto fez com que aos poucos conseguisse ver a tal linha que separa a caridade da caridadezinha. Quantas vez eu fiz a segunda em vez da primeira? Muitas, infelizmente.

 

Cada vez que dei uma roupa que já não me servia a alguém, cada vez que dei o que me sobrava, cada vez que me senti orgulhosa de contribuir para alguma "causa". Uma série de vezes, portanto.

 

Poucas foram as vezes em que, desprendida de orgulhos e munida de humildade ofereci aquilo que me fazia falta, ou fui ao encontro de alguém quando pecisava desse tempo para outras coisas, quando foi então que fiz alguma coisa e senti, no final, uma dor tão forte no coração em vez de uma alegria imensa?

 

É um bom exercício que tenho feito: considerar zero tudo o que faço só para me sentir bem, afinal não o estou a fazer pelo "outro", mas para mim mesma! Não estou a fazer o bem, apenas a alimentar o meu ego...

 

Se imaginar duas caixas vazias - uma para a verdadeira caridade outra para a caridadezinha e, por cada "boa obra" que já fiz, me questionar se o fiz por mim ou pelo outro, qual a caixa que enche primeiro? Pois é, a verdade custa sempre muito a admitir... certamente que poucas foram as vezes em que aquilo que fiz foi totalmente desprovido daquela sensação de superioridade perante os outros e foi feito com dor e humildade...

 

Acho que já vai sendo altura de deixar de falsos moralismos e falsas obras de caridade... preciso de encher a minha caixa da caridade com verdadeiras obras em favor dos outros!

 

 

 

DSCF6073.JPG

 

 

Noutra ocasião estava Jesus sentado no templo, em frente da caixa das ofertas, e observava como o povo lá deitava dinheiro. Muitas pessoas ricas deixavam grandes esmolas. Nisto, chega uma viúva pobre e põe na caixa duas moedas de cobre com pouco valor. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Fiquem sabendo que esta viúva pobre deitou mais na caixa do que todos os outros. Eles deram do que lhes sobejava; ela, porém, na sua pobreza, deu tudo o que tinha para viver."    Mc 12 41:44

 

 

Boa semana!