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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!



Terça-feira, 20.06.17

Tudo o que se perde

Nos últimos dias tenho procurado reduzir a procura de mais e mais informação sobre a catástrofe que e abateu neste país em que vivo, acompanho algumas publicações aqui no Sapo, outras no facebook, mas não vejo televisão. Não consigo. Três dias de luto nacional se calhar é muito pouco - eu nem sei bem para que serve o luto nacional - vejo imensas mensagens de condolências, bandeiras a meia haste, espetáculos cancelados (outros agendados). Mas o luto, esse vive-se no coração de quem tudo perdeu. Não me parece que existam muitas pessoas a quem tudo isto lhes passe ao lado. A vida segue o seu curso. Aqui, lá, em todo o lado. Aqui eu percebo. Estamos longe, não temos amigos entre as vítimas, não conhecemos ninguém a quem a tragédia bateu à porta, hoje é dia de consulta no médico, dia de escola, tenho de fazer o jantar como de costume. E mesmo assim, dói. Dói no coração, e mais fundo ainda. Não sei, nem imagino o sofrimento de quem não sabe dos seus, de quem espera, de quem só vê destruição. Perante uma tragédia destas os dias parecem-me diferentes, mais tristes, mais dolorosos. Lá, onde o fogo continua a arder o que sentirão aquelas pessoas, como conseguirão continuar com a vida depois disto? O tempo vai passar, será que nos continuaremos a lembrar de cada uma das vidas que se perderam? Será que alguém terá um dia coragem para mudar o que está errado? Nós vivemos nesta Terra, somos cuidadores dela, tudo o que temos é emprestado, para gerirmos com a melhor capacidade, perguntam sempre onde está Deus no meio da tragédia, sempre. Misturam sempre palavras "castigo", "justiça", "deuses". Deus não quer o mal. Deus deu-nos a capacidade de sermos livres pelas escolhas que fazemos, desde aquilo que queremos comer, àquilo em que transformamos cada milímetro quadrado da Terra. O ser humano é inteligente. É autónomo. É responsável.

 

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por Olívia às 13:39


3 comentários

De Fatia Mor a 20.06.2017 às 14:29

Perguntam sempre onde está Deus, não é? Também reparo nisso. Deus está em mim, está em todos nós. As suas leis também, inscritas na consciência, para que saibamos discernir sobre o caminho a seguir. Mas esquecemo-nos, vezes em demasia, em observar a essas leis. 
Acreditamos que o azar se abate sobre nós, nos momentos de dor, porque nos é mais fácil acreditar que nada tivémos a ver com a sorte que encontrámos. Mas a verdade, e como dizes, somos autónomos, temos livre-arbítrio. 
Para mim, para a minha crença, a vida humana é mais larga que a vivência da matéria. Há uma razão subjacente aos nossos percursos e, especialmente, a tragédias humanas desta dimensão. A Deus agradeço por não ter tido esta prova e peço-lhe pelos que tiveram que a enfrentar. 
E especialmente por aqueles a quem a fé, inexistente, não traz consolo...

De Alguém, algures a 20.06.2017 às 15:32

É isso, Olívia. Mas em vez de dizermos que somos todos muito bonzinhos e enchemos os quartéis de bombeiros de tanta coisa que já lá não cabe mais nada, temos de dizer que somos responsáveis. Nós, coitados, que não somos políticos, talvez não possamos fazer nada ou talvez sim. É preciso agir. Não queremos só bombeiros voluntários que podem ser heróis, mas não têm formação que chegue para combater o fogo. Não queremos pessoas que não administram a sua floresta, nem deixam administrar, pondo-se em perigo a si e aos outros. Não queremos heróis que morreram porque se não evitou, como devia, a sua morte. Não é fia-te na virgem e não corras. Temos de fazer a nossa parte

De Alguém, algures a 20.06.2017 às 15:37

Certa vez, houve uma enchente numa cidade, e uma casa, construída numa baixada, começou a ser inundada. Nela havia apenas um homem.
Este senhor começou a rezar para a chuva parar. Mas a chuva não parava. E ele rezava pedindo a Deus que parasse a chuva. Entretanto, a água foi subindo... até chegar à sua cintura.
Apareceu uma canoa. O canoeiro gritou: “Ei! Entre aqui!” Ele disse: “Não! Estou rezando e o Senhor vai me ajudar”. E a água subindo.
Logo ele teve de subir no guarda-roupa. Apareceu um barco a motor. Chamaram-no, mas ele deu a mesma resposta.
Minutos depois, o homem teve de subir em cima do telhado. E a chuva não parava, nem ele parava de pedir para Deus parar a chuva.
Com a água já nos joelhos, apareceu um helicóptero. Desceram uma cadeirinha até ele numa corda. Mas ele deu sinal que não ia, porque estava rezando para a chuva parar.
Aconteceu que a chuva aumentou, o homem foi levado pela correnteza, não sabia nadar e morreu afogado.
Logo que chegou ao Céu, já foi brigando com o primeiro que encontrou, que foi S. Pedro: “Deus não atendeu à minha oração!” disse ele. S. Pedro respondeu: “Como não atendeu, filho, se Deus lhe mandou a canoa, o barco a motor e até o helicóptero?”
“Pedi e vos será dado. Procurai e achareis. Batei e a porta vos será aberta. Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate a porta será aberta” (Mt 7,7-12). Mas Deus nos atende, não diretamente, e sim através das pessoas e dos recursos que ele deixou na terra, como essa canoa, esse barco a motor e esse helicóptero.
Outro aspecto da oração é que Deus dá o melhor para nós, que nem sempre é aquilo que pedimos. A inteligência dele é maior que a nossa, e ele conhece o futuro. Por isso, a hora melhor de recebermos uma graça pode ser não agora, mas daqui a vinte anos, por exemplo.
Maria Santíssima sabia rezar. Ela pedia a graça de fazer a vontade de Deus, não de Deus fazer a vontade dela: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim conforme a tua palavra” (Lc 1,38). Em outras palavras: Sou a tua escrava. Pode fazer de mim o que o Senhor quiser e quando quiser.
“Ensina teu povo a rezar, Maria Mãe de Jesus”.

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