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Adotar Amar Viver

Somos uma família católica que investe no tempo de família, aprendendo e ensinando, amando e vivendo com simplicidade. Somos o Álvaro e a Olívia, a Margarida, a Maria e a Lúcia!

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Uma tarde

Durante todos estes meses desde o nascimento da Lúcia fui sentindo os olhares de pena e escutando alguns comentários relativamente ao facto de ter vindo trabalhar - um mês depois dela ter nascido - e de a ter trazido comigo. Fui assim aguentando, tentando que nada disto me afetasse, sorrindo e levando cada dia o melhor que consegui.

 

Algumas das pessoas que mais me olharam com pena foram justamente mulheres que também tiveram bebés na mesma altura e que estavam em casa de licença.

 

Ter um bebé comigo na loja fez-me fechar a porta um sem número de vezes para cumprir com as minhas funções de mãe. Mesmo com o letreiro "volto já" as pessoas não esperam, não aguentam esperar... houve dias em que ouvia lá de dentro as pessoas comentarem coisas horríveis... mas a vida é assim.

 

Os meses foram passando, o inverno deu lugar à primavera (eu sei mal se nota com este tempo) e a Lúcia cresceu, aqui rodeada de gente, habituou-se a fazer um horário de trabalho, acorda às 7 e pouco, às oito estamos a sair de casa, às nove abrimos a porta... às cinco e meia estamos de regresso a casa...

 

Esta bebé não conhece outra vida, anda comigo para onde eu for... vai ao banco, à farmácia, às reuniões da escola, às finanças... ao supermercado, enfim a todo o lado. É assim desde o dia 12 de novembro, dia em que a trouxemos para casa. Durante seis meses eu nunca tinha estado mais do que uma hora sem a Lúcia ao pé de mim!

 

Mas, no sábado a minha mãe ganhou coragem e ficou com a Lúcia por umas horas, a ver se ela se habitua, não sei bem porquê, mas a minha mãe, que ficou com a Maria com um mês de meio de idade, estava com medo de já não dar conta do recado! Eu sabia que o Álvaro tinha de ir a Lisboa ver um trabalho e voluntariei-me para ir com ele. 

 

Assim, com as três filhas entregues à minha mãe, passei a primeira tarde longe da Lúcia... com o passar das horas fui sentindo um misto de saudade e de alívio... eu sabia que ela estava bem, mas a verdade é que sentia também que me faltava alguma coisa!

 

IMG_20160507_153147.jpg

 

Já em casa compreendi uma coisa, agora todas as mães que tiveram bebés em novembro estão a caminho do trabalho, tiveram de deixar os seus filhos numa creche, numa ama ou com alguém conhecido, sentem certamente uma grande dor no coração,a  dor da separação... mas eu continuo na mesma, todos os dias pego na minha filha e trago-a comigo!

 

Chego ao fim do dia terrivelmente cansada, com a cabeça a doer de tanto papel ter passado pelas minhas mãos, de ter falado com tanta gente durante o dia, do choro da Lúcia na grande aflição dos dentes que estão para nascer... das conversas sobre trabalhos de casa e testes e almoços e tudo mais... ao deitar a Lúcia respiro sempre fundo dando graças por ter conseguido "dar conta do recado" mais um dia na minha vida... e dia a dia vou continuando por aqui!

 

 

 

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